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Para entidades, Lei do Enquadramento prejudicará os servidores; Governo nega

Aprovada em tempo recorde pela Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) na terça- -feira, dia 19, e logo após sancionada pelo governador Wellington Dias (PT), a Lei 6.722/2016, conhecida como nova Lei do Enquadramento, tem sido alvo de críticas por entidades que representam os servidores públicos do Piauí.

Foto: Moura Alves/ODIA


Segundo as entidades, por exemplo, a lei reduz o número de cargos onde seriam promovidos os servidores, de forma que isso faria com que poucos servidores tivessem acesso às promoções (subida de nível) e, consequentemente, ao aumento de salário. Elas acusam o Governo de aprovar a lei para reduzir o custo da máquina pública estadual.

O Governo do Estado, no entanto, explica que houve uma má interpretação pelos servidores e que a lei apenas organiza as promoções, de forma que a Secretaria de Administração do Estado e a própria população saibam para que serve o que vai estar fazendo cada servidor.

Trazendo prejuízos ou não, a polêmica sobre o assunto obrigou o Governo do Estado a retirar os professores da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) da abrangência na nova lei. Advertida de última hora, a Associação dos Docentes da Uespi (Adcesp) pressionou os deputados estaduais e conseguiu fazer com a que a Uespi ficasse de fora.

Secretário Franzé Silva garante que os direitos estão garantidos e que não haverá redução de promoções

O secretário de Administração do Estado, Franzé Silva, lamentou que houvesse um equívoco na interpretação da lei por parte dos servidores. Ele garantiu a O DIA que os direitos dos servidores estão mantidos e que não haverá redução de promoções nem engessamento da carreira pública.

“Ela é uma lei de organização. Não é impeditiva para o crescimento de uma carreira, o exemplo é a promoção na Polícia Militar (PM)”, disse o secretário, lembrando que no último dia 21 de abril foram promovidos 189 PMs. “O governador quer apenas organizar a administração com uma lei geral, para a partir daí fazer a progressão de cada carreira”, explicou.

Franzé disse que a intenção da nova lei é ter um maior controle sobre o gasto com pessoal. “Teremos um cargo com um código, e a esse cargo e a esse código vamos colocar a matrícula de um servidor, então com isso vamos saber onde está cada servidor e em que cargo ele ocupa. Vamos saber onde há excesso e onde está faltando servidores e como trabalhar melhor com esses dados”, informou, lembrando que essa lei é uma continuação do trabalho de recadastramento dos mais de 90 mil servidores do Estado, feito no ano passado pela Sead.

“De forma nenhuma vamos estar cerceando o direito já garantido nos planos de cargos. Queremos a partir de agora ter uma ideia de como progredir e isso ser feito de forma organizada, e não se fazer promoções sem ter um controle de fato, dos benefícios disso para a sociedade”, explicou. Sobre a polêmica da Uespi e o fato do Governo ter retirado os professores após pressão da Adcesp, o secretário Franzé informou que Wellington Dias não quis confronto com a Assembleia Legislativa e por isso aceitou a mudança. “Mas ele próprio reconhece que é necessário essa organização [da nova lei]”, concluiu.