Os familiares de pelo menos cinco detentos da Casa de Custódia denunciaram ao Portal O Dia supostos maus tratos e espancamentos que estariam sendo cometidos pelos agentes penitenciários contra os presos dentro da penitenciária.
Segundo a esposa de um dos detentos, os presos estariam sendo arrastados e agredidos, e alguns estariam sido transferidos para outros presídios sem o conhecimento das famílias.
"Meu marido e o meu irmão estão presos lá. Só tem 18 dias que eles foram transferidos de São Raimundo Nonato para cá, e já querem mandar eles novamente para outro lugar", relata.
De acordo com o advogado de outro detento, os espancamentos teriam começado após um princípio de tumulto em um dos pavilhões do presídio. Em seguida, os cinco detentos envolvidos no episódio teriam sido isolados em outro pavilhão.
"Um deles teria xingado os agentes, eles foram retirados, apanharam e foram isolados até descobrir qual dos detentos havia cometido a infração. Mas, de acordo com a direção, eles vão ser transferidos novamente para os pavilhões em que estavam antes", afirma.
Contraponto
O diretor da Casa de Custódia, tenente Jean Carlos Bezerra, argumentou que nenhum detento sofre maus tratos dentro do presídio. Segundo ele, ainda na manhã de hoje (06), o juiz da Vara de Execuções Penais do Piauí, Vidal de Freitas, visitou as dependências do presídio para atestar as condições as quais os presos estão submetidos, e não foi encontrada nenhuma irregularidade relacionada aos supostos maus tratos.
Sobre as transferências do presos para outros presídios do estado, o diretor afirma que esse é um acontecimento comum, tendo em vista que a Casa de Custódia está operando acima da sua capacidade máxima. Ao todo, 952 homens encontram-se detidos no complexo, que possui capacidade para apenas 336.
"Nós fazemos essas transferências regularmente, é algo comum. O nosso serviço de inteligência verifica quais presos correm risco de morte ou de serem espancados por outros detentos dentro do sistema prisional, por causa de brigas entre as próprias gangues, e nós recolhemos esses detentos para outros presídios", afirma.