Teresinha Maria de Jesus, mão do garoto Eduardo Ferreira de Jesus, assassinado na última quinta-feira (02) no Conjunto de Favelas do Alemão, no Rio de Janeiro está esperando somente a confirmação do horário do voo para Teresina. O translado está sendo pago pelo governo do Rio de Janeiro.
Foto: Fábio Gonçalves/Agência O Dia
De Teresina, uma funerária irá fazer o transporte do corpo de Eduardo para Corrente, 818 km de Teresina, onde o menino será enterrado. O restante da família deve de ir de ônibus para o município.
A mãe afirma que o disparo que matou Eduardo foi feito por um policial. A criança teria saído do quarto para sentar à porta, quando foi atingida por um tiro na cabeça. O Conjunto de Favelas do Alemão está sendo ocupado por policiais e quatro pessoas já morreram, sendo dois traficantes, uma dona-de-casa vítima de bala perdida e a criança.
A família de Eduardo morava no Rio de Janeiro há 16 anos, mas depois da tragédia quer voltar ao Piauí. Além da dor de ter perdido um filho que tinha 10 anos de idade, Teresinha de Jesus diz que tem de morrer ou de perder mais alguém. “Eu fui ameaçada pelo policial. Se eu ficar, tenho medo de perder a minha vida, ou o meu marido, ou meus outros filhos”, disse a mulher ainda muito abalada.
Teresinha disse que todos os seus familiares estão arrasados com a tragédia. “No Piauí, no Ceará – onde vivem os parentes do meu marido -, em Brasília, onde tenho familiares também e no Rio de Janeiro. É muita mágoa, revolta e dor”, declarou.
Na tarde de hoje (04) haverá um novo protesto dos moradores do Alemão. Ontem, a polícia reprimiu com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo a primeira manifestação. “A população abraçou a minha família e todos estão comigo”, disse Teresinha, que pretende participar do protesto.
Ela ainda vai exigir indenização do Estado do Rio de Janeiro e o dinheiro de um apartamento que ganhou do Minha Casa Minha Vida. O objetivo é comprar uma moradia em Corrente, onde pretende viver a partir de agora.