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Projeto mistura arte urbana, fotografia e movimento de resistência

Fotógrafo conta o drama dos moradores da Boa Esperança em fotos espalhadas pela cidade.

12/12/2015 14:15h - Atualizado em 12/12/2015 17:31h

Maurício Pokemon sempre pensou em desenvolver um projeto que juntasse arte urbana e fotografia como ferramenta social. E ele encontrou o tema perfeito quando passava pela avenida Boa Esperança, na zona Norte de Teresina, onde cerca de 200 famílias resistem à desapropriação planejada pela Prefeitura de Teresina, que pretende duplicar aquele trecho para implantação da segunda fase do Projeto Lagoas do Norte.

Foi a partir desse drama vivido pela comunidade, que surgiu o projeto "Existência", desenvolvido e patrocinado de forma independente pelo fotógrafo Maurício Pokemon. “Passei a frequentar a avenida e a conhecer os moradores. Participei de algumas reuniões e fui apresentado a algumas famílias”, conta.

Fotos: Maurício Pokemon

O objetivo do fotógrafo era que outras pessoas da cidade e até de fora do Piauí conhecessem o movimento de resistência dos moradores da avenida Boa Esperança em favor das suas casas e dos laços afetivos que foram criados durante décadas naquele local.

Em aproximadamente quatro meses, Pokemon fotografou pelo menos 20 pessoas em seus quintais, que são os “lugares de força” dos moradores, segundo o fotógrafo. “É lá onde eles têm contato com a natureza, com os animais que criam, com as hortas que cultivam e com as árvores frutíferas que plantaram”, destaca o fotógrafo.

Em seguida, as fotos são impressas em tamanhos grandes - de 2,20m por 1,40m – e coladas pelos muros de terrenos baldios ou em paredes de imóveis abandonados em vários pontos da capital. “É um processo de deslocamento, de resistência mesmo. Uma relação entre o tempo e o espaço”, descreve Maurício.

Quem vê de longe pensa que se trata de uma pintura na parede. A impressão ocorre devido ao cuidado do fotógrafo com a escolha do local onde serão coladas as fotografias gigantes. “Eu procuro um muro que tenha textura adequada para as fotos e sempre uso uma base de tinta antes de fazer a colagem”, explica, acrescentando que o trabalho é feito de forma solitária. Por isso, ele recorta as imagens e depois vai montando como um quebra-cabeças. “Fica mais fácil de manusear”, diz.

Todo esse trabalho do fotógrafo, no entanto, tem gerado desconforto. Pokemon conta que algumas colagens não duram mais que 24 horas. “É estranho perceber que há esse incômodo. Talvez porque ali seja uma figura humana, real, que as pessoas não estão acostumadas a ver”, analisa.

Há pelo menos dois meses, as colagens apareceram nos muros de Teresina, mas o projeto ganhou mais repercussão depois que Maurício Pokemon postou um álbum com as fotos no seu Facebook. “Eu já estava postando no Instagram, mas não tinha imaginado a força do Facebook. Acho que agora o projeto ganhou a forma que eu não pensava que fosse conseguir, embora tivesse a intenção”, conta o fotógrafo, que teve sua postagem compartilhada quase 200 vezes.

O projeto não está concluído. Segundo Maurício Pokemon, existem cinco imagens no seu estúdio prontas para serem coladas e inúmeras fotografias por fazer. Ou seja, os teresinenses ainda verão muitos dramas estampados pelos muros da cidade. Pelo trabalho de um fotógrafo, os moradores da avenida Boa Esperança vão ocupar outros tantos espaços. Seguirão resistindo.


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