“A família é quem você
escolhe, ela escolheu a
gente”. Foi através de
escolha guiada por amor
e aceitação, que a família
de Kelsen Marcos nasceu.
Casado há um ano, o
jovem policial viu a família
ganhar contornos de novas
descobertas diárias com
a adoção efetiva da filha
Maria Beatriz, de 6 anos.
Mas a história dos membros
dessa família vem
sendo constituída há muito
mais tempo.
Kelsen e Luana namoravam
há sete anos
quando decidiram oficializar
a união. A pequena
Maria Beatriz já estava
presente na vida do casal.
Isso porque, sem condições
para criar a filha, a
mãe biológica de Beatriz
a deixou sobre os cuidados
de familiares do casal. O
apego com a menina foi
ganhando cada vez mais
espaço na vida dos então
namorados, que apadrinharam
a criança que,
futuramente, seria sua
filha.
Foto: Jailson Soares/ODIA

O processo de adoção foi
iniciado em 2012. Com o
casamento, e a aprovação
do pedido de guarda; de
padrinho, o policial se
tornou pai e Beatriz, que
era afilhada e há muito
considerada filha, ganhou
oficialmente uma nova
família. “Ano passado,
quando a gente casou
mesmo, ela foi morar com
a gente em definitivo. Ela
sempre soube da adoção,
mas agora que ela está
entendendo mais, deixou
de me chamar de padrinho
e passou a chamar de pai.
Ela se sente em casa, em
família, ela é tratada como
filha. Eu não falo que ela
foi adotada, apresento ela
como minha filha e muita
gente costuma perguntar:
‘E você tem uma filha
desse tamanho’, respondo
que sim. A família é quem
você escolhe, ela escolheu a
gente”, conta Kelsen.
Para ele, se tornar pai
também significa o cumprimento
diário de diferentes
responsabilidades, tanto
em nível material, quanto
em nível emocional. “Eu
sempre pensei em ter cinco
filhos, mas agora vi que a
responsabilidade sobre um
filho é muito grande. Nós
pagamos escola, plano de
saúde, balé, ano que vem
queremos colocar ela no
inglês. É muita coisa. Mas
a Beatriz veio inesperadamente,
na época tinha
22 anos, estava começando
a trabalhar e fomos adequando
nossa condição de
vida a dela. Quando casei,
pude adotar oficialmente.
Ela é uma menina que
nunca deu trabalho, é muito
obediente”, explica orgulhoso.
O fato de não ser o mesmo
sangue a circular nas veias
de Beatriz não minimiza
em nada o amor do pai pela
filha. A relação é quase
inversa. O amor ganha
maiores proporções e o pai
diz que sonha em ver a filha
crescendo, se tornar uma
boa pessoa a partir do que
ele poderá passar para ela
durante toda a vida.
“Ser pai é diferente.
Não é um sentimento que
alguém que não tenha
filho possa conhecer, é uma
coisa natural, que você só
quer retribuir o amor que
recebe naturalmente. É
recompensante ser pai”,
finaliza.
Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia