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Hospital São Carlos Borromeo tem energia cortada e salários atrasados

Atraso nos repasses de recursos do SUS seriam a causa dos problemas. FMS informa que hospital teria atrasado o envio de informações ao SUS.

20/04/2017 09:35h - Atualizado em 20/04/2017 11:11h

Pacientes e funcionários do Hospital São Carlos Borromeo passaram por momentos de aflição na tarde da última quarta-feira (19), depois que a energia do local foi cortada pela Eletrobras Distribuição Piauí.

O corte ocorreu por conta do atraso de dois meses no pagamento das faturas de energia elétrica. Além disso, o pagamento dos funcionários do hospital filantrópico também está atrasado há dois meses.

Os problemas estariam ocorrendo porque a Fundação Municipal de Saúde (FMS) não está repassando os recursos do convênio com o SUS firmado com o hospital, que é mantido pela Fundação Padre Antônio Dante Civieiro (Funaci). 

O Hospital São Carlos Borromeo é o único de médio porte que atende a uma população de cerca 80 mil habitantes da Grande Socopo, beneficiando moradores de aproximadamente 35 comunidades circunvizinhas, bem como a área rural que fica no entorno da região.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a FMS informou que os recursos destinados ao Hospital São Carlos Borromeo são provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que precisa receber periodicamente a relação dos serviços realizados pela unidade, para que sejam auditados e, só então, pode ser autorizada a liberação dos recursos.

"O Hospital São Carlos Borromeu presta serviços ao SUS através de contratualização, à semelhança do HU da UFPI. Embora não vincule o repasse financeiro à tabela do SUS, é obrigado a cumprir metas. Não é de responsabilidade da  Prefeitura Municipal de Teresina nem  da Fundação Municipal de Saúde pagar os servidores do hospital nem a conta de energia. Porque seria uma ilegalidade por se tratar de uma instituição filantrópica, à semelhança do Hospital São Marcos. Considerando a situação  em que chegou e por se tratar de serviço essencial, a FMS tem discutido, inclusive financeiramente, uma nova forma de gestão", afirmou a FMS, por meio de nota.

Por outro lado, a  diretora-administrativa do hospital, Gardênia Maria, afirma que houve sim um erro por parte da FMS, que teria perdido o processo por meio do qual é anualmente renovada a contratualização do convênio entre o hospital e o SUS, o que teria ocasionado o atraso no repasse dos recursos federais. 

"Desde janeiro estamos sem receber esses repasses, e esse atraso não tem justificativa. Estamos entrando em contato diuturnamente com a Fundação Municipal de Saúde. Nós soubemos que perderam nosso processo, o que acabou atrasando toda a contratualização, que é feita anualmente. Pedimos a renovação em dezembro e até hoje ela não se concretizou. Nós tentamos falar com o presidente da FMS [Silvio Mendes], ele disse que está fora de Teresina mas que segunda-feira tudo estará resolvido", explica a diretora Gardênia Maria.

Cerca de 20 pacientes eram atendidos no hospital quando energia foi cortada

Com relação ao corte de energia, a direção do HSCB informou que ainda na quarta-feira o serviço foi restabelecido pela Eletrobras-PI.

Quase 20 pacientes estavam sendo atendidos no Hospital São Carlos Borromeo no momento em que a energia elétrica foi cortada. "Nós procuramos suprir como pudemos. Temos um pequeno gerador que atendeu as necessidades. De forma precária, mas conseguimos manter os serviços até que a energia foi restabelecida", detalha a diretora Gardênia Maria.

O hospital filantrópico atende aproximadamente 1.500 pacientes por mês. "Em geral, são pessoas com pneumonia, enteroinfecções, diabetes descompensada, além de sermos um hospital de retaguarda da rede municipal, ou seja, pacientes do HUT, por exemplo, depois de atendidos na urgência são encaminhados pra cá, para desocupar os leitos de lá", detalha a diretora.

Por: Cícero Portela

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