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Por trás das grades: detento relata como é o dia dos pais longe dos filhos

“Meu filho pergunta todo dia pelo pai, não posso trazê-lo na penitenciária. Da última vez que veio, ele chorou e disse que só sairia daqui com o pai”, disse a esposa de um detento.

13/08/2017 08:05h - Atualizado em 14/08/2017 12:38h

O Dia dos Pais já tem espaço reservado no calendário dos brasileiros, assim como o Dia das Mães. A data traz consigo um valor sentimental, onde as famílias se reúnem a fim de confraternizarem e homenagearem seus patriarcas. Porém, nem sempre é possível a todos estar ao lado da família para celebrar a data. É o caso de Leônidas Soares, que este ano passará o Dia dos Pais longe de seus filhos. Leônidas é detento na Penitenciária Irmão Guido, em Teresina.

Leônidas  lamenta ter que passar data longe da família (Foto: Moura Alves / O DIA)

“Não é fácil estar aqui. É difícil estar longe da família, não ver os filhos com frequência. E saber da possibilidade de passar essa data sem vê-los, é muito triste”, afirmou. A equipe do Portal O Dia visitou a penitenciária e teve a oportunidade de ouvir histórias de pais e famílias que, por conta da reclusão, não podem celebrar a data juntos.

Leônidas Soares tem 42 anos, é natural de Caxias no Maranhão, onde sua família mora até hoje. Ele está recluso a dois anos e quatro meses e sua família não tem condições de se deslocar de Caxias até Teresina toda semana. “Aqui os presos podem receber visitas a cada oito dias, como minha família mora longe, só os vejo quando podem vir, geralmente duas vezes no mês. É constrangedor receber meus filhos aqui, e não é sempre que o dinheiro dá para pagar as passagens deles, então quem geralmente vem é meu pai, minha esposa e minha irmã”, relata emocionado.

Gesticulando muito, Leônidas lembrou do primeiro Dia dos Pais que passou recluso e não conseguiu conter as lágrimas. “Eu nunca tinha passado nenhum Dia dos Pais longe da minha família. O ‘baque’ de passar o dia dos pais sozinho foi pesado. E esse ano, talvez eles não consigam vir”, disse com a voz embargada. “O sentimento maior que fica é um vazio. E que se pudesse escolher um presente, tudo que queria era passar o dia dos pais com seus filhos, e com o neto que nasceu recentemente”, completou.


Leônidas diz que sensação é de 'vazio' (Foto: Moura Alves / O DIA)

O outro lado 

Esposas, mães e filhas aguardam para entrar na Irmão Guido. Foto: Moura Alvez/ODIA

Do lado de fora da Penitenciaria, esposas, filhas e irmãs esperam para visitar os detentos. Algumas estavam antecipando a visita, pois não seria possível ir no Dia dos Pais. Para entrar, elas precisam preenchem fichas por ordem de chegada, são revistadas e entram de duas em duas.

“Meu marido está aqui a sete meses, eu vim visitá-lo sozinha por que ele não gosta que eu traga nosso filho. Na vez em que eu o trouxe, no final da visita o menino começou a chorar e disse que queria levar o pai para casa”, disse a dona de casa Rosa Pereira (35), que aguardava sua vez de entrar para a visita.  “Todo dia meu filho pergunta quando o pai volta, se ele está bem. Essa data era para ser feliz, mas não será tanto assim", acrescenta

Thaís Carvalho, psicóloga da penitenciária, explica que estar aprisionado intensifica os sentimentos dos reeducandos. Ela informa que é de muito importante o apoio da família. “Muitos internos não recebem visitas direto, ou a família não tem condições de vir aqui ou até mesmo os abandonam. Alguns detentos já desenvolveram depressão por esse motivo. Aqui os sentimentos afloram intensamente, por isso é vital o apoio familiar”, afirma.

Saída temporária

Este ano cerca de 250 detentos deixaram os presídios de Teresina para a saída temporária de Dia dos Pais. Na penitenciária Irmão Guido, segundo dados da diretoria, sete detentos conseguiram o benefício, eles saíram na segunda (07), e devem retornar na próxima segunda (14).

A saída temporária é um benefício cedido cinco vezes ao ano, exatamente na Semana Santa, no Dia das Mães, no Dia dos Pais, no Dia das Crianças e nas festas de final de ano. Em cada saída, o detento tem direito a sete dias de liberdade.

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Edição: Karliete Nunes
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