A proximidade da Semana Santa faz com que os mercados fiquem lotados de consumidores em busca de produtos típicos da época, como peixes e verduras. Contudo, esta demanda leva os comerciantes a aumentarem o valor desses itens, como por exemplo o do milho que pode passar de R$ 15 para R$ 40 durante a Semana Santa, como avalia o vendedor Sérgio da Silva. De acordo com os feirantes da Central de Abastecimento do Piauí (Ceapi), não existe um preço fixo dos produtos vendidos no local, porque depende da quantidade que é repassada para eles.
Foto: Assis Fernandes/ODIA
O vendedor Abimael da Silva vende maxixe, quiabo e feijão verde. Ele comenta que, todo dia, os preços de seus produtos mudam. O cento de maxixe e quiabo é vendido a R$ 2, enquanto o valor de cerca de 600 gramas de feijão verde chega a R$ 5. “O preço mais alto que já vendi maxixe e quiabo foi R$ 10, mas vai depender do dia. Quando chega muito produto para nós, o preço fica mais barato”, comenta.
A maioria dos produtos da Ceapi é vinda da Bahia e do Ceará e o preço de frete também pesa no valor final repassado para o consumidor. Para Abimael, o aumento da procura também contribui para a subida do preço e, na Semana Santa, o feirante acredita que os consumidores vão recorrer à Ceapi em busca de substituir a carne vermelha por outros alimentos. Já a feirante Marlúcia Oliveira, que vende apenas feijão verde, registrou o maior preço do produto em fevereiro, quando chegou a ser vendido por R$ 6, cerca de 600 gramas.
O que contribuiu para esse aumento foi a falta de circulação do item nos mercados. “Feijão é algo que todo mundo tem. Quando viajam para o interior, as pessoas costumam trazer de lá, da roça, principalmente na chuva. Mas quando ele está pouco, que só tem em irrigação, a procura aumenta. E quando estava mais caro, vendia mais”, afirma.
Milho e abóbora
O milho é outro produto bastante procurado, principalmente por ser o ingrediente de várias comidas, como a canjica. O vendedor Sérgio da Silva já chegou a vender um cento de milhos por R$ 70 no começo do ano. Mas atualmente o produto custa R$ 15. Todavia, Sérgio afirma que pretende aumentar o preço na Semana Santa, podendo chegar a R$ 40 o cento por conta da alta demanda do período. “Essa tradição da Semana Santa aumenta nossas vendas e podemos aproveitar porque as pessoas fazem questão de consumir esse produto”, comenta o comerciante, acrescentando que o preço de 1 kg de abóbora pode ser encontrado por R$ 1,50 na Ceapi.
Impacto no bolso
Para o professor Ricardo Cattena, o preço dos produtos mais consumidos por ele na Semana Santa aumentou, como o peixe. Enquanto no ano passado, ele costumava comprar o quilo das espécies tilápila ou tambaqui por cerca de R$ 7, hoje ele afirma que não é possível adquirir o item por menos de R$ 11. “Esse aumento de preços em tudo é que o salário de ninguém acompanhou, não tem como tirar a diferença. O que a população está fazendo é substituir. Maxixe, quiabo com feijão é saudável tanto quanto um bife ou peixe e está no alcance do bolso”, fala.