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Agentes confirmam atuação do PCC, mas Sejus nega existência de facções

Durante vistorias em presídios, presidente do Sinpoljuspi diz que foi encontrado estatuto do PCC. "Batismos" também teriam sido realizados

10/01/2017 13:57h

Em revistas feitas em presídios do Piauí, foram encontrados indícios da atuação da facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação é do presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários e Servidores Administrativos das Secretarias da Justiça e Segurança do Piauí (Sinpoljuspi), Vilobaldo Carvalho. Contudo, o secretário Estadual de Justiça, Daniel Oliveira, alega que não há confirmação da atuação dessa ou de outras facções criminosas em presídios do estado.

Um levantamento do jornal O Globo traçou o mapa das facções no Brasil e identificou cinco organizações criminosas atuando no Piauí. Além do PCC e do Bonde dos 40, facções com atuação nacional, existem ainda o Primeiro Comando de Campo Maior, o Primeiro Comando de Esperantina e a Facção Criminosa de Teresina.

Foto: Assis Fernandes/ODIA

O presidente do Sinpoljuspi destaca que não há dúvidas de que facções atuam no estado há bastante tempo, e pontua que já foram encontrados materiais que comprovem a existência delas dentro de unidades prisionais piauienses. “Já foram apreendidos estatutos do PCC em vistorias que foram feitas nos presídios, e também recebemos informações de que foram realizados os chamados batismos, para inserir criminosos nessas facções. Isso não é novidade para ninguém. Existem facções estruturadas e organizadas, que surgiram dentro ou fora do sistema por conta da omissão do Estado”, afirma Vilobaldo Carvalho.

No entanto, o secretário de Estadual de Justiça, Daniel Oliveira, argumenta que não há conhecimento da atuação dessas facções no Piauí, e destaca que, para a estado, o foco está no tratamento dado ao detento individualmente, independentemente da existência dessas organizações criminosas. “Não identificamos e não reconhecemos a existência de nenhuma facção aqui no Piauí. Nosso objetivo é tratar o detento como preso. Não nos interessa se existe facção, até porque nós reconhecemos que essas organizações, nos moldes que chegam nos outros estados, não está presente no Piauí”, afirma.

Hoje, a Sejus se reuniu com representantes do Tribunal de Justiça do Piauí, Ministério Público do Piauí, Defensoria Pública do Piauí, Secretaria de Segurança Pública e OAB para discutir a atuação conjunta das instituições ligadas ao sistema penitenciário. No encontro foi tratado sobre o plano de investimentos do estado – incluindo a construção de novas unidades penais e a estruturação das já existentes –, procedimentos de segurança para prevenir e reprimir distúrbios nos presídios, equipamento e modernização das penitenciárias, além do reforço nas equipes de agentes penitenciários e policiais militares, vistorias e revista, monitoramento, inteligência e proteção externa.

Edição: Nayara Felizardo
Por: Nathalia Amaral

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