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Recursos para Assistência Estudantil beneficiam apenas 12% na Uespi

Ingressar na universidade é um sonho para a maioria dos estudantes do ensino médio. Contudo, algumas barreiras a atravessar são mais difíceis para os jovens pobres. Nesse sentido, a política de Assistência Estudantil se torna essencial para ajudar os alunos a não desistirem em meio a tantas dificuldades.

Na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), as ações decorrentes dessas políticas são: PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, PIBEU – Programa Institucional de Bolsas em Extensão Universitária, bolsa-trabalho, auxílio-moradia e auxílio-alimentação.

O problema aparece quando a demanda é maior do que o número de estudantes que os programas são capazes de beneficiar. Segundo dados da Uespi, a instituição possui hoje mais de 18 mil alunos, e apenas 2000 possuem algum tipo de auxílio, ou seja, cerca de 12%.


Foto: Lina Magalhães (Arquivo O Dia)

Para a estudante de Ciências Sociais, Maiara Mendes (21), permanecer em uma universidade é tão complicado quanto conseguir a classificação no vestibular. “Tem transporte, às vezes de uma cidade para outra. Tem alimentação, tem as xerox. São uma série de coisas que nem sempre a nossa família consegue arcar”, afirma.

De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Uespi, a principal reclamação dos alunos é sobre o auxílio-alimentação. A instituição não possui restaurante universitário, tem apenas uma cozinha comunitária onde são distribuídas quentinhas para os estudantes que foram selecionados para receber o benefício.

Mariana Vieira, membro da diretoria do DCE, afirma que o número de alunos que precisa de alimentação é muito maior do que quem recebe. “Às vezes, quando sobra comida depois de 13:30, eles oferecem para outros estudantes e acaba se formando uma fila enorme”, afirma.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

No primeiro semestre de 2017, as bolsas oferecidas aos alunos sofreram um atraso de quase três meses. Em resposta, a universidade disse que isso aconteceu por que a Secretária de Fazenda estaria trocando de sistema. Porém não é a primeira vez o problema acontece.

Para a estudante de Ciências Sociais, Maiara Mendes,ficar quase três nesses sem a bolsa-trabalho foi um problema sério, principalmente por que na mesma época a quentinha não estava sendo fornecida. “Acabávamos pagando para estar na Uespi. Não foi um momento muito bom, algumas pessoas até desistiram de suas bolsas na época”, relatou.

O Pró-reitor da Prex, professor Dr. Raimundo Dutra, explica que a universidade é mantida com recurso do Estado, e todo investimento feito deve estar previsto no orçamento do governo. “Os programas estudantis são mantidos pelo governo, exceto o auxílio-alimentação, pois esse é financiado por meio do PNAES (Plano Nacional de Assistência Estudantil). A Uespi tem direito a esse recurso desde que aderiu ao SISU”, explicou o Pró-reitor.


O Pró-reitor da Prex, professor Dr. Raimundo Dutra, explica que todo investimento feito deve estar previsto no orçamento do governo (Foto: Moura Alves/O Dia)

A presidente da Associação dos Docentes do Ensino Superior da Uespi (ADCESP), Lina Santana, relata que a precarização faz parte da história da instituição. Ela defende que é necessário melhorar as salas, a biblioteca e os auxílio aos alunos. “O Governo custeia somente o salário dos professores, e olhe lá. Não temos restaurante universitário, a biblioteca não possui um acervo atualizado. Enfim, tanto o campus da Capital, quanto os do interior sofrem”, disse.

A professora ainda afirma que já foram enviados dez ofícios para tentar solucionar o problema, mas não houve sucesso. “Se a educação fosse prioridade, a situação seria outra, mas infelizmente não é”.

Instituições federais também são afetadas

Não só a Uespi tem sofrido as consequências da falta de recursos para o Ensino Superior no Piauí. A Universidade Federal também é outra instituição que vem sentindo os reflexos da crise. A TV O Dia foi conferir de perto a situação da residência universitária da Ufpi, que abriga, principalmente, estudantes vindos do interior e de outros Estados.