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Andarilhos

Apontador de Ideias: Liberdade de Expressão - Parte I

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30/01/2015 15:20h

Devo admitir, nas minhas poucas linhas que apresento para vocês agora: não é fácil dizê-las essas poucas 304 palavras. Esta é a segunda semana em ponho os dedos no teclado para tentar dizer as coisas que venho sentindo, e elas não saem. Elas ficam aqui mesmo, e antes de passar pela garganta ou escorrer pelos meus dedos longos, elas se encrustam no meu coração, remexem o meu estômago e o meu silêncio me faz tão escrava quanto as minhas palavras. E devo dizer, que este meu senhor não é tão carrasco quanto pensam.

Ainda que alguns dos castigos do meu silêncio doam, devo dizer deles que em geral eu me comprazo. É sacrifício e deleite, sim. É meio sobre essa verdade incômoda que devo falar a vocês: o nosso mundo interior é uma coisa indescritível, e no fundo há milhões de coisas acontecendo, sem que se diga uma só palavra. Os acontecimentos dos silêncios são de todas as cores, de todas as formas, temperaturas… E infelizmente, toda linguagem é curta, é inadequada, é supostamente incompleta para abarcar esse mundo intrínseco.

Mas, ocasionalmente, conseguimos fazer com que o mundo interior pessoal se entrecruze com o das outras pessoas, e pode ser uma explosão linda de toda e qualquer linguagem. Uma coisa de beleza tamanha que vaza pelos olhos, quando os dedos calam, quando a boca não emite um som sequer. Também pode ser uma coisa pavorosa que vejam um lampejo de tudo o que você não diz, pelo seu silêncio. A indiferença, o amor, o carinho, a compaixão, o ódio… Estão lá, no meu silêncio também, para além dos meus gritos, dos meus poemas, dos meus textos que eu amasso e queimo, do bate-bate dessas teclas pretas.

A liberdade de expressão que me perdoe, mas o meu silêncio fala também, e muitas vezes é fundamental.

Por: Julianny Nunes

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