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“O circo é uma eterna criança”, diz adolescente sobre a vida no picadeiro

Crianças que participam dos espetáculos mantém rotina normal durante o dia, com aulas e tarefas. À noite, eles se divertem subindo no palco do circo.

12/10/2017 08:52h

Quem vive diariamente no circo sabe bem com a rotina é intensa, principalmente quando inicia-se uma nova temporada e é preciso desarmar a lona e seguir para um novo destino. Apesar de ficar pouco tempo em um determinado local, os artistas criam laços com a cidade, fazem amigos e levam muitas recordações na bagagem. Mas como é ser criança no mundo do circo?

Para Maria Eduarda Tavares (12), que cresceu no picadeiro, morar no circo é algo natural, já que desempenha todas as atividades como qualquer criança. Pela manhã ela vai à escola, quando retorna faz as tarefas e em seguida se prepara para o espetáculo que inicia à noite.

“Morar no circo é normal, dá para ser criança como todo mundo. O circo é uma criança e a gente se diverte fazendo o que faz. A gente faz amigos, tanto na cidade como na escola, então ser criança é uma eterna brincadeira”, disse.

No circo, a garota realiza várias atividades, como contorcionismo, assistente de magia, bambolê e cama elástica. Números que ela mesma escolheu, por afinidade, e que desenvolve com muito empenho e dedicação. Aliás, para Maria Eduarda, o circo é sua vida, seu verdadeiro lar e um local que não pretende deixar tão cedo.


Maria Eduarda Tavares e Luiz Felipe contam como é morar no circo e revelam que não fazem planos de deixar o local tão cedo (Foto: Jailson Soares/O Dia)

“Eu nunca conseguiria sair do circo, porque é algo que eu gosto muito. Isso tudo que eu faço é porque tive afinidade ou fui aprendendo a gostar com o tempo e conforme o tempo vai passando vou me aperfeiçoando mais”, conta.

Sobre os vínculos que criou nas cidades por onde já passou, a Maria Eduarda conta que já fez muitos colegas, principalmente feitos nas escolas, e que até hoje mantem contato graças à internet. É o que também fala seu irmão,

Luiz Felipe Tavares (14), ao citar que é muito emocionante retornar a uma cidade onde já se apresentou e rever os amigos feitos na época. Luiz Felipe sempre teve afinidade com o trapézio e cama elástica, e hoje desempenha esses números. Segundo ele, morar no circo é divertido, mágico e tem um significado único em sua vida, principalmente quando está no picadeiro se apresentando.

“Eu me apeguei muito rápido ao circo, porque a gente faz amigos. Antes tinha mais crianças, mas alguns saíram. Eu não penso em deixar o circo, porque aqui é minha vida. Quando eu me apresento e vejo todos vibrando dá uma sensação diferente, de que estou agradando com meu trabalho e é isso que me impulsiona a continuar e ser o melhor”, fala.

Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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