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Somados auxílio e Bolsa Família, renda de ambulante não passa dos R$ 700

Trabalhadora informal, dona Merinalda Alves mora em Timon e precisa se deslocar todos os dias para o Centro de Teresina para poder complementar sua renda com uma banca de doces e bombons na Praça Saraiva. O auxílio emergencial, segundo ela, veio para somar, mas juntando-se o que ela já recebia do Bolsa Família com o valor do benefício concedido durante a pandemia, sua renda mensal não passa dos R$ 700,00.

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O valor não é suficiente para o essencial. “Só dá para o básico e nem isso direito. Já recebi as cinco parcelas de R$ 600,00 e mais uma de R$ 300,00 e a minha renda toda é do auxílio e das vendas. Mas não é o suficiente não e a primeira coisa que a gente sente é na alimentação. Lá em casa a gente só come o básico. Carne vermelha? A gente substitui pelo frango, pelo ovo, pela sardinha, porque está caro demais. A luz dá muito alta porque a gente fica mais tempo em casa. Os gastos só vão aumentando”, sintetiza dona Merinalda.

Depois da pandemia, com a acentuação da crise, ela conta que voltou inclusive a morar com a mãe para ver se amenizava nos gastos, sobretudo com os gastos de energia. E o cenário de incerteza quanto à ampliação do Auxílio Emergencial traz ainda mais preocupação, porque vem do benefício a maior parte da renda de casa.

“Antes da pandemia, eu conseguia uma média de R$ 60,00 a R$ 70,00 por dia. Depois, caiu pra R$ 30,00 a R$ 40,00. Sem o auxílio, vai ficar mais difícil ainda, porque pelo menos eu tenho esse dinheiro garantido. E depois? Vou ter que procurar outra fonte de renda, porque só com as vendas aqui não dá. Eu tenho filho pra criar, tem que ter um sustento certinho”, finaliza dona Merinalda.


No começo de outubro, o governo começou a pagar o Auxílio Emergencial de Extensão de R$ 300 - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Indefinições e impasses

No começo de outubro, o Governo Federal começou a pagar o Auxílio Emergencial de Extensão (AEE) no valor de R$ 300,00 para os beneficiários do Auxílio Emergencial. O AEE, como o próprio nome já diz, é uma extensão do benefício destinado àqueles que recebem o Auxílio Emergencial e que atendem a uma série de critérios estabelecidos pelo Governo, dentre os quais se destacam não possuir vínculo empregatício, nem ter renda mensal acima de um salário mínimo por pessoa e renda familiar total acima de três salários mínimos.

Com a iminência do fim do Auxílio Emergencial, que foi prorrogado somente até o dia 31 de dezembro, o Governo Federal ainda não apresentou uma proposta consistente de assistencialismo social que possa ou dar continuidade ao programa ou substituí-lo. Em um primeiro momento, falou-se em ampliação do Bolsa Família para criar o Renda Brasil com a unificação de outros programas sociais.

Para financiar o Renda Brasil, o Ministério da Fazenda sugeriu congelar o reajuste de aposentadorias por até dois anos. A medida foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro, que encerrou as discussões a respeito do programa. Em seguida, se falou em criar o programa Renda Cidadão, utilizando valores de precatórios devidos pela União e uma parcela de recursos do FUN- DEB para seu financiamento. O governo novamente voltou atrás após críticas de especialistas, lideranças políticas e do mercado.

As indefinições não giram somente em torno do nome e do financiamento do programa. O valor a ser concedido no benefício também é alvo de impasses. O objetivo do governo federal é conceder uma renda mínima de R$ 300,00, mas esse montante dependerá do impacto que será gerado sobre Orçamento previsto para o ano que vem.