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Manter motocicleta sai mais barato que andar de ônibus

O reajuste da passagem de ônibus está pesando no bolso do consumidor e chega a sair mais barato adquirir um meio de transporte próprio.

11/01/2017 07:55h - Atualizado em 11/01/2017 09:27h

Os primeiros dias após a implantação do novo valor da tarifa de ônibus em Teresina foram marcados por revolta entre os usuários do sistema. Desde a última sexta-feira, 6 de janeiro, os passageiros precisam desembolsar R$ 3,30 em cada viagem. O novo valor é considerado abusivo pelos usuários, já que o reajuste de 20% é bem maior do que a inflação medida pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo, que fechou 2016 em 6,18%. 
“É um reajuste muito elevado e que prejudica demais os trabalhadores que dependem do transporte público. É uma tremenda falta de respeito porque acabam tirando dinheiro de pais e mães de família para colocar no bolso dos empresários, donos das empresas de ônibus”, avalia o aposentado Francisco de Assis Ribeiro, de 66 anos, que utiliza todos os dias o ônibus como meio de transporte. 

Teresinenses reclamam do impacto do aumento no final do mês (Foto: Moura Alves/ O Dia)

Para a auxiliar administrativa Fátima Reis, o reajuste é incompatível com a realidade econômica dos trabalhadores, já que, em 2017, o salário mínimo sofreu um acréscimo de apenas 6,47%, passando de R$ 880 para R$ 937. “O trabalhador brasileiro não ganha o suficiente para pagar um reajuste desse. Quem ganha salário mínimo vai gastar muito mais para poder se deslocar até o trabalho. Muitos vão ter que economizar em outras coisas para poder pagar o ônibus”, avalia. 
Para explicar a revolta dos usuários do sistema de transporte coletivo em Teresina, basta fazer um cálculo simples. Com o reajuste, o trabalhador que recebe um salário mínimo e utiliza o ônibus para se deslocar até o trabalho, de segunda à sábado, passa a gastar mensalmente R$ 158,40. O valor é maior do que era gasto pelo mesmo trabalhador até dezembro, R$ 132. 
Comparações 
Outro dado que chama atenção é o fato de que, com o novo reajuste, o trabalhador teresinense passa a gastar com passagens de ônibus 40% do valor gasto com alimentação, levando em consideração dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que apontam que o preço da cesta básica em Teresina fechou o ano de 2016 em R$ 378,95. 
Dependendo da distância, é muito mais viável para o trabalhador teresinense adquirir uma motocicleta para se deslocar até o trabalho. Por exemplo, uma motocicleta de 150 cilindradas percorre, em média, 40 km com um litro de gasolina. Se a distância percorrida pelo trabalhador for de 20 km por dia, o gasto mensal com combustível vai ser de apenas R$ 43,20, levando em conta o pre- ço médio do combustível na Capital, que, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, é de R$ 3,60. Os outros R$ 115 que seriam gastos com passagem de ônibus podem ser empregados no pagamento das prestações do veículo. 
Estudantes 
Apesar do decreto assinado pelo prefeito de Teresina manter o congelamento da meia passagem em R$ 1,05, os estudantes de Teresina permanecem mobilizados contra o reajuste da tarifa inteira. A principal pauta é a má condição da frota que presta o servi- ço de transporte para os teresinenses. “É um reajuste que não condiz com a realidade. Os ônibus são sucateados, as paradas de ônibus são desconfortáveis. É um sistema que só beneficia os proprietários das empresas”, avalia Brenda Marques, estudante de História, da Universidade Federal do Piauí. 
Reajuste da tarifa de ônibus para R$ 3,30 também causa impacto para os empregadores 
Além dos usuários, os empregadores, que fornecem vale transporte aos seus funcioná- rios, também devem sentir no bolso o reajuste da tarifa de ônibus da Capital. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Piauí, Tertulino Passos, os comerciantes devem enfrentar dificuldades para adequar o orçamento ao novo valor da tarifa de transporte. 
“O transporte do trabalhador é custeado pela empresa, isso não tem como ser mudado. Esse reajuste de 20% ficou muito cômodo para o município, mas para os empregadores vai causar um impacto muito grande, porque é um reajuste bem acima do índice da inflação do período. Ainda não é possível mensurar o impacto, porque estamos nos primeiros dias, mas com certeza vai ser bem prejudicial. É um reajuste acima até do percentual das negociações coletivas de trabalho”, pontua. 
No caso do setor de comércio varejista, existe a possibilidade de os custos com transporte dos trabalhadores serem repassados aos preços finais dos produtos. “É possível que isso aconteça, mas não é possível dizer quando. Esse aumento vai influenciar bastante. A inflação do último ano ficou em torno de 6% e o reajuste do transporte foi de 20%. Para conseguir pagar esse valor, de 12% de diferen- ça, os empregadores podem repassar para os preços dos produtos”, avalia.
Edição: Virgiane Passos
Por: Natanael Sousa

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