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“Não me envergonho de ser político e empresário”, diz João Vicente

O sentimento do eleitor ano que vem é de que queiram fazer de seu voto a transformação da realidade política

17/07/2017 08:26h

Afastado da política partidária há mais de um ano, o ex-senador João Vicente Claudino tem sido alvo constante dos noticiários e sendo apontado como um forte candidato para a disputa eleitoral do próximo ano. Atualmente sem partido, depois de uma desistência pessoal de se filiar ao PMDB, o ex-senador aceitou falar com exclusividade ao O DIA. Na entrevista, ele comentou o cenário eleitoral, não descartou retornar ao PTB. “Ninguém se perde no caminho de volta”, disse, admitindo o desejo de disputar um cargo majoritário nas eleições do próximo ano, mas negou que esteja fazendo política eleitoral até agora. “Eu acho que, aqui no Piauí, boa parte dos políticos dedicam 24 horas do seu tempo à política eleitoral”, criticou. João Vicente falou ainda que acredita no apoio do senador Elmano Férrer e de deputados que hoje estão no PTB, em se concretizando sua candidatura, e ainda avaliou que o governador poderá não conseguir manter a base governista atual unida até a disputa eleitoral. Ao fazer uma avaliação do Governo Wellington, o ex-senador disse que esperava mais, sobretudo por ser um governador de terceiro mandato. João Vicente comentou ainda as reformas aprovadas no Congresso, classificando-as como “necessárias” e disse que não se envergonha da sua atuação enquanto esteve no Senado, respondeu às críticas daqueles que o rejeitaram por pertencer a um dos maiores grupos econômicos e empresariais do Estado. Confira:

Caso seja candidato em 2018, João Vicente adianta que será para cargo majoritário (Foto: Assis Fernandes/ O Dia)

O senhor tem até março para definir seu futuro partidário, caso decida por disputar uma candidatura. Já chegou a quase se filiar ao PMDB, mas declinou após a negociação do PMDB de apoiar a reeleição do governador. Tem sido assediado por vários partidos. Já definiu que sigla deve se filiar? 

Não, não. Até porque é aquele velho ditado: quem tem tempo, não tem pressa. E nós vamos usar o tempo legal para que a gente possa decidir. Inclusive, suspendi qualquer tipo de busca de destino partidário. Recebi vários convites, outros queriam até fazer o convite pessoalmente, mas suspendi porque o momento político exige que a gente tenha muita prudência, serenidade. Os fatos acontecem em uma velocidade tão grande que não dá para a gente prevê como estará o cenário político daqui há duas horas. Então, muita coisa tem ocorrido no cenário nacional e, consequentemente no estadual. Mas, em março do ano que vem, que é o prazo limite, e que vai permitir que, detentores de mandatos proporcionais, se desejarem, busquem novas siglas partidárias, eu acredito que será um momento de muita efervescência política no Piauí. 

O ex-presidente do PTB, Roberto Jefersson chegou a falar que iria tentar reverter a sua desfiliação a sigla e que desejaria ter o senhor nos quadros do partido, novamente. O senhor admite a possibilidade de retornar ao PTB? Ou sua saída do partido já foi consolidada e não há mais chances de retorno? 

Eu admito, até porque tem na filosofa popular um ditado que diz: ninguém se perde no caminho de volta. Eu admito voltar ao PTB até pelo cenário político nacional. O PTB não está envolvido na Lava-Jato. Nenhum dos políticos citados ou com possibilidade de ser alvo de um processo na lava jato, integra os quadros do PTB. Então, isso é positivo. Eu acho que o sentimento do eleitor no ano que vem, e é essa a minha expectativa, é de que as pessoas queiram fazer do seu voto a transformação de uma realidade política. Então, estou esperando um melhor clareamento do cenário político para que a gente possa definir isso. 

Caso seja candidato em 2018, João Vicente adianta que será para cargo majoritário Temos conhecimento que o senhor tem participado de encontros com prefeitos e lideranças políticas no interior do Estado, onde o PTB tinha uma base política muito forte quando o senhor era presidente do Partido. Essa retomada desses encontros é uma preparação para as eleições? Vai sair como candidato a governador? 

Primeiro eu não tenho filiação partidária e nem tenho mandato, mas em nenhum momento eu deixei a atividade política. Não me envergonho da política que exerci porque, em momento algum eu enlameei meu nome e nem o nome do Estado do Piauí. Eu acho que a atividade política, como filósofos já diziam, é uma arte nobre que, ao exercê-la, devemos fazer com a missão de transformar a realidade do Estado. Eu construí um acervo de amizade muito grande na política e continuo mantendo esses laços. Não como uma rotina de um politico normal, porque eu não tenho tido esse tempo de me dedicar como fz durante os oito anos que estive na vida pública. Meu pai me deu um conselho quando entrei na política: olha, a política é uma atividade que exige que você se dedique 100% a ela. Não é 100% do tempo fazendo política, mas sim, 100% do tempo se dedicando à missão que o povo lhe conferiu. Hoje eu não tenho esse 100%. Estou na minha atividade profissional e empresarial, mas, no tempo que eu possuo, eu procuro sempre manter acesos os laços de amizade que a gente construiu. Isso é um laço que se faz na política e que eu me orgulho do patrimônio que construí, desde os mais simples piauienses que me ajudaram e caminharam comigo, até as mais importantes lideranças do Estado do Piauí. 

(Foto: Assis Fernandes/ O Dia)

O senhor já tem uma convicção de que, nas eleições do próximo ano, o senhor sairá candidato? 

Eu me filiarei, em março de 2018, a um partido político. Isso eu lhe digo com certeza. Agora, você se filiar a um partido político, não define uma candidatura. Uma candidatura depende de outros fatores, de um outro ambiente político, de união de lideranças. Com a filiação eu apenas me torno elegível. Hoje eu sou inelegível porque não tenho filiação partidária. Aí, com essa filiação, eu passo a ser um ator com uma outra personalidade dentro do cenário político. Aí sim, vamos avaliar o cenário, a avaliação das pessoas de que eu possa contribuir mais com o Estado do Piauí. Eu lhe digo o seguinte: o meu querer fazer, o meu sonhar por um Estado diferente, e me dedicar a isso, eu tenho essa disposição, mas essa é uma decisão que não cabe a uma pessoa só, deve ser uma missão de um sentimento de muita gente. 

Quando o senhor fala em candidatura, o senhor deseja apenas um cargo de governador? 

A tendência é que, ao me filiar a um partido, eu busque um cargo majoritário. Confesso para você que tenho hoje uma experiência adquirida em um cenário que convivo de saber, mais do que ninguém, do que é bom para a política, como se deve fazer a boa política e se afastar daquilo que, realmente, denigre a imagem do político. Normalmente as pessoas levam todos os políticos para a vala comum e não é verdade. Ainda existem pessoas sé- rias na política. Pessoas bem intencionadas normalmente ficam encobertos por aquelas pessoas que fazem a política como profissão ou que fazem a política por interesses pessoais, deixando de lado os interesses coletivos. Eu me coloco dentro do cenário político com o foco, confesso, dentro de uma composição majoritária.

Por: Mayara Martins

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