Ãlcool e velocidade é uma mistura perigosa e com reflexo negativo para o sistema publico de saúde. Os condutores de motocicleta estão entre as principais vÃtimas de acidente de trânsito e a imprudência um dos principais motivos. O resultado é o aumento na realização de cirurgias nos hospitais de urgência e uma população jovem com sequelas graves após se envolverem em acidentes de trânsito. Os centros de reabilitação também recebem pacientes cada vez mais jovens.
O ortopedista José Renato Brandim afirma que a maioria dos pacientes que chega para tratamento no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir) é de homens e jovens em idade produtiva. “Os relatos das maiorias dos pacientes são de imprudência no trânsito, eles conduziram veÃculos, na maioria moto, após ingerir bebida alcoólica e sem fazer uso do principal equipamento de segurança que é o capaceteâ€, comentou.
Foto: Marcela Pachêco/ODIA
O especialista ressalta que um acidente de moto, exige um tratamento prologando. “As sequelas são graves. Os pacientes que não têm os membros amputados sofreram esmagamento de membros nos casos das batidas laterais. Já os acidentes em que o motoqueiro é colhido de costa o maior risco é a compressão da medula óssea, o que vai deixar o paciente paraplégico ou tetraplégico. São acidentes graves que mudam a vida do paciente e de toda a famÃliaâ€, avaliou José Renato Brandim.
Foi o que aconteceu com o ex-garçom Valdean Carlos. Ele e mais dois amigos estavam em uma moto quando invadiram a preferencial e foram colhidos por um caminhão. Valdean Carlos reconhece que a imprudência mudou a sua vida. “No dia do acidente eu tinha consumido bebida alcoólica e não medi a consequência. Foi irresponsabilidade eu não culpo o motorista do caminhão. Na verdade ele salvou a minha vida e a dos meus colegas. Os dois não tiveram nenhuma sequela, como eu caà sentado a medula foi comprimida e fiquei sem o movimento das pernasâ€, recordou o ex-garçom.
O morador do bairro Parque Alvorada, zona norte de Teresina, frequenta o Centro Integrado de Reabilitação quatro vezes por semana. Na companhia do fisioterapeuta, Valdean Carlos, cumpre exercÃcios para os membros inferiores. O esforço para conseguir cumprir os exercÃcios é o mesmo para manter a promessa de não consumir bebida alcoólica. “No dia do acidente, ainda deitado no chão eu prometi que não beberia. Fui irresponsável e o meu exemplo não deve ser repetidoâ€, reforçou o paciente.
Confirmando as estatÃsticas divulgadas essa semana pelo Hospital de Urgência de Teresina, há dois meses, o estudante Lúcio Silva de 19 anos também se acidentou ao tentar desviar de um trecho interditado numa estrada vicinal. Com o impacto, o estudante sofreu lesões no ombro esquerdo. “A clavÃcula quebrou, passei um perÃodo com o braço imobilizado e mais três meses sem poder fazer qualquer esforço, sobre o risco do osso romper novamente, porque o impacto foi forteâ€, relembrou.
Fiscalização pode combater imprudência
De acordo com o setor de estatÃsticas do Hospital de Urgência de Teresina, no ano passado 12 mil pacientes deram entrada no hospital vÃtimas de acidente de trânsito por motocicletas. Entre as vÃtimas, 60% tem idade entre 21 e 40 anos. Desse total, apenas 1.398 foram vÃtimas de acidentes com carro, 1.334 vÃtimas de atropelamento e 129 vÃtimas de atropelamento por veÃculo com tração animal. As vÃtimas de acidente com motocicleta somaram 80% do total de atendimentos em 2014.
Ao divulgar os dados, o diretor geral do HUT, Gilberto Albuquerque, ressaltou que os números alarmantes são reflexos da imprudência no trânsito, em especial a ingestão de bebida alcóolica e o não uso dos equipamentos de segurança como o capacete, o que tem aumentado a gravidade dos acidentes que ocorrem na capital.
Para o ortopedista do Ceir, José Renato Brandim, é necessário reforçar as fiscalizações de trânsito. “O acidente é apenas o reflexo do grande número de condutores que trafegam na cidade colocando em risco as suas vidas e de outras pessoas. A cada fiscalização, o numero de motocicletas irregulares apreendidas é grande. É preciso mais rigor nas fiscalizações, para que os acidentes diminuam. Cada vez mais jovens estão se acidentando em idade produtiva, os que não perdem um membro passam por longos perÃodos de reabilitaçãoâ€, concluiu o especialista.