Movimentação de clientes cai sensivelmente no centro comercial de Teresina (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)
Nos últimos meses, os lojistas observaram que houve uma queda brusca no número de clientes, o que pode ser facilmente constatado numa breve caminhada pelas calçadas do centro, que ficam praticamente esvaziadas no turno da tarde, embora pela manhã a movimentação permaneça intensa.
A vendedora Maria Oneide, que trabalha numa loja especializada em roupas e acessórios para bebês, observa que a greve dos bancários também contribuiu para a redução do número de pessoas que vão ao centro de Teresina.
Outra funcionária da loja, que pediu para não ser identificada e trabalha na gerência, afirma que a crise provocou uma queda de pelo menos 30% nas vendas do estabelecimento.
O gerente de loja Edvaldo Rocha, que trabalha numa grande rede que vende roupas e calçados, tem uma visão mais otimista, embora reconheça que o comércio no centro de Teresina sofreu uma expressiva queda nas vendas, de 2014 até agora.
Edvaldo Rocha reconhece que comércio sofreu queda brusca nos últimos dois anos, mas está otimista com as vendas no último trimestre de 2016 (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)
"A movimentação tem se mantido estável. Teve uma leve melhora, já por conta das vésperas de fim de ano. As pessoas têm ligado menos pra crise e se programado pra comprar. Então, a gente tem sentido uma leve melhora, e isso tem animado, tem dado um ânimo a mais para o lojista e a gente já está também entrando nessa onda e começando a se preparar para o final do ano", afirmou o gerente.
Ainda segundo Edvaldo, a expectativa é que as vendas deste fim de ano sejam melhores que as do ano passado, quando o resultado foi considerado extremamente ruim. "Pelo menos este último trimestre já começou melhor que o último trimestre do ano passado. Nos meses finais de 2015, as vendas apenas se igualaram às observadas no mesmo período de 2014, mas agora nós esperamos um crescimento", afirma o gerente.
Entre os lojistas, também é dominante a opinião de que a greve dos bancários contribuiu para reduzir drasticamente a movimentação de pessoas no centro da cidade.
Ednan Coutinho, secretária-executiva do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindlojas), acrescenta que a greve dos bancários fez com que faltasse dinheiro nas mãos dos consumidores, o que agravou ainda mais a situação do comércio.
Ednan Coutinho, secretária-executiva do Sindlojas (Fotos: Elias Fontinele / O DIA)
"A gente não está tendo movimentação, a economia parou e, por conta disso, o reflexo imediato foi nas vendas do comércio lojista, pois é um comércio tido como não sendo de primeira necessidade. Mas a gente tem a convicção de que agora o comércio vai começar a reagir e as vendas, com certeza, melhorarão [...] Mas, além da crise, é importante dizer que está faltando dinheiro nas mãos dos clientes, por conta da greve dos bancários. Não se tem dinheiro para comprar. As vendas estão sendo realizadas, praticamente em sua totalidade, no cartão de crédito. Mas no cartão de crédito as pessoas têm limite. E não está tendo dinheiro. As pessoas têm dificuldade até para depositarem os seus cheques, e as contas estão começando a esvaziar", avalia Ednan.
Lucídio Viana, gerente de uma sapataria, afirma que a crise econômica provocou uma redução de 50% nas vendas da loja, e, por consequência, o número de funcionários teve que ser reduzido na mesma proporção.
Lucídio Viana, gerente de uma sapataria no centro da capital, diz que precisou reduzir pela metade o número de funcionários, por conta da crise financeira (Fotos Elias Fontinele / O DIA)
"O que mais contribui para esses resultados ruins é a crise econômica. Mas outros fatores também tem atrapalhado as vendas no centro comercial de Teresina, como a ausência de estacionamentos e até mesmo o calor intenso desse período do B-R-O Bró. Com as festas de fim de ano, nossa expectativa é conseguir aumentar as vendas, e se isso acontecer até podemos contratar funcionários temporários", afirma o gerente.