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Andarilhos

A saudade está guardada nas palavras...

E isso é tudo que eu sei

29/04/2016 16:38h - Atualizado em 29/04/2016 16:41h

Quando Taynara Barros veio de mudança para cá, ela trouxe nas costas uma mochila carregada de saudades de casa. Natural de Balsas, no Maranhão, a jovem, que na época tinha acabado de completar 18 anos, não tinha certeza do que encontraria em Teresina, mas sabia que teria que arriscar.

Chegar sozinha numa cidade, até então desconhecida, nunca foi tarefa fácil para ninguém. Foi por isso que Taynara juntou seus medos e suas incertezas com outra jovem da sua cidade. Duas pessoas que não tinham tanta intimidade entre si, mergulhando em um lugar que não transmitia nenhuma lembrança. De que seus corações iriam se alimentar? Qual colo iria acolher lágrimas da distância agora tão presente?

Juntas, as duas maranhenses enfrentaram o mundo guardado dentro de cada uma e ultrapassaram a ponte que separa o Maranhão do Piauí, em busca de um único propósito: dar continuidade aos estudos. As duas meninas haviam sido aprovadas em cursos distintos em uma das principais universidades públicas do Piauí.

O peso da mudança veio com as responsabilidades diárias de contas, estudos mais puxados, casa nova, cidade nova. No início, Taynara questionava o fato de ter que tomar café da manhã em silêncio. Com sua amiga estudando no turno matutino, Taynara acordava, preparava alguma coisa para comer e permanecia sozinha em um flat qualquer, sem muitos móveis, na zona Leste de Teresina; enquanto as saudades, que foram trazidas na mochila, espiavam sorrateiramente os movimentos de Taynara pela casa – prontas para dá o bote. “Durante 18 anos, eu acordava de manhã e tomava café com meus pais e meus dois irmãos. E quando me mudei para cá, eu passei todo esse tempo acordando sem ter para quem dá um bom dia, sem ter alguém para tomar café junto e isso me maltratava bastante”, relembra Taynara.

Em 2011, nos primeiros meses, que duraram pouco mais de um ano, ainda sem as redes sociais terem tanta força como atualmente, a estudante de Engenharia de Produção descobriu uma solução para preencher o vazio da ausência. Com a ponta de um lápis mal feita, escrevia em folhas de papeis em branco, igual a que ela mantém desde que chegou a Teresina, grudada na parte de dentro da porta de seu quarto.

A rotina do café da manhã sem ninguém, ainda permanecia, mas todas as vezes que Taynara sentia um aperto no peito, corria para escrever aos seus familiares. As cartas eram enviadas por parentes até chegar a sua casa de origem, no Maranhão. Durante um ano e meio, o coração da jovem também era ocupado pela espera de palavras de sua mãe, escritas com carinho, coragem e esperanças.

A mãe preocupava-se com o bem-estar da filha e, periodicamente, enviava um caixote de mantimentos para ela. No depósito que era carregado por alguns lances de escada e colocado na sala de estar, tinham os principais ingredientes para uma universitária conseguir manter-se longe de casa e dos familiares e seguir estudando: arroz, feijão, produtos de limpeza e cartas escritas a punho pela mãe. Algumas vezes, também escrito por seus sobrinhos pequenos.

Taynara está há cinco anos morando 656 km longe de casa e, sempre que a saudade sufoca, uma das formas que ela encontra para abafar o sentimento é reler as palavras cheias de força guardadas em uma caixa de sapato velho em uma prateleira que se tornou um guarda-roupa improvisado.

Por: Aldenora Cavalcante

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