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Andarilhos

Carta de despedida

Da escritora triste e solitária

29/01/2015 10:32h - Atualizado em 29/01/2015 13:35h

 Queridos,


Os meus olhos tristes choraram por quase toda a madrugada. Numa prisão de amor não correspondido, onde os pássaros compunham uma melodia infeliz por quase todas as estações do ano.
Sentia meus ossos doerem. Já estava velha o bastante para qualquer manobra arriscada com meus pés e para me importar sobre o que os outros teriam a dizer sobre mim. Nada mais importava (mesmo).
Moro só. Só com as minhas pilhas de livros e personagens. Criei tantos que as vezes era difícil diferenciar se existiram ou não. Talvez alguns tivessem mesmo tido vida, mas é claro que eu sempre acrescentei em todos eles a minha dose de imaginação.
Uma velha quase louca. Sorrio quando tenho vontade e choro toda vez que penso em felicidade. Não sou amarga, não sou rancorosa, nem guardo nenhuma mágoa. Sou só triste.
Triste porque nunca vivi nada do que escrevi nos meus milhares de textos. Nunca pude ter uma única realização da minha imaginação. Tão fértil...
Meus livros sempre figuraram nas listas dos mais vendidos. Ganhei muito dinheiro com as publicações. Viajei para lugares interessantíssimos e conheci pessoas importantes. Mas se eu pudesse... Se eu pudesse ter só um desejo com certeza escolheria morar dentro de um livro e escrever a minha própria história sem nenhuma interferência.
Uma dor agora invade o meu peito. Ela devasta todas as coisas ruins que nele existem. Meus olhos estão se fechando involuntariamente. Vejo uma luz. Finalmente meu desejo será realizado. Irei para o outro mundo.

Laura.


Por: Gabriela Aguiar

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