Cá entre mães

Vacina: a dor necessária

Se pudéssemos, livraríamos nossos filhos de todas as dores. Até mesmo daquelas pequenas, como tropeçar e dar uma cabeçada no colega. Mas não podemos. E ajudar os filhos a lidar com as dores é fundamental.

04/05/2014 10:44h

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Outro dia, conversando com mães, uma me disse que morre de pena de levar o filho para tomar vacina, porque dói. Ela confessou que já deixou de vacinar a criança, só para não vê-la passar pelo incômodo daquela dor.

Confesso. Meu primeiro pensamento foi: “é louca”!

Mas depois eu me lembrei da primeira vacina da Laura. Recém-nascida, pequenina e ainda sem as gostosas dobrinhas de hoje. Levamos ao posto de saúde para tomar a BCG. Gente, foi um sacrifício!

A profissional do posto de saúde estava com pena ou medo de machucar a minha filha. E como a pequena chorava, a técnica sentia mais pena ainda, e errava. Resultado: Laura foi furada quase dez vezes, para tomar a vacina.

Chorou, chorou. Eu e Alex choramos mais que ela, certamente. E sofremos. Demais mesmo. Foi muito duro!

Ainda sofro ao olhar a marquinha da vacina no braço da minha filha (estranhamente, como foi furada diversas vezes, a marca se assemelha a um rostinho sorrindo).

Por isso, quando aquela mãe me disse que deixa de levar o filho para tomar as vacinas, eu compreendi que ela estava, na verdade, tentando impedir que o filho sentisse dor.

Cabeça de mãe é assim. Se pudéssemos, livraríamos nossos filhos de todas as dores. Até mesmo daquelas pequenas, como tropeçar e dar uma cabeçada no colega, ou a furadinha da vacina. Mas não podemos. E ajudar os filhos a lidar com as dores é fundamental.

Cumprir o calendário vacinal da criança é, talvez, o nosso primeiro contato com as dores do filho. Mas é imprescindível esse contato.

Porque assim como desejamos livrar nossos pequenos de todas as dores, queremos também livrá-los de todos os males e doenças. E a vacina é nossa aliada.

Então, o jeito é vacinar a criança e ajudá-la a entender que essa é uma dor necessária. Olhar bem forte no rostinho do filho e sofrer com ele aquela furada.

Lembro que uma vez, minha mãe me levou ao posto de saúde para vacinar a Laura. Acho que era a vacina de dois meses, quando a criança leva umas três picadas de agulha.

Ela logo avisou que não seguraria a neta. E me deu uma bronca quando eu peguei a Laura no colo e disse: “filha, vai doer, mas você precisa tomar essas vacinas pra ficar protegida; a dor vai passar rapidinho e a mamãe vai estar com você”.

Para a minha mãe, eu deveria dizer à Laura que eram só umas furadinhas e que não doeriam, para não assustar a menina.

Não. Eu disse mesmo como seria. Que iria doer. Não sei se ela entendeu. E é claro que minha pequena chorou. E eu chorei com ela.

Laura já fez um ano. E temos cumprido todo o calendário de imunização. Amanhã será a vez de a pequena tomar a vacina contra a gripe. Sim, esse ano, as crianças de seis meses a cinco anos fazem parte do público prioritário da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.

Eu sei que essa vacina não vai impedir a minha filha de gripar; e sei também que o vírus da gripe sofre mutação constante. Mas a vacina ajudará a reduzir possíveis complicações da doença. Por isso a campanha é realizada nesse período, porque é do final de maio até agosto que o vírus da gripe circula em maior quantidade.

Não há como fazer de outro jeito. Agora, é enfrentar mais essa dorzinha e proteger a filhota.

Quanto às outras dores que Laura enfrentará ao longo da vida, eu sei que sofrerei junto com ela, e que desejarei com todas as minhas forças evitar que ela passe por qualquer sofrimento.

E compreendo que não terei como evitar. Assim, como no caso da dor da vacina, a única forma é seguir em frente, sentir a dor segurando a mão da minha filha, e ajudá-la a passar por esse momento para, depois, sorrirmos juntas.

E você, já vacinou seu filho?

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Por: Viviane Bandeira, jornalista e mãe da Laura

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