Por conta das investigações acerca da fraude no último concurso para o Tribunal de Justiça, a contadora Larissa Guimarães foi alvo de um mandado de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a acompanhar os policiais para prestar depoimento). A funcionária denunciou em sua rede social que sofreu constrangimento, já que a ação aconteceu em seu ambiente de trabalho.
"Me ligaram na quinta-feira, pelo celular da minha mãe. Disseram que queriam falar comigo, mas como a chamada era via 'Whatsapp', ficou falhando e caiu.", conta Larissa. "Quando consegui ligar novamente, pela linha normal e não pelo aplicativo, minha mãe disse que eles já tinham saído de casa e se dirigiam para a empresa". Quando os policiais chegaram, Larissa foi conduzida até a sala da diretoria com o mandado de condução coercitiva.
"Disseram que haviam pedido por telefone para eu me apresentar, e que eu havia negado. O que é mentira!", afirma Larissa. "Isso foi um ato ilícito, por que eu não recebi comunicado".
A contadora foi conduzida até a delegacia para prestar depoimento. "Queriam que eu fosse no camburão deles, mas a advogada da empresa interviu e impediu. Eu fui para a delegacia num carro com um policial dentro", conta. Durante o depoimento, Larissa soube que o gabarito de sua prova apresentava coincidências com o de Jackeline Rocha do Nascimento, apontada como participante da fraude do concurso. "Algumas questões, e só da prova de direito, da qual eu errei quase metade das questões. Estou longe de ter passado nesse concurso", explica.
A contadora conta que sofreu com o constrangimento de ser chamada a depor em frente aos colegas de trabalho. "Trabalho numa sala enorme, com muitas pessoas. Ficou todo mundo assustado com a cena. Fui liberada ao meio-dia, por que não consegui trabalhar no mesmo dia, ainda estava tremendo pelo susto. No dia seguinte, sexta-feira, eu chorei o dia inteiro", desabafa.
Larissa afirma que está em contato com outras três pessoas que passaram por episódios parecidos. A contadora revela que está sendo preparada uma ação conjunta contra Polícia e e Ministério Público.
Jackeline Rocha, a outra candidata que teria coincidência no gabarito, também nega envolvimento na freude. Ela destaca que é uma pessoa idônea e de reputação ilibada. "Para alcançar os resultados que venho alcançando nos concursos que presto eu estudo, e muito!", argumenta.
A candidata afirma que a estratégia usada pela polícia foi dizer para Larissa que ela estava envolvida na fraude e vice-versa. "Pediram explicações sobre essa coincidência, quando, na verdade, nenhuma de nós duas tínhamos envolvimento nenhum nesse esquema! Acho muito frágil uma investigação desse tipo na qual, por uma coincidência de gabaritos, o que é muito provável num universo de 42.000 inscritos, pessoas inocentes sejam condenadas a terem suas imagens expostas de forma tão vil!", lamenta Jackeline.
Outro Lado
O delegado Kleydson Ferreira, que participa das investigações da Operação Veritas, afirma que não foi cometida nenhuma ação ilícita na condução coercitiva de Larissa. "É o procedimento adotado. Insatisfações sempre vão haver, ninguém gosta de ser chamado. Mas a decisão foi avaliada pelo Ministério Público e pelo juíz. Passa por esses dois crivos antes de chegar na polícia", disse.
Quanto ao fato da contadora estar no ambiente de trabalho, o delegado disse que o mandato de condução coercitiva permite que a polícia aborde em qualquer situação. "Fazemos a condução de onde a pessoa esteja. Não houve abuso, não algemamos ela, não usamos arma", defendeu.
Para o delegado, tudo foi feito dentro dos requisitos da legalidade, e que a ação foi inclusive acompanhada pela corregedoria da Polícia Civil. "Se ela tiver algo a questionar, pode ingressar ação e o judiciário vai verificar. Estamos bem tranquilos com a questão do cumprimento dos mandatos".