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Caminha incentiva conscientização através do engajamento da comunidade

Caminhada completa corrente de mobilização promovida por paróquias.

13/06/2016 07:57h

A Campanha da Fraternidade trouxe a tona neste ano uma problemática que assola várias comunidades católicas pelo Piauí. Antes da Caminhada da Fraternidade, uma das mobilizações mais expressiva dos cristãos piauienses e que se espelha no tema da iniciativa, ações de engajamento coletivo era realizadas nos bairros através das paróquias. A corrente do bem vista pelas ruas neste domingo foi fruto, também, de um engajamento que começou há alguns meses. 

Padre Antônio Ferreira discutiu o meio ambiente com fiéis (Foto: Yuri Ribeiro/ O Dia)

A Vila da Paz é uma dos bairros da capital que sofre com problemas de saneamento básico. Segundo a moradora Cássia Macedo de Freitas, a comunidade enfrenta problemas de calçamento, mobilidade e ainda de esgotamento. “Temos ruas na comunidade que precisam de uma atenção maior em relação a galerias. No período de chuva, por exemplo, existem ruas que ficam impossíveis de andar, porque o esgoto acumula muita água. As coisas estão sendo feitas, mas ainda de forma devagar”. 
 Cássia foi uma das moradoras engajadas nas ações da paróquia Santuário Nossa Senhora da Paz e que apoia a Caminha da Fraternidade. Segundo conta o Padre Antônio Ferreira, desde que a temática da Campanha da Fraternidade foi anunciada, a comunidade cristã começou a se reunir para trabalhar em conjunto, reflexões a cerca de saneamento básico e meio ambiente. Entre as atividades, ações práticas em prol do bem comum. 
 “Cuidar da natureza, do planeta terra, que é nossa casa comum, é obrigação de todo ser humano. Estudamos o tema em comunidade em grupos, nas reflexões e junto com às famílias. Fizemos encontros quaresmais que tratavam do assunto, houve a via-sacra também e depois fizemos uma ação concreta na Escola Municipal Professora Cristina Evangelina. Lá, ao redor do colégio, havia muita sujeira, entulhos e muita lama. Então nos reunimos na Igreja e fomos em caminhada até a escola para fazer a limpeza”, relata. 
O Padre conta ainda que problemas dessa ordem são comuns na comunidade e que a população sofre com doenças e com insetos, por exemplo. Um projeto de urbanização e revitalização da Prefeitura Municipal de Teresina está em andamento e prevê reparos relacionados à limpeza, esgotamento e drenagem. Enquanto as obras, iniciadas há dois anos, não são concluídas, o pároco destaca que cabe aos moradores um trabalho coletivo para amenizar os problemas surgidos com a falta de saneamento. 

A moradora Cássia Macedo mostra os problemas de saneamento que a comunidade enfrenta no caminho até o Santuário Da Paz (Foto: Yuri Ribeiro/ O Dia)

 “A comunidade tem que se organizar através das associações de moradores , através das religiões, dos sindicatos, dos grupos organizados e das fundações existentes e chamar atenção. Na igreja trabalhamos com tarefas individuais e mobilizações coletivas. Por exemplo, em caso de vazamentos de água na rua, nos mobilizamos em grupos de cinco, onde cada um mobiliza mais cinco para entrar em contato com o poder público para agilizar o reparo. Quando há um problema social, nos reunimos em grupos para fazer a denuncia”, detalha o pároco. 
 O Santuário Nossa Senhora da Paz fica localizado na região do chamado Grande Redenção, que abrange os bairros Vila da Paz, Costa Rica, Redenção e Vila Jerusalém. A comunidade é composta por mais de 30 mil habitantes. Articulada junto aos moradores, a paróquia realiza um trabalho de impacto, trabalhando a conscientização aliada ao esforço coletivo e a reivindicação junto ao poder público. 
 Para o Padre, a Caminhada da Fraternidade é a representação do trabalho que é feito coletivamente. “A caminhada em si já é um ato de fraternidade solidariedade, é um ato de amar. O mais importante é você ir para a caminhada, para a rua, porque você está dizendo que é solidário, que é fraterno e que acredita na fraternidade. O fato de estar caminhando tem essa representatividade, de caminhar por um ideal comum. Não dá para resolver as coisas sentado. Para ser fraterno a gente tem que se mobilizar. Tenho que sair de mim para o encontro do outro”, conclui. 
 Saneamento básico em Teresina 
O Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) tem por objetivo a universalização do serviço público de saneamento básico e se baseia em três eixos de trabalho: limpeza urbana, esgotamento sanitário e abastecimento de água e drenagem. A Prefeitura de Teresina, através Secretaria de Municipal de Planejamento (SEMPLAM), realiza ações o planejamento e a execução de obras. 
Em nota, a Prefeitura de Teresina comenta que as obras da Vila da Paz preveem a construção da galeria, trabalho social, regularização fundiária, esgotamento sanitário, reforço no abastecimento de água e iluminação. A PMT esclarece ainda que aguarda a Caixa Econômica para fazer o processo licitatório e construir os residenciais para que possa reassentar as famílias e dar continuidade às obras de saneamento básico na região da Vila da Paz. 
No Piauí, apenas seis cidades têm cobertura de esgotamento sanitário. São elas Teresina, Parnaíba, Oeiras, União, Picos e Corrente. Em Teresina, A cobertura de rede de esgotamento sanitário corresponde a 19%. Para os próximos cinco anos, estão previstos a construção de mais 135 km de rede e o reforço da Estação de Tratamento de Esgoto do Pirajá (ETE Pirajá). Serão investidos, ao todo, R$ 60 milhões. O investimento nesta obra beneficiará diretamente 70 mil pessoas e será realizado na segunda etapa do Programa Lagoas do Norte. 
Segundo dados fornecidos pela Agespisa, quanto ao abastecimento de água, em Teresina há um total de 277.996 de ligações para a distribuição, isso corresponde a 95% de cobertura na capital. Na cidade são quatro estações de tratamento de água, sendo distribuídas geograficamente da seguinte forma. Além disso, a produção de água é reforçada por 74 poços existentes em vários bairros de todas as zonas. 
A realidade no Brasil 
De acordo com o Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS), 35 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso aos serviços de água tratada. Metade da população tem têm coleta de esgotos e dos esgotos coletados 40% não são tratados. Segundo dados do Instituto Trata Brasil (ITB), a cada 100 litros de água coletados e tratados, há o desperdiço de pelo menos 37%. 
O novo Ranking do Saneamento Básico (base SNIS 2013), publicado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) avaliou os serviços de água e esgoto dos 100 maiores municípios do país, onde vive 40% da população brasileira. A conclusão é que os avanços para a universalização dos serviços ainda são lentos. Teresina, por exemplo, aparece entre as 20 últimas posições, onde nenhum município atingiria a universalização dos serviços até 2033. 
Segundo a pesquisa, entre os anos de 2010 a 2014, de tudo o que arrecadou com esses serviços de saneamento básico, investiu 33,22%. O índice é acima da média das grandes cidades, mais ainda insuficiente para solucionar os problemas da capital piauiense.
Por: Yuri Ribeiro - Jornal O DIA

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