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CCJ aprova projeto que obriga preso a pagar tornozeleira

Por ter caráter terminativo, texto seguirá para análise da Câmara, se não houver recurso para votação no plenário do Senado. Proposta prevê que condenado sem condições financeiras fique isento.

13/09/2017 14:09h - Atualizado em 13/09/2017 14:11h

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (13) o projeto que obriga o preso a pagar a tornozeleira eletrônica.

Por ter caráter terminativo, a proposta seguirá para análise da Câmara dos Deputados se não houver recurso para o tema ser votado, antes, pelo plenário do Senado.

O projeto, apresentado pelo senador Paulo Bauer (PSDB-SC), altera a Lei de Execução Penal e também autoriza os custos do monitoramento eletrônico serem descontados da remuneração do trabalho do preso.

Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o custo médio mensal de uma tornozeleira eletrônica está em torno de R$ 300.

Pelas estimativas de Paulo Bauer, a cobrança poderá gerar economia de cerca de R$ 23 milhões, por ano, aos cofres públicos.

Punição

Relatora da proposta, a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) modificou o texto original para determinar que, caso o condenado não faça o devido ressarcimento das despesas do monitoramento, poderá sofrer as seguintes punições:

Advertência;

Regressão do regime (para um mais rigoroso);

Revogação da autorização da saída temporária ou da prisão domiciliar.

Presos sem condições

Simone Tebet também acrescentou ao projeto a possibilidade de condenados sem condições financeiras ficarem isentos do pagamento das despesas. A isenção só poderá ser concedida mediante decisão judicial.

"Não deve a lei impedir a concessão de benefícios penais aos condenados unicamente em razão de suas limitações financeiras. Sabemos ser antiga a lição de que os desiguais devem ser tratados de forma desigual, justamente na medida de sua desigualdade", justificou.

Polêmica das tornozeleiras

Nos últimos meses, o tema das tornozeleiras eletrônicas ganhou evidência porque dois políticos ligados ao presidente Michel Temer, presos pela Polícia Federal, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), tiveram concedida a prisão domiciliar mediante uso do equipamento.

No caso de Rocha Loures, preso no Distrito Federal, o ex-deputado foi levado pela Polícia Federal para Goiânia (GO) para instalar a tornozeleira porque não havia equipamentos disponíveis na capital do país.

Geddel, por sua vez, preso em Salvador e transferido para Brasília, voltou para a Bahia em prisão domiciliar. Como não há o aparelho no estado, a Justiça de Brasília autorizou o monitoramento pela Polícia Federal por outros meios, sem especificar quais.

Geddel foi preso novamente na semana passada, após a Polícia Federal encontrar R$ 51 milhões em um apartamento no Salvador onde, segundo a PF, havia as impressões digitais do ex-ministro de Temer.

Fonte: G1

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