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Falta de moedas compromete entrega de troco no comércio

 Todo mundo sempre tem um cofre em casa onde costumar guardar moedas. Mas esse ato tão ingênuo reflete na circu­lação do dinheiro e no ato de ‘passar o troco’ no comércio de um modo geral. Supermercado, loterias, farmácias e tantos ou­tros estabelecimentos acabam sendo comprometidos com a falta de moedas e a inviabilida­de de transações.

Caixa de um mercado na zona Sul de Teresina, Karine Paiva conta que dar o troco a um cliente muitas vezes a obri­ga em arredondar o valor da compra. Com isso, o comér­cio termina por perder alguns centavos, vez que a tendência é sempre diminuir o total do consumidor.

“Se a compra dá R$13,83 eu arredondo para R$13,80, por­que nem eu e nem o cliente temos esses centavos, já que as moedas de R$0,01 não existem mais. No final do dia, de centa­vo em centavo, soma um valor até significativo. É muito difícil as pessoas terem moedas tro­cadas na bolsa o que dificulta toda vez na hora do troco”, co­menta.

Ela ainda explica que algu­mas pessoas chegam a ir ao estabelecimento trocar suas moedas por notas, o que facili­ta bastante para quem trabalha com o comércio. Contudo, essa prática é rara, principalmente para quem mantem cofres em casa como forma de poupar dinheiro. “Geralmente quem traz as moedas são pessoas que tinham cofrinhos, abriram e es­tão querendo cédulas para ter um dinheiro maior, mas como a maioria espera juntar uma boa quantia, eles demoram para vir”, ressalta.


Margarete Siqueira oferece um lanche para quem vai ao estabelecimento trocar moedas por cédulas (Foto: Assis Fernandes/O Dia)

O empresário Iomar enfatiza que ter acesso a moedas é algo que está se tornando cada vez mais raro e pontua que, o que tem possibilitado que seu es­tabelecimento comercial não fique prejudicado com a passa­gem de troco é sua mulher ser bancária.

“Ela pede um lote para a em­presa e eles enviam toda se­mana, mas se não fosse isso eu não sei como ia fazer, porque é uma falta total de moedas no mercado. Até nas loterias é di­fícil para a gente trocar, porque nem eles têm. O cartão de cré­dito até facilita um pouco, mas ainda assim cerca de 80% das pessoas pagam suas compras em dinheiro”, diz.

Margarete Siqueira, proprie­tária de uma lanchonete no Centro de Teresina, encontrou uma maneira muito peculiar de conseguir moedas. Ela colocou um cartaz no seu estabeleci­mento onde troca moedas por lanches. “A escassez de moeda está grande e como eu fiz uma promoção de salgados por um real, precisamos de muitas moedas e essa foi a maneira que achei.”, comenta

Depois disso, ela acabou es­tendendo para outras pessoas e até clientes da lanchonete. Porém, a Margarete Siqueira destaca que para ter direito ao lanche é necessário trocar um valor específico de moedas, para que ela não tenha prejuí­zo. A comerciante lembra que chegou a procurar seu banco em busca de moedas, mas o pe­dido foi negado.

“Eu comecei a fazer essa troca desde o dia que peguei R$100 e fui ao banco e lá eles me disseram que não tinham. Foi quando meu gerente su­geriu que eu trocasse com aqueles rapazes que vendem produtos nos ônibus, de uma instituição de reabilitação, que sempre tem muitas moedas. Eu vendia quentinha, mas não compensava trocar R$5 de moedas por uma quentinha que custa R$9, então coloquei o lanche”, disse.

A comerciante ressalta que a medida, que iniciou há cerca de dois meses, está tendo bons resultados e melhorou signifi­cativamente a rotatividade de moedas no seu estabelecimen­to. Ela afirma ainda que conti­nuará com a proposta de troca enquanto estiver dando certo, mas que estimará um valor fixo, para que não tenha prejuízos.