Portal O Dia - Últimas notícias sobre o Piauí, esportes e entretenimento

Pais criam estratégias para comprar material escolar em busca de economia

Difícil encontrar quem não goste de economizar. Ainda mais após o fim de um ano em que muito se falou em crise econômica e aumento da inflação. Em janeiro, como de costume, as famílias com crianças e jovens em idade escolar sabem que devem se preparar para um grande desfalque na renda: matrículas e compra de materiais escolares.

Fotos: Jailson Soares/ODIA

Pensando em estratégias para poupar o máximo possível, pais recorrem aos mais diferentes caminhos, atraídos pelos menores preços. Vale tudo para conseguir diminuir a sobrecarga trazida pelo início do período letivo.

Andréia Castelo Branco bem sabe que a época exige planejamento financeiro. Mãe de duas filhas em idade escolar, com a lista dos livros didáticos e paradidáticos necessários para o ano curricular, ela destaca que, somados, os livros novos custariam em torno de R$ 4 mil para atender à demanda de ambas as filhas.

Em busca de menores preços, Andreia busca a feira de livros usados e troca entre pais de outras séries para aliviar os custos. “Comprando os livros na feirinha de usados, a gente consegue diminuir entre 50% a 60% o valor. Então, se eu tinha um orçamento de R$ 4 mil com livros novos, eu consigo levar tudo por uma média de R$ 2 mil. É uma economia e tanto”, destaca.

A dona de casa analisa ainda que um dos grandes empecilhos criado pelo mercado de livros é a atualização, nem sempre necessária, dos livros didáticos. “As editoras não mudam quase nada e, por isso, perdemos a oportunidade de vender ou trocar os livros. Às vezes, esse é um mercado muito injusto”, descreve.

O funcionário público Manoel Martins, que também recorre à feira de livros usados, lembra que é essencial pesquisar pelos preços mais atrativos antes de confirmar a compra. “Ando em várias bancas, pesquiso muitos preços e, ao final, os que são mais atrativos eu levo para casa”, afirma.

Dois por um

Além da compra de livros usados, Manoel Martins também aposta na troca de livros para conseguir economizar. Na feira de livros, Manoel consegue permutar os paradidáticos e até livros didáticos. A cada dois livros usados, ele consegue ter acesso a um ‘novo’.

“Eu sempre venho com os paradidáticos que tenho do meu filho do ano passado e, com dois, eu consigo trocar por um que ele precise para a nova série. Com os didáticos, dependendo do livro, a gente consegue fazer a permuta”, afirma. Manoel lembra que a diferença de preços entre os livros novos e usados é gritante. Enquanto um paradidático novo não sairia por menos que R$ 80 nas livrarias; na feirinha, ele consegue comprar por cerca de R$ 20 e vender os antigos a R$ 5 ou R$ 10.

Com a sacola cheia, Manoel afirma o benefício da estratégia. “Assim dá para comprar todos os livros. Todo mundo gosta de desconto”, finaliza.

Feira de usados oferta parcelamento e possibilidade de 'pechincha'

Além dos baixos preços, a feira de livros usados tem se modernizado ainda mais para atrair os consumidores. Oferta de parcelamento através de cartão de crédito e descontos em compras à vista são as grandes apostas dos comerciantes para alavancar as vendas.

A vendedora Maria de Jesus há 22 anos se dedica à atividade com um box de venda de livros usados no Centro de Teresina. Ela explica que a inserção da venda com cartão de crédito facilita a presença de compradores. “Apesar daqui ser muito mais barato que nas papelarias, nem todo mundo consegue juntar o dinheiro para comprar à vista; mas, depois que inserimos a venda por cartão, as saídas aumentaram bem”, descreve.

Maria lembra que os pais buscam sempre os menores preços; por isso, a pechincha é prática recorrente pelos corredores da feira. “Dependendo de como o cliente pede, da compra que ele faz, a gente sempre dá um descontinho; afinal, dessa forma, todo mundo sai ganhando”, comenta a vendedora.

Em outro box, a vendedora Iracema Sales, há 20 anos a frente da atividade, confirma a negociação constante no espaço. “Todo mundo quer um descontinho, o pessoal sabe pechinchar de verdade aqui em Teresina”, afirma.

Os trabalhadores que se dedicam à troca, compra e venda de livros usados afirmam que o maior problema, a cada fim de período de vendas, é a grande quantidade de material que fica defasado de um ano para o outro.“Já houve ano que perdi cerca de R$ 20 mil investidos em livros, porque, como as editoras atualizam as edições, elas se tornam ultrapassadas e perdem todo o valor de venda ou troca”, afirma Maria de Jesus.

O período de fluxo constante vai de janeiro até o começo de fevereiro; depois disso, a procura dos pais diminui consideravelmente. É quando os vendedores desocupam a praça e se programam para retomar a atividade apenas no ano seguinte.


Leia a matéria completa no Jornal O DIA deste domingo.