Cá entre mães

A dor de uma mãe é a dor de todas as mães

Essas dores passam a ser suas e, ao mesmo tempo em que ferem a sua alma, fazem com que você volte seus olhos para os outros, possa compreendê-los melhor e ajudá-los, ainda que seja apenas com boas vibrações ou lágrimas que se unem.

03/04/2014 10:02h

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Eu sempre gostei de ouvir histórias, reais e fictícias; de ler livros e pessoas; e de me imaginar capaz de viver outras vidas e de, assim, compreender melhor as pessoas.

Só nunca imaginei que essa capacidade chegaria com a maternidade. Desde a gravidez, a sensibilidade fica aumentada. A gente chora por tudo. Chora até ao ver comercial de margarina.

Mas não é só isso.

Depois de ser mãe, você passa a sentir a dor de todas as outras mães. Essas dores passam a ser suas e, ao mesmo tempo em que ferem a sua alma, fazem com que você volte seus olhos para os outros, possa compreendê-los melhor e ajudá-los, ainda que seja apenas com boas vibrações ou lágrimas que se unem.

Hoje, o Cá Entre Mães publica pela primeira vez o texto de uma leitora. Uma mãe, como eu e você.

Pelo facebook, ela me perguntou: “Seria pedir demais pra você encontrar um canto em suas publicações para esse poema que escrevi para meu único e amado filho que a vida me roubou ? Ficaria feliz. Escrevi no dia do aniversário dele, num momento em que optei escrever em vez de chorar”.

Não só não há como recusar um pedido assim. Também não há como ler esse poema sem sentir a dor dessa mãe. Sem se colocar no lugar dela e sentir a saudade dilacerando o peito.

Às vezes no silêncio da noite
Me pego acordada
Lembrando de você...
Olho para trás e me perco nos acontecimentos...
Tento vislumbrar um amanhã melhor, mas ainda não sei...
Tento fingir que nada aconteceu, e de novo não dá...

Pergunto a Deus, ao sol bem cedinho...
Novamente ao sol, ao entardecer...
Pergunto à lua quando a noite chega.
Incomodo até o vento.
As estrelas não me respondem ...

Eu só queria saber: onde está você?
Será que o vendaval que te levou
Em algum lugar seguro te deixou?
Ou será que só o tempo me dará uma resposta?

Silenciosamente vou caminhar, quem sabe não vou te
Encontrar?
Ninguém sabe...
Somente Deus poderá me dizer.
Ele pacientemente ouve minhas orações...
Também acalma meus momentos de dor.
Hoje estamos mais próximos...

Enquanto EU e VOCÊ nos distanciamos
Mesmo na distância, te velo, te amo e
Te quero ao meu lado...
Sem você por perto,
Sinto um vazio enorme...

Com todos esses sentimentos,
Só posso assegurar que é amor,
O que sinto por você.

(Maria Verônica Pinheiro Martins)

Verônica, querida, eu nem sei se é possível, de fato, imaginar o tamanho da sua dor. Só sei que a sinto aqui, em meu peito, e que estou rezando e torcendo muito por vocês.

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Por: Viviane Bandeira, jornalista e mãe da Laura

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