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Sinpolpi fecha Central de Flagrantes e delegados suspendem operações no Piauí

A medida foi tomada devido à superlotação da Central de Flagrantes, que atualmente possui mais de 70 presos

13/09/2017 16:24h - Atualizado em 13/09/2017 17:36h

O Sindicato dos Policiais Civis do Piauí informou na tarde de hoje (13) que a partir desta quinta-feira (14) a Central de Flagrantes será fechada e não receberá mais presos em Teresina. De acordo com o diretor jurídico do Sinpolpi, Constantino Júnior, a decisão foi tomada após os agentes penitenciários, que estão em greve, se negarem a receber os presos na Casa de Custódia. Atualmente, a Central de Flagrantes possui mais 70 presos, sendo que a capacidade do local é para apenas 15 detidos.

Ainda de acordo com o diretor jurídico, a Central de Flagrantes de Parnaíba também está em situação caótica, com cerca de 50 presos. “As centrais estão superlotadas, tanto em Teresina quanto em Parnaíba, não cabe mais ninguém. Em Parnaíba são 53 presos em um prédio antigo, sem a mínima condição de funcionamento”, relata Constantino Júnior.

O Sinpolpi convocou toda a categoria de policiais civis para comparecer amanhã pela manhã na sede da Central de Flagrantes, na Avenida Coelho de Resende, para impedir a entrada de mais presos no local. “Cabe ao Governo colocar os presos em outros lugares ou resolver essa situação. Não vamos deixar que nenhum preso seja colocado lá, porque não tem mais condição”, declara o diretor jurídico.

Desde o início da greve dos agentes penitenciários, na última segunda-feira (11), as penitenciárias do estado não estão mais recebendo presos. Por conta disso, em apenas dois dias, o número de detidos acumulados nas celas da Central de Flagrantes chegou a mais de 70.  Com apenas três celas e uma sala de triagem, os presos tiveram que ser colocados no corredor, separados do restante da delegacia por uma grade. Em um vídeo divulgado pelo Sinpolpi é possível ver a situação caótica da Central, com presos amontoados no chão e outros colocados algemados às cadeiras da sala onde é feita a autuação do flagrante.

Veja vídeos:


 

Delegados suspendem operações

As operações da Polícia Civil também estão suspensas no Piauí. Segundo a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Piauí (Sindepol), a delegada Andrea Magalhães, as operações foram suspensas em todo o estado, em protesto à “situação caótica” em que se encontra a Polícia Civil do Piauí.

“Não é só por conta da greve, a greve foi o estopim. Estamos suspendendo as operações por conta da péssima estrutura da Polícia. Não temos efetivo suficiente, não temos estrutura, temos um delegado atendendo por 14 municípios, viaturas sem a mínima condição de funcionamento, entre diversos outros fatores”, enfatiza a delegada. 

 "Policial não é agente penitenciário, delegacia não é penitenciária", afirma delegada Andrea Magalhães. (Foto: Arquivo O Dia)

A delegada esclarece ainda que as autuações em flagrante continuarão sendo realizadas, no entanto, as prisões ficarão a cargo do Governo do Estado. “O Governo deverá ceder um local para colocar esses presos. Policial não é agente penitenciário, delegacia não é penitenciária”, afirma.

Contraponto

O secretário Estadual de Segurança do Piauí, Fábio Abreu, informou que as operações e as prisões continuarão sendo feitas normalmente no estado. Questionado sobre a situação da Central de Flagrantes, o secretário argumentou que a superlotação não existe e que as transferências para os presídios do estado estão sendo feitas dentro do previsto.

A Secretaria de Justiça do Estado informou em nota que está dialogando com os agentes penitenciários e a equipe financeira do Governo do Estado, de modo a se chegar a um entendimento pelo fim do movimento paredista o que resultará no retorno à normalidade das atividades no sistema prisional, incluindo o recebimento, nos presídios, de presos da Central de Flagrantes de Teresina. A Secretaria de Justiça destaca ainda que se reuniu, nesta quarta-feira (13), com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil do Estado, para buscar soluções para a questão da Central.

Por: Nathalia Amaral

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