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Consumo de água contaminada levou mais 9 mil piauienses a serem internados em 2019

O Brasil vem enfrentando sua maior crise de saúde pública em meio à pandemia de covid-19 e mesmo diante da situação sanitária em que vive o país, outro problema merece atenção: a falta de saneamento básico, que leva todo ano milhares de pessoas à rede pública de atendimento, acometidas por doenças relacionadas ao consumo de água sem tratamento adequado.

Enfermidades como diarreia, dengue, leptospirose, esquistossomose e malária entram no rol de doenças relacionadas ao consumo de água não trata ou imprópria para uso humano.

Dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil nesta terça-feira (05), e colhidos junto ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apontam que quase 25 milhões de brasileiros vivem em locais sem acesso à água tratada e que somente 40% dos esgotos do país são tratados. 


Foto: O Dia

Antes mesmo da pandemia, ainda em 2019, o Brasil já registrava 273.403 internações por doenças transmitidas pelo consumo de água contaminada e o país gastou cerca de R$ 108 milhões com o tratamento de pessoas acometidas por este tipo de enfermidade. Aqui no Piauí, o cenário não é diferente: os dados da pesquisa Saneamento e Doenças de Veiculação Hídrica Ano base 2019, produzida pelo Trata Brasil, revelam que o Piauí teve 9.702 internações por doenças transmitidas pela água contaminada.

Este dado colocou o Estado em décimo lugar no ranking nacional dos estados com a maior incidência de internações por enfermidades ocasionadas pela falta de tratamento da água para consumo humano. O Maranhão é o estado com o maior índice, com 38,2 mil internações.

Observando-se a taxa de incidência a cada 10 mil habitantes nas unidades federativas, o Piauí aparece em terceiro lugar no Brasil na ocorrência de doenças transmitidas por água sem tratamento, com um índice de 29,64 casos a cada grupo de 10 mil pessoas. O Maranhão, assim como nos números absolutos, se mantém como o estado com maiores casos, com 54,4 mil internados a cada 10 mil habitantes. O Pará aparece em segundo lugar com 29,64 casos.

Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, os dados mostram a relevância de se acelerar a agenda do saneamento básico com mais investimentos de forma que mais pessoas recebam os serviços. “Os dados deixam claro que qualquer melhoria no acesso da população à água potável, coleta e tratamento dos esgotos traz grandes ganhos à saúde pública. Por outro lado, o não avanço faz perpetuar essas doenças e mortes de brasileiros por não contar com a infraestrutura mais elementar. São hospitalizações com ocupação de leitos que poderiam estar sendo destinados a doenças mais complexas.”, explicou Édison Carlos.


Foto: Jailson Soares/O Dia

Vale lembrar que a universalização do acesso à água e aos serviços de esgotamento sanitário é uma das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), firmado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A nível de Brasil, há ainda o novo Marco Legal do Saneamento, lei 14.026/2020, que estipula o prazo até 2033 para 99% da população do país ter acesso à água tratada e 90% da população ter coleta de esgotos.

Aqui no Piauí, a gestão do abastecimento e do sistema de esgotamento é competência da Agespisa e, na zona urbana da capital, é da empresa Águas de Teresina, subconcessionária do serviço. O Portalodia.com buscou as duas entidades para se manifestar a respeito da pesquisa do Trata Brasil.

Por meio de nota, a Agespisa informou que, como regra, atua nas zonas urbanas das cidades. Atualmente a empresa atende cerca de 700 mil ligações domiciliares de água em 178 localidades de todos os cantos do Piauí, o que corresponde a cerca de 90 da população que mora nas áreas atendidas. A empresa disse que não dá para estabelecer uma relação entre o número de doentes por consumir água sem tratamento e a população por ela atendida já que não foi informado no estudo onde vivem as pessoas abrangidas por ele.


Foto: O Dia

A nível de capital, que é o maior polo de saúde do Estado, a Águas de Teresina informou que já conseguiu universalizar a rede de abastecimento de água tratada e que trabalha agora para conseguir universalizar a rede de coleta e de tratamento de esgoto. Quando a empresa assumiu o serviço, em 2017, Teresina tinha 19% de cobertura de esgoto. Hoje, a cidade deve fechar 2021 com cobertura em torno de 40%.

“É um avanço significativo que mossa nossa responsabilidade em relação à saúde e ao saneamento em Teresina. A gente tem diversos desafios relacionados à ampliação da rede de esgotamento sanitário e eu acho que o primeiro grande desafio são as obras de engenharia, sobretudo aquelas de mobilidade, que são as que atrapalham a mobilidade, mas que no geral fica aquela obra pra melhorar a saúde da população geral”, pontuou o presidente da Águas de Teresina, Jacy Prado.

Ele comenta que a capital já teve um investimento em torno de R$ 1 bilhão na rede de abastecimento e esgotamento e que o próximo passo é seguir para a universalização da coleta e tratamento de esgotos de modo a aumentar a qualidade de vida do teresinense.