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Passagem pelo Milan, transferência frustrada para o Real Madrid e crise do camisa 9: Ricardo Oliveira sem segredos

Ricardo Oliveira ao lado dos craques Ronaldinho, Ronaldo, Adriano e companhia em treino da Seleção em 2005 (Foto: ANTONIO SCORZA/AFP/Getty Images)

Um dos grandes problemas atualmente tem sido a falta de grandes nomes para a vestir a camisa 9. Não à toa, Ricardo Oliveira, que apesar da qualidade, é um veterano, tem sido convocado e não é questionado, pelo ótimo momento que vive.

O Brasil revela cada vez menos nomes na posição. Diego Costa, que naturalmente seria o titular na Seleção, escolheu jogar pela Espanha após Felipão e a CBF vacilarem com uma gigantesca bola fora. Pato e Leandro Damião, que eram as grandes expectativas, não vingaram, enquanto Fred não consegue se sair bem com a Amarelinha. A necessidade de fazer um trabalho melhor nas categorias de base é evidente, e Ricardo Oliveira, em entrevista exclusiva à Goal Brasil, comentou o assunto e falou também sobre a geração atual do futebol tupiniquim.

"Não vejo como uma crise do camisa 9, mas estamos formando menos centroavantes. O caminho para isso melhorar é trabalhar melhor a base e formar novos atletas para esta posição. Os jogadores dessa função precisam ter fome para marcar o gol. O futebol também mudou um pouco e, diante disso, aquele 9 mais parado, que só esperava a bola, não existe mais. As características são outras e a formação na base precisa acompanhar isso", analisou.

(Foto: Leo Correa/Mowa Press)

"(A geração atual ter menos talentos que a anterior) É reflexo da mudança do futebol. Está diferente, o atleta hoje tem de fazer mais de uma função, marcar mais, ajudar, ter contato... O preparo físico, diferentemente do passado, hoje é muito mais importante. Sempre foi, mas hoje é muito mais. E talvez por isso as coisas são diferentes. Vejo muitos talentos hoje no Brasil e a prova são os inúmeros jogadores na Europa, sempre sendo eleitos entre os melhores do mundo em suas posições", completou.

Existem, porém, algumas esperanças para o futuro da camisa 9 canarinho. Um dos principais é Gabriel, o Gabigol, que deve defender o Brasil nas Olimpíadas e já ganhou oportunidade na Seleção principal. Parceiro do garoto no Santos, Ricardo Oliveira, que é visto como um mestre para o jovem, acredita no potencial do "pupilo" e também de Lucas Lima, outro companheiro no Peixe e no escrete verde-amarelo. "A relação (com Lucas Lima e Gabriel) é muito boa. Procuro passar pra eles um pouco da minha experiência. O nosso grupo tem muitos garotos e, sempre que possível, procuro ajudar. São meninos muito bons e com futuro grandioso pela frente".

Convoca ou nem?

Ricardo Oliveira também falou sobre uma das polêmicas envolvendo o técnico Dunga atualmente. Além do futebol decepcionante da Seleção Brasileira, que não consegue obter nem mesmo os resultados tão pregados pelo treinador, existe a discussão entre a convocação ou não de Thiago Silva.

(Foto: Getty Images)

O zagueiro do PSG é um dos melhores do planeta, mas ficou marcado na Seleção pela falha na Copa América e o aspecto emocional na Copa do Mundo. E Ricardo Oliveira vê a qualidade necessária para o defensor defender o Brasil. "A decisão de ele voltar ou não é do treinador, mas ele é um grande jogador, de muita qualidade e reconhecido mundialmente, assim como os que estão sendo convocados também são e estão mostrando isso nos seus clubes e na Seleção".

Lembrando do passado

No bate-papo com a Goal Brasil, o camisa 9 do Santos e da Seleção Brasileira também falou sobre passado, principalmente sobre sua passagem pelo Milan durante uma temporada. No elenco cheio de craques como Kaká, Pirlo, Ronaldo, Seedorf, Cafu e companhia, Ricardo Oliveira não passou de um coadjuvante e ficou longe de render o esperado e marcar os gols esperados, mas conquistou a Uefa Champions League, na vingança contra o Liverpool na final, e guarda boas recordações dos Rossoneri.

(Fotos: FILIPPO MONTEFORTE/AFP/Getty Images e PACO SERINELLI/AFP/Getty Images)

"Foi uma passagem de grande aprendizado e de um título grandioso como a Uefa Champions League. Uma passagem pelo Milan não dá para dizer que não deu certo. De repente não consegui fazer tantos gols quanto nos outros clubes, mas foi uma passagem de grande experiência para a minha carreira. Pude jogar com grandes jogadores e conquistar um título que talvez seja o maior para os clubes", exaltou.

Na equipe de Milão, o atacante ainda teve a experiência de atuar com Ronaldo. O Fenômeno já não via seu auge, mas era titular, deixando o hoje camisa 9 do Santos no banco. Na época foi comentado que por isso ele quis deixar o Milan, mas Ricardo Oliveira refuta a ideia e só guarda boas recordações. "O Ronaldo sempre foi meu ídolo. É o jogador em que me espelhei no futebol. Sempre que joguei com ele foi uma honra. O arranque dele e o poder de finalização me chamavam muito a atenção e eu procurava sempre observá-lo para aprender algo a cada dia", contou.

Real Madrid?

Curiosamente, ao invés de ser reserva de Ronaldo no Milan, Ricardo Oliveira poderia ter sido o substituto do Fenômeno no Real Madrid, que estava interessado no atacante para preencher a vaga deixado pelo pentacampeão. Quem conta a história é o próprio camisa 9 do Santos. "Sim, é verdade. Naquela época teve essa possibilidade (de jogar pelo Real Madrid). Mas pelo regulamento da Fifa (em 2006, ele já tinha defendido Bétis, São Paulo e Milan, e não se pode defender mais de três clubes no mesmo ano), quando houve o interesse (do Real), eu já não poderia mais me transferir. Daí, acabou passando o tempo e não fui para o Real. Com certeza seria uma grande honra defender essa camisa, de um grande clube do futebol mundial", revelou.

Ronaldo, com a camisa 99, abraça Cafu; Ricardo Oliveira quase substituiu o Fenômeno no Real (Foto: PACO SERINELLI/AFP/Getty Images)

O centroavante então permaneceu no Milan e saiu no fim da temporada rumo ao Zaragoza. Vivendo seu auge antes da passagem apagada pelos Rossoneri e na mira do Real Madrid, muitos acreditam que a carreira de Ricardo Oliveira poderia ter sido diferente, já que em seu melhor momento, ele acabou sendo reserva em Milão e jogando por times menores como o espanhol citado, o Bétis e clubes do Oriente Médio. O camisa 9, no entanto, não se arrepende. Ele, que esteve próximo de ir para a China nesta temporada mas seguiu no Santos, inclusive defende que os jogadores façam esse tipo de opção.

"Não me arrependo. A opção em sair vai de cada jogador. Cada um define o que é importante para sua carreira e quais são os objetivos. Não dá para falar em erro. É uma opção do atleta, que define o que acha o melhor a fazer para ele a para sua família. É complicado julgar ou analisar o destino de alguém. Só a própria pessoa e quem está próximo a ela podem avaliar o que é o melhor a ser feito", explica.

Os caminhos diferentes, porém, não importam, nem o que poderia ter acontecido. O que importa é que Ricardo Oliveira fez e continua fazendo história, e aos 35 anos, é um dos principais centroavantes do futebol brasileiro.