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Notícias Andarilhos

07 de janeiro de 2015

05 de janeiro de 2015

Minha luz é do dia

(ou “Do escuro, vieram os medos”)

 Naquela noite, a pequena Charlote leu que os cientistas, junto com os antropólogos e sociólogos, fizeram uma pesquisa para saber o que da natureza emocionava mais as pessoas. O resultado concluía, surpreendentemente, que o nascer do Sol era mais impactante para os corações do que o pôr-do-Sol.

A menina torceu tanto o nariz que parecia cisma infantil. Batia o pé no chão do céu escuro e insistia que a Grande Estrela indo embora era muito mais bonito do que quando ela chegava e obrigava a garota a ir ao colégio, seus pais a trabalharem e lhes tirava do conforto do lençol.

Não havia nada naquela matéria que a convencesse do avesso. Nem que os cientistas analisaram os batimentos cardíacos de centenas de pessoas, nem a sensação dicotômica por menos um dia em que morreram dormindo (ainda que exista uma imensa incógnita acadêmica se esta é a melhor ou a pior forma de falecer), muito menos o alívio e desespero para os insones.

Charlote, apesar da insistência dos pais, decidiu e fincou calcanhar de que iria esperar o dia nascer para saber o que havia de tão impressionante neste fenômeno. E ficou ali, no breu, a aguardar seis voltas no relógio, pensando que a única vantagem do clarear é na economia da energia na conta de luz.

E, do escuro, vieram os medos. Da janela da garota, barulhos assustadores entravam pelo buraquinho, arrombando seus tímpanos, arrepiando todos os seus pelinhos do braço. No início, pareciam só as pernas do grilo roçando para conquistar alguma fêmea ou impor respeito, mas em sua cabeça os sons se transformavam em uma sinfonia demoníaca orquestrada por quadros negros riscados por um milhão de unhas.

Criou coragem para abrir a janela e enfrentar as centenas de feras, mas o ruído cessou de imediato, colocando-a inteiramente em um vácuo; na escuridão tamanha que não se via nada em cima, embaixo e aos lados, em um silêncio de quarto acolchoado de manicômio.

A menina correu para debaixo das cobertas e ficou a contar todos os animais da fazenda pularem a cerca a fim de forçar-se a juntar os olhos, em vão. O medo da obscuridade lá fora tomava a forma de toda a Charlote, percorrendo derme, epiderme e cada poro da pele. Subiu até os olhos que fez a pequena chorar.

As lágrimas e o soluço eram tão intensos que ela demorou para escutar com atenção um passarinho que começava seu canto em alguma extensão da rua. Tirou um centésimo do olhar de debaixo do lençol para observar a fresta da janela e via um fio finíssimo de luz que forçava a entrada em seu quarto.

Charlote foi feliz até os olhos naquele momento, sentindo o calor do dia aquecendo seu corpo. Abriu com força a porta de casa e olhou para o céu, num azul da cor dos olhos mais bonitos que podem existir. Escassas nuvens apareciam, mas o que esquentava o coração da menina era ver como o Sol ia roubando o lugar lá em cima do escuro do medo.

O gigantesco manto que nos cobre adquiria uma cor única pouco a pouco, assim como a certeza de que os estudos que lera estavam corretos. Demorara só um pouco para entender, mas a poesia do instante tomava o lugar da sua alma empírica.

29 de dezembro de 2014

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam. 


Imagem: Reprodução/Internet

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Imagem: Divulgação/Reprodução

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam. 

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Imagem: Divulgação/Reprodução

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam. 

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam.


Imagem: Reprodução/Internet

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam.


Imagem: Reprodução/Internet

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam.


Imagem: Reprodução/Internet

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam.


Imagem: Reprodução/Internet

Minhas uvas são para o vinho do ano

(ou “Sommeliers de 2014”)

Faltando dez minutos para a meia-noite, 2014 foi preparar seu vinho do ano, na esperança de consagrar-se o melhor de todos. As chances eram mínimas, já que todos lembravam com acentuado prazer do vinho de 1991 e de 2006, mas com certeza seria mais palatável do que o de 2001 e 2005.

Pegou suas doze uvas e foi fazer o ritual para honrar seus antepassados. Cortou uma a uma no meio para retirar as sementes (não queria que nada de fora estragasse o gosto de seu produto) e reutilizou-as para uma simpatia envolvendo sorte para o próximo ano, pois 2015 precisaria.

2014 apanhou a primeira uva, a de janeiro, e jogou-a no jarro velho, adotado anualmente para a fabricação do vinho. Este tinha sido um bom mês, cheio de esperança para os seguintes que viriam, com a crença cega de renovações pessoais e focando no vermelho, no branco e no azul.

A uva de fevereiro já decaía um pouco a qualidade com as expectativas sendo transformadas de vinho para água de esgoto. O gosto de bons meses ia se esvaindo dia após semana até chegar março, que trouxe um quê fora de padrão, quase inocente de tão doce.

Abril e maio voaram tão rápido que nem deram tempo para o paladar avaliar, então foram ignorantemente atirados para dentro do jarro. Junho, não. Junho já trazia aroma e sensatez, de algo almejado que supre as perspectivas dos sommeliers de 2014.

Os frutinhos de julho e agosto mostraram muito autoconhecimento de seus potenciais como proeminências a serem destacadas naquela bebida. Foram bons meses, ótimos meses, de novas experiências, de um amadurecimento necessário para o envelhecimento justo do vinho.

Enólogos, os tais cientistas responsáveis pelo controle de qualidade da iguaria a ser preparada, garantem que, melhor do que agosto (ressalta-se que nada de desgosto foi visto, quebrando tabus atemporais), foi a uva de setembro. Deliciosamente saborosa, trazia aquele gostinho bom de crescimento e tamanha independência que foi encontrada no pé da videira, ao invés de ser tirada do galho.

Ao chegar nas uvas de outubro e novembro, 2014 se assustou por já estar perto de acabar. O processo passara tão veloz, como o próprio ano, que quase não se via mais vestígios da crença cega do fruto de janeiro. 2014 já se cansara da fabricação do vinho e só queria logo passar o encargo para o ano que vem.

Pegou finalmente a última uva do último mês. Pensou em atirá-la com violência, como tanto foi visto ultimamente, mas assim que ia soltá-la lembrou do Natal. A paz e a volta da fé das pessoas na enfim felicidade para suas vidas fez com que o ano terminasse sua bebida com calma e paciência, com a consciência pesada de que poderia ter feito melhor, se lhe fosse dado melhores uvas.

2014 pegou sua mistura agridoce, meio bipolar, e foi lá fermentar. Sabia que o seu não seria um vinho de respeito, nem de renome, mas tinha grandes esperanças de que seu irmão 2015 trouxesse o sabor de serra que há anos as pessoas esperam.


Imagem: Reprodução/Internet

27 de dezembro de 2014

Carta de Natal

diretamente do Polo Norte

Queridos,

  Aqui no Polo Norte está tudo bem. Cheguei já há algum tempo e no início tudo parecia grandioso e mágico demais. Não que tenha deixado de ser, mas agora posso ver as coisas por um ângulo diferente.

  As renas são animais simpáticos e muito engraçados. Ãs vezes são meio bobalhonas e acabam se atrapalhando com as suas próprias pernas. Os funcionários do Papai Noel aparentam ser sérios, mas quando você os conhece vê que são uns amores e são tão trabalhadores... O ano inteiro monitorando todo mundo...

  A fábrica de brinquedos é ENORME! à bem grande mesmo! Do tipo que é preciso um trenó mágico para se locomover de uma ponta a outra. E tem tanta coisa... Tanta coisa para todo mundo! Tudo é cheio de significados e explicações, principalmente quando correspondem ao nosso bom comportamento.

  E o Velhinho é uma figura ímpar. Como um pai, de verdade, ele controla tudo ali, com tanto carinho e dedicação. Ele está sempre correndo de um lado para o outro para que nada dê errado e para que todos ganhem seus presentes. Ah! Vocês não sabem como ele fica feliz ao ver o sorriso de cada criança, de cada jovem, de cada adulto, de cada idoso.

  O Papai Noel, todo ano, em sua fábrica mágica, produz caixinhas de amor, de esperança, de fé, de luz, de paz e de infinitas outras coisas abstratas. Deixa nos nossos lares quando estamos dormindo, as vezes ele passa pela chaminé, as vezes pelo buraquinho da fechadura. Acreditem! Ele realmente faz isso...

  Ele só fica triste, quando as pessoas pensam que ele distribui bens materiais e quando se esquecem do verdadeiro sentido do natal, o do amor, o de amar. O de repassar o bem.

  Agora tenho que ir, ainda tem muita caixinha de luz para entregar e o Bom Velhinho precisa de ajuda.

  Ah, ia me esquecendo! Feliz Natal! Tenho certeza que as caixinhas de vocês já foram entregues.

Com carinho,

Apontador de Ideias: As sete ondas de 2015 – Parte III

Em 2015, suponha-se mais realista!

Antes de pular as sete ondas de 2015, eu quero advertir ao leitor que evite o otimismo burro neste ano. Sim, mil vezes sim! Aquela bobagem danada de que vai dar absolutamente tudo certo, "tudo que eu quiser o cara lá de cima vai me dar", no melhor estilo Monangel*... Também espero que todo aquele que lê estas linhas (espero que existam ao menos dois olhinhos além dos meus) saiba que nem sempre o que se quer é o que obtemos, que às vezes não é mesmo, MESMO, uma questão de que você precisa se esforçar mais...

Ãs vezes, meu amigo, você está nadando contra a maré, e tudo o que você tem que fazer é voltar pelo caminho, parar, pular suas sete ondinhas e voltar a nadar: absolutamente tudo de novo, talvez em outra praia, sacou? Pode ser cansativo, eu também acho, eu sei que sim, mas você pode ter tomado o caminho errado nos últimos fins de anos, talvez dos últimos 4 anos, talvez da última década.

Fazer as mesmas promessas e desejos de sempre, que você nunca consegue cumprir, ou mesmo que executa minimamente pode ser o seu maior erro. Veja bem, pois hoje não há muita poética no que digo: dê um tempo nessa coisa de prometer coisas, e viva cada bendito dia de 2015 por vez.

Você não sabe nem se estará vivo para estar mais magro, para concluir a graduação, para iniciar o Doutorado, para descobrir algo, qualquer experimento para modificar a vida na Terra...Por favor, em 2015, suponha-se mais realista, viva com os pés no chão, mesmo que você se permita sonhar, espere menos de si e especialmente dos outros.

Sem melancolias, ressentimentos, ou coisas assim, vão os meus votos de um novo dia melhor, todo dia, sem que você sinta o peso e a necessidade da satisfação social do sucesso. Muitos abraços e um estouro, uma explosão que eu tive (de champagne e fogos). Grata pelas incríveis jornadas deste ano, pelas conquistas e derrotas regadas com lágrimas de sal, com o mesmo sabor do mar por onde nadei...Agora, vou ali mudar de praia e pular as ondinhas de novo: continuando a andarilhar.

*Nota: Xuxa da Monange Menegel

22 de dezembro de 2014

Minha saudade é mato e meu amor é água

(ou “A sabedoria que pisca do verde e vermelho que colore o Natal”)

As viagens que envolviam aquela família de saudade nunca eram as rotas em que a alma sai da matéria; era um caminho de separação, uma jornada de abraços e lágrimas, uma romaria de despedidas; a novela, cuja trama maior era o coração apertado de uma filha que ia viajar para longe da mãe.

Esta mãe ficava sempre na cidadezinha e no pesar pela distância oceânica entre as duas gerações; esta filha ia para as terras de lá se encontrar e se perder, ver o nascer do sol e o morrer das folhas, seu próprio crescer.

Ano após ano, um mês era tirado para se verem, uma vinha ou outra ia, mas sempre o encontro acontecia. Assim, um namorado foi mostrado, um noivo apresentado, um neto batizado, e ambas aprendiam que, mesmo separadas, nasciam todo dia uma para a outra.

O nascimento da filha aflorou no primeiro abraço de adeus, em que, pela primeira vez, deparou-se com o medo do que poderia lhe acontecer. Há quem diga que o âraiarâ da filha foi inspirador e maduro, porém os próximos viram o mais profundo amor no germinar da mãe no Natal.

A mãe, modelo de candura máxima, já quase na terceira idade, dedicara-se a parar de chorar quando, no quinto ano de distância, a filha enviara-lhe uma carta comunicando que elas não se veriam naquele Natal. A emoção fora imensa que acreditara saber ler e que a filha estava prestes a chegar; a dor fora imensa que acreditara saber escrever para dar-lhe uma resposta.

Pedira a uma professora da cidadezinha que lhe ensinasse as letras, de forma bem básica, sem muito esforço e na calma dos muitos anos vividos. Não queria aprender conjunções, adjetivos, preposições, nem adjuntos diretos. Queria simples passar às linhas uma frase que pensara certa vez: âSaudade é matoâ.

Assim que recebera a carta com três palavras, a filha repensara todos os seus atos desde a infância para entender esta citação. Conhecia sua mãe, sabia que, no auge de seu conhecimento interiorano, não poderia ter pego aquilo de poeta ou filósofo nenhum, de modo que dos cabelos brancos tamanha sagacidade saiu. Era a sabedoria que pisca do verde e vermelho que colore o Natal.

A filha cogitara milhões de significados. Seria saudade que cresce tanto como mato que tira a beleza de um campo verde e vasto? Seria a saudade uma terra não cultivada que deve ser podada com frequência, senão enfeia a paisagem? Seria a saudade uma forma íntima de morrer ou uma referência a âte mato de saudadesâ como é cantado nas músicas?

Ela queria ser verdadeira com a mãe e, entendendo parcialmente o recado, enviou-lhe de volta poucas palavras: âSaudade é mato, mas amor é água, e temos um oceano inteiro de amor entre nósâ. E fechou um envelope com um caloroso Feliz Natal e umas gotinhas que pularam salientes dos olhos.