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Vendas caem com mudança no trânsito do Dirceu

Após as mudanças no trânsito da Avenida Antônio Francisco de Almeida Neto, mais conhecida como Avenida Principal do Dirceu, na zona Sudeste de Teresina, os comerciantes relatam a diminuição nas vendas, isto porque está proibido parar e estacionar na via. O que foi positivo para melhorar o trânsito no bairro, para algumas pessoas está representando prejuízos e reclamações.

A comerciante Helena Maria Sousa tem um restaurante na avenida e conta que os clientes não vão mais ao estabelecimento comprar quentinhas ou almoçar após a mudança, porque temem parar em frente ao local e serem multados. “Quem é que vai deixar de comer em um lugar que tem estacionamento para comer em um lugar que não tem?”, indaga.

Helena compartilhou que pensa em fechar o restaurante por conta dos prejuízos que está tendo nos últimos meses, que representam uma queda de 50%. Ela ainda conta que aprovou a mudança porque diminuiu o número de acidentes na via, mas a falta de local para estacionar, até nas vias laterais, afastou os clientes.

“Aí ficou muito ruim por um lado e pelo outro ficou bom, por causa dos acidentes. Porque meus clientes paravam aqui na porta pra almoçar. Agora você sabe que é muito trabalho para parar longe e poder vir pra cá. Fora correndo o risco de ser multado se parar aqui, porque a Strans passa aí toda hora”, relata a comerciante.

Da mesma forma, o proprietário de um açougue, Edilson da Silva, conta que seus clientes também relatam o medo de serem multados caso parem na avenida, mesmo que rapidamente. Ele revela que sentiu uma queda de 30% nas vendas após a mudança e que mesmo orientando a clientela a parar nas vias laterais, a situação não melhora.


Motoristas que arriscam estacionar na Avenida Principal do Dirceu podem ser multados (Foto: Moura Alves/O Dia)

“Eu sempre falo, mas eles ficam com medo de descer numa rua dessas. E toda casa tem garagem, o que também dificulta. Aqui a gente vê que os acidentes de trânsito diminuíram bastante, mas pro comércio não foi não”, pontua Edilson da Silva.

Por outro lado, quem aprova a mudança e relata não ter sentido diferença nas vendas é Wilson Rodrigues, proprietário de um comércio na Avenida Principal do Dirceu. Sua reclamação é acerca da imprudência de muitos motoristas, que não respeitam os novos semáforos instalados e as modificações de proibido parar e estacionar.

“Para mim, não afetou em nada. Eu vejo diferença é no trânsito, que poucos obedecem ao sentido certo das ruas do lado, acho que precisaria ter uma câmera para punir esse pessoal”, aponta.

Mudanças priorizam o transporte público, justifica Strans

As alterações na Avenida Principal do Dirceu ocorreram em junho deste ano, quando foi definida a proibição de estacionamento na faixa do lado direito e fechamento dos retornos na via. Segundo José Falcão, diretor de Trânsito e Sistema Viário da Strans, a entrega da Ponte Anselmo Dias – que liga a zona Sudeste ao Centro da Capital – e a futura implantação da faixa exclusiva para ônibus foram fatores que determinaram a mudança na Avenida. As medidas têm o objetivo de priorizar o deslocamento dos teresinenses por meio de ônibus.

O diretor explica também que a Prefeitura nunca proibiu nem cobrou taxas referentes ao uso da via pública para estacionamento dos comerciantes, mas a necessidade de usar a avenida de forma diferenciada determinou as mudanças no trânsito.


Foto: Moura Alves/O Dia

“O que acontece hoje é que a Prefeitura precisa de uma área pública, a PMT passou a ter uso diferenciado do que tinha antes, é algo normal. O que a gente verificou na Avenida Principal é a grande quantidade de comércios, que na sua maioria não tem estacionamento e, por isso, muitas vezes, usam as ruas transversais. No entanto, é algo que, ao longo do tempo, será reduzido, porque a Prefeitura vai precisando de espaço na via para priorizar veículos de transporte público”, explica.

Além disso, Falcão orienta que os comerciantes procurem abrir não somente a frente dos estabelecimentos, mas também busquem locais com estacionamento. A recomendação também é adotar medidas como oferecer descontos para o cliente que utiliza ônibus para tentar mudar culturalmente esta questão.

“Existem situações que pode fornecer desconto, ou ele pode começar a entregar os produtos, temos vários aplicativos de entrega de comida, tem várias possibilidades de fazer trabalho que não dependa da pessoa de ir até o estabelecimento, pode usar o e-commerce, que está em pleno crescimento”, conclui.