Os professores da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) deflagraram greve por tempo indeterminado na semana passada. Porém, alguns docentes decidiram continuar ministrando as aulas, o que não tem sido muito conveniente para os alunos, que precisam se deslocar ao campus para assistir aula de apenas uma disciplina.
Segundo os estudantes, os horários das aulas estão desorganizados, além de ser um gasto extra com o transporte, vez que alguns alunos precisam pegar até duas conduções para chegar à Universidade. É o caso da estudante do curso de Física, Bruna Ariadni Sousa Silva, de 18 anos.
Ela reside na Vila Irmã, zona Sul de Teresina, e precisa acordar às 4h30 para chegar à Ufpi. “Muitas vezes, eu chego atrasada e aí, às vezes, nem tem aula, ou só uma aula, então isso é muito ruim. E o pior, se não vier aí fico sem ver o conteúdo”, disse. Para ela, a suspensão total das aulas seria o mais recomendado a ser feito.
A jovem destaca que, por conta da pouca quantidade de alunos transitando pelo campus, a insegurança e medo de assaltos aumentam. Com receio de serem abordados pelos criminosos, muitos estudantes estão andando em grupo e evitando circularem por locais mais isolados. Bruna Ariadni ainda ressalta que alguns professores estão ministrando aulas com as portas trancadas e que os alunos estão evitando levar notebooks e celulares para a universidade. A estudante fala também que a única professora que aceitou continuar dando aula foi coagida a parar com suas atividades e, por conta disso, a disciplina seria suspensa até que a greve seja encerrada.
O mesmo estava ocorrendo com alguns alunos do curso de Educação Física. Eles estão assistindo apenas uma disciplina, o que dificulta bastante para os estudantes, que precisam se deslocar para a universidade para assistir apenas uma aula durante o dia. Por conta disso, alguns professores chegaram a negociar com os alunos para que as aulas tivessem uma maior duração e não houvesse a necessidade de irem para a instituição nos outros dias da semana.
“Às vezes, o professor marca aula de 8h às 12h, direto, mas, mesmo assim, é ruim, porque não dá para se programar no final de semana, porque não sabemos se terá aula. Agora mesmo, estamos esperando o professor para saber se ele vai aderir à greve ou continuar dando aula. A gente até prefere que ele paralise, porque é só uma disciplina de sete, e depois vai ter que vir pagar as outras seis, então isso é mais um gasto”, relata Danilo Háviner, estudante de Educação Física.
Foto: Assis Fernandes/ ODIA
Sobre a insegurança, o estudante destaca que a instituição colocou reforço e que, aparentemente, os frequentes assaltos cessaram. Ele pontua, contudo, que a reitoria da Ufpi fez uma parceria com a Polícia Militar para que as viaturas circulassem pelo campus, mas, até o momento, a presença da polícia ainda não foi vista pelos alunos.
Juliana Pessoa, que também é aluna do curso de Educação Física, frisa que o melhor para os alunos seria se todas as aulas fossem suspensas até que a greve seja encerrada. “De qualquer forma, a gente vai ter que vir de novo. E tem vários alunos que não estão vindo e, com isso, estão perdendo a disciplina e conteúdo, porque é difícil ter aula com poucos alunos.
Contraponto
Por sua vez, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi) afirmou que a adesão dos professores à greve foi de mais de 90% e que apenas há alguns casos isolados de professores que continuam ministrando aulas; contudo, este é um direito de cada docente, em aderir ou não ao movimento grevista. A Adufpi frisou ainda que o comando local de greve irá se reunir para debater sobre este assunto, mas garantiu que nenhum aluno será prejudicado e ressaltou que as orientações serão repassadas aos discentes, assim como futuras negociações que o governo venha a fazer com a categoria.
Já a Administração Superior e o Conselho Universitário da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) disseram que, em reunião realizada no último dia 17, se posicionaram pela não suspensão do Calendário Acadêmico referente ao período 2015.2. Segundo o reitor, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, posteriormente, o Conselho voltará a se reunir para avaliar o quadro da greve e novamente se posicionar.