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Ana Regina Rêgo

A comunicação contra o desgoverno e a ignorância em tempos de Covid 19

No Brasil vive há mais de quatro anos outra pandemia, a proliferação de informações falsas, as fake news.

19/03/2020 11:04h

A comunicação de qualidade e a solidariedade contra o desgoverno e a ignorância em tempos de Covid 19

Estamos vivenciando uma pandemia protagonizada pelo novo corona vírus que se transforma em nossos organismos na doença denominada de COVID 19. Todos tem ciência desse fato em nível mundial. Todavia, no Brasil e em algumas outras partes do globo, estamos vivenciando já há mais de quatro anos, outra pandemia e que interfere diretamente na compreensão dos cuidados básicos com a saúde em tempos de corona. Trata-se da proliferação de informações falsas impulsionadas pelas fábricas de fake News, pelos robôs (bots) e pela trollagem (fábricas de trolls), que correm as infovias através do algoritmo nosso de cada dia, que rege o que vemos e o que consumimos, enquanto narrativas na virtualidade.

Mais do que nunca necessitamos da ciência e não é somente das ciências naturais para quebrar códigos genéticos, para construir vacinas eficazes conta o novo corona vírus,  mas precisamos também de cientistas da comunicação para revelar os interesses por trás das informações falsas, precisamos dos jornalistas para levar informação de qualidade à população, necessitamos das agências de checagem para quebrar a cadeia de informações falsas, quebrar  as informações sobre falas de si e suas experiências não científicas que somente confundem a sociedade. Então, diferentemente do que pensam alguns ministros e ministras do atual desgoverno, a ciência  é para cientistas e não para pastores ou amadores.

Precisamos dos médicos, sobretudo, dos infectologistas para guiar os procedimentos dentro e fora dos hospitais, postos de saúde, etc. E precisamos abrir espaços para estes profissionais nas mídias para que possamos disseminar somente informações que possam contribuir com o momento, esclarecendo sem causar pânico.

O grande problema é que no Brasil, segundo pesquisa divulgada pela Empresa de cibersegurança Kaspersky em fevereiro último, 62% dos brasileiros não sabem reconhecer uma notícia falsa e preferem acreditar em narrativas que vão de encontro a seus valores pessoais do que na facticidade. Esse cenário desolador nos revela que a ignorância intencional não está situada somente em classes sociais que não tiveram acesso a um processo educacional pleno, mas encontra-se em todos os extratos sociais. Vai de profissionais da saúde que replicam nos grupos familiares informações falsas por desejarem acreditar que a mensagem que passam é verdadeira, a políticos irresponsáveis que comandam a população através de narrativas pessoais e falsas, descredibilizando e ignorando não somente o trabalho do campo da comunicação, mas do campo da saúde, inclusive, da equipe governamental que no momento se esforça para evitar um caos maior em nosso país. 

E não falo somente do Senhor Presidente, Jair Bolsonaro, cuja incapacidade para governar um país já estava visível muito antes de sua eleição, bastava olhar com cuidado toda a sua trajetória política. Falo também dos nossos políticos no Piauí, o ex-governador Mão Santa, atual prefeito de Parnaíba, fez declarações esdrúxulas nas redes sociais, em concordância com as declarações do senhor que ocupa, no momento, o Palácio do Planalto, desdenhando do vírus e de sua letalidade. Tudo isso, enquanto os líderes das grandes potências mundiais, inclusive, o insensato do Trump nos Estados Unidos, pedem cautela e pedem a seus conterrâneos que fiquem em isolamento preventivo, para não acontecer em seus países, o que aconteceu na Itália. 

Todavia, o Brasil apesar de ter 11 milhões de cidadãos que acreditam que a terra é plana, índice que revela o tamanho da ignorância fabricada em nosso país nos últimos anos. Apesar de possuir também, uma massa de praticantes neófitos de igrejas neopentecostais que não acreditam em vacinas, parece ser mais sensato do que o nosso representante máximo e seus seguidores acéfalos. O Brasil é maior do que a ignorância. 

O Brasil está parando paulatinamente, orientado pelos cientistas, pelos médicos, pelos profissionais da saúde que em parceria com o campo jornalístico e comunicacional estão tentando prestar um serviço de qualidade para a nossa população, dentro dos limites estreitos que a nossa infraestrutura permite, sobretudo, após a redução das verbas para a saúde nos últimos anos e a tentativa de quebra o SUS- Sistema Único de Saúde, abrindo espaço para a privatização plena do sistema, o que configura uma necropolítica de intenções maléficas para a população.

Por outro lado, um pouco de sensatez emana do desgoverno atual e vem do atual Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta que tem se esforçado em medidas e declarações, contrariando, inclusive, as posturas do mandatário do país que segue se comportando como alguém que não se importa com a Nação. O Ministério da Saúde está protagonizando as ações e orientando o público, como deve ser. 

Entretanto, as previsões são de que, mesmo com as medidas de conscientização social, afastamento e isolamento comunitário, fechamento temporário de universidades e escolas públicas e privadas, o número de casos no Brasil, possivelmente, venha a ter um incremento de 2.400% nos próximos dias e que o contágio passe a ocorrer comunitariamente. Isso por si só, já levará um grande número de pessoas para o sistema de saúde, sobretudo, o público. 

Nesse momento, o mais importante, portanto, é seguir as recomendações de higiene pessoal e de condutas sociais de prevenção, assim como, a solidariedade para com os principais grupos de risco: idosos, pessoas com doenças crônicas, tais como asma e diabetes, dentre outras. 

Chegou a hora do Brasil se unir contra a ignorância reinante em parte do nosso desgoverno e em uma minoria populacional, pois somente assim, poderemos vencer o corona vírus.

Sejamxs solidários! A maior lição que o corona nos traz é a de que, para viver em sociedade, precisamos sempre uns dos outros. Como a saúde precisa da boa comunicação para ter êxito. Como os cientistas das ciências naturais necessitam do apoio dos cientistas das ciências humanas e sociais. Como o sistema de saúde, necessita do sistema de comunicação. Todos em prol do bem comum.


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