Cá entre mães

Cólica: o bicho-papão de todas as mães

de repente o sorriso se transforma num grito de dor. O bebê se contorce, encolhe e estica as pernas. E chora! Inconsolavelmente. O que fazer? Como manter a calma? Como fazer passar a cólica que atormenta seu filho?

24/11/2013 10:30h - Atualizado em 24/11/2013 11:14h

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Você está com seu bebê no colo, tudo está tranquilo e, de repente, ele grita e se contorce. Os dedos ficam crispados, o bebê estica e encolhe as perninhas e nada, mas nada mesmo, é capaz de acalmá-lo. Sim, ele está com cólicas.

Só quem já viveu isso sabe a agonia que é. Seu filho tem poucos dias e diariamente, quase sempre no mesmo horário, vem a cólica e tira todo o seu sossego. Acho que esse é o bicho-papão dos primeiros meses de toda mãe (ou pelo menos das que, como eu, são novatas no assunto).

Passei isso com a Laura a partir do 10º dia. Uma vez, ela chorou tanto, que caí no choro também. Estávamos as duas molhadas de lágrimas quando meu pai e minha mãe chegaram à nossa casa. Fomos direto ao hospital. O pediatra da Laura já havia receitado um remédio para aliviar as cólicas e o do plantão no hospital receitou a mesma coisa e repetiu o mesmo discurso: "vai aliviar, mas não vai impedi-la de ter cólicas".

A essas alturas eu já estava fazendo restrição alimentar de tudo o que, diziam, poderia causar cólicas na pequena: não comia doces, leite e derivados, cítricos, refrigerante, carne vermelha e mais uma infinidade de coisas. Resultado: do 10º ao 20º dia de Laura, eu emagreci 12 quilos. E ainda assim a menina continuava com cólica!

Estou contando isso porque todo mundo diz que a gente deve ter calma para conseguir acalmar o bebê. Hoje eu entendo isso, mas confesso que é difícil demais manter a serenidade quando o seu pinguinho de gente está ali, gritando de dor. E é ainda pior quando as pessoas dizem: "calma, quando fizer três meses vai passar". Ora, seu bebê tem poucos dias, está se esgoelando de cólica e o povo diz pra você manter a calma e esperar ele fazer três meses! Isso é uma eternidade, minha gente!

Uma amiga me contou que dos dois aos quatro meses do filho dela, as cólicas eram diárias. E o que mais a irritava e deixava deprimida era essa atitude das pessoas: "calma! É assim mesmo. Ah, é só o começo! Respira e se acalma que logo passa". 

Eu até entendo que a intenção pode ser boa mas, sinceramente, tem horas em que é melhor não dizer nada. Nessa fase de cólicas da Laura ainda achei gente que olhava pra mim e dizia: "o que você está fazendo que essa menina tem tanta cólica?". Francamente!

De acordo com o pediatra da Laura, cólicas são comuns e praticamente todos os bebês sentem, em maior ou menor intensidade. Ele disse que isso é porque o sistema digestivo ainda não está plenamente maduro e também porque, ao mamar, a criança pode ingerir gases. Ainda segundo o pediatra da Laura, o remédio é mesmo o tempo, que faz com que, por volta dos três meses, o sistema digestivo atinja a maturidade e as dores desapareçam. Até lá, ele me disse pra usar o remédio que receitou.

Mas o que eu gostei mesmo foi que ele tirou a "culpa" dessas cólicas da minha alimentação. Disse que eu poderia comer de tudo, mas sem exageros. Disse ainda que se a minha alimentação fosse restritiva demais, isso poderia empobrecê-la e trazer mais problemas para a pequena do que as cólicas.

E como ele me disse de cara que o remédio não faria parar as dores, receitou outras coisas: colocar a menina em cima de mim, barriga com barriga; banho morno de ofurô, de preferência à tardinha, que é o horário das cólicas; massagem, fazendo "bicicleta" nas perninhas dela; e fraldinha morna na barriga da Laura, como se fosse um cinto (para testar a temperatura ele disse pra colocar a fralda no meu rosto: se não causasse incômodo, poderia colocar na Laura).

Quando eu perguntei sobre chás, ele disse: "algumas plantas e ervas podem aumentar a cólica, mas é preciso respeitar a sabedoria das avós, que dão chá de coentro ou hortelã, que são plantas que realmente acalmam a criança". Pois pronto! Gostei demais!

Acredito mesmo no poder da medicina natural. E como o remédio não parava a cólica nem impedia que ela aparecesse - e eu faltava era ficar doida quando a dor vinha, porque Laura chorava desesperadamente - apelei pros chás.

O que mais adiantou foi de uma planta chamada cebolinha de Santo Antônio. Parece mesmo uma cebola, só que é pequena e da cor de beterraba. Manchou toda a mamadeira. Mas adiantou. A menina melhorou tanto com esse chá que eu plantei a tal da cebolinha em casa.

Mesmo com o chá, a Laura ainda tinha cólica, ainda que em menos intensidade. Mas ela se espremia muito ainda e tinha o intestino bem preguiçoso. Então, aliei o chá da cebolinha a outros tratamentos.

Começamos a fazer acupuntura auricular (sem agulhas, com cristais) e cromoterapia na pequena. O Alex tem uma amiga que é terapeuta natural há mais de 15 anos e levamos nossa filha lá. Isso quando ela já tinha dois meses e a gente já estava mesmo nas últimas, porque ela chorava demais e não dormia direito.

Pronto. Foi o que deu jeito. Nem precisamos esperar o tempo dos três meses chegar. Laura ficou calminha com a acupuntura e a cromoterapia. A cólica passou e nem usamos mais o remédio.

Contamos ao pediatra e, de novo, ele me ganhou: "é assim mesmo; quando se tem filhos, a gente vai tentando alternativas, até pra não dar remédio demais pra criança; esses tratamentos da medicina oriental são ótimos". E ficamos ainda mais seguros.

Fizemos o tratamento com acupuntura e cromoterapia ainda um tempo, para regularizar o intestino dela e nossa pequena reagiu muito bem. Tudo certo agora.

Pra quem ainda está na fase de cólicas do filho, eu só tenho duas coisas a dizer: 1. tenha um pediatra de sua inteira confiança; e 2. desconsidere quem diz que você não deve se preocupar porque cólica é normal; preocupe-se sim, fique tão calma quanto possível; e, mais importante, respeite sua intuição; você certamente fará o melhor pelo seu filho.

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Por: Viviane Bandeira, jornalista e mãe da Laura

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