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Robert Rios quer disputar o Governo do Piaui em 2014

O secretário de Segurança tenta viabilizar seu nome para o principal cargo do Executivo estadual

01/04/2013 07:50

Mais um nome na disputa pelo maior cargo do Executivo estadual em 2014. A depender do secretário estadual de Segurança Pública, Robert Rios Magalhães, sua carreira na Assembleia Legislativa do Piauí, de onde está licenciado por conta do cargo no Executivo, está com os dias contados. Em entrevista concedida ao O DIA, Robert afirma categoricamente que "gostaria muito de ser candidato ao Governo do Estado". O secretário avalia que sua vida e experiência preenchem os requisitos necessários para o cargo, mas reconhece a relevância do apoio do governador Wilson Martins para tal empreitada, que poderá ser feita tanto em seu atual partido, o PCdoB, quanto em qualquer outra sigla. O secretário também comentou as investigações que levaram à prisão dos principais suspeitos de orquestrar o assassinato do ex-vereador de São Julião, Emídio Reis (PMDB), e enfatizou que o empenho da Secretaria em prender a quadrilha que realizou um grande assalto aos bancos da cidade de Bom Jesus. Confira a entrevista:

Recentemente a Secretaria de Segurança afirmou que o caso do assassinato do ex-vereador de São Julião, Emídio Reis, foi solucionado com o auxílio de equipamentos de última geração. Esses equipamentos são da própria Secretaria?

Com certeza. Nós temos uma Inteligência das mais bem equipadas do Brasil. Nossa Inteligência hoje é referência em todas as reuniões que fazemos, tanto com os Núcleos de Inteligência dos outros estados, como com os outros secretários de segurança do Brasil. O Piauí é colocado como referência nacional, nós trouxemos à segurança pública uma grande experiência da Polícia Federal e quando nós montamos aqui a nossa Inteligência, trouxe comigo o chefe da Polícia Federal pra ser aqui o chefe da Inteligência nossa. Ele treinouuma equipe de policiais civis que hoje comanda a Inteligência. Esse grupo é responsável hoje por ter desarticulado assaltantes a bancos da Bahia, do Maranhão, do Pará e ter feito grandes trabalhos. Hoje estamos concluindo com muito êxito o caso do assassinato do vereador lá de São Julião e estamos também concluindo e investigando o assalto ao Banco do Brasil lá de Bom Jesus; também é um trabalho bonito, belíssimo que está sendo feito. É um trabalho que tem que ser feito com muita paciência, onde dissemos que na Inteligência nós não temos pressa. Se a delegacia trabalha com muita pressa, cada vez que você está investigando um homicídio vem mais dez, você investiga um furto vem mais cem. Na Inteligência não, nós escolhemos um alvo e fazemos uma investigação muito primorosa, com muita tranquilidade.

Com relação aos equipamentos. Houve inclusive a estória de um que determinava em certo ponto os sinais de celular. Foi esse equipamento que também ajudou na resolução do Caso Emídio Reis?

Nós usamos os mesmos softwares que são usados pelo FBI e pela CIA americana. Nós temos andado o mundo todo e trazido pra cá o que temos em mais avançado em termo de tecnologia. No momento em que estávamos concluindo a investigação do Caso Emídio Reis, dando um show de investigação com esse equipamento, nós estávamos também descobrindo que um equipamento mais aprimorado, mais avançado, tinha sido colocado no mercado no mundo e nós também já estamos adquirindo esse software. As vezes é só um disco de computador, mas custa uma fortuna, mas nada é caro para equipar nossa inteligência.

Outros crimes poderiam ter sido solucionados caso esses equipamentos estivessem disponíveis há mais tempo?

Claro que sim. Quando você olha pra tecnologia do presente e outros crimes do passado, você diz: como teria sido fácil investigar esse crime que aconteceu nos anos 70, 80, se tivéssemos o Instituto de Criminalística equipado, como está hoje; se tivéssemos o Núcleo de Inteligência forte como o que temos hoje e se tivéssemos uma Polícia Civil independente como temos hoje e delegados, agentes e escrivães concursados. Então, estamos avançando, modernizado a Polícia. Nós vamos entregar aos piauienses uma polícia moderna, independente e extremamente forte.

Como estão as investigações do assalto às agências bancárias lá de Bom Jesus?

Essa investigação hoje é o nosso xodó. Estamos todo dia reunidos, todo dia avançado, identificando cada um daqueles elementos e buscando outros assaltos feitos por aquela quadrilha, seu modus operandi. Vocês podem ter a certeza absoluta que a possibilidade de não chegarmos àqueles criminosos é zero, é nula.

O senhor acredita que no interior do Estado, especificamente o Sul do Piauí, é um ambiente propício pra esse tipo de crime? A região ainda está pouca abastecida de efetivo e estrutura policial?

Olha, domingo eu estava assistindo as grandes redes de TV, principalmente a Rede Globo e Record, e é interessante a quantidade de assaltos a bancos e caixas eletrônicos em São Paulo e maneira como é operado. O crime hoje está no Brasil inteiro, na cidadezinha do interior, na capital. Antigamente, uma cidade pequena era mais imune ao crime, chamava menos atenção para o crime. Hoje não. Hoje, o crime não tem fronteiras, o crime hoje está em qualquer lugar. Hoje não há uma cidade no Piauí, uma cidade no Brasil que seja imune e livre do crack, do tráfico de entorpecentes. É por isso que a Polícia tem que agir com mais presteza, mais rapidez, mais velocidade. Precisamos estrangular esses bolsões de crack que temos no interior. E junto com o tráfico no interior, junto com o uso de crack chega o assalto ao caixa eletrônico, principalmente porque no interior é mais vulnerável. Temos aqui no interior do Piauí centenas de agência dos Correiosque funcionam como bancos múltiplos sem ter a menor condição de segurança. Então, toda vez que se instala uma agência dos Correios, a sociedade pensaque vai lhe trazer um benefício, mas ali, embutido ao benefício, vai trazer o risco também. Então, é preciso, não só interiorizar a polícia, mas é preciso também que as agências dos Correios e os correspondentes bancários ajam como banco, com o mesmo regulamento e a mesma segurança dos bancos, com portas eletrônicas, câmeras de filmagens e seguranças.

E o crime de pistolagem, tem crescido no Piauí?

Não. Era um crime basicamente exterminado aqui no Piauí. Você nunca mais ouviu falar em paralisia infantil e você não ouvia mais falar em crime de pistolagem, a não ser quando alguém de fora vinha aqui no Piauí e matava alguém de fora que estava aqui escondido. Mas nós temos uma única região no Piauí que esse crime ainda mostra que está vivo, é naquela região de Pio IX, São Julião, Fronteiras, no limite com oPernambuco e o Ceará,mas nós estamos praticamente com a GRECO [Grupo de Repressão ao Crime Organizado] deslocada pra lá fazendo investigação. Essa semana agora estou avocando mais um inquérito daquela região, um inquérito de um homicídio queaconteceu há 15 dias, na cidade de Fronteiras em queum membro evangélico da Igreja foi abatido à tiros no centro dacidade. Estou avocando esse inquérito para que a GRECO investigue mais esse crime na cidade de Fronteiras.

Sobre o crime organizado, osenhor acredita que ele retornou ou que ele nunca deixou de existir aqui no estado?

Aquele crime organizado comandado pelo Correia Lima [coronel expulso da Polícia Militar do Piauí], aquele quartel da morte do Correia Lima, aquele macabro comando do Correia Lima, aquilo foi extinto. O Correia Lima está presodesde os finais dos anos 90,seus membros foram presos, cumpriram suas penas, estão sendo julgados e condenadospor outros crimes; mas o Crime Organizado ressurge. Quando você destrói uma máfia, outra máfia nasce e nós temos que sempre estar atentos. Neste momento, estamos aqui conversando e mentes criminosas estão planejando algum crime e a Polícia tem que estar sempre pronta a enfrentar esses crimes. Nós queremos enfrentar esses crimes, estamos preparando, fortalecendo a Inteligência, o governador [Wilson Martins, PSB] quer nomear essa semana mais noves delegados de Polícia Civil e colocá-los todos no interior. Queremos fortalecer nessa semana, nossa delegacia de combate aos entorpecentes. O governador já autorizou compras de equipamentos modernos, estamos comprando centenas de pistolas, fuzis modernos, pra fazer frente aos bandidos que vem aqui assaltar banco. Estamos adquirindo, tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil, centenas de novas viaturas, já estamos licitando. E assim, estamos modernizando nossas ferramentas de trabalho, estamos também aprimorando nosso homem e mulher de polícia para que a sociedade possa se sentir protegida. Não basta mais o velho discurso 'que o Piauí é o estado menos violento'. Nós queremos viver no estado que não seja violento, queremos comparar o Piauí com o próprio Piauí. Não podemos comparar o Piauí com nenhum estado do Brasil, por isso que quero, daqui pra frente, comparar o Piauí com o próprio Piauí.

Recentemente foi cogitada a sua saída da Secretaria de Segurança, o senhor chegou a atribuir esse boato ao porta-voz do Crime Organizado. Quem seria esse porta- voz ou porta-vozes?

Olha, há uns seis meses atrás eu estive num presídio aqui em Teresina. Lá, eu encontrei centenas e centenas de presos e comecei a olhar aqueles presos e vi que eram rostos comuns. Quase todos aqueles presos tinham sido colocados ali por mim. Então, nós temos hoje 3 mil presos no Piauí. Destes 3 mil, você pode dizer que mais de 2.900 foram colocados pela Polícia Civil do Piauí na gestão Robert Rios. Menos de 100 presos no Piauí, eu acho que bem menos de 100 presos, tenham sido colocados pela Polícia Federal pós Robert Rios Tem muitos presos da época do Robert Rios da Polícia Federal. Então, essas pessoas odeiam o Robert Rios. E tem pessoas que estão livres, praticando crimes, ou que já praticaram crimes, e que se sentem ameaçadas com a presença do Robert Rios na Segurança. Mas eu posso lhe garantir, eu nunca cogitei sair da Secretaria de Segurança e o governador nunca cogitou em me tirar da Segurança. Então, se o governador, que nomeia, quer que eu fique; se eu, que sou o nomeado, quero ficar. O resto é bobagem.

Mas o senhor já saiu outras vezes, principalmente nas proximidades das eleições. Isso épossível acontecer outra vez, principalmente com a proximidade do pleito de 2014?

Todo gestor que é candidato a cargo eletivo, ele é obrigado a sair. O governador que quiser ser candidato a senador vai ter que sair. Os deputados que ocupam qualquer cargo na administração do Estado, se quiserem se candidatar, vão ter que sair. Os ministros que querem ser candidatos vão ter que deixar seus cargos, isso é normal. Eu só deixei meu cargo, ou pra ser candidato, que a lei me obriga, e eu deixei uma vez por problemas de saúde.

Em outros momentos o senhor já demonstrou o interesse de concorrer ao Governo do Estado. Dependendo da conjuntura, o senhor apresentaria seu nome em 2014?

Estou tentando viabilizar meu nome. Eu quero ser candidato ao Governo do Estado. Eu acho que já prestei serviços ao Piauí, eu vejo candidatos se colocando, alguns que já tiveram sua oportunidade, a sua chance, de prestar serviços ao Piauí como governador. Outros que não tenham os mesmos serviços que eu tenho prestado ao Piauí. Preencho todos os requisitos para ser governador e eu, se o meu partido quiser, se for viabilizado partidariamente, eu poderei ser candidato ao Governo do Estado do Piauí em 2014.

O senhor falou que se o seu partido lhe viabilizar, mas isso pode passar também por uma reorganização partidária. Nesse sentido, é possível que o senhor deixe o PCdoB para ser candidato em outro partido?

Daqui a uma semana, no mês de abril, o Congresso Nacional vai estar apreciando uma reforma partidária, que se chama Reforma Política, em que várias tendências estão ali colocadas e uma delas é de extinção de partidos, criação de partidos, janelas serão abertas... Então, estou esperando que o Congresso fale pra que eu possa dizer alguma coisa. Agora, gostaria muito de ser candidato ao Governo do Estado.

O senhor já respondeu uma vez que não havia recebido nenhuma ligação da ex-senadora Marina Silva, da Rede Sustentabilidade. Eu vou perguntar novamente: essa ligação aconteceu? E em outro momento o senhor disse que não combinava com o PCdoB, o senhor acha que vai combinar com a Rede Sustentabilidade?

Eu acho que a ex-senadora Marina representa uma enorme força política no Piauí. Teve quase 20 milhões de votos na eleição passada, enfrentando verdadeiros dragões como era o caso do ex-governador Serra [José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo], como era o caso da Dilma [PT] como o apoio de Lula. E ela representou no Brasil, a ética, a coragem da mulher. Não estou dizendo isso apoiando a Marina, estou dizendo que ela representa uma coisa muito importante, ela é muito importante na discussão do Brasil novo, que nós vamos precisar que Marina seja candidata, nós vamos precisar que o Eduardo Campos [governador de Pernambuco PSB] seja candidato, nós vamos precisar que o Aécio Neves [senador do PSDB] seja da presidente Dilma na eleição, para que tenha um autêntico debate político. Não podemos chegar em 2014 com o discurso do Bolsa Família, que foi importantíssimo no Brasil, o Bolsa Família tirou muitas pessoas da fome, da miséria; mas nós agora precisamos discutir o pós Bolsa Família. Precisamos saber o que cada um dos presidenciáveis pode oferecer aos filhos do Bolsa Família. Os filhos do Bolsa Família não querem só comer, querem uma faculdade de boa qualidade, uma escola pública de boa qualidade, um transporte público de boa qualidade, querem emprego, querem renda, querem inseridos no mercado com cidadãos autênticos. Se a Bolsa Família foi suficiente em alguns casos para matar a fome, ela não devolveu aos nossos irmãos brasileiros a cidadania e nós precisamos superar essa discussão, precisamos fazer uma discussão da autêntica cidadania brasileira. É por isso que acho que a Marina é importante, o Eduardo é importante, o Aécio é importante; para que seja feita uma grande discussão com a nossa atual presidente.

Mas houve o convite da Rede Sustentabilidade e do PSB para que o senhor se filiasse?

Acho uma grosseria se algum partido me liga e eu antes de dar uma resposta eu fique falando de convite. Vai parecer que eu não fui convidado ou que eu fui convidado e não aceitei. Tenho dito a mesma coisa sempre: neste momento, não estou nem saindo, nem entrando em nenhum partido.

Como o senhor avalia o atual momento político do Piauí, o senhor acredita que esses inúmeros nomes que estão se apresentando como pré-candidatos a governador do Estado, vão chegar com força em 2014 no momento da campanha?

Acho que vamos chegar em 2014 com o governador Wilson Martins muito forte, com muitas obras, inaugurou muitas obras, trouxe muito dinheiro para o Piauí, está fazendo muito investimento no Piauí, moralizou o Piauí em vários pontos que era desacreditado. Wilson Martins está fazendo uma revolução na educação, na saúde, na segurança, na produção do Piauí, e vai chegar muito forte. Primeiro, nós temos duas possibilidades de eleições no Piauí: com ele saindo pra concorrer ao Senado ou ele ficando no Governo. De acordo com a escolha dele, nós vamos ter a eleição de um jeito ou de outro jeito.

Repórter: Karliete Nunes - Jornal O DIA

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