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Notícias Carlos Brickmann

16 de janeiro de 2019

O primeiro-ministro comunista da Alemanha Oriental, Erich Honecker, foi deposto.

Pediu asilo a seus aliados da União Soviética, tão comunistas quanto ele

Hasta la vista, bambino

O primeiro-ministro comunista da Alemanha Oriental, Erich Honecker, foi deposto. Pediu asilo a seus aliados da União Soviética, tão comunistas quanto ele. Os soviéticos o devolveram ao Ocidente para ser julgado.

Césare Battisti buscou a proteção de Evo Morales, seu aliado de esquerda. Só que uma coisa é ser de esquerda na época dos vizinhos bolivarianos; outra, hoje. As coisas mudaram. E Césare Battisti não viu.

Acabaram com a prisão na Bolívia os 38 anos de fuga de Battisti à pena de prisão perpétua. Mas sua história está longe de ser esclarecida. Quem pagou as despesas de Césare Battisti nestes 38 anos? Quem pagou seus quase 12 anos de Brasil? A venda de seus livros? Seria caso quase único.

Quem é, de verdade, Césare Battisti, para motivar o envolvimento de tanta gente, em tantos lugares do mundo, nas campanhas em seu favor? Apenas membro do grupo terrorista Proletários Armados pelo Comunismo, e sem qualquer relevância, já que diz nunca ter participado de terrorismo?

Preso na Bolívia por policiais bolivianos e agentes italianos, Battisti foi enviado direto à Itália, sem passar pelo Brasil. Ao chegar à Itália, disse uma frase curiosa: “Agora sei que vou para a prisão”. Por que apenas naquele momento, já na Itália, ele se convenceu de que iria para a prisão? Estaria tão convencido de que brasileiro é muito bonzinho que, mesmo com a extradição decidida por Temer, mesmo sendo Bolsonaro o sucessor, com o STF contra ele, daria um jeitinho de se livrar? Quem saberá as respostas?

Completando o Governo

Bolsonaro escolheu dois novos auxiliares de excelente reputação: um é o porta-voz do Governo, outro é o líder do Governo na Câmara. Vão dar certo? Condições, têm. Mas tudo depende da coerência governamental.

O gato de Alice

O porta-voz do Governo, general Rego Barros, foi bem recebido: teve ótimo desempenho como chefe da Comunicação do Exército, entende-se com jornalistas e com ministros como o general Augusto Heleno. Mas há um problema: como dizia o Gato, em Alice no país das maravilhas, o caminho certo depende de para onde se queira ir. Se o presidente anuncia medidas que os assessores desmentem, se os assessores anunciam medidas que Bolsonaro desaprova, não há porta-voz que consiga fazer seu trabalho.

Líder e amigo

A outra escolha correta de Bolsonaro é de um político novo: o Major Vitor Hugo, deputado federal eleito pelo PSL de Goiás. Os jornais dizem que ele é bem aceito por vários militares do Governo, e é; mas sua escolha vem de cima. É velho amigo de Bolsonaro. Tem bom currículo primeiro colocado nas academias militares, advogado, consultor legislativo (primeiro lugar no concurso) na Câmara. Promete reconstruir as relações entre Executivo e Legislativo, esquecendo o toma lá dá cá. Tarefa pesada: passa por sua articulação, por exemplo, a reforma da Previdência.

Preço melhor alguém faz?

A revista IstoÉ Dinheiro tem uma pauta-bomba nas mãos: um processo em que o fundador da gigante Marabraz e irmão mais velho dos demais sócios da empresa diz com todas as letras que ele e os irmãos cometeram fraudes para lesar sua esposa, de quem se divorciava. Com as fraudes, diz, sua parte nos bens do grupo foi transferida ficticiamente para os irmãos, prejudicando esposa e filhos. E acabou sendo ele próprio prejudicado.

É briga de gente grande: os irmãos que controlam o grupo contrataram o advogado Nelson Nery, professor, autor e organizador de quase cem livros, parecerista de prestígio – segundo o Consultor Jurídico, cobra algo como R$ 300 mil o parecer. O irmão que faz a denúncia de fraude contratou o advogado André Frossard dos Reis Albuquerque, mestre em Direito Empresarial pela New York University; e a Átina, proprietária da marca Marabraz, da qual são sócios os dois filhos do denunciante, tem como advogada Lilia Frankenthal, da Comissão de Direito Penal Econômico da OAB/SP. O denunciante e seus filhos por enquanto estão vencendo: entre outras coisas, a Justiça acatou que, em princípio, até agora suas alegações não foram rebatidas, e ordenou aos atuais controladores que arrolem todos os seus valores e propriedades, para proteger o patrimônio em disputa. Se não houver o arrolamento, nos termos exigidos, a multa é de R$ 1,4 milhão por dia. A próxima edição de IstoÉ Dinheiro sai amanhã.

Retrato do Brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, doou dois carros da frota do palácio ao Hospital Materno Infantil, em Goiânia. Os carros são Equus, os Hyundai construídos para concorrer com Mercedes, BMW, Lexus, Audi. Os dois, diz Caiado, serviam para transportar o governador Marconi Perillo e esposa. Espera-se obter, com o leilão dos dois carros, algo como R$ 650 mil. Não resolve o problema todo do Hospital Materno Infantil, mas ajuda.

13 de janeiro de 2019

O Governo anunciou mas nada do que foi anunciado era bem assim

Mas não diga que aquilo que o Governo diz não se escreve: escreve-se, sim, e muito, em twitters, redes sociais, imprensa. Só não vale o escrito.

Tira, põe, deixa ficar

O Governo anunciou a redução da alíquota do Imposto de Renda, a criação de um novo imposto que substituiria quase todos os outros, o aumento do IOF, o aproveitamento da reforma da Previdência proposta por Temer, um regime único de aposentadoria para todos, incluindo os militares e os servidores civis, e nada do que foi anunciado era bem assim.

Mas não diga que aquilo que o Governo diz não se escreve: escreve-se, sim, e muito, em twitters, redes sociais, imprensa. Só não vale o escrito.

E daí? Boa pergunta: este colunista acredita que o Governo tem vários núcleos, mas só alguns são importantes. Paulo Guedes, general Augusto Heleno, Sérgio Moro, Tereza Cristina, da Agricultura, talvez Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia. Outros podem até ganhar estatura, mas por enquanto só servem como cortina de fumaça, como Damares ou Onyx. Fazem barulho, mas o que definirá o sucesso ou não de Bolsonaro são a Economia e a Segurança. Enquanto, seguindo Damares, se discute a cor das roupas de meninos e meninas, Paulo Guedes e Moro podem trabalhar mais tranquilos. Augusto Heleno é a voz que Bolsonaro ouve. Tereza Cristina só tem de manter o dinamismo do agronegócio. E Pontes – quem sabe? Se der para encaminhar a solução do problema de água no Nordeste, vira herói.

Com a economia indo bem, até Médici foi aplaudido no Maracanã. Se o combate a PCCs e CVs alcançar êxito, o Governo terá sido um sucesso.

Quem sabe fala

O economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas, disse à jornalista Sonia Racy, do Estadão, que as trombadas até agora ocorridas no Governo são desimportantes. “O que vale, de fato, é que Paulo Guedes e equipe estão preparando uma reforma da Previdência de impacto”.

Sem abusos

Economia é o mais importante, um golpe nas facções criminosas é uma façanha, mas a promoção do filho do vice Hamilton Mourão no Banco do Brasil, com um belo aumento, e a demora nas explicações de Queiroz, que trabalhava com o filho de Bolsonaro, são fonte de problemas. Não importa que o filho de Mourão mereça a promoção (seu currículo é ótimo), nem que parente algum de Bolsonaro tenha algo a ver com Queiroz, como dizem. Se fatos como esses ocorreram em outros governos, que não se repitam hoje.

Curiosidade

No WhatsApp de Sérgio Moro, a foto é de um jacaré devorando outro. Que significa? Nas diversas mitologias, segundo o Dicionário de Símbolos, várias versões. Na chinesa, o jacaré controla o ritmo e a harmonia do mundo e da vida. Em outra, carrega os mistérios da vida e da morte.

Globo em risco (falso)

Não, não é verdade que o presidente Bolsonaro tenha mandado cobrar uma suposta dívida da Rede Globo. Fala-se em R$ 380 milhões, calculados não se sabe onde – e a Globo, que tem distribuído dividendos de bilhões, certamente não iria quebrar se a dívida fosse essa e se houvesse cobrança.

Globo em risco (real)

Mas há poucos dias Bolsonaro falou num tema que ameaça não apenas a Globo (embora possa ser a principal vítima), mas todo o setor de TV. O tema é a BV – Bonificação de Volume, uma remuneração extra, mas legal, paga conforme o volume de compras de publicidade de cada agência, sem que o cliente seja informado.

A BV estimula a agência a anunciar em quem remunera melhor o volume. Funciona como esse sistema de acumular pontos em compras, só que é para valer: quem põe mais anúncios, sejam quais forem os clientes, ganha mais. O veículo fatura o valor do anúncio em nome do anunciante, que paga a porcentagem combinada à agência. E a agência recebe o por fora, com nota fiscal, tudo certinho. Sem a BV, muda tudo, inclusive a análise de onde colocar os anúncios dos clientes.

O perigo

Algumas agências, graças à BV, preferiram oferecer seus serviços de graça. Nada recebem dos clientes, mas a BV lhes dá bom faturamento. Há alguns anos, o Ministério Público quis agir contra a BV: achava que, se o veículo devolvia parte do que lhe foi pago, isso deveria ser entregue ao cliente, não à agência. As agências brigaram e ganharam. Há publicitários contra a BV, que consideram um tipo de suborno, induzindo as agências a anunciar em quem tem BV maior – ou seja, a Globo. Questão explosiva.

A explosão

O deputado federal Alexandre Frota só aguarda a posse para apresentar projeto que proíbe a BV. Ele é Bolsonaro e odeia a Globo desde criancinha.

Dilma e o general

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, que comanda os serviços de inteligência e informação do Governo, disse que Dilma não acreditava em inteligência. O general está errado: Dilma jamais deixaria de acreditar em algo que nem conhece.

09 de janeiro de 2019

Tá todo mundo louco, oba!

“Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”.

O autor da frase, Octavio Mangabeira, foi modesto: no Brasil todo há precedentes de tudo.

Grupos do PT articulam a indicação de Lula ao Prêmio Nobel da Paz. Bom, se for contemplado, ficará ao lado de Obama, que ganhou o prêmio ao chegar à Casa Branca e foi o primeiro presidente americano a passar em guerra todos os dias de seus dois mandatos. Mas o objetivo dos lulistas não é figurar na galeria ao lado de Obama, que afinal de contas era presidente “duzianqui” e o surpreendente líder “dos galeguinho di zóio azul”: é criar um paralelo com Nelson Mandella, que saiu da prisão para dirigir a África do Sul, e deixar mal o Governo, que teria de soltar Lula para receber o prêmio ou mantê-lo preso enquanto o Comitê Nobel tentaria homenageá-lo.

Em Sinop, no Mato Grosso, a mãe foi a um bar com amigos e deixou os quatro filhos pequenos sozinhos. Ao voltar, viu um homem de 36 anos nu na cama com sua menina de cinco anos. Espancou-o com cabo de vassoura e cano de PVC. O cavalheiro foi para o hospital. Ela foi presa por agressão. Lembra um caso recente, em que os mesmos bandidos invadiram a mesma casa três vezes, roubando tudo e espancando os moradores. Na terceira, o dono da casa tomou o revólver de um bandido e matou-os. Foi preso na hora, pela mesma polícia que, enquanto ele era assaltado repetidas vezes, não tinha sequer sido vista nas proximidades do local dos crimes.

Bobeou, dançou

O ator José de Abreu pisou em falso: em seu twitter, acusou o Mossad, serviço secreto israelense, de ter tramado e executado um atentado falso a Bolsonaro, com a cumplicidade do Hospital Israelita Albert Einstein, onde o então candidato, segundo ele, se fingiu em risco. A prova disso, disse Abreu, é que o primeiro-ministro israelense Benyamin Netanyahu veio ao Brasil para a posse de Bolsonaro. Vieram também dezenas de chefes de Estado e de Governo, mas não eram judeus, e Abreu não quis culpá-los.

A reação

O Einstein, um dos melhores hospitais do país, internacionalmente reconhecido pela qualidade de seus serviços, foi difamado: Abreu lhe atribuiu comportamento criminoso, por dizer que as cirurgias que salvaram a vida de Bolsonaro eram apenas parte de uma farsa. E ainda nesta semana o Einstein entra com queixa-crime, por difamação, contra José de Abreu, Propõe também ação civil de reparação de dano moral, sendo a indenização destinada a obras beneficentes. Na ação civil, os advogados do Einstein são Hilton e Décio Milnitzki. Na criminal, o caso está com o escritório de Carlos Kauffmann.

Tentando escapar

José de Abreu postou a mensagem em que culpa os judeus pelo atentado a Bolsonaro e, não muito tempo mais tarde, a retirou. Mas a mensagem já tinha sido gravada: Abreu se esqueceu de que, depois de desferida, não há como esconder a difamação, nem fazê-la simplesmente desaparecer.

Igualdade seletiva

Hélio Negão, o negro mais bem votado nessas eleições, com pouco mais de 345 mil votos, tomou posse como deputado federal do Rio sem notícias especiais, sem manifestações do movimento negro, sem ONGs a apoiá-lo. Há motivo para essa indiferença: Hélio Negão é negro, luta contra o racismo, mas é do PSL, partido de Bolsonaro. E sofre agressões por isso, de cunho discriminatório: um músico ligado a partido adversário o chamou de “Negão do Bolsonaro”. Pelo jeito, um cidadão negro tem o direito de votar em quem quiser, desde que seja no partido dos bem-pensantes,

O grande dia

Sim, a previsão existe – mas nunca se sabe, pois Bolsonaro diz e desdiz, é desmentido por auxiliares de primeiro e segundo escalões, o que fala não se escreve (talvez um twitter, mas nem isso é definitivo), Enfim, prevê-se que as ideias do Governo sobre Previdência sejam reveladas na quarta-feira. O Governo está no início, mas o assunto é urgente: ou consegue votá-lo ainda sob o impacto da vitória eleitoral ou fica para o longínquo futuro.

Olha a chance!

Bolsonaro, falando na posse de presidentes de bancos estatais, prometeu dividir a verba oficial de publicidade de acordo com o retorno oferecido pelos veículos. Perde uma oportunidade única: a de cortar dramaticamente a gigantesca verba de publicidade, mantendo-a apenas para as empresas federais que disputem mercado. As monopolistas, para que publicidade? O Governo, para que publicidade? Para dizer que o presidente come cachorro-quente e hambúrguer? Este colunista também come e não é nem candidato. Que cada veiculo lucre com consumidores e patrocinadores – e apenas eles.

Faz-se a luz

Palocci está depondo sobre fundos de pensão. Ele conhece.

02 de janeiro de 2019

Torcer muito, acreditar um pouco

É tolice querer que o piloto do avião em que todos voamos cometa erros graves.

Até domingo, o clima era dominado pelas esperanças de que o voo dê certo. Há boas notícias da economia, que se recupera – lentamente, mas melhora. O desemprego é um pouco menor (e o índice melhora se forem levados em conta os informais). A expectativa da população é boa, segundo a pesquisa Datafolha: 65% acreditam que Bolsonaro fará um bom governo.

Mas há problemas. Michel Temer sancionou o aumentão dos ministros do Supremo, porém não decretou o novo salário mínimo. Nada de especial: de R$ 954 iria para R$ l.006 mensais. Deixou o aumento de despesas para o novo Governo. E nomeou o inacreditável Carlos Marun, amigo de fé de Eduardo Cunha, para o Conselho de Itaipu, com mandato até 2020. Pelas normas das estatais, um conselheiro precisa ter atuado dez anos na área, ou ter quatro em empresa do ramo, de igual porte. Marun – bem, é do MDB. Bolsonaro pode demiti-lo, mas o MDB não aceita bem a perda de cargos.

Há Ônyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Já responde por caixa 2 no Supremo. Já foi perdoado por Moro por ter pedido desculpas em outro caso de captação de recursos. E descobre-se que, na campanha de Bolsonaro, cobrou da Câmara as passagens aéreas. Ficou bravo: disse que não precisa explicar nada, porque não gastou em sua campanha, mas na do presidente. Ônyx já é um peso para Bolsonaro. Ao falar, ainda se complica.

Calma geral

Houve preocupação, muitos temiam um atentado, mas correu tudo bem. Bolsonaro desfilou de carro aberto pela Esplanada dos Ministérios, sem qualquer problema. O Gabinete de Segurança Institucional, do general Augusto Heleno, foi ótimo na prevenção de anormalidades. Muita gente, provavelmente o recorde de público de posses presidenciais, e nenhum incidente sério. Houve um caso em que o general falou sem necessidade (nota abaixo), mas inaugurou sua temporada no GSI de maneira impecável.

Calma, general

Poucos dias antes do fim do ano, Bolsonaro anunciou que, por decreto, iria facilitar a posse de armas. Nada a explicar: era sua promessa de campanha, e os eleitores o respaldaram. Mas o general Augusto Heleno, hoje chefe do Gabinete de Segurança Institucional, quis ajudar, dizendo que morrem 50 mil pessoas por ano em acidentes de trânsito e nem por isso se proíbe a venda de automóveis. Argumentou mal: os carros têm uma finalidade e as mortes ocorrem por falha ou imperícia. Já as armas só têm uma finalidade. Não podem ser comparadas com carros.

Calma, governador

O novo governador de São Paulo, João Dória, anunciou ao tomar posse sua primeira providência: não vai morar no Palácio Bandeirantes, sede do Governo paulista. Disse que o Bandeirantes será “o palácio do trabalho” e não de moradia – a seu ver, corta assim privilégios e mordomias para sua família. Só que não é bem assim: o palácio tem um corpo de segurança que garante tanto o ambiente de trabalho como a família do governador. Agora será preciso montar mais um corpo de segurança, para a casa de Dória. Os serviços de apoio para este grupo, já existentes no palácio – academia de atletismo, intendência, atendimento de emergência – terão de ser duplicados. Em termos de economia, não passa de uma falsa boa ideia. A propósito, Collor teve ideia semelhante, e ficou morando na Casa da Dinda.

Bate-bate

Dória fez duro discurso contra os adversários – mas adversários de seu próprio partido, o PSDB. Disse que “a partir de agora” São Paulo vai mudar, “vai ter comando”. E que no palácio haverá mais trabalho e menos cafezinho para os visitantes. O PSDB governa o Estado desde 1995, com Mário Covas, Geraldo Alckmin (três vezes), Alberto Goldman e José Serra, com pequeno intervalo de Cláudio Lembo, quando Alckmin se afastou para candidatar-se à Presidência. Antes desse período, Franco Montoro (que seria um dos fundadores do PSDB) governou o Estado, eleito pelo PMDB.

Para apadrinhar Dória, Alckmin brigou com Serra, Goldman, Fernando Henrique, Andrea Matarazzo e outros caciques. Agora, só lhe restam eles.

O recordista

Michel Temer deixa o Governo batendo uma série de recordes. Apesar da crise, deixou a inflação estabilizada, abaixo da meta; encaminhou a reforma da Previdência; reformou a lei trabalhista; encerrou tecnicamente o período de recessão; e manteve os juros Selic em níveis mais civilizados.

Mas tem recordes para o bem e para o mal. Um presidente nunca havia sofrido, como ele, três denúncias durante o mandato. Não são as únicas: no total, há sete, que incluem de questões envolvendo o Porto de Santos até pedido de propinas em troca de favores. Como Temer está sem mandato, todos os processos deverão ser enviados a juízes de primeira instância.

31 de dezembro de 2018

As previsões do Pai Gordo

Um novo Governo assume depois de amanhã.

O Pai Gordo, famoso por ler o futuro no fundo de um prato de macarronada, prevê suas promessas:

1 – Repensar e reduzir o gasto público e reduzir o peso dos impostos;

2 – Realizar imediatamente as reformas necessárias, aproveitando o momento político da grande vitória eleitoral;

3 – Cortar na própria carne e reduzir o tamanho do Estado, que vai custar menos e atender melhor à população;

4 – Eliminar as indicações políticas. Agora é meritocracia: só os mais competentes serão nomeados, sempre por concurso;

5 – Chega de mordomias: cada membro do Governo viverá com seu salário, modestamente, sem auxílios, sem carros oficiais, sem penduricalhos.

6 – Todas as acusações contra gente do Governo serão rigorosamente investigadas, sem favorecimentos, antes que sejam atribuídas aos vermelhos petistas que deveriam arrepender-se de seus maus feitos e ir morar em Cuba.

7 – Caso as acusações, mesmo investigadíssimas, se provem verdadeiras, serão imediatamente comparadas com escândalos iguais ou até maiores praticados por governos anteriores, tornando-se, portanto, injustas quaisquer punições – pois, afinal, se todos já fizeram, é sinal de que todos fazem.

8 – Sérgio Moro não perdoará malfeitos nem de colegas de Governo, a menos que, como Ônix Lorenzoni, sejam rápidos para pedir-lhe desculpas.

Sugestão

Arquive esta coluna. Daqui a quatro anos, mantenha-se atualizado lendo tudo de novo.

Assim será

A posse de Bolsonaro ocorrerá em 1º de janeiro, Dia da Confraternização Universal. O PT já avisou que não tem confraternização: não vai à posse, porque a seu ver Bolsonaro ganhou graças ao górpi e “à injusta prisão de Lula, condenado sem provas”. O PT detesta Bolsonaro e o bolsonarismo, mas encara do mesmo jeito que o adversário as acusações contra petistas: a culpa é do acusador, sempre fascista, racista, inimigo do empoderamento feminino e lacaio duzianqui. Pelo jeito, chamar de “neoliberal” caiu de moda

Suplicy vai preparar a candidatura a senador, em 2020. Se não der, talvez tente algum prédio simpático que esteja sem síndico.

Lula pedirá o centésimo oitavo habeas corpus, que será negado. O PT dirá que isso é prova de que Lula é um preso político e Gleise insistirá: é górpi.

O vice Hamilton Mourão assume quando Bolsonaro fizer a cirurgia que falta. E, embora vá negá-lo, se transforma de fato no líder da oposição. Ele fala o que pensa. Quer até que o tal Queiroz explique o dinheiro. Mas como irão chamar o general de petralha vermelho e exigir que vá para Cuba?

Corta mas deixa

Bolsonaro distribuiu aos futuros ministros um manual de conduta nos primeiros cem dias, que inclui a revisão dos últimos atos do presidente Temer, previsão de corte de despesas, etc. Mas não toca em despesas que poderiam ser reduzidas: a da profusão de carros oficiais, ou a dos cartões corporativos, ou a dos imóveis funcionais. Continua grande o número de auxiliares. O vice Hamilton Mourão, por exemplo, poderia preencher 140 cargos e reduziu bem esse número. Mas fica com 65 – isso para ajudá-lo a esperar as ocasiões em que tiver de substituir o presidente.

Há males...

Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho de Bolsonaro, que movimentou R$ 1,2 milhão aparentemente sem condições para isso, não é ligado ao presidente eleito, não é considerado investigado, mas testemunha, e não há nenhuma conexão visível entre esse dinheiro e Flávio Bolsonaro. Mas depositou R$ 24 mil na conta da esposa de Bolsonaro, como parte da devolução de uma quantia que o presidente eleito disse ter-lhe emprestado (o que ele confirmou), explicou o caso a Flávio Bolsonaro, que achou as explicações “plausíveis”, faltou a dois depoimentos no Ministério Público por motivos de saúde, mas deu entrevista ao SBT. Na entrevista, explicou só parte da história: disse que ganha dinheiro com comércio de carros usados.

...que vêm para bem

Por que seu saldo cresce logo após a data de pagamento dos funcionários de Flávio Bolsonaro no Legislativo? Essa pergunta Queiroz deve demorar a responder: apresentou atestados que, segundo ele, comprovam câncer no intestino, que deve ser operado rapidamente. Só após a operação será ouvido.

Cadê Battisti?

Césare Battisti, condenado na Itália por quatro homicídios e com ordem de extradição do Brasil, continua foragido. Há quem suspeite que continue no país, escondido na casa de alguém que o apoie, talvez importante, para reduzir as chances de uma batida policial. Mas também já pode ter saído do país. Teve tempo suficiente para planejar a fuga e buscar um governo amigo.

26 de dezembro de 2018

A situação econômica, embora ruim, é bem melhor do que já foi

Enfim, uma boa notícia

O dia é bom: a ceia de Natal normalmente é caprichada, os religiosos ou foram à Missa do Galo ou a viram pela TV, houve presentes, famílias se reuniram (claro, com brigas, mas isso faz parte: acaba se incorporando ao folclore da festa). Há boa disposição, portanto. E a boa disposição faz com que a boa notícia possa ser bem recebida, sem o mau humor habitual de quem se habituou a ouvir lorotas.

A notícia: embora a situação econômica seja ainda muito ruim, é bem melhor do que já foi. E indica a possibilidade real de que possamos chegar a um ritmo aceitável de crescimento e acelerar a criação de empregos. O desemprego é de 12%, altíssimo, mas há um ano o número de desempregados era quase 1,5 milhão superior ao atual. O PIB, produto interno bruto, cresce a lentíssimos 1,3% no ano, quase nada diante dos 7% de queda com Dilma. Ainda se gasta muito, mas o déficit público está longe do buraco de 3,7% do PIB na época do impeachment. A inflação, que com Dilma flertava com 10%, está dentro da meta de 4%.

Falta muito: é preciso reduzir despesas, baixar os gastos da Previdência, negociar com o Congresso a aprovação de reformas importantes, verificar se é politicamente possível mexer na estrutura tributária na hora em que os Estados estão sem dinheiro e temem a possibilidade de perder receita. Falta dar impulso à indústria, estudar como outros setores da economia poderão repetir o êxito do agronegócio – quase tudo, enfim. Mas se vê que há saída.

A má notícia

Há saída, claro, se houver esforço conjunto para conter despesas. Estão os políticos tentando economizar? Não: há dias, o Congresso aprovou verba de R$ 927,7 milhões, em 2019, para o Fundo Partidário. De 1996 para cá, a quantia destinada aos partidos cresceu perto de 500%. O Fundo é formado por recursos do Orçamento, mais multas eleitorais. Seu crescimento explica a febre de criação de partidos políticos no país. Em 1996, segundo levantou O Estado de S. Paulo, havia 19 partidos com acesso ao Fundo Partidário. Hoje, são 30. Ter um partido vale a pena: dá dinheiro. A propósito, o Fundo existe para custear a estrutura dos partidos, mas é usado na eleição.

Diferente, mas igual

Como agora existe a cláusula de barreira (um número mínimo de votos para que o partido seja representado no Legislativo, e o dinheiro do Fundo só é dado a quem tenha representantes), muitas legendas devem se fundir, para que continuem a receber suas verbas. Reduz-se assim o número de partidos? Talvez – mas há também os partidos a ser fundados. A disputa no PSDB entre cabeças brancas (que querem o partido na oposição, embora não sistemática) e os cabeças pretas (que querem um partido bolsonarista) deve terminar com o atual PSDB nas mãos da facção Doria e a criação de um novo partido por cabeças brancas como Fernando Henrique, Alckmin, Serra, Tasso, Goldman e outros – como Paulo Hartung, do Espírito Santo, que quer um partido centrista, desejo também de Fernando Henrique.

E, não esqueçamos, o Partido Novo estreou com sucesso, elegendo até mesmo um governador. Seu exemplo deve estimular a criação de outros partidos.

A boa ideia

O deputado Alceu Moreira, do MDB gaúcho, presidente da FPA, Frente Parlamentar da Agricultura, disse que não foi difícil emplacar a candidata do grupo ao Ministério da Agricultura. Em entrevista a Os Divergentes (https://osdivergentes.com.br), contou que Bolsonaro pediu ao grupo uma lista com três nomes, para que ele fizesse a escolha. A FPA atendeu ao pedido: os três nomes eram 1) Tereza; 2) Cristina; 3) Corrêa da Costa Dias. Era o nome da deputada Tereza Cristina, então presidente do grupo, em três pedaços. Bolsonaro gostou da ideia bem-humorada e nomeou a indicada.

A má ideia

Talleyrand, o grande diplomata francês que conseguiu ser ministro no Reinado e na República, com Napoleão e com os inimigos de Napoleão, dizia que a palavra foi dada ao homem para disfarçar seu pensamento. Em boa parte, diplomacia é isto: a troca de confrontos armados por negociações em que as palavras, por definição, não podem transmitir agressividade.

O Brasil age ao contrário, ao retirar o convite para que Cuba, Venezuela e Nicarágua assistam à posse de Bolsonaro, por condenar seus regimes ditatoriais. Tudo bem – e a China, o maior parceiro comercial do Brasil, será uma democracia? Alguém irá “desconvidá-la”? E a Arábia Saudita, o Irã, a Guiné Equatorial, o Sudão, serão por acaso democracias? No fundo, com o sinal trocado, é a mesma posição de Lula ao apoiar abertamente a eleição de Evo Morales na Bolívia, também por motivos ideológicos.

O mundo como ele é

O futuro chanceler, Ernesto Araújo, disse que o Governo “terá postura firme e clara na defesa da liberdade”. Um belo pensamento, digno de aplauso. Mas de quem é que o Brasil vai comprar petróleo quando precisar?

19 de dezembro de 2018

Bolsonaro já desmentiu a notícia. Obras sacras ficam

Mas é errado haver obras sacras (e não sacras) na casa do presidente. As obras deveriam estar em museus, para que todos as vissem.

O certo e o errado

Bolsonaro já desmentiu a notícia, mas até pode só estar voltando atrás. Enfim, as obras sacras do Palácio da Alvorada, em que vai morar, ficam no local de sempre. Certo: se era para evitar o domínio de símbolos de uma só religião, pois o país é laico, teríamos de mudar mais coisas, até nomes com os quais nos acostumamos: São Paulo, Santa Catarina, São Luís, Salvador.

Mas é errado haver obras sacras (e não sacras) na casa do presidente. As obras deveriam estar em museus, para que todos as vissem. O presidente é um cidadão como todos: por que esse privilégio típico de milionários? Sim, o presidente não deve ser privado da arte. Mas boas réplicas – por que não?

Há mais coisas estranhas nessa história da retirada de obras de arte sacra do Palácio da Alvorada. Uma das obras realmente saiu de lá: a estátua de Santa Bárbara, que vem a ser padroeira da Artilharia. Foi para o Palácio do Jaburu, casa que será do vice, Hamilton Mourão. Como Santa Bárbara é a padroeira da Artilharia, e o general Mourão foi artilheiro, por que não?

Porque não; porque é errado. O lugar de uma escultura do século 18, de madeira, é um museu, com temperatura e umidade controladas. Nas mãos de pessoas não-especializadas, numa residência, a tendência é de que se deteriore o que deve ser conservado. Se Mourão for devoto de Santa Bárbara, que mantenha com ele tudo o que se refira à santa. E deixe a estátua, patrimônio cultural do país, para ser vista pelos cidadãos do país.

O homem e sua imagem

João de Deus está preso, e sob intenso ataque; perto de 400 mulheres o acusam de atos que vão de assédio sexual a estupro. Mas a surpresa não tem sentido: houve processos contra ele por contrabando, por exemplo. E por ato libidinoso contra adolescente – isso há mais de dez anos, em 2008. A moça, de 16 anos, fez a denúncia e depois se calou. Qual ato libidinoso? A adolescente foi apalpada; teve a mão colocada no pênis de João de Deus. A Justiça reconheceu os atos libidinosos, mas ele foi absolvido porque “a vítima poderia ter exprimido sua vontade”. A moça lá estava para tratar-se de Síndrome de Pânico. O fato é que, com esses processos e outros, João de Deus foi louvado até por Oprah Winfrey. E, em 2014, foi condecorado pelo governador goiano Marconi Perillo, com a Medalha do Guardião do Estado de Goiás, concedida por “ações reconhecidas como abnegadas”.

Dois pesos

As acusações contra João de Deus lembram muito as referentes a Roger Abdelmassih, que era médico especializado em reprodução humana. Roger Abdelmassih fugiu do país e foi encontrado graças ao empenho de uma das vítimas; condenado a 278 anos de prisão, conseguiu transformar a pena em prisão domiciliar. João de Deus, por atos semelhantes, está trancado numa cela, em prisão preventiva. E nem julgado foi! Abdelmassih saiu-se melhor.

Certo

O deputado federal eleito Tiago Mitraud, do Partido Novo, prometeu em sua campanha que cortaria mais da metade de sua assessoria parlamentar, de 25 para doze assessores. Depois de eleito, Mitraud participou do curso da Câmara sobre o trabalho legislativo e mudou de ideia: em vez dos 12 assessores com que planejava desempenhar seu trabalho, decidiu ficar com seis. Algo mais? Sim: para preencher esses seis cargos, abriu concurso. Se todos fossem como ele, nosso Legislativo seria muito mais ágil e barato.

Errado

A coluna anterior noticiou que o senador gaúcho Lasier Martins viajou de Brasília ao Rio para atender a compromisso familiar, usando as passagens fornecidas pelo Congresso. Esta parte da notícia está certa. Lasier explica que o fornecimento de passagens com nosso dinheiro está amparado no Regimento Interno do Senado, que a passagem aérea para o Rio é mais barata do que para Porto Alegre e que ele gasta menos de 20% da cota de passagens a que tem direito. É verdade; mas o senador não agiu certo. Espera-se que use as passagens a serviço e não para compromissos familiares. A segunda parte da notícia está errada: segundo Sílvio Ribas, assessor de imprensa de Lasier, ele se hospedou no Rio por conta própria. A coluna reconhece o erro cometido, esclarece o caso e pede desculpas.

Chega!

Um dos advogados mais conhecidos do país, Ives Gandra Martins, leitor assíduo desta coluna, discorda de nota publicada na última coluna. Nela, se sugeria que o Governo reduzisse a zero a publicidade oficial e mantivesse apenas a verba para empresas que disputam o mercado, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outras. Diz Ives Gandra Martins, e com toda a razão: “Banco oficial com clientes institucionais garantidos pela Constituição Federal (art. 164 § 3º), não deveria gastar dinheiro em publicidade”. É isso: não cabe a governos sustentar ou sufocar veículos de comunicação. Eles que sejam independentes e vivam sem o governo.

12 de dezembro de 2018

Não era costume, no Brasil, a Polícia investigar gente importante

Este colunista não sabe qual a parte dos Batista no total de devoluções de dinheiro sujo

De vento em proa

No tempo da ditadura que agora há gente que diz que não houve, corria uma piada sobre delação: quem denunciasse um comunista ganharia um Fusca, quem denunciasse dois comunistas ganharia um Opala, quem denunciasse três comunistas seria preso, por conhecer comunistas demais.

Pois é: a Polícia Federal, com base na delação de Joesley e Wesley Batista, promoveu busca e apreensão na casa de figurões políticos, como Aécio e sua irmã, o senador Agripino Maia, o deputado Paulinho da Força e outros. As delações dos Batista atingiram de empresários, que emitiam notas frias para eles, ao presidente Temer. Beleza: não era costume, no Brasil, a Polícia investigar gente importante. Mas com que resultado?

Como quem conhecia comunistas demais na ditadura, Joesley e Wesley conheciam corruptos em excesso. Isso não os impediu de, na primeiro hora, usar o dedo endurecido para se livrar da cadeia (o que só falhou quando se descobriu que tinham omitido parte da história). E, mesmo atingidos pela lei, estão hoje R$ 2,5 bilhões mais ricos que na época da delação.

Este colunista não sabe qual a parte dos Batista no total de devoluções de dinheiro sujo. Mas as devoluções estão, no conjunto, bem atrasadas: o STF homologou acordos pelos quais 170 delatores teriam de pagar R$ 1,3 bilhão de multas. Teriam; mas R$ 422,9 milhões já vencidos simplesmente não foram pagos. O barco está no rumo certo, mas com vento contra.


Um número, um exemplo

De acordo com Joesley Batista e um de seus diretores, Ricardo Saud, só o JBS deu a Aécio uns R$ 110 milhões em propina. Um governador recebe, em geral, outras ofertas, de empreiteiros, fornecedores, empresários. A quanto podem montar as propinas? Quantos dirigentes as terão recebido?


É golpe

Uma novidade no mercado da invasão de cartões de crédito de outras pessoas: alguém telefona para um telefone fixo e pergunta pelos donos da casa. Quando um dos donos atende, chamam-no pelo nome e perguntam se fez uma compra em loja fina de outro Estado. Quem liga se identifica como funcionário da loja e diz que, se não houve a compra, não fará a entrega da mercadoria. E aconselha quem atendeu a procurar a empresa emissora, cujo telefone está gravado no cartão, e fazer a queixa. Não faz perguntas sobre o cartão, nada. A pessoa liga, é atendida – mas em algum lugar da linha houve um desvio e a chamada é dirigida para o telefone dos golpistas. Ali lhe dizem que, como o cartão foi clonado, deve ser bloqueado. E ao mesmo tempo já providenciam o novo cartão. Na conversa, apuram os dados que lhes faltam (números, etc.) e vão às compras com o dinheiro dos outros.


O cerco a João de Deus

Em quatro dias, desde que foi feita a primeira denúncia contra João de Deus, que se apresenta como médium, o Ministério Público de Goiás já recebeu 78 denúncias de mulheres que dizem ser vítimas de abusos sexuais por ele cometidos. João de Deus é conhecido por promover sessões de cura espiritual em Abadiânia, Goiás, cidade que praticamente vive em torno de suas atividades. diz incorporar o espírito de Santo Ignácio de Loyola, que criou a Ordem dos Jesuítas. Sua fama é tamanha que a cidade vive lotada de pessoas em busca de cura espiritual e é difícil conseguir um horário em sua agenda. Desde que a denúncia foi feita, no programa Conversa com Bial, Rede Globo, no dia 7, João de Deus apareceu em público.


Por trás do Nobel

É um livro grosso, com quase 600 páginas de texto; mas é fácil de pegar e debnão querer largar. Maldito Prêmio Nobel conta as histórias que ninguém contava a respeito do Nobel – inclusive os problemas políticos, inclusive as inclinações ideológicas, inclusive quem é que, na hora da concessão do prêmio, procura influenciar os votantes contra ou a favor de algum dos candidatos. Um exemplo: as tentativas de impedir Albert Einstein de recebê-lo. Um belíssimo trabalho de um grande jornalista: João Lins de Albuquerque, correspondente internacional da Folha de S.Paulo, da revista Visão, do jornal português Expresso. João trabalhou na BBC em Londres, na Swedish Broadcasting Corp. em Estocolmo, foi diretor da Rádio da ONU em Nova York, e por vinte anos cobriu cada edição do Nobel. Ele conhece; pesquisou; e beneficiou-se com a mudança nas normas do Nobel, que passou a divulgar as atas 50 anos após cada prêmio. Boa leitura, ótimo livro, que se transforma em referência para ter em casa.


Homenagem

Neste domingo, no Cemitério Israelita do Embu, SP, a partir das 12 horas, haverá a cerimônia religiosa de descoberta do túmulo de um dos maiores jornalistas do Brasil, Alberto Dines. Dines (um dos padrinhos intelectuais deste colunista) criou no Brasil a crítica da imprensa – que falta isso faz hoje! E em suas mãos o Jornal do Brasil foi o melhor do país.


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