A lavradora Rosana Nunes da Rocha, mãe solteira de três ilhas, é uma das mais de 90 pessoas abrigadas na Escola Municipal Monsenhor Deusdeti Craveiro de Melo (CAIC), em José de Freitas, município localizado a 55 km da Capital do Estado. Ao todo, cerca de 20 famílias das localidades Malhada de Fora, Barragem do Bezerro, Sipaúba e bairro São Pedro fazem das salas de aulas o seu lar provisório.
Alojada no quarto 14 do prédio da escola, Rosana comenta que o local onde ela morava mais a família, no Povoado Malhada de Fora, era “rodeado de água”, com risco eminente de alagamento; por isso, teve que deixar sua casa às pressas para evitar o pior. Ela cita toda a assistência recebida, mas aguarda a situação ser normalizada para retornar para sua residência. “É muito ruim deixar as nossas casas, o pensamento é o tempo todo nelas, porque temos nossas coisas e não deu pra trazer tudo, exceto algumas mudas de roupas, que não é o suficiente. Além de roupa, está faltando calçado e remédio para as crianças”, disse a lavradora.
Foto: Assis Fernandes/O Dia
Já o casal Luís José dos Santos e Maria da Conceição Calaço dos Santos, que sobrevivem da pesca, dividem a pequena sala de aula com os três filhos e mais nove pessoas da família. Eles deixaram os poucos pertences em busca de segurança, já que a casa já estava sendo atingida pela água. “A gente nunca imagina que vai passar por isso. Estamos sendo bem acolhidos, mas é uma coisa de precisão; mas é melhor ficar em um lugar seguro e evitar que o pior aconteça. Só sinto falta do movimento lá de casa”, declara Luís que, para se distrair da situação, ajuda nos serviços do abrigo.
No quarto cinco, onde antes funcionava a sala de aula do 4° Ano B do CAIC, está abrigada a aposentada Livramento Cardoso e mais 11 pessoas, todas da família. Ela também não reclama do abrigo, mas não esconde a preocupação com o irmão mais velho que não quis acompanhá-la. "Ele não quis deixar as coisas dele, ficou mais a esposa e os dois ilhos", relata.
Distribuição dos
alojamentos está sendo
feita respeitando os
vínculos familiares (Foto: Assis Fernandes/O Dia)
Perdas
Livramento ainda conta que as lavouras de arroz, milho e feijão, de onde vêm a maior parte do sustento dessas famílias, se perderam com os alagamentos. Ela e os outros populares não previsão para retornarem a suas casas, que continuam sendo monitoradas pela Defesa Civil do Estado. “É uma coisa que nunca tínhamos passado, deixamos nossas casas com tudo, com todos os bens, mas o importante mesmo é a vida”, diz a aposentada, que sente falta de uma TV para se distrair.
Assistência
Além do CAIC, outra escola localizada na comunidade Gramosa abriga mais 30 famílias afetadas pelas chuvas. Outras 32 estão alojadas em casas que se ofereceram para acolher provisoriamente os populares desabrigados. As famílias alojadas no CAIC contam com a assistência de uma equipe formada por mais de 100 pessoas, entre funcioná- rios da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria Municipal de Assistência Social de José de Freitas (Semac), além de voluntários, que se revezam ao longo de todo o dia