Atualizada às 17h44min
Maior aproveitamento nas questões
objetivas. Foi assim que os estudantes que fizeram o primeiro dia de prova do
Enem neste domingo (05) em Teresina classificaram o exame. Isso porque o tema
da Redação, “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, acabou
pegando muita gente de surpresa. Os estudantes esperavam que a prova abordasse
temas cuja discussão está mais em voga.
Foi o que ressaltou a estudante Thalia Raiane, 20 anos. Prestando o Enem pela segunda vez, ela conta que se saiu melhor na Redação no ano passado e depositou nas questões objetivas as esperanças de uma aprovação para História ou Biologia, cursos que são seu principal objetivo. “Não gostei do tema porque eu imaginava que colocaria isso. Eu estudei tantas outras coisas que nem passou pela minha cabeça algo assim”, avaliou a jovem, que apostou mais em temas como mobilidade urbana, por exemplo.
Foto: Jailson Soares/O Dia
A estudante acrescenta que procurou abordar na Redação o que poderia melhorar no Brasil em termos de projeto do Governo voltado para a população de deficientes auditivos e a questão da inserção no mercado de trabalho. Na opinião de Thalia, mesmo que o tema seja mencionado constantemente nos debates sobre inclusão social, as empresas, principalmente as privadas, não dão oportunidades para a população surda do Brasil.
Ao contrário de Thalia, o estudante Felipe Campos, 23, relata que gostou do tema da Redação. O jovem diz que teve facilidade em discorrer sobre o tema e que colocou muito de sua experiência no texto, uma vez que possui duas sobrinhas com deficiência auditiva. O convívio, segundo ele, tornou um pouco mais simples discorrer sobre o assunto.
Foto: Jailson Soares/O Dia
Esta já é a terceira vez que Felipe presta o Enem e o tempo agora, é de pensar nas provas do próximo domingo. As questões de Matemática são as que mais preocupam o estudante. “É onde sinto mais dificuldade, então vou estudar mais e revisar”, finaliza.
Iniciada às 14h28min
“Desafios para a formação
educacional de surdos no Brasil”, é este o tema da Redação do Enem 2017. O
assunto foi um dos mais comentados nas redes sociais no país neste primeiro dia
de provas e dividiu a opinião dos brasileiros. Enquanto vários grupos
comemoraram a escolha do tema por fomentar o debate acerca da inclusão social,
outros já teceram críticas, alegando que se trata de um assunto muito
específico e uma realidade com a qual muitas pessoas tem pouco ou nenhum contato
para poder fazer uma boa discussão.
Na página do Ministério da Educação no Facebook, professores da área das Letras elogiaram a escolha do tema pela comissão organizadora do Enem: “Excelente tema. Agora vocês vão saber como seria importante a inclusão da disciplina de Libras nas escolas. E saibam que Libras é a segunda língua oficial brasileira”, afirmou a professora Joice Alborghetti.
Já a professora Juliana Azevedo pontuou que o tema escolhido para a Redação deste ano não é tão abordado nas escolas e faculdades, o que pode dificultar sua exploração em uma dissertação a nível de Enem: “Que tema é esse? Não se fala direito disso nem na faculdade de Letras. O Enem mais uma vez abordando temas que não discutidos no Ensino Médio. Isso aqui é prova de Pedagogia?”, questionou a professora.
“É um tema que tem uma muita restrição”, diz professora
Para a professora Patrícia Lima, o tema da Redação do Enem deste ano apresenta restrições que podem dificultar para o aluno o desenvolvimento de uma dissertação bem estruturada. Isso porque o MEC restringiu a temática da deficiência e da inclusão aos surdos. Patrícia ponta que, talvez se tivesse sido elaborado um tema relacionado à deficiência física como um todo, seria melhor e mais fácil para o candidato contextualizá-lo.
Para que o aluno se saia bem na Redação, a professora aconselha três abordagens na prova: fazer referência à necessidade da inclusão da pessoa com deficiência, entre elas, a pessoa com deficiência auditiva e correlacionar com a educação como fator primordial para tal inclusão. Outra abordagem possível seria discutir a necessidade da formação de professores no Brasil devidamente preparados para atender à necessidade. Um aspecto que pode ser explorado também, de acordo com ela, é a referências às novas tecnologias para a inclusão de pessoa com deficiência auditiva e para a formação dos professores.
“Ontem, o próprio MEC fez uma postagem que relacionava essa questão, informando que o candidato surdo teria a possibilidade de fazer a prova por vídeo aula. Então além de abordar a tecnologia, no projeto da dissertação, o aluno deve ainda apresentar propostas de intervenção no sentido de melhorar a educação pra que ela seja mais inclusiva”, destaca a professora Patrícia.