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Celso Pires

Trump resistirá ao impeachment?

Se, historicamente o impeachment nunca deu certo, resta a dúvida em saber o porquê de os democratas estarem levando o pedido adiante.

10/10/2019 10:08h

O pedido de impeachment aberto pelos democratas no dia 24 de setembro pode, em última instância, resultar na remoção de Donald Trump da Presidência dos E.U.A. Entretanto, se trata de um processo político bastante difícil, particularmente com as divisões políticas atualmente presente em Washington. Procedimento tão complexo que nunca foi bem-sucedido, pois os E.U.A. nunca tiveram um impeachment presidencial. Nancy Pelosi, democrata que preside a Câmara dos Representantes, até agora vinha resistindo a apoiar iniciativas de impeachment, possivelmente porque a iniciativa poderia colocar em risco tanto as campanhas eleitorais de democratas moderados que vão disputar as eleições de 2020 quanto a própria maioria democrata na Casa. Se, historicamente o impeachment nunca deu certo, podendo inclusive ocasionar fortes efeitos colaterais sobre os próprios democratas, resta a dúvida em saber o porquê de os democratas estarem levando o pedido adiante. Possivelmente o maior ímpeto para alguns membros do Congresso seja a manutenção do Estado de Direito, embasado na ideia de que ninguém está acima da lei, incluindo o presidente. Não ocorrendo uma reação do Congresso, se abriria a oportunidade para Trump ou futuros presidentes terem liberdade para violar a Constituição Americana. Foi essa a justificativa que a democrata Nancy Pelosi usou ao anunciar a abertura do inquérito de impeachment contra Trump, dizendo que "ninguém está acima da lei" e que o presidente teria "quebrado seu juramento presidencial e violado a Constituição". A forte crença nesses princípios pode ser a motivação do pedido de impeachment, mesmo que o processo fracasse. Histórico de polêmicas e lamúrias contra Trump começaram pouco depois de ele assumir o poder. A perspectiva de um impeachment circula desde os primeiros dias da Presidência de Trump, onde casos como o da investigação a respeito da interferência russa na eleição de 2016 elevaram os clamores por uma ação do Congresso Americano. E a atual polêmica em torno do telefonema de Trump ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez essa pressão aumentar. O caso da Ucrânia, com a possibilidade de que Trump tenha usado seus poderes presidenciais para pressionar um governo estrangeiro a fabricar informações negativas sobre um rival político, acabou levando a essa determinação democrata em contemplar uma abertura inequívoca em direção ao impeachment. Contudo, para além do princípio de que ninguém está acima da lei, existem possíveis motivações políticas. Pois, os democratas ambicionam atordoar a agenda política de Trump ou distrair sua campanha de reeleição para 2020. Não existe dúvidas de que os trâmites de impeachment podem ter efeito na Presidência. Os anos finais do governo Clinton, depois de seu processo de impeachment em 1998, foram totalmente dominados pelo tema. Atualmente, seu governo é lembrado primeiramente pelo escândalo sexual envolvendo Monica Lewinsky, cujos desdobramentos se estenderam por muitas décadas. Trump que já começou sua campanha de reeleição, tendo lançado sua candidatura em um evento para milhares de pessoas em Orlando, Flórida, em 18 de junho deste ano. O processo de impeachment pode acabar ocupando as atenções de Trump, criando obstáculos para seus planos de reeleição. Os Democratas creem que a opinião pública pode pesar contra Trump, mesmo que o impeachment não seja aprovado pelo Senado, o processo pode ter um considerável efeito na apreciação do público. Uma pesquisa de opinião do “YouGov” aponta que 55% dos americanos apoiaria o impeachment se for confirmado que Trump suspendeu ajuda militar à Ucrânia para forçar autoridades do país a investigar Joe Biden, que lidera a corrida democrata rumo à campanha de 2020. Neste contexto, se mostra factível que novas revelações gerem um desconforto de tal grandeza que dificultem a permanência de Trump no cargo, sendo que existe um precedente histórico para essa situação. A história nos traz o exemplo de “Watergate”, nos anos 1970, onde o presidente Richard Nixon, no início do processo de impeachment, quando do início das audiências no Congresso, apenas 19% da população opinava que ele precisaria deixar o poder, ou seja, que deveria sofrer impeachment. No entanto, à medida que emergiram mais informações sobre o que Nixon sabia em conexão com o escândalo de Watergate, essa proporção cresceu. Ao fim do processo, quando ele acabou renunciando para evitar o impeachment, esse número foi para 57%, uma grande maioria em favor do impeachment. O resumo de toda essa conjuntura política está balizado em termos onde por mais que seja complexo a possibilidade de afastamento de Donald Trump, a probabilidade de seu banimento não é uma impossibilidade completa.


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