Boas e novas

Lave os pés de alguém hoje!

A peculiaridade da vida cristã está em aprender e participar, em verdade, do amor que Jesus nos ensinou

29/05/2014 13:52h

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Você certamente ouviu isso quando criança: ‘Não deite na cama com os pés sujos ou lave-os antes de deitar.’ Não somo as vezes em que o ouvi, assim como não conto os inúmeros atos, diga-se de passagem, de limpeza de minha mãe. Eu, já dormindo de qualquer jeito e em qualquer lugar, era levada para cama e tinha meus pés asseados com água e uma toalha. Digo, pois, que mais que hábitos de higiene, esses episódios revelam os hábitos do coração de quem serve e muito ama. 

Ao ver os três varões em pé diante dele, Abraão reconheceu que o Senhor o visitava, então não perdeu tempo e ofereceu comida, descanso e uma boa lavagem de pés. Talvez, parecessem viajantes sujos de poeira, e mesmo não sendo, os varões aceitaram a gentil oferta ainda assim: “Faze como tens dito” (Gn 18:4-5) ‘– Muito bem, Abraão. Uhuuu! Gostamos da ideia. Lavem-nos os pés. ’ E os servos o fizeram. 

Na cultura judaica, era comum o hóspede receber esse tipo de tratamento dos servos. O mestre dos discípulos. O pai dos filhos. Era uma prestação de honra. Tal qual a mulher de má fama no jantar oferecido pelo fariseu a Jesus... Ela não era serva da casa, tampouco era convidada, mas, ousadamente, chegou a Jesus para lavar-lhe os pés e usou suas lágrimas em vez de água e seus cabelos em vez de toalhas. “Eu afirmo a você, então, que o grande amor que ela mostrou é uma prova de que seus pecados foram perdoados.” (Lc 7:44-48) E disse Jesus: – Ela me ama tanto, tanto, tanto... Oh, como ela me ama ♫ A mulher rendeu e recebeu honra. 

Não para cumprir os costumes do seu povo, mas por amar tanto, tanto os discípulos, é que Jesus também os lavou na última ceia. O homenageado da festa cingiu a toalha na cintura e serviu os simples. Ele fez, inclusive, o que qualquer um ali podia fazer. Minha mãe poderia apenas me acordar para que eu fizesse o que ela mandara diversas vezes. Quem sabe, Abraão não tivesse que mover sua fazenda e empregados para atender desconhecidos. A mulher de má fama precisava mesmo ter chorado e se descabelado? E o que dizer do Rei, a quem não foi dada devida coroa e honra, mas vestiu o avental e fez todo o serviço... 

A peculiaridade da vida cristã está em aprender e participar, com verdade, do amor que Jesus nos ensinou. Deus revela-se a nós quando decidimos amar. E mais amamos, quanto melhor servimos. Acredite, temos capacidade suficiente para fazê-lo. Lave os pés de alguém hoje! 

“Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros.” (1 João 4:11)


Autoria de Priscila Raposo, irmã em Cristo, estudante de Medicina, colaboradora do Boas e Novas.

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Edição: Pollyana Rocha

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