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Andarilhos

Dos emaranhados da vida no cabelo cor de mel

(a vida quase sempre por um fio)

13/09/2016 16:32h - Atualizado em 24/03/2017 16:10h

São os vários quase que tiram os fios da vida emaranhados do cabelo cor de mel. A gente vai puxando, vai puxando, até desembaraçar e sacar por fim o todo do nada. É que às vezes tudo por dentro está às favas – o mundo vai desfalecendo e fica só um eu ao reverso. Ontem naquela pracinha de sempre, com o trago de sempre eu descobri! Exatamente no momento em que aquela manga caiu do pé bem pertinho de mim. Estava eu, as cinzas e uma música do cazuza. Na verdade não exatamente a música, mas aquela frase recitada escondida do disco, quase como um desabafo, um pedido de socorro do poeta vida louca apaixonado. Eu descobri que o campo de batalha fica aqui dentro, bem cuidado que só vendo! Pronto para tornar-se o ringue das brigas internas – nossas contra os monstrinhos da mente e do coração. Mas perdemos tantas forças ao final de cada luta, aposto que você não sabe. Às vezes é fácil se reerguer, mas transpor o muro que separa o nosso mundo da vida lá fora é a fase mais difícil do jogo. Lutar contra nós mesmo é o pior. Quando não consigo subir o muro e atravessar o caminho é que sinto o quanto que dói aqui dentro, nessa escuridão onde nada se encontra e os abraços são meros faz de conta. Me desculpa a péssima rima, tanto tempo sem fazer poema a gente acaba enferrujando. Que saudade! É que tudo lá fora soa como medíocre. “É engraçado, teus problemas só são relacionados a trabalho, futuro. Você parece gente grande”. Uma vez isso doeu. Como doeu aquela vez que desconfiaram da capacidade, da competência, da qualidade. Como doeu uma só vez aquela brincadeira aleatória de todo dia que nunca tinha me incomodado. E foi aí que vi tudo. Que eu entendi tudo. Mundo mundo vasto mundo cheio de problemas medíocres. Nunca sou nada, nunca serei. Uma vida inteira acumulada! Pra quê, minha amiga? Se tudo que eu queria era a sorte de um amor tranquilo... Tantos sonhos para quê? Se a vida corre quase parando, como aqueles filmes de faroeste ao final de cada luta. Ninguém na rua, os bares fechados, vento quente e forte na janela e meu coração em sangue.

São os vários quase que tiram os fios da vida emaranhados do cabelo cor de mel. Não esquece disso quando eu me for, meu amor.

Vida louca, vida - Cazuza 

"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."


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