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Celso Pires

Meu nome é Boris, Boris Johnson

Boris Johnson é o mais cotado para assumir o posto de premiê deixado vago por Theresa May.

03/07/2019 08:45h - Atualizado em 04/07/2019 18:56h

A disputa por Downing Street, a sede do governo britânico, tem um favorito bastante evidente, o político Boris Johnson, ex-secretário das Relações Exteriores do Reino Unido e ex-prefeito de Londres. Ele é o mais cotado para assumir o posto de premiê deixado vago por Theresa May, que renunciou em meio aos impasses nas discussões dos termos de saída da União Europeia, o famoso “Brexit”. Agora, no final de junho, Johnson venceu a quinta rodada de votação entre os parlamentares do Partido Conservador, que governa o país, com 160 votos, contra 77 votos obtidos pelo atual chanceler Jeremy Hunt, o único político restante na disputa pelo posto de premiê. O próximo momento desse processo, envolve submeter os nomes de Johnson e Hunt aos cerca de 124 mil integrantes ativos do Partido Conservador, que decidirão em voto por correspondência, quem vai assumir o governo britânico na semana de 22 de julho. Boris Johnson, que adota um “estilo Trump” de se comunicar, já tuitou que estava ansioso por percorrer todo o Reino Unido apresentando seu plano para efetivação do “Brexit”, de forma a unir o país e criar um futuro mais brilhante para todos. Não se sabe bem, é como ele conseguirá realizar tal façanha. Tanto Johnson quanto Hunt são defensores do “Brexit” e prometeram implementá-lo o mais ligeiramente possível, lembrando que o prazo atual, já renegociado duas vezes, para a saída britânica da União Europeia será em 31 de outubro. No entanto, em meio a todas as bazófias apregoadas durante a campanha, o pragmatismo da realidade imposta ao vencedor, mostra que ele herdará ainda a crise política que permeia o “Brexit”. Esse imbróglio já derrubou dois premiês, pois além de Theresa May, David Cameron, renunciou diante dos resultados a favor do “Brexit” do plebiscito realizado em 2016. Ponderando sobre biografia de Boris Johnson, ele é conhecido por seu cabelo desgrenhado, algumas gafes, frases polêmicas e o gosto pelos holofotes. Sendo que ao mesmo tempo em é muito popular entre uma parcela relevante do Partido Conservador. Boris Johnson nasceu em Nova York, em 1964, e até pouco tempo tinha dupla nacionalidade britânico-americana. Uma curiosidade é que, sendo escolhido primeiro-ministro será o segundo caso de um mandatário que não nasceu na Grã-Bretanha. O primeiro foi de Andrew Bonar Law, que até hoje é o único primeiro-ministro britânico nascido fora da ilha. Ele nasceu na cidade de Kingston, província de Nova Brunswick, no Canadá; sendo que nesta época esta parte do país pertencia a Grã-Bretanha, ou seja, era território britânico. Seu mandato foi entre 23 de outubro de 1922 e 22 de maio de 1923. A situação de Boris Johnson será ainda mais singular pois, como já dito, ele nasceu em um outro país, apesar de seus pais estarem a serviço do Reino Unido. Tendo voltado para a Inglaterra, Boris estudou em Eton, centenária e prestigiosa escola privada inglesa, e depois na ilustre Universidade de Oxford, percurso este bastante tradicional entre personalidades da elite política britânica. Na universidade, integrou o afamado Bullingdon Club, um antigo clube exclusivo para estudantes homens e ricos, conhecido na Inglaterra por suas festanças regadas a bebida e agitação. Boris estreou sua vida profissional como jornalista do periódico The Times, onde foi peremptoriamente demitido após ter sido acusado de inventar uma frase de um entrevistado. Ele entrou definitivamente para o cenário político em 2001, quando foi eleito parlamentar. Três anos depois, foi demitido de um alto posto na hierarquia do Partido Conservador por ter supostamente mentido a respeito de um caso extraconjugal. Apesar das acusações, foi reeleito para o cargo no ano seguinte e, em 2008, conquistou a prefeitura de Londres, que ocupou por oito anos. Neste momento de sua vida, já era nacionalmente conhecido, mormente pela alcunha de Boris. Johnson voltou ao Parlamento em 2015, eleito por um subúrbio do noroeste de Londres. No plebiscito de 2016, a respeito da permanência do Reino Unido na União Europeia, foi umas das principais figuras políticas a apoiar o voto a favor do “Brexit”, que terminou sendo vitorioso. Com a saída do premiê David Cameron, Johnson foi um dos cotados a assumir o governo em 2016, no entanto acabou sendo preterido depois de perder o apoio de seu coordenador de campanha, que na ocasião questionou sua capacidade de liderança, ou melhor, a falta dela. Na época, ascendeu Theresa May, tendo Boris se tornado o secretário de Relações Exteriores. Johnson foi chanceler por dois anos e deixou o cargo depois de várias cizânias públicas com May por conta do “Brexit”. Em junho de 2018, ele declarou que a então premiê precisava mostrar "mais coragem" nas negociações com a União Europeia e insinuou que o presidente americano, Donald Trump, que hoje é seu apoiador, seria capaz de fazer um trabalho melhor do que May. Boris Johnson tem dito que, se for escolhido premiê, se comprometerá com o prazo do “Brexit” de 31 de outubro, mesmo na ausência de um acordo com o bloco europeu. Deus salve a Rainha... e o Reino Unido também.


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