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Revista denuncia devastação da caatinga do Piauí por multinacional

Em sua edição de setembro, que traz na capa a foto do cantor Renato Russo, a versão brasileira da revista americana Rolling Stone traz uma grande denúncia envolvendo a empresa multinacional Yara, da Noruega, e a mineradora paulista Galvani S/A.

As duas indústrias são acusadas de incentivar, financiar e de serem coniventes com o trabalho degradante e com o desmatamento de áreas no corredor ecológico Capivara-Confusões, na região de São Raimundo Nonato (525 km de Teresina).

A revista, que chegou às bancas de todo o Brasil na última quarta-feira, 14 de setembro, dedicou oito páginas ao assunto, com direito a chamada de capa apontando a destruição da caatinga com financiamento internacional.

Segundo a publicação, toda a atividade predatória foi aprovada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí (Semar), através de um suposto Plano de Manejo Florestal Sustentável, que autorizou a exploração de uma área superior a 8 mil campos de futebol de matas nativas.

A reportagem esclarece que a madeira retirada da região estava sendo utilizada para alimentar os fornos da mineradora paulista Galvani - pertencente a Yara - e que explora uma mina de fosfato na divisa da Bahia com o Piauí, nas proximidades das cidades de Caracol e Guaribas.

Durante uma operação do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Rodoviária Federal, 18 trabalhadores em condições análogas à escravidão foram libertados de uma fazenda utilizada pelas indústrias para desmatar a caatinga.

A Rede Ambiental do Piauí (Reapi) solicitou que o Ministério Público Federal abra uma investigação para investigar as denúncias. O processo está com o procurador da República Tranvanvan Feitosa, que já solicitou todos os documentos referentes ao empreendimento à Semar e determinou uma investigação para apurar os fatos.

Por meio de nota, a assessoria da empresa Galvani se posicionou sobre o caso, e informou que a madeira utilizada é adquirida de fornecedores autorizados e licenciados. Leia a nota na íntegra abaixo:

Esclarecemos que toda madeira utilizada pela Galvani como fonte energética em suas unidades é adquirida de fornecedores que possuem as licenças e as autorizações ambientais necessárias para corte, venda e transporte. Para tanto, a exploração deve ser realizada dentro de um Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), que orienta a utilização e produção do bem, assegura um melhor aproveitamento dos recursos, busca reduzir o impacto da exploração e promover a sustentabilidade. 

O uso de lenha nativa na região é autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o fornecedor da Galvani, SS Agrosilvipastoril, ao assinar contrato com a empresa, comprovou ter as licenças em dia.

Por conta de irregularidades trabalhistas encontradas pelo MPT na SS Agrosilvipastoril, em vistoria realizada no final de junho, a Galvani, que estava trabalhando com a empresa há apenas um mês na ocasião, rescindiu o contrato imediatamente.