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Notícias Chico Miguel

25 de outubro de 2017

IDEOLOGIA DE GÊNEROS

Artigo de Chico Miguel

IDEOLOGIA DE GÊNEROS, O QUE É ISTO?

Francisco Miguel de Moura, escritor e poeta. 

Membro da Academia Piauiense de Letras

Quando li a machete no jornal, fiquei assustado: ‘O xente!’ Ideologia de gênios? Mas gênios não têm ideologias. A ideologia de gênios está somente na observação seja da natureza, seja do já criado pelo homem, para daí descobrir coisas novas e interessantes para o homem na terra e a prosperidade da sociedade que compartilha.

Mas, não! Havia me enganado. Perdão, leitores! O que estava escrito era “IDEOLOGIA DE GÊNEROS”, uma tal de modernidade que não tem valor científico nenhum. Não serve à humanidade. Trata-se de ensinar na escola pública (e se puder também estender para a particular) a ideia estúpida de que não nascemos menino ou menina, nascemos como se não houvesse sexo, o que não é verdadeiro nem científico: é uma criação maléfica, nua e crua. Dizer que é uma estupidez de quem prega isto e ainda estende para a sociedade, o estado, é mais do que absurdo: é uma aberração.

A “feminista” Glória Steinem queixa-se da “falsa divisão da natureza humana em feminino e masculino”(sic). E a escritora francesa Simone de Beauvoir pensou a gravidez como “limitadora da autonomia feminina, porque, alegadamente, a gravidez cria laços biológicos entre a mulher e as crianças e por isso, cria o papel de gênero”. Mas esse pensamento já deriva do anterior, de seu (marido?), o filósofo Jean-Paul Sartre, que pregava, diferente dos filósofos da época, mesmo os existencialistas Albert Camus e o próprio criador inconsciente do existencialismo, Dostoiévsky, o grande romancista russo, inigualável até agora, no mundo. Para fim de conversa, o filósofo atual, Augusto Cury, de todos nós conhecidos, contesta a filosofia de Sartre, pois acha “ingênua e romântica”.

Agora ouçamos a socióloga alemã Gabriele Kuby, sobre a Ideologia de Gênero: “É a mais radical rebelião contra Deus que é possível. O ser humano não aceita que é criado homem e mulher, por isto a tal ideologia é a mais radical contra a Natureza, contra a Razão, contra a Ciência! É a perversão final do individualismo: rouba ao ser humano o que lhe resta da sua identidade, ou seja, o de ser homem ou mulher, depois de se ter perdido a fé, a família e a nação”. (..) É uma ideologia diabólica: embora toda a gente tenha uma noção intuitiva de que se trata de uma mentira, a Ideologia de Gênero pode capturar o senso-comum e tornar-se uma ideologia dominante no nosso tempo”. Que Deus nos livre a todos!

Todas essas ideologiazinhas que são importadas pelos países colonizados e pobres como o Brasil, os quais não conseguem sair do populismo e – que dá no anarquismo e socialismo et caterva, quando não num comunismo de pobres como o dos países africanos, asiáticos e americanos – vide Cuba – de onde há muito tempo já desapareceram porque eram falsas, criadas por gente que sofrera numa guerra ou noutra, num deportação ou noutra – e, por acaso, foram tornando-se escritores e filósofos. Todos e todas – aqui, sim, vale o pleonasmo – já desapareceram no mapa do saber contemporâneo, todo baseado na pesquisa e na observação, do mundo e dos mundos.

A dita ideologia de gêneros, ao que parece, foi trazida por anarquistas e comunistas de países que progrediram para a democracia, e já não suportam mais tanta idiotice, como França, Alemanha, Inglaterra, Suécia, entre outros. Também, ao que me parece não existe no Japão e na China, que já consideramos o espelho de desenvolvimento e capacidade de progredir sem agredir nem vizinhos, nem sua própria sociedade. É um desejo desses maus ideólogos para acomodar aqueles que não são regulamente nem machos nem fêmeas, formando assim um treceiro sexo. A ciência até hoje não conseguiu uma explicação genética para esses transtornos sexuais, como para muitos outros de outra natureza. Porque, por mais que se queira dizer diferente – sexo vem da cabeça, assim quaisquer manifestações do corpo humano. Então o que se pode dizer é que nada que for ideado por ideologias será verdadeiro, se não for aprovado pela ciência. Vivemos a era das ciências. As ideologias passaram.

Alguém pode levantar-se e dizer que já na Grécia e em Roma existia um terceiro sexo. Mas é fato que aquelas civilizações faleceram, caíram de podres pela decomposição moral dos seus dirigentes e da plebe – que não tinha outro caminho.

Se temos que acreditar em mais alguma coisa – e temos certamente – apelamos para a história, quanto mais antiga melhor. A principal é a da criação do mundo, descrito por Moisés, nos seus sonhos reunidos em cinco livros da Bíblia – o Pentateuco. Segundo essa história sagrada, jamais contestada totalmente, Deus resolveu criar o Homem como “sua imagem e semelhança”. E o fez. Depois, sentindo que ele estava só e triste, criou a mulher, Eva, entregando ao casal o Éden, o paraíso aqui na terra. E disse que tomassem conta e produzissem filhos e filhas. Não consta que dessa família tenha saído algum anômalo sexualmente, ou seja, diferente dos demais.

Em Dezembro de 2012, o Papa Bento VI referiu, num discurso à Cúria Romana, que o uso do termo “gênero” pressupõe, o seguinte: “As pessoas que promovem essa ideologia de gênero colocam em causa a ideia segundo a qual têm uma natureza que lhe é dada pela identidade corporal que serve como elemento definidor do ser humano. Elas negam a sua natureza e decidem que não é algo que lhes foi previamente dado, mas antes que é algo que eles próprios podem construir(…) A Ideologia de Gênero é uma moda muito negativa para a Humanidade, embora se disfarce com bons sentimentos e em nome de um alegado progresso, alegados direitos, ou em um alegado humanismo”. Mas a Igreja Católica reafirma a sua concordância em relação à dignidade e à beleza do casamento como uma expressão da aliança fiel e generosa entre uma mulher e um homem: “RECUSA E REFUTA AS FILOSOFIAS DE GÊNERO, PORQUE A RECIPROCIDADE ENTRE O HOMEM E A MULHER É A EXPRESSÃO DA BELEZA DA NATUREZA PRETENDIDA PELO CRIADOR”.

 Na nossa humildade, acreditamos que tal ideologia, enfraquece a mulher. Em suma, lembrando o que já diziam os antigos: Quando o homem quiser saber mais do que Deus, o mundo deve estar no fim. É o Apocalipse.

02 de outubro de 2017

Obra importante: tese da professora Cristiane Pinheiro

Artigo de Chico Miguel

OBRA IMPORTANTE: TESE DA PROFESSORA CRISTIANE PINHEIRO

Francisco Miguel de Moura*. 

Há alguns meses recebi um volumoso livro, ainda apenas digitado, mas já no ponto de ser editado. Trata-se de uma obra do maior interesse para o Piauí. É a tese da Professora. Cristiane Feitosa Pinheiro, Professora Titular no Campus da Universidade Federal de Picos. Título de sua tese de doutorado, prestada oralmente aqui em Teresina, diante do corpo de professores da Reitoria da Universidade Federal do Piauí, doutores daqui e de outros Estados. Nome da tese que doutorou a Professora. Cristiano Feitosa Pinheiro: “ENTRE O GIZ E A VIOLA: PRÁTICAS EDUCATIVAS DO MESTRE-ESCOLA MIGUEL GUARANI NO VALE DO RIO GUARIBAS(1938-1971)”.

Esta, sim, é uma obra de peso e medida. A Universidade já deveria estar se preparando, se é que não começou, a publicá-la para, inclusive, melhorar suas publicações de teses, às vezes sem muito conteúdo,outras enviesadas para o lado de teorias e dogmatismos estranhos e desnecessários ao nosso meio.

Mas o que acontece com a tese de doutorado da Professora. Cristiane Pinheiro é bem diferente: Trata do problema educacional no Piauí exatamente com foi no interior do Estado e como, certamente, ainda continua problemática, quando miseravelmente pouco atacado pelas autoridades e quando assim, de forma distorcida, sem observar o passado. 

O passado nos ensina.
Um simples mestre-escola do interior de Picos, mais precisamente do Vale do Guaribas e de seu afluente, o Riachão, trouxe à baila seu grande trabalho em favor das populações daquele interior esquecido, depois desassistido. Miguel Borges de Moura (Guarani) na verdade era bastante conhecido em todo aquele interiorizarão, pois era como que um faz de tudo, desde que para servir os seus conterrâneos e os seus filhos, livrando-os do analfabetismo e indo muito além, pois lecionava o que seria equivalente ao Exame de Admissão ao Ginásio (que ainda não existia no grande burgo – a cidade de Picos). Matéria que ensinava: Português, Aritmética, Geografia, História Geral e do Brasil, além de rudimentos de Ciências.
Quando, no final do século XIX, iniciei a pesquisa sobre Mestre Miguel Guarani, meu pai, ele já não era vivo (faleceu em 07-08-1971). Mas trabalhou incansavelmente até o falecimento, ensinando às crianças, adolescentes e adultos, aquelas matérias e mais: as regras do bem viver, como se chamava a moral e a conduta das pessoas na sociedade, pois ele lecionava também religião. Minha pesquisa durou desde o tempo do seu falecimento até o finalzinho daquele século. Somente em 2005 foi possível publicar o livro de minhas pesquisas e memórias sobre ele, com o título nada pomposo – apenas explicativo: “Miguel Guarani – Mestre e Violeiro”.
Não falei ainda da aquisição desse saber de Mestre Miguel sobre a poesia popular e as cantorias tão comuns no Nordeste. No começo fazia cantorias somente acompanhado, ou melhor, combatendo outro cantador, em versos excelentes perfeitamente improvisados. Foi nessa época que impressionado com o que meu pai fazia, da forma como fazia e gradeza dos seus gestos como Mestre. Ouvindo sua primeira cantoria (depois ouvi muitas), tornei-me realmente seu fã mais do que já era e comecei a entender quão grande era sua inteligência e generosidade, pois não trabalhava por dinheiro,o que ganhava era suficiente (para ser otimista), suficiente para sustentar a família em suas necessidades essenciais. E o que ganhava um Mestre Escola? Melhor nem falar e sentir como o professor nunca foi aquinhoado como devia pelo seu duro trabalho. Professor é um abnegado, que se sacrifica sem saber porquê. Ou melhor, sabe? É bem bem da comunidade sem esperar recompensa.
Poderia falar muito mais do que está no livro que escrevi e mencionei acima, mas acho desnecessário, visto que a Professora Cristiane Pinheiro fez uma pesquisa das mais profundas sobre o assunto, que colocou na tese, entrevistando pessoas que hoje estudam, trabalham ou são professores da Universidade.
Colocando aqui um trecho de sua dissertação, acho que não cometo nenhum pecado, mesmo sem a permissão dela, a autora, grande autora, grande criadora, grande mestra: 
“Mestre Miguel de Moura adquiriu na experiência da sala de aula – casas, fazendas, povoados- as estratégias necessárias para exercer o ofício de mestre, fortalecer as raízes da profissão docente em Picos e adquirir respeito na sociedade em que estava inserido.

Diante de todo o cenário apresentado, resta perguntar: Como se deu o processo de formação e atuação do meste-escola Miguel Borges de Moura, nas comunidades rurais picoenses, através das veias líquidas do Guaribas?” 

A resposta que faz, como estratégia, está toda, e com minudências, no livro tese da Professora Cristiane Feitosa Pinheiro, de 281 páginas. Quando iremos lê-lo em todo o seu teor, em livro publicado pela Universidade Federal do Piauí? Ela, a Universidade, tem o dever de tornar esta tese pública, não apenas pela internet, mas também como livro de papel, para servir de modelo à demais que então se fazem. Sim servir de modelo, sem nenhum desdouro.

Quanto a mim, cabe agradecer penhoradamente o presente que ela me fez e à Educação Piauiense/Picoense, louvando-se, em grande parte, nas obras “Miguel Guarani, Mestre e Violeiro” e “O Menino quase Perdido”, ambos de minha autoria. Mais no primeiro que no segundo, que é apenas um complemento do que eu havia começado a pesquisar e contar.
É claro que a Professora Cristiane Pinheiro presta um inestimável serviço à História da Educação do Piauí, quiçá do Brasil, pois ambas se confundem no que denominada História. Só o futuro reconhecerá.
Não importa. Importante é fazer o que se tem de fazer e fazê-lo bem-feito, para o conhecimento das futuras gerações de estudantes e professores. É isto que acabamos de pincelar sobre o trabalho da Professora Cristiane Pinheiro, da Universidade Federal do Piauí, servindo no Campus de Picos.

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*Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, membro da Academia Piauiense de Letras (APL) e da Academia de Letras da Região de Picos (ALERP)

08 de setembro de 2017

PREFÁCIO AO NOVO LIVRO DE JOSÉ SOLON DE SOUSA

Artigo original de Chico Miguel

PREFÁCIO AO NOVO LIVRO DE JOSÉ SOLON DE SOUSA

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP e da APL

O novo livro do poeta Solon de Sousa tem nome esquisito: “Carissimidades/ Poesia Cem”. Somente os poetas entendem os poetas e, como prefaciador, não devoexplicar nada à maioria dos leitores. Prefaciador não devo explicar nada a ninguém, nem mesmo ao autor. O que o poeta diz ou escreve tem sua linguagem cifrada em poesia e poesia não se explica. Lemos, interpretamos como queremos ou podemos. Assim, ninguém perguntaria ao poeta: - O que é que você quer com isto? Essa pergunta seria uma ofensa a qualquer autor. E o prefácio significa uma apresentação do livro, do seu autor, e tal como o prefaciador entendeu ser necessário e bom para os leitores. Numa apresentação não se faz críticas. Tece-se elogio ou não se faz. Como poderia recursar uma apreciação à poesia de Solon, se já fiz o mesmo no primeiro livro, que achei muito bom como estreia?

Feito este exórdio, passemos ao que interessa. Já li o amigo José Solon de Sousa em seu primeiro livro como disse. Depois li outro livro de sua autoria, em prosa, denominado “Você é meu orgulho”. É um cidadão de caráter, probo e competente médico, natural de Jaicós-PI. Mas hoje tem também endereço em Picos. Excelente amigo, não tem apego a dinheiro, gosta muito de música e compõe composições populares, estilo atualmente em vigor na mídia brasileira. Como médico, conhece profundamente sua profissão. Na literatura, o que ele deseja expressar é sua alma, por dispor de tempo e por motivos vários de sua vida, o que não fez antes por falta de espaço e tempo somente ocupados nos estudos e no trabalho. Literatura serve também para isto. E isto ele o faz muito bem. Seus ritmos são singulares, letras com rimas comuns, mas algumas vezes aparecem metáforas não usuais. Assim, não somente o nome do livro é esquisito: assim parece o autor e sua poesia. E qual o poeta que não é esquisito?

É necessário que o leiamos com cuidado, carinho e amor. O poeta merece.

Entretanto, eu recomendaria aos leitores sobretudo os poemas curtos sobre problemas humanos e científicas que, muitas vezes parecem descritivos, mas se assim o são é por necessidade de um vocabulário que nem todo leitor comum tem. Nem mesmo os poetas como este prefaciador, que nada sabe de ciências. Outro tipo de poemas que vejo com muito bons olhos são aqueles que tratam do campo, da roça, das árvores, das lagoas e riachos e dos passarinhos, quando, com alegria, o rancho de sua propriedade animam. Citarei o título de alguns: “Histórias Viva”, “Andropausa”, “Amor amor”, “Ainda bem”, “Voltarás” e “Viveiro,” entre outros. Uns biográficos, outros científicos (misturados com poesia em contradições e metáforas) e os políticos. Não gosto de política em poesia, porque a política da poesia é a forma, o ritmo, linguagem figurada (que fica bem distante da linguagem comum). Mas daí vem a contradição ao poeta: Como ser popular, sem o vocabulário do povo?

Por que falar tanto no livro e no poeta e não mostrá-lo?

Eis aqui um dos seus poemas que apresenta a maior originalidade, um modo comum de os poetas começarem suas obras, dizendo a que vêm e como são:

“Quem vai querer? / Uma casa onde tem poesia /tem luxo. / Não que seja uma casa cara / É uma casa caríssima. //Caríssimos poetas / Caríssima é a poesia! / Carríssimas virtudes / Caríssimos colegas.// Uma casa onde impera outras casas caras /Não tem luxo / Tem ostentação. / É uma casa cara. //Sem carissimidades…/ / Poesia Cem É a minha cara! / Quem vai querer? // Sem forma / Sem estrutura / Sem endereço // Sem id /Ou revide.// Sem pé/ Nem cabeça. /Sem Nada. // Contudo // Isso // Ilhéu imaginário. //Em número // Ilhéu imaginário // Em número de cem // Original / Estilo: // Solon Reis Jacob”.

É seu estilo no livro todo, o qual explica sua poética, seu modo de fazer. Observemos que já o grande poeta Fernando Pessoa inventou vários poetas (heterônimos famosos) em si mesmo para poder expressar bem o que era e o que podia não ser. O grande dramaturgo inglês Shakespeare escreveu: “Eu não sou quem eu pareço ser”. Por essas palavras, sabe-se que a vida só não basta, precisa-se da literatura, do teatro ou de outra arte que nos expresse. Quem seriamos nós sem a palavra? Nos dias de hoje, nós, poetas, nos sentimos frustrados porque não somos considerados gente, porém animais estranhos do tempo dos dinossauros, que foram resistindo, com resiliência, alguns escapando pelo fio da música ou do teatro. Mas nos conformamos em saber que a poesia vem primeiro, vem sempre e chega sempre.

Voltando um pouco à poética de Solon de Sousa, ninguém se espante porque ele repete as palavras, brinca com elas. A repetição é um bom recurso da poesia. Veja a música, repete-se e desrepete-se. O mesmo truque da rima vem junto, completa. Não importa o descritivo para a música ou para a poesia: o importante é que contenha mistério (ou mistérios), pois somente nas almas eles são captáveis. Poesia é alma, é espírito feito carne em palavras. Digo sem querer repetir algo da Bíblia, todos somos a semelhança do espírito de Deus. Solon, poeta, Deus o abençoe. Os poetas são deuses.

  Parabéns, Solon! Parabéns, Jaicós! Parabéns, Picos!

01 de setembro de 2017

TUDO ESTÁ DOMINADO

chico miguel - artigo

“TUDO ESTÁ DOMINADO”, EM FIM ELES ESTÃO CERTOS

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

Tem horas em que a gente sente um desânimo, sentimento provindo da consciência de que nada que se faça terá valor. Nós, escritores, jornalistas, pensadores, poetas e críticos de arte e da sociedade, ficamos como animal no campo para não se esconder no mato: peados. Nada, enfim, que se faça poderá nos libertar do padrão de conhecimento de tudo que se passa às nossas ventas. A falta de disposição em aproximar-se da situação é tanta! Ficamos só a imaginar o que é, o que foi e como será o nosso futuro Brasil, especialmente se relacionarmos com os grandes e mais civilizados países do mundo.

O grande modelo dos políticos que aí estão - e eles impõem pelos meios que têm, e são muitos, especialmente pela educação cheia de teorias estranhas a tudo que temos, que fomos, que somos e ao que poderíamos chegar. Os alunos são desinteressados, os professores incompetentes, uns por sua condição de subdesenvolvidos a partir da família e outros, pelo mincho salário, pouca preparação que tiveram e, finalmente, pela falta de estrutura das escolas – física e intelectual – que entregam para guiar os que a procuram, escondendo dos pais a filosofia do ensino a que se apegam. E muitos desses alunos, muitas vezes entram apenas para comer a merenda escolar e outros até e apenas para passar o tempo.

Nessas condições, que povo nós esperaríamos ter para construir e reconstruir esta nação? Que homens, que cidadãos, mal alimentados, mal instruídos, mas acomodados, muitas vezes morando em choças que mais parecem casas de bichos, casas de ratos, quando não debaixo das pontes! E são eles que vão fazer e estão fazendo (ou desfazendo) o país dos Andradas, o país de Tiradentes, o país… (Hoje ninguém mais quer saber da história da pátria, hoje ninguém tem pátria, poucos têm caráter, e o resto, nenhum.

E se pensarmos na frase “Grande povo, grande povo!”, da avaliação de D. Pedro II, ao