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Promotora e advogado brigam em Fórum de Monsenhor Gil

Após acalorada discussão nas dependências do Fórum, um advogado deu voz de prisão a uma promotora na cidade de Monsenhor Gil, a 65 quilômetros de Teresina. O caso ocorreu na manhã desta terça-feira (18).

Após toda a confusão, o advogado Dalton Rodrigues Clark, de 65 anos, e a Promotora Rita de Cássia de C. Rocha Gomes de Souza foram encaminhados para o 18º Distrito Policial.

O advogado conta que foi até o Fórum buscar um alvará de seu interesse. Ao reclamar da demora na entrega do documento com a escrivã, identificada como Zélia, a analista judiciária, de nome Maria, teria saído de sua mesa e ido ao corredor para desacatá-lo.

Dalton Clarck mostra o boletim de ocorrência (Foto: Elias Fontenele/ODIA)�

Segundo Dalton, Maria afirmou que ele estava falando muito alto. Então, a promotora saiu em defesa das servidoras, dando voz de prisão a ele por desacato à autoridade.

“Ela [a promotora] saiu da sala e veio dizer que eu estava preso por desacato à autoridade. Eu não desacatei ninguém. Por isso dei voz de prisão à promotora por abuso de poder. Então ela me agrediu e fomos encaminhados para a delegacia, para prestar depoimento”, declara o advogado.

Além de prestar depoimento, os dois foram submetidos a exame de corpo de delito. O advogado apresentou alguns arranhões no braço direito. A promotora também apresentou lesões consideradas leves.�

O advogado apresentou algusn arranhões (Foto: Elias Fontenele/ODIA)

Dalton Clark afirmou que após o ocorrido se dirigiu à sede da OAB-PI, em Teresina, e denunciou o caso à Procuradoria Geral de Justiça.

Outro lado

Em conversa com a equipe de O Dia, o presidente da Associação do Ministério Público, Paulo Rubens, caracterizou como “lamentável” a situação. Apesar de considerar o fato como isolado, ele pede que seja apurado da maneira devida. De acordo com Paulo Rubens, todo o apoio necessário será prestado à promotora.

Em nota, o representante dos promotores defendeu Rita de Cássia. Confira a íntegra do comunicado:

“A Associação Piauiense do Ministério Publico (APMP) vem a público lamentar o episódio ocorrido na cidade de Monsenhor Gil, no qual a representante do Ministério Público do Estado do Piauí, Rita de Cássia de Carvalho Rocha, foi agredida pelo advogado Dalton Clarck. O fato aconteceu na manhã desta terça-feira (18), no fórum do município, e foi presenciado pela juíza Andréa Parente Lobão Veras.

�De acordo com relatos da promotora de Justiça Rita de Cássia, tal acontecimento resultou em lesões leves em seu braço. Ela registrou Boletim de Ocorrência na delegacia do município e realizou exame de corpo de delito, após desacato proferido contra servidoras do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí.

Como entidade representativa da categoria, a APMP reforça seu apoio à promotora Rita de Cássia no caso e informa que adotará todas as medidas necessárias para resguardar suas prerrogativas profissionais como integrante do Ministério Público. A entidade reforça, também, que o caso merece a devida apuração.

Finalmente, a APMP reconhece que trata-se de acontecimento isolado que não reflete o respeito que deve marcar o relacionamento entre representantes do MP e advogados. Assim, esta entidade lamenta o acontecimento e presta irrestrito apoio à promotora de Justiça Rita de Cássia Rocha, na certeza da valorosa contribuição que seu trabalho vem prestando à sociedade piauiense.”