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Notícias Mundo

23 de outubro de 2017

Viúva de soldado morto no Níger diz que Trump a fez chorar em telefonema

Segundo mulher do militar, presidente não lembrava do nome de de La David Johnson. 'Me deixou triste e me fez chorar', diz viúva a programa de TV.

O presidente Donald Trump não recordava o nome de La David Johnson, soldado americano morto em uma emboscada no Níger, quando ligou para sua viúva para oferecer condolências, contou nesta segunda-feira (23) a mulher do militar, acrescentando que esse detalhe foi o que mais a machucou.

A patrulha conjunta em que Johnson estava sofreu em 4 de outubro uma emboscada de um grupo extremista na fronteira com o Mali, que custou a vida de quatro soldados americanos e de outros quatro do Níger. Trump esteve envolvido em uma polêmica com a família dos soldados mortos ao ser questionado por que não havia feito comentários públicos sobre o caso e afirmar que outros chefes de Estado americanos não contactaram as famílias dos soldados mortos em combate.

"O presidente disse que ele [meu marido] sabia ao que estava exposto quando se alistou, mas que era doloroso de qualquer jeito. Isso me fez chorar porque estava muito aborrecida com o tom de sua voz e como disse isso", afirmou Myeshia Johnson a um programa da cadeia ABC.

Com a declaração, Myeshia Johnson confirmou a versão deste polêmico telefonema oferecida pela congressista democrata Frederica Wilson. A legisladora, que estava ao lado da família do sargento morto durante o telefonema de Trump, disse na semana passada que o presidente tinha dito que o militar "sabia no que tinha se metido". Essas palavras resultaram em numerosas críticas ao presidente por sua aparente falta de sensibilidade perante a dor da esposa de um militar morto em combate.

"Ele não conseguia lembrar o nome do meu marido. Ele me disse que estava com o relatório sobre meu marido diante dele e foi aí que ele falou La David", explicou ainda.


O sargento La David Johnson, morto no Níger, em foto divulgada pelo Exército dos EUA (Foto: U.S. Army Special Operations Command via AP)

"Escutei ele tropeçando ao tentar lembrar o nome do meu marido, e isso foi o que mais me machucou, porque se meu marido está lutando pelo nosso país e ele arriscou a sua vida pelo nosso país, por que você não consegue lembrar o nome dele?", disse Myeshia. "Isso foi o que me deixou triste e me fez chorar ainda mais, porque meu marido foi um soldado maravilhoso".

O presidente respondeu imediatamente no Twitter. "Tive uma conversa muito respeitosa com a viúva do sargento La David Johnson, e mencionei seu nome desde o início, sem hesitar!", assegurou.

Aliança de Macri terá maior bancada no Congresso; aliado vence Cristina

O governo também venceu a disputa para o Senado da província de Buenos Aires, a mais importante do pleito

Os números oficiais da apuração da eleição legislativa argentina , realizada neste domingo (22), com mais de 90% das urnas apuradas em todo o país, indicam que a aliança Mudemos, do presidente Mauricio Macri, terá a maior bancada no Congresso a partir de dezembro.

O governo também venceu a disputa para o Senado da província de Buenos Aires, a mais importante do pleito. Com 99,19% das urnas apuradas à 0h15 (1h15 em Brasília), o ex-ministro da Educação Esteban Bullrich tinha 41,38% contra 37,25% da ex-presidente Cristina Kirchner.

Os resultados apontavam também para uma vitória do Mudemos em várias províncias importantes, como Córdoba, Entre Ríos, Santa Fe, Mendoza e também em Santa Cruz, bastião kirchnerista.

Entre elas, uma surpresa, Salta, governada por Juan Manuel Urtubey, um peronista antikirchnerista que pretende unir a corrente em torno de uma possível candidatura presidencial sua em 2019.

O próprio Urtubey discursou logo depois do anúncio dos primeiros resultados, admitindo a derrota do peronismo e parabenizando Macri. Outra vitória notável foi em La Rioja, onde a Mudemos superou o ex-presidente e atual senador Carlos Menem em seu bastião tanto no Senado quanto na Câmara.

No "bunker" da aliança governista Mudemos, os gritos de guerra mais ouvidos eram "não voltam mais" (referindo-se aos kirchneristas) e "sim, se pode". O clima, porém, era menos triunfalista do que na noite das primárias , em 13 de agosto.

A ideia era, também, a de não causar impacto negativo em parte do eleitorado que está sensibilizada com a morte do artesão e ativista político Santiago Maldonado , confirmada no sábado (21).

Por esse motivo, o presidente Macri não havia planejado discursar. Porém, após ouvir Cristina admitir a derrota, animou-se e subiu ao palco, fez um discurso eloquente e dançou, acompanhado da mulher e da filha.

"Hoje não ganhou um grupo de candidatos, nem um partido, mas sim um grupo de argentinos que tem certeza de que podem mudar a Argentina para sempre".

Até que o presidente se decidisse falar ou não, seus aliados discursavam. A primeira foi sua vice, Gabriela Michetti, que disse que os argentinos estariam escolhendo entre "continuar em direção ao futuro" ou "olhar novamente para trás" ""argumento igual ao usado na campanha presidencial de 2015.

Depois se seguiram o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta e a deputada Elisa Carrió, vencedora na capital com mais de 50% dos votos, e uma diferença de mais de 20 pontos com relação ao candidato kirchnerista, Daniel Filmus.

"Este é um país que está mudando de norte a sul, e estamos ganhando em toda a Argentina", disse Carrió, ex-presidenciável, derrotada por Cristina no passado.

Já no "bunker" da ex-presidente, no estádio do Arsenal de Sarandí, assessores afirmavam inicialmente que suas pesquisas diferiam da contagem oficial divulgada até o momento.

Quando os números se tornaram irreversíveis, Cristina Kirchner admitiu a derrota, mas afirmou que irá "trabalhar para que exista união entre a oposição" desde a vaga que conquistou no Senado.

Segundo o órgão responsável pelas eleições, o comparecimento foi de 78% do eleitorado, composto por 33 milhões de votantes. Foram escolhidos neste domingo um terço dos membros do Senado (24 vagas) e pouco menos da metade da Câmara dos Deputados (127 vagas).

 Maldonado

Macri votou por volta do meio-dia. Depois de almoçar com a família, passou a tarde em sua casa de campo, perto da cidade de Buenos Aires. Quando se aproximou dos jornalistas foi perguntado insistentemente sobre o caso Santiago Maldonado.

"Estou muito preocupado, e como todos os argentinos, quero saber a verdade. É hora de ter prudência e esperar que a perícia e a Justiça esclareçam de fato o que ocorreu."

Disse que havia telefonado para a mãe do artesão, cujo corpo foi encontrado na terça (17) na Patagônia, mas se recusou a comentar se a Gendarmeria (polícia de fronteiras) iria ser ou não responsabilizada por sua morte.

Parlamento catalão se reunirá na 5ª para debater intervenção espanhola

Madri considera que o plebiscito foi ilegal, assim como seria ilegal uma declaração de independência

O Parlamento regional da Catalunha convocou uma reunião para a quinta-feira (26) que vai discutir uma resposta à intervenção espanhola -na sexta-feira (27), Madri deve destituir o governo catalão.

A plenária foi anunciada na manhã de segunda-feira (23) em meio à crescente tensão política no país. O partido de extrema-esquerda CUP (Candidatura de Unidade Popular) convocou catalães para atos de desobediência civil durante toda a semana.

Legisladores catalães podem recorrer a duas saídas em sua reunião. A primeira delas é desafiar o Estado espanhol e proclamar de uma vez por todas sua independência, como vêm ameaçando fazer. Nesse caso, o governo central em Madri provavelmente acusará os líderes da Catalunha pelo crime de rebelião, algo que pode levar a 30 anos de prisão.

A outra solução é anteciparem as eleições como gesto de boa vontade. Caso os partidos separatistas catalães vencessem o novo pleito (o original estava previsto apenas ao fim de 2019), sairiam fortalecidos desta crise.

 Plebiscito

A Catalunha já tem uma autonomia parcial e conta, por exemplo, com seu próprio Parlamento e com uma polícia regional, os chamados Mossos d'Esquadra.

Mas partidos separatistas têm insistido em uma independência total, para a qual realizaram um plebiscito em 1º de outubro -com 90% dos votos no "sim", apesar de que apenas 43% dos eleitores participaram.

Madri considera que o plebiscito foi ilegal, assim como seria ilegal uma declaração de independência. Por isso, deslocou policiais à Catalunha para tentar impedir a consulta separatista, e também por isso aprovou no sábado (21) a ativação do Artigo 155 da Constituição.

Esse artigo será discutido durante a semana, um processo durante o qual o presidente catalão, Carles Puigdemon, terá direito a se pronunciar. A medida será votada pelo Senado na sexta-feira, onde deve ser aprovada pela maioria absoluta.

Com o Artigo 155, o governo espanhol vai intervir pontualmente na Catalunha, removendo Puigdemont de seu cargo, assim como seu vice e o restante de seu gabinete.

A autonomia não será suspensa, no entanto, e o Parlamento tampouco será dissolvido -mas terá sua atividade legislativa reduzida até a convocação de eleições antecipadas, algo previsto para acontecer em seis meses.

Legisladores catalães não poderão mais nomear seu próprio presidente, e o Estado espanhol poderá vetar leis que contrariem a legislação nacional -como a lei que convocou o plebiscito de 1º de outubro. Essa intervenção levou a críticas últimos dias e denúncias de repressão.

"Neste Parlamento não poderemos debater nem votar nenhuma iniciativa sem uma permissão de Madri", disse nesta segunda Lluis Corominas, líder da aliança separatista Junts pel Sí, da qual faz parte Puigdemont. "Não é democracia."

 França

A Espanha conta com amplo apoio internacional nesta crise. Os grandes atores políticos -como a União Europeia, a França e a Alemanha- não reconheceriam uma Catalunha independente e concordam com os argumentos de Madri.

O ex-premiê francês Manuel Valls entrou para este debate na segunda-feira ao afirmar em uma entrevista que a intervenção espanhola na Catalunha era "inevitável". Ele pediu ainda o apoio francês e europeu a Madri.

"Quando uma grande região que representa 20% da riqueza de um país como a Espanha se decide pela separação, que não está prevista na Constituição, chega um momento em que um Estado deve tomar as decisões que lhe são impostas", afirmou. Valls nasceu em Barcelona.

22 de outubro de 2017

Primeiro-ministro Abe ressurge forte e vence eleições antecipadas no Japão

Com a maioria ampla na Câmara, analistas políticos preveem que o primeiro-ministro deve colocar como pauta prioritária uma ambição antiga: rever a Constituição pacifista do Japão.

A chuva intensa e os fortes ventos trazidos pela passagem do tufão Lan não atrapalharam os planos da coalizão governamental do primeiro-ministro Shinzo Abe, que conquistou uma vitória ressonante nas eleições legislativas antecipada de domingo, dia 22, no Japão.

De acordo com as pesquisas de boca de urna feitas pelas principais emissoras de tevê e pelos jornais, o Partido Liberal Democrata e o aliado Komeito garantiram dois terços das 465 vagas para a Câmara Baixa, que equivale à Câmara dos Deputados no Brasil.

É praticamente certo que Abe conquiste então o terceiro mandato, entrando assim para a história como o líder que mais ficou no cargo após a Segunda Guerra Mundial. Ele está no poder desde 2012 -e pode continuar no cargo até 2021-, após uma rápida e desastrosa passagem entre 2006 e 2007.

Com a maioria ampla na Câmara, analistas políticos preveem que o primeiro-ministro deve colocar como pauta prioritária uma ambição antiga: rever a Constituição pacifista do Japão.

A situação, no entanto, pode não ser tão encorajadora para as forças pró-Abe.

Pesquisas divulgadas neste domingo pelas mídias japonesas mostraram um paradoxo: grande parte da população tem uma frustração acumulada com o governo do primeiro-ministro, justamente por causa da ideia irredutível de Abe de querer mudar o artigo 9 da Constituição, na qual diz que o Japão renuncia à guerra.

Uma das pesquisas, realizada pelo jornal liberal Asahi, apontou que 51% dos entrevistados não queriam que Abe continuasse como líder do país. O forte contraste em relação aos resultados das urnas é justificado na pesquisa pela falta de uma melhor opção.

O Partido da Esperança, criado no final de setembro pela governadora de Tóquio, Yuriko Koike, surgiu como uma grande ameaça no começo da campanha eleitoral. Mas as fracas propostas e a decisão de Koike de não concorrer ao pleito fizeram o partido perder força e, de acordo com as pesquisas, o partido deve suar para manter os 57 lugares ocupados pelos candidatos antes da dissolução da Câmara.

A surpresa é o também oposicionista Partido Democrático do Japão, que deve aumentar sua posição e ganhar força, subindo de 16 assentos para 58, de acordo com as projeções.

Coreia do Norte

Este é um notável momento para Abe, cujo controle do poder começou a escorregar de suas mãos no final do primeiro semestre, quando uma série de acusações de favorecimentos, gafes e encobrimentos de erros derrubaram sua popularidade.

Acusado pela oposição de insipiente para continuar no cargo, o primeiro-ministro conseguiu reverter a situação após assumir uma postura mais rígida contra as ameaças da Coreia do Norte - que chegou a disparar dois mísseis que sobrevoaram o território japonês -, e prometer usar o dinheiro arrecadado com o imposto sobre consumo na educação e na previdência, ao invés de pagar a dívida interna, como era previsto.

"Nós não podemos mais nos deixar enganar pela Coreia do Norte. Não podemos sucumbir às suas ameaças. Temos que garantir que os norte-coreanos não tenha outra opção senão mudar sua política e retornar à mesa de negociações", disse Abe no último discurso político antes das eleições.

Tufão

As eleições legislativas, na qual cerca de 100 milhões de japoneses estavam habilitados a participar, foi baixa devido à passagem do tufão. Classificado como "super forte", muitas cidades emitiram aviso de evacuação e os moradores foram encaminhados para abrigos.

Pouco antes das 20h, quando se encerrou o pleito, a participação dos eleitores era de apenas 30% em todo o país.

No entanto, não estavam sendo computados os votos antecipados, o que é permitido no Japão alguns dias antes da eleição oficial. Um total de 21,4 milhões de japoneses já haviam depositado seus votos nas urnas.

A apuração de todos os votos deve atrasar, segundo divulgou o governo, por que em algumas ilhas o serviço de balsas foi suspenso por causa da passagem do tufão. Outros lugares tiveram estradas fechadas, por perigo de deslizamentos, além de centenas de voos cancelados.

21 de outubro de 2017

Governo espanhol decide assumir controle da Catalunha e anuncia eleições

Conselho de Ministros da Espanha se reuniu neste sábado (21); medidas precisam de aprovação do Senado.

O governo espanhol decidiu neste sábado (21) assumir o controle da Catalunha e destituir o presidente regional, Carles Puigdemont, e todos os seus conselheiros, em aplicação do artigo 155 da Constituição. O governo também anunciou que fará eleições regionais na Cataluna em um prazo de seis meses. O Conselho de Ministro da Espanha se reuniu neste sábado para definir essas medidas que ainda precisam de aprovação do Senado.

O presidente catalão anunciou que fará um pronunciamento oficial às 21h do horário de Brasília.

O Senado precisa criar uma comissão para debater as medidas, que nunca foram aplicadas anteriormente. Segundo uma porta-voz da Casa Legislativa, a comissão provavelmente se reunirá no dia 23 de outubro.

Em seguida, o líder da Catalunha, Carles Puigdemont, terá uma oportunidade de responder. O Senado inteiro, onde o governista Partido Popular (PP) tem maioria, votaria sobre as medidas no dia 27 de outubro.

Madri vai aplicar o artigo 155 da Constituição depois do prazo dado para que o presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, esclarecesse se realmente declarou a independência da região durante a sessão plenária, no último dia 10.

Em sua carta enviada ao governo central, o líder catalão pede um diálogo para a opção de renunciar essa declaração de independência que, afirma ele, o parlamento regional não votou no dia 10. Puigdemont alerta, no entanto, que se a Espanha persistir em impedir o diálogo, o Parlamento poderá proceder a votação da declaração formal de independência.

A ativação do artigo 155 representa um movimento sem precedentes desde que a Espanha retomou a democracia, na década de 1970. Se a medida prosperar, a suspensão da autonomia não é automática, pois depende da aprovação do Parlamento, o que pode acontecer até o fim da próxima semana.

Declaração confusa

A troca de declarações entre Madri e Catalunha é mais um episódio em uma complicada crise política na Espanha.

No dia 1º de outubro, a Catalunha realizou um referendo pela independência, que teve comparecimento de 43% do eleitorado, dos quais mais de 90% afirmaram que querem a separação do país e a formação de uma república.

Desde o princípio, a votação foi considerada ilegal pelo governo de Madri, que enviou as forças de segurança para reprimir a votação. O confronto entre independentistas e forças de segurança terminou com mais de 800 feridos.

O governo espanhol considera que todo o processo do referendo foi ilegal, já que o Tribunal Constitucional da Espanha o suspendeu por violar a Constituição de 1978, que afirma que o país não pode ser dividido.

No dia 10 de outubro, Puigdemont anunciou no parlamento o resultado do referendo em que aprovou o "sim" à independência catalã . Para o líder catalão, com esse resultado, a região ganhou o "direito de ser independente, a ser ouvida e a ser respeitada", mas propôs a abertura de um processo de diálogo com Madri.

Após a declaração, foi assinado um documento que proclamava a "República Catalã", classificado no dia 11 como ato simbólico pelo governo catalão.

O pronunciamento frustrou os independentistas que esperavam a declaração unilateral clara da separação. O discurso não deixou evidente a posição do governo catalão, o que gerou dúvidas sobre o futuro da relação da região autônoma com a Espanha. Após a declaração, Madri pediu formalmente esclarecimentos.

Em resposta ao pedido de Rajoy, Puigdemont propôs, na segunda-feira (16), ao governo espanhol dois meses de negociações, mas evitou responder claramente se declarou ou não a independência da região.

Posteriormente, autoridades espanholas afirmaram que esperavam uma declaração clara do presidente catalão até 10h (6h de Brasília) da quinta-feira (19).

Premiê espanhol anuncia a suspensão de autonomia de Barcelona

Madri nomeará um representante para centralizar a administração regional catalã.

O governo espanhol decidiu neste sábado (21) remover o presidente catalão, Carles Puigdemont, de suas funções. Essa medida, que deve ser votada pelo Senado durante os próximos dias, é uma resposta ao desafio separatista da Catalunha.

O premiê conservador, Mariano Rajoy, detalhou em um discurso as demais medidas de seu governo.

Mariano Rajoy Brey, presidente do Governo da Espanha (Foto: Divulgação)

Essas ações fazem parte do Artigo 155 da Constituição, que permite a suspensão temporária da autonomia regional. Esse texto nunca foi utilizado na Espanha e será recebido por manifestações nas ruas da Catalunha.

Madri nomeará um representante para centralizar a administração regional catalã. Todo o conselho de Puigdemont será removido, e o Executivo espanhol deve antecipar as eleições catalãs.

O pleito pode ocorrer nos próximos seis meses, quando estava originalmente previsto apenas ao fim de 2019.

Não há planos de dissolver o Parlamento regional catalão nem impedir a atividade legislativa. O funcionamento da Casa, no entanto, será limitado -não poderá nomear mais seu próprio presidente, por exemplo.

"Aplicamos o Artigo 155 porque nenhum governo de nenhum país democrático pode aceitar que a lei seja violada", afirmou Rajoy.

Agravando ainda mais a crise, o Ministério Público confirmou também no sábado que estuda acusar Puigdemont pelo crime de rebelião, que pode levar a 30 anos de prisão na Espanha.

Ele será acusado caso insista em formalizar a independência catalã nestes dias, como tem ameaçado fazer.

Senado

As medidas detalhadas por Rajoy no sábado ainda precisam ser discutidas por um comitê, que deve ouvir a defesa presidente catalão.

O Senado provavelmente votará na sexta-feira (27), aprovando as medidas definitivamente. Rajoy tem a maioria absoluta necessária.

Todo esse procedimento foi acordado entre o governo do conservador Partido Popular e a principal força de oposição, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol). O Cidadãos, de centro-direita, deu também o seu aval para o Artigo 155.

O governo central justificou sua decisão em um documento oficial circulado durante a manhã de sábado entre correspondentes internacionais baseados no país.

O separatismo catalão foi descrito em duros termos como "incumprimento manifesto, contumaz e deliberado" e " desobediência rebelde e sistemática", algo que afeta "de maneira grave o interesse geral da Espanha".

A intervenção espanhola na administração regional catalã inaugura um novo período de instabilidade no país, que já vive sua pior crise institucional desde a redemocratização nos anos 1970.

A presença do Estado central na Catalunha é bastante limitada, e tem sido gradualmente reduzida. Segundo o jornal espanhol "El País", apenas 9% dos funcionários públicos catalães pertencem à administração central, em comparação aos 16% registrados na vizinha Valência.

A Catalunha tem também sua própria polícia, os chamados Mossos d'Esquadra, ao contrário da maior parte das regiões espanholas.

São 17 mil policiais da força catalã atuando nessa região, contra os 5.968 representantes policiais de Madri.

Consulta

A Catalunha é uma região espanhola já com algum grau de autonomia, incluindo Parlamento e polícia próprios. Mas partidos separatistas têm ganhado fôlego nestes anos. Uma das justificativas é econômica: a região é responsável por 20% do PIB espanhol, de US$ 1,2 trilhão.

Desafiando Madri, que considera esse separatismo injustificado, o governo catalão realizou um plebiscito separatista em 1º de outubro. Só participaram da consulta 43% do eleitorado, dos quais 90% apoiaram a separação.

O plebiscito foi decretado ilegal pelo Tribunal Constitucional -cuja página oficial na internet foi atacada neste sábado (21) pelo coletivo de hackers Anonymous.

Com o decreto da Justiça, o resultado não teve valor ao governo de Madri. A União Europeia e diversos países, como França e Alemanha, demonstraram apoio à unidade territorial espanhola.

Desafiando todos os avisos, no entanto, o presidente catalão, Puigdemont, foi ao Parlamento regional em Barcelona em 10 de outubro e declarou a independência. Em seguida, ele suspendeu os efeitos da proclamação, pedindo diálogo com Madri.

Madri exigiu que Puigdemont voltasse atrás até a quinta-feira (19), o que ele se recusou a fazer -a justificativa dada pelo governo para implementar o Artigo 155.

Medicina hoje se parece com 'fast food', diz médico italiano

Bobbio diz que deve haver mais conversa e decisões compartilhadas entre médico e paciente sobre qual caminho de tratamento seguir.

A medicina atual e os restaurantes fast-food têm mais em comum do que se poderia imaginar -pelo menos segundo um movimento italiano que prega atendimentos médicos mais humanizados. O italiano Marco Bobbio vê na medicina atual desperdício de recursos, excesso de velocidade em vários momentos e ainda falta de conexão com os pacientes.

"A medicina hoje é muito efetiva. Temos tantos procedimentos e tratamentos disponíveis que, às vezes, estamos fazendo demais. Isso significa que usamos drogas e tratamentos quando o paciente não precisa", diz Bobbio.

O médico italiano Marco Bobbio  (Foto: Arquivo pessoal)

Ir além do necessário é o assunto de seu novo livro, "Troppa Medicina" (medicina demais, em tradução livre; ainda não disponível no Brasil) e também é parte dos temas tratados pela Slow Medicine (medicina lenta), movimento do qual é secretário-geral.

Bobbio diz que deve haver mais conversa e decisões compartilhadas entre médico e paciente sobre qual caminho de tratamento seguir.

O italiano também diz acreditar que, por mais que as indústrias farmacêuticas e de diagnóstico tenham interesse na realização de mais exames, talvez os maiores responsáveis pelos excessos sejam os próprios médicos. "Para elas, é um negócio; para os médicos, não. Para eles, o negócio é dar o melhor para cada paciente."

Pergunta - Hoje os médicos fazem mais procedimentos do que o necessário?

Marco Bobbio - Sim. Normalmente, os pacientes querem mais testes e os médicos prescrevem mais exames do que o necessário. Temos que entender quando usar os procedimentos de forma apropriada, se não é desperdício.

Economistas avaliam que um terço dos gastos de saúde nos países ocidentais – no Brasil deve ser o mesmo – é desperdício. Gastamos dinheiro que não produz saúde.

Fora o fator econômico, qual o perigo de muitos exames?

- Muita medicina também é um perigo. Pacientes usam drogas que não precisam e têm todos os efeitos colaterais, sem efeitos positivos.

Quando você faz um procedimento sem indicação real, pode-se achar algo que não é patológico, mas não é completamente normal. O paciente começa a ter ansiedade com o que irá acontecer se o achado evoluir para uma doença.

As pessoas se sentem bem, elas não têm nada, mas estão preocupadas com o que irá acontecer no futuro. Fazem testes, tomam remédio só pelo medo de uma doença.

Qual o impacto dessa preocupação excessiva com a saúde?

- É por isso que há pessoas que tomam montes de drogas todas as manhãs, estão comendo comidas saudáveis - que chamam de saudável, mas eu não tenho certeza de que o sejam -, porque pensam que isso pode salvar a vida delas de tudo. Elas não apreciam a vida. Passam a maior parte da vida tentando gerenciá-la.

Não vivem, de fato.

- E não vivem melhor. Em jantares, as pessoas não dizem "gosto" ou "não gosto dessa comida". Elas dizem "posso" ou "não posso comer". Perdemos a subjetividade da relação com a vida, com a comida. Confiamos em supostas regras científicas que muitas vezes não são científicas, são só coisas que as pessoas leram na internet.

Como ter uma vida saudável?

- Só relaxe. Faça o que você gosta. Claro que algumas preocupações sobre doenças e riscos são necessárias. Claro que é bom evitar fumar e ser sedentário. Você precisa fazer algum exercício.

Não se deve exagerar em nada. Exercício intenso não é saudável. E comida, você pode comer qualquer coisa, mas de forma moderada. Você pode comer manteiga, mas não um monte todo dia. Você deve direcionar sua alimentação para uma dieta vegetariana, mas isso não significa que você não deva comer carne nunca. Tudo com moderação. Você conhece o movimento slow food?

Quer dizer que a medicina hoje pode ser comparada a uma cadeia de fast food?

- Claro que há grandes diferenças, mas a ideia é quase a mesma. Temos uma forma de 'fast medicine'. Isso não significa que os médicos devam ficar relaxados. Eu sei que a medicina precisa ser muito rápida às vezes. Mas também há várias situações nas quais você pode pensar um pouco mais e discutir com o paciente qual a melhor conduta.

Os médicos não costumam ouvir os pacientes? Por quê?

- Os médicos têm que fazer mais e mais procedimentos. Os hospitais fazem com que eles realizem muitos atendimentos, então o tempo para a consulta é reduzido ano a ano. Além disso, hoje tanto médicos quanto pacientes confiam mais em tecnologia do que na experiência do próprio médico.

Pacientes acham que exames trazem verdades objetivas?

- Sim. Em geral, se pensa que o corpo é como um carro. Se pisca a luz vermelha, você precisa levar para o conserto. Mas o corpo não é isso. Há uma certa dose de autocura, então, em alguns casos, as doenças passam sem você fazer nada.

Foram feitos estudos apontando que, se você mostra raios-x para radiologistas, a concordância entre eles será entre 60% e 70%. Cada um dá uma interpretação pessoal. Estudos mostram também que se você mostra o mesmo raio-x para um mesmo radiologista com alguns meses de diferença, ele terá interpretações diferentes. Nós precisamos falar que a tecnologia não é objetiva.

Quando um exame é crucial?

- Depende do paciente. Fazer exames sem sintomas, o check-up, não tem sentido.

Mesmo para os mais velhos?

- De acordo com o paciente, com o histórico dele e da família, ou como ele se sente, pode ser útil.

Quem ganha com mais testes sendo feitos?

- As indústrias farmacêutica e de diagnóstico. Elas gastam um bom dinheiro para incentivar médicos a prescreverem o máximo possível. A maioria dos congressos médicos é patrocinada por elas.

Não as culpo. Tenho a tentação de culpar os médicos que prescrevem de modo incorreto. Para elas, é um negócio; para os médicos, não. Para eles, o negócio é dar o melhor para cada paciente.

Como conciliar slow medicine e cargas pesadas de trabalho?

- Para ser amigável, empático, não é necessário mais tempo. Se você tem pouco tempo, você precisa decidir como usá-lo. Você pode usá-lo de modo lento ou rápido. Lento não significa ser devagar, mas, sim, ter que ser positivo com o paciente.

Pacientes têm de exigir médicos mais atenciosos?

- Pacientes precisam ter papel ativo. Toda vez que um médico prescrever um procedimento, eles devem perguntar se o teste é realmente necessário, o que irá acontecer se ele não fizer o teste. Posso adiar o procedimento? Posso esperar que a doença se cure sozinha? Quais são as alternativas?

19 de outubro de 2017

Espanha vai determinar no sábado suspensão de autonomia da Catalunha

Conselho de Ministros vai se reunir para determinar quais medidas serão enviadas ao Senado para votação.

O Governo da Espanha afirmou, nesta quinta-feira (19), que vai iniciar o processo de suspensão da autonomia da Catalunha. Para isso, o governo central deve aplicar o artigo 155 da Constituição, que permite que Madri assuma diretamente as atribuições exercidas pela administração autônoma da Catalunha.

De acordo com um comunicado emitido pelo governo central, no próximo sábado (21), o Conselho de Ministros se reúne em forma extraordinária, e vai aprovar as medidas que serão levadas ao Senado. De acordo com o jornal "La Vanguardia", a expectativa é de que o Senado vote a aplicação do artigo 155 da Constituição até o fim da semana que vem.

A declaração do governo foi publicada depois do prazo dado pelo gabinete do chefe do executivo espanhol, Mariano Rajoy, para que o presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont esclarecesse se realmente declarou a independência da Catalunha durante a sessão plenária, no último dia 10.

"O Governo colocará todos os meios ao seu alcance para restaurar o quanto antes a legalidade e a ordem constitucional, recuperar a convivência pacífica entre cidadãos e frear a deterioração econômica que a insegurança jurídica está causando na Catalunha", diz o texto.

Em sua carta enviada ao governo central também nesta quinta, o líder catalão pede um diálogo para a opção de renunciar essa declaração de independência que, afirma ele, o parlamento regional não votou no dia 10. Puigdemont alerta, no entanto, que se a Espanha persistir em impedir o diálogo, o Parlamento poderá proceder a votação da declaração formal de independência.

"Se o governo do Estado persistir em impedir o diálogo e continuar com a repressão, o Parlamento da Catalunha poderá proceder, se considerar oportuno, a votar a declaração formal de independência que não votou em 10 de outubro", afirma Puigdemont em sua carta.

A ativação do artigo 155 representa um movimento sem precedentes desde que a Espanha retomou a democracia, na década de 1970. Se Rajoy realmente prosseguir com a ativação, como promete fazer no sábado, a suspensão da autonomia não é automática, pois depende da aprovação do Parlamento. Clique aqui e veja as principais dúvidas com relação à independência da Catalunha.

Apesar dos termos do artigo 155 serem vagos, de acordo com a análise da Reuters, o dispositivo permite que, em teoria, Madri destitua a administração local e nomeie uma nova equipe para conduzir a polícia catalã e o setor financeiro da região.

Declaração confusa

A troca de declarações entre Madri e Catalunha nesta quinta é mais um episódio em uma complicada crise política na Espanha.

No dia 1º de outubro, a Catalunha realizou um referendo pela independência, que teve comparecimento de 43% do eleitorado, dos quais mais de 90% afirmaram que querem a separação do país e a formação de uma república.

Desde o princípio, a votação foi considerada ilegal pelo governo de Madri, que enviou as forças de segurança para reprimir a votação. O confronto entre independentistas e forças de segurança terminou com mais de 800 feridos.

O governo espanhol considera que todo o processo do referendo foi ilegal, já que o Tribunal Constitucional da Espanha o suspendeu por violar a Constituição de 1978, que afirma que o país não pode ser dividido.

No dia 10 de outubro, Puigdemont anunciou no parlamento o resultado do referendo em que aprovou o "sim" à independência catalã . Para o líder catalão, com esse resultado, a região ganhou o "direito de ser independente, a ser ouvida e a ser respeitada", mas propôs a abertura de um processo de diálogo com Madri.

Após a declaração, foi assinado um documento que proclamava a "República Catalã", classificado no dia 11 como ato simbólico pelo governo catalão.

O pronunciamento frustrou os independentistas que esperavam a declaração unilateral clara da separação. O discurso não deixou evidente a posição do governo catalão, o que gerou dúvidas sobre o futuro da relação da região autônoma com a Espanha. Após a declaração, Madri pediu formalmente esclarecimentos.

Em resposta ao pedido de Rajoy, Puigdemont propôs, na segunda-feira (16), ao governo espanhol dois meses de negociações, mas evitou responder claramente se declarou ou não a independência da região.

"Durante os dois próximos meses, nosso principal objetivo é fazê-lo dialogar", escreveu Puigdemont carta ao primeiro-ministro espanhol. O líder catalão pediu uma reunião "o mais rápido possível" com o premiê para tentar resolver a crise política. "Nossa proposta de diálogo é sincera e honesta", escreveu Puigdemont.

Posteriormente, autoridades espanholas afirmaram que esperavam uma declaração clara do presidente catalão até 10h (6h de Brasília) desta quinta-feira (19). "O governo lamenta que o presidente da Generalitat [governo da Catalunha] tenha decidido não responder ao requerimento que foi apresentado pelo governo", disse a vice-presidente espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría, que reiterou que "apenas se pede e se pedia clareza".

17 de outubro de 2017

Cerca de 70 pessoas seguem desaparecidas após ataque na Somália

Governo pede doações de sangue. Atentado deixou mais de 300 mortos e 400 feridos.

Famílias angustiadas vasculham nesta terça-feira (17) Mogadíscio, a capital da Somália, em busca de parentes desaparecidos após o ataque desta segunda, que foi um dos piores já cometidos no país. Autoridades disseram que tem as marcas do grupo Al Shabaab, ligado à Al Qaeda, mas este não assumiu a responsabilidade.

O total de 302 mortos deve aumentar, segundo informa a agência Associated Press. Além disso, cerca de 400 pessoas ficaram feridas. Algumas delas têm queimaduras que as deixaram irreconhecíveis. Cerca de 70 pessoas estão desaparecidas, com base em relatos de parentes, de acordo com o policial Mohamed Hussein.

Sentada do lado de fora do hospital, Hodan Ali espera encontrar seu irmão que está desaparecido. Ela mostra às pessoas sua foto em uma tela de celular. Abdiqadir Ali, um motorista de taxi de 50 anos, foi visto pela última vez no sábado quando ia a um hotel para pegar um cliente, antes da grande explosão ocorrer.

“Estou quase desistindo”, diz chorando à agência Associated Press. “Nada é mais doloroso do que não saber de seus entes queridos, seja vivo de morto”.

Abdulkadir Mohamud também está à procura de seu filho, que está desaparecido desde o dia do ataque. “Eu teria muita sorte se tivesse uma parte de seu corpo”, disse em lágrimas. “Não tenho nem seu corpo. Por favor, tragam de volta meu filho”.

Doações de sangue

Nos hospitais, a falta de um banco de sangue está prejudicando o atendimento médico aos feridos. O governo pede por doações.

O ministro da Informação, Abdirahman Omar Osman, disse que o país não tem um banco de sangue e que as limitações de seu sistema de saúde estão prejudicando o atendimento. "Estamos pedindo sangue, estamos pedindo assistência para verificar os mortos para que seus familiares tomem conhecimento", disse Osman à Reuters por telefone de Mogadíscio.

Osman disse que os corpos de mais de 100 pessoas enterradas na segunda-feira "estavam irreconhecíveis depois da explosão", e que espera que outros corpos ainda possam ser identificados.

Países como a Turquia, os Estados Unidos e o Catar estão oferecendo assistência médica. Médicos turcos --principalmente cirurgiões e especialistas em ferimentos na coluna-- chegaram juntamente com o ministro da Saúde da Turquia nesta segunda-feira e estão tratando feridos em hospitais de Mogadíscio.

Um avião militar dos EUA também aterrissou na capital com ajuda médica e humanitária. O Quênia, vizinho da Somália, disse que iria retirar 31 pessoas feridas para tratamento e que forneceria 11 toneladas de suprimentos médicos.

Terceiro filho de Kate e William deve nascer em abril

Sexo da criança ainda não foi revelado. Irmão de George, de 4 anos, e Charlotte, de 2, será o sexto bisneto da rainha Elizabeth II.

O príncipe William, segundo na linha de sucessão à Coroa britânica, e a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, aguardam o nascimento do terceiro filho em abril de 2018, informou nesta terça-feira (17) o Palácio de Kensington. O sexo da criança ainda não foi revelado.

O irmão de George, de 4 anos, e Charlotte, de 2, será o sexto bisneto da rainha Elizabeth II.

O anúncio da gravidez de Kate aconteceu em setembro. Na época, não foram divulgados mais detalhes. O palácio apenas declarou que, como nas suas duas primeiras gestações, a duquesa estava sofrendo de hiperêmese gravídica, que provoca fortes náuseas e vômitos.


Kate e William com seus filhos Charlotte em cerimônia de aniversário de Elizabeth II (Foto: Chris J Ratcliffe / AFP)

Sucessão

Menino ou menina, o novo herdeiro será o quinto na linha de sucessão a Elizabeth II, que, aos 91 anos, não demonstra sinais de cansaço. O bebê vai ocupar o posto que pertence atualmente a seu tio, o príncipe Harry, o popular irmão de William.

O primeiro lugar na linha de sucessão pertence a Charles, príncipe de Gales (filho da rainha, nascido em 1948); seguido de William, de 35, George e, então, Charlotte.

A longevidade de Elizabeth II, que está há 65 anos no trono, faz que quatro gerações convivam na Casa Real. A monarca tem quatro filhos, oito netos e cinco bisnetos - seis com o próximo.

16 de outubro de 2017

Presidente catalão não esclarece independência e agrava crise

Madri esperava uma resposta definitiva até as 10h (6h em Brasília). Puigdemont, em vez disso, pediu um diálogo de dois meses entre catalães, espanhóis e a comunidade internacional.

O presidente catalão, Carles Puigdemont, se esquivou do prazo dado pelo governo espanhol e não respondeu nesta segunda-feira (16) se proclamou ou não a independência no último dia 10. O gesto agrava o atrito político e pode levar à suspensão da autonomia catalã.
Madri esperava uma resposta definitiva até as 10h (6h em Brasília). Puigdemont, em vez disso, pediu um diálogo de dois meses entre catalães, espanhóis e a comunidade internacional para resolver esta crise territorial -a mais grave na Espanha desde o fim da ditadura de Francisco Franco (1939-1975).
O presidente catalão convocou uma reunião com o premiê espanhol, o conservador Mariano Rajoy, "o mais rápido possível", algo que dificilmente acontecerá. "Nossa proposta de diálogo é sincera e honesta", disse, criticando o uso da força policial para impedir o plebiscito separatista de 1° de outubro. Naquela consulta, 90% votaram "sim", mas apenas 43% do eleitorado participou. Quase 900 foram feridoa em embates com as forças de segurança.


Carles Puigdemont (Foto: Getty Images)

A resposta de Puigdemont não convenceu Madri, que exigia uma negativa clara quanto à proclamação de independência catalã. Isso significa que se torna cada vez mais provável o uso do Artigo 155 da Constituição espanhola, com o qual Rajoy pode suspender temporariamente a autonomia catalã e antecipar as eleições regionais, passando por cima de um governo que tem desobedecido suas ordens.
O próprio pedido feito por Rajoy a Puigdemont de que esclarecesse a situação já faz parte do mecanismo do Artigo 155, que textualmente prevê esse ritual antes do início das medidas mais drásticas. Para suspender a autonomia catalã, o premiê precisa da maioria absoluta do Senado (metade mais um), o que seu Partido Popular já tem.
A Catalunha, uma região espanhol, já tem uma autonomia parcial e conta com seu proprio Parlamento e uma polícia, os Mossos d'Esquadra. Mas tem se fortalecido nos últimos anos o projeto de um Estado independente. Um dos argumentos é econômico: essa região contribui com 20% do PIB espanhol, hoje de US$ 1,2 trilhão. Catalães têm também sua própria língua, o catalão, aparentada ao francês.

Justiça pede à campanha de Trump documentos sobre denúncias de assédio

Trump se atirou agressivamente sobre ela durante o encontro e apalpou seus seios, gesto rejeitado por ela – conforme o relato

A equipe de campanha de Donald Trump deverá entregar à Justiça documentos relacionados a uma denúncia de agressão sexual apresentada quando ele era candidato – informou o portal BuzzFeed News no domingo (15). A ação apresentada por Summer Zervos, que foi candidata no reality show de Trump, “O Aprendiz”, diz que ele deu “várias declarações falsas e difamatórias” depois que ela o acusou de tê-la tentado beijar e tocá-la sem seu consentimento.

Emitida em março, a notificação judicial exige que a equipe de campanha eleitoral de Trump e seus membros entreguem os documentos sobre Zervos e seus associados, assim como sobre “qualquer mulher que tenha afirmado que Donald J. Trump a tocou de forma inadequada”.

Também pede os documentos sobre “qualquer acusação” feita durante a campanha eleitoral de que ele “submeteu qualquer mulher a toques sexuais não desejados e/ou a comportamento sexualmente inadequado”, assim como sobre as respostas do presidente às denúncias contra ele. A notificação, que não foi divulgada oficialmente, foi revelada pelo portal BuzzFeed News.

No ano passado, Zervos denunciou que Trump havia tido iniciativas sexuais inconvenientes, quando ambos se reuniram no Hotel Beverly Hills, em Los Angeles, em 2007, para discutir suas oportunidades profissionais. Trump se atirou agressivamente sobre ela durante o encontro e apalpou seus seios, gesto rejeitado por ela – conforme seu relato.

Zervos e outras mulheres fizeram denúncias parecidas depois que um vídeo de 2005 veio à tona, em outubro de 2016. Na gravação, Trump se gabava de assediar mulheres.

Em sua defesa, o magnata nova-iorquino afirmou que seus comentários no vídeo foram apenas uma “conversa de vestiário”, alegando que as denúncias de assédio sexual contra ele eram falsas e fabricadas.

15 de outubro de 2017

Dono de revista oferece US$ 10 milhões por informação contra Trump

Larry Flynt oferta quantia em anúncio de página inteira no 'Washington Post' deste domingo. 'Antes de apocalipse climático, Trump pode desencadear guerra mundial nuclear', diz empresário.

O proprietário da revista pornográfica americana "Hustler", Larry Flynt, ofereceu neste domingo (15), em um anúncio de página inteira no jornal "The Washington Post", US$ 10 milhões por qualquer informação que permita destituir Donald Trump como presidente.

"Não espero que os amigos multimilionários de Trump o delatem, mas acredito que há muita gente que sabe coisas e a quem US$ 10 milhões parecerá muito dinheiro", explica na propaganda.

Flynt reconhece que, no passado, já usou este método para acabar com a carreira de políticos republicanos. "Diante da crise atual, aumentei a recompensa para US$ 10 milhões", assinala. "Tenho a intenção de pagar toda a quantia".

A propaganda leva o título, com letras em caixa alta: "US$ 10 milhões por informação que permita o impeachment e destituição de Donald J. Trump da presidência".

O dono da revista coloca em dúvida a legitimidade da vitória de Trump e resume as polêmicas que envolvem o seu mandato, desde a suposta ingerência da Rússia nas eleições até a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

"Mas o mais preocupante é que, muito antes de acontecer um apocalipse climático, Trump pode desencadear uma guerra mundial nuclear", assinala. "Um impeachment pode ser um tema desagradável e que leve à disputa, mas a alternativa - mais três anos de disfunção desestabilizadora - é pior", assegura.

Sobe para 40 número de mortos em incêndios na Califórnia

Cerca 865 km² foram arrasados pelo fogo desde o último domingo (8). Vento complica o trabalho dos bombeiros no local.

Bombeiros ainda tentam controlar os incêndios florestais que atingem o norte da Califórnia (EUA) há uma semana. O balanço de mortos subiu para 40 neste domingo (15), segundo a Associated Press. A última estimativa indica que 100 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas.

Cerca de 865 quilômetros quadrados de áreas residenciais, florestas e outras propriedades foram arrasados pelo fogo desde o último domingo (8) na chamada região do vinho. "Os incêndios foram extremamente destrutivos, com uma estimativa de 5.700 estruturas arrasadas", informou o Corpo de Bombeiros em comunicado.

Várias igrejas foram usadas como abrigos para alojar os que perderam suas casas e também como local de descanso para os 10 mil bombeiros que tentam combater as chamas, indicou o jornal "Sacramento Bee".


Bombeiro tenta combater fogo em Santa Rosa, na Califórnia (EUA) (Foto: AP Photo/Marcio Jose Sanchez)

Vento complica combate ao fogo

Os incêndios florestais são comuns no oeste dos Estados Unidos durante a estação de seca nos meses mais quentes. Mas os desta semana foram os mais fatais na história da Califórnia, segundo as autoridades. A intensidade do vento no local complica o trabalho dos bombeiros.

Uma das áreas mais afetadas é o condado de Sonoma, onde ao menos 20 pessoas morreram e 200 estão desaparecidas. Na cidade de Santa Rosa, bairros inteiros foram reduzidos a cinzas, escombros e carros queimados.

Até agora nenhuma causa foi determinada para os incêndios. De acordo com a Associated Press, linhas de energia derrubadas pelos ventos são vistas como uma possibilidade.

13 de outubro de 2017

Secretário de Segurança afasta delegado de operação na casa de filho de Lula

A Polícia Civil realizou uma busca na casa do filho do ex-presidente, após receber uma denúncia anônima por telefone, que indicava uma suposta presença de drogas no local

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, determinou na quarta-feira (11) a instauração de procedimento administrativo para apurar em que condições ocorreu a diligência de busca e apreensão realizada no dia anterior na casa de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. O delegado responsável pela diligência foi afastado do caso.

A Polícia Civil realizou uma busca na casa do filho do ex-presidente, após receber uma denúncia anônima por telefone, que indicava uma suposta presença de drogas no local. De acordo com a defesa do ex-presidente, a polícia não encontrou substâncias ilícitas durante a vistoria na na casa que fica em Paulínia, interior do estado de São Paulo.

O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, com internautas e figuras públicas questionando a competência da instituição para tal ação, e lembrando outros casos, como do helicóptero de cocaína, que não mereceram tanta atenção quanto a recebida por um suposto telefonema anônimo. 

De acordo com o pedido da Polícia Civil para a autorização da busca e apreensão, uma denúncia anônima apontou que o endereço estava sendo utilizado para armazenamento de grande quantidade de drogas e armas. O pedido dizia ainda que investigadores permaneceram em campana no endereço, percebendo grande movimentação de pessoas.

“Nada relacionado ao tráfico de drogas foi encontrado. A autoridade policial deliberou por apreender documentos e computadores, sob o argumento de possível relação com o crime investigado. Na data de hoje, após pedido formalizado pelo advogado constituído pelo Sr. Marcos, foi deferida a restituição de todos os objetos apreendidos, dada a ausência de relação com o objeto do processo”, disse a juíza em nota.

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, criticou a ação da polícia e a classificou como abusiva. “A busca e apreensão, feita a partir de denúncia anônima e sem base, não encontrou no local o porte de qualquer bem ou substância ilícita, o que é suficiente para revelar o caráter abusivo da medida”.

O Partido dos Trabalhadores (PT), também por meio de nota, criticou a ação. "A operação policial na casa de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, a partir de uma suposta e falsa denúncia anônima, foi uma violência que tem de ser explicada por todas as autoridades envolvidas", escreveu a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta do partido.

Marcos Lula foi diretor de Turismo e Eventos na Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP) entre 2009 e 2012, quando se elegeu vereador, posto que ocupou até o ano passado.

Governo Trump retira Estados Unidos da Unesco

Washington acusou a entidade de adotar um viés "anti-Israel".

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (12) sua saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), por acreditar que a entidade tenha um viés "anti-Israel".

"Lamento profundamente pela decisão dos Estados Unidos de se retirar da Unesco, que foi notificada oficialmente por meio de uma carta do secretário de Estado Rex Tillerson", diz um comunicado da diretora-geral da organização, Irina Bokova.

Segundo ela, a saída dos EUA representa uma "perda" para a "família das Nações Unidas e para o multilateralismo". "O trabalho da Unesco não terminou, e continuaremos a seguir em frente para construir um século 21 mais justo, pacífico e igualitário, por isso a Unesco precisa do compromisso de todos os Estados", acrescenta a nota.

A decisão de Washington foi motivada pelas recentes resoluções da Unesco contra Israel, como aquela que retira do país a soberania sobre Jerusalém e outra que se refere a locais sagrados para judeus e muçulmanos apenas pelo nome islâmico.

Além disso, a entidade já condenou os assentamentos israelenses em Hebron, na Cisjordânia, declarada como "patrimônio histórico palestino". No entanto, a revista "Foreign Policy" especula que também tenha pesado para a decisão a dívida de US$ 500 milhões dos EUA com a Unesco.

A quantia se acumula desde 2011, quando o país suspendeu suas contribuições por causa do reconhecimento da Palestina como Estado-membro. As resoluções da Unesco também foram duramente criticadas por Israel e por alguns países europeus, inclusive a Itália, nos últimos meses, mas nenhuma dessas nações se retirou da entidade. 

12 de outubro de 2017

Deus vai desaparecer, diz Dan Brown, que lança novo livro

O novo livro de Brown, "Origem" (Sextante), que acaba de ser lançado no mundo todo, também traz críticas à religião.

Pelo visto, o best-seller americano Dan Brown está pronto para comprar mais uma briga com o Vaticano - como seu livro mais famoso, "O Código Da Vinci", já havia provocado ao sugerir que Jesus teve uma família com Maria Madalena. Antes, em "Anjos e Demônios", já questionava o conflito entre ciência e religião na sede da Igreja Católica.

O autor americano Dan Brown (Foto: Divulgação)

"Historicamente, nenhum deus sobreviveu à ciência. Com os avanços da tecnologia, a necessidade de um Deus exterior, que nos julga, vai desaparecer", disse o escritor em um encontro com jornalistas, na manhã desta quinta-feira (12), na Feira do Livro de Frankfurt.

Não é só a declaração - bem típica do autor - que traz a crítica. O novo livro de Brown, "Origem" (Sextante), que acaba de ser lançado no mundo todo, também traz críticas à religião.

Robert Langdon está de volta como protagonista. No novo romance, um amigo do personagem descobre a origem do homem -e promete revelá-la ao mundo, destruindo as grandes religiões. Caberá a Langdon expor o segredo, mas não sem antes resolver um enigma.

"Lembro quando meu primeiro livro saiu. Vendemos 98 cópias. E isso graças à ajuda da minha mãe", riu Brown, que teve a ideia do livro depois de ouvir uma música "gospel" composta por seu irmão, mas exaltando Charles Darwin em vez de Deus.

Questionado se costumava se irritar com os críticos que acham seu estilo muito rasteiro, o autor disse que ao escrever tenta agradar somente a seu próprio gosto.

"Há uma série de críticos literários que claramente não tem o mesmo gosto que eu. Adoraria dizer que não me abalo com as críticas ruins, mas levo a vida adiante."

Para aliviar a declaração contundente sobre as religiões, o autor disse que seu problema não é com a crença em Deus -o problema, afirma, é quando instituições tentam codificar experiências transcendentes com uma suposta dimensão divina.

Brown foi questionado ainda se, caso o novo romance vá virar filme, ele ainda gostaria de ter Tom Hanks no papel de Langdon.

"Eu amo o Tom Hanks. Sempre me perguntam se eu imaginava o ator quando escrevia as cenas com Langdon. Não, eu só pensava em vender exemplares o suficiente para não perder meu adiantamento."

Seu protagonista, brincou, é a pessoa que ele queria ser -o autor o considera mais inteligente que si mesmo.

"Uma vez me disseram: claro que ele não é mais inteligente, tudo que ele diz saiu da sua cabeça, o autor. É, mas o que ele diz em poucos segundos eu demorei três dias para escrever", riu Brown.

11 de outubro de 2017

Rebelião em prisão no México deixa 16 mortos e 26 feridos

16 pessoas morreram e 26 ficaram feridas. Governo local investiga o envolvimento de 54 presidiários na rebelião, que incluiu sequestro de guardas e incêndios.

O número de mortos de uma rebelião registrada na terça-feira em uma prisão do estado mexicano de Nuevo León (norte) aumentou para 16 nesta quarta (11), informou o governo local, que investiga o envolvimento de 54 presidiários nos fatos, que incluíram o sequestro de guardas e incêndios.

Os confrontos começaram na madrugada de terça-feira e, embora tenham sido controlados, recomeçaram pela manhã, quando um grupo de ao menos 20 detentos incendiou objetos, provocando uma coluna de fumaça negra visível a vários quilômetros de distância.

"Há 16 pessoas que perderam a vida, a maioria estava sendo processada por crimes de alto impacto" na penitenciária de Cadereyta, disse em coletiva de imprensa Bernardo González, procurador de Nuevo León.

Na terça-feira, as autoridades haviam reportado 13 mortos e justificaram o uso de força letal para neutralizar a rebelião. Espera-se que esta tarde estejam prontas as necropsias e os exames de balística.

"Os corpos apresentam diversas lesões, não se pode determinar se (sua morte) foi a bala" sem antes ter estes resultados, disse Aldo Fasci, porta-voz de segurança de Nuevo León. Segundo ele, o uso de força letal foi para impedir que as pessoas tirassem a vida de outras.

"Estavam não em uma briga, mas em um ataque, e eram de facções rivais. É provável que independentemente de impactos de bala, haja outras lesões", acrescentou.

A rebelião deixou, ainda, 26 feridos, entre eles dois policiais e três carcereiros de Cadereyta, situada na periferia da cidade industrial de Monterrey, a terceira do México - onde em março passado outra rebelião deixou quatro mortos.

As prisões mexicanas, principalmente as sob o controle dos governos estaduais, são frequentemente sacudidas por rebeliões, assassinatos e fugas, e a maioria apresenta sérios problemas de superlotação. No ano passado, uma briga entre facções deixou 49 mortos em Topo Chico, outra prisão do estado de Nuevo León.

10 de outubro de 2017

Google admite ter vendido espaço a 'fake news' russas

Funcionários do Google afirmam que a presença russa em suas plataformas foi descoberta apenas ao obter dados do Twitter

O Google admitiu pela primeira vez que operadores russos exploraram as plataformas da empresa para interferir na eleição presidencial dos EUA de 2016, informou nesta segunda (9) o jornal "The Washington Post". Segundo funcionários da empresa consultados pela publicação, os agentes de Moscou gastaram milhares de dólares em anúncios cujo objetivo era difundir notícias falsas e fomentar a polarização da sociedade americana por meio de serviços como o YouTube, o Gmail, a rede de publicidade DoubleClick.

A investigação interna feita pela empresa após pressão de congressistas e da imprensa também mostra que parte dos anúncios não veio da mesma organização afiliada ao Kremlin usada para comprar espaço no Facebook -sinal de que a rede de "fake news" pode ter sido maior.

Os primeiros resultados mostram que os anúncios custaram ao menos US$ 100 mil, mas ainda não foi determinado se todos eles vieram de trolls ou se são originados de contas russas legítimas.

Funcionários do Google afirmam que a presença russa em suas plataformas foi descoberta apenas ao obter dados do Twitter. A partir daí, pôde vincular os perfis no microblog a outras contas de serviços da empresa.

A sindicância foi aberta após o Congresso dos EUA pressionar as empresas de tecnologia a determinarem de que maneira agentes russos usaram seus sistemas para influenciar a eleição que levou Trump à Casa Branca.

Inicialmente o Google havia minimizado o problema da interferência russa. No mês passado, a porta-voz da empresa, Andrea Faville, disse ao jornal americano que não vira "indicações de que esse tipo de campanha publicitária tenha sido veiculado nas plataformas" dos Google.

Disseminação

O conglomerado da internet também buscava evitar o escrutínio a que o Facebook foi submetido. Em setembro, a rede social revelou que mais de 3.000 anúncios foram adquiridos pelos agentes russos, ao custo de US$ 100 mil.

Alguns deles promoviam o republicano Donald Trump, o democrata Bernie Sanders e Jill Stein, a candidata presidencial do Partido Verde. Outros instigavam a divisão nos EUA, promovendo sentimentos de hostilidade a imigrantes e de animosidade racial.

O Facebook informou que esses anúncios atingiram apenas 10 milhões dos 210 milhões de usuários norte-americanos (dois terços da população) que usam seus serviços a cada mês.

O Twitter, por sua vez, informou ter fechado 201 contas associadas à Internet Research Agency. Também revelou que a conta do site noticioso RT, que a empresa vê como ligado ao Kremlin, gastou US$ 274,1 mil em sua plataforma em 2016.

O Twitter não informou os índices de compartilhamento das notícias falsas. A empresa também tenta mapear a relação entre as contas russas e influenciadores ligados às campanhas de Trump.

Executivos do Facebook e do Twitter deporão ao Congresso americano em 1º de novembro. O Google ainda não informou se aceitará o convite para fazer o mesmo.

Embora os serviços de inteligência dos EUA tenham revelado a interferência russa na eleição em janeiro, as três empresas não receberam atenção dos agentes do governo em suas investigações.

Nesta segunda (9), a Microsoft informou que investiga a ação russa em suas plataformas, como o Bing.

08 de outubro de 2017

Durante homenagem a Che Guevara, Cuba reage às declarações de Trump

Trump declarou que não retiraria "sanções contra o regime cubano até que haja uma liberdade política completa para o povo cubano".

Cuba criticou o "imperialismo" e as exigências feitas pelos EUA durante homenagem neste domingo (8) pelos 50 anos da morte de Ernesto Che Guevara.

No meio de uma multidão de cerca de 70 mil pessoas reunidas em Santa Clara, o presidente Raúl Castro deixou o discurso principal do evento para o vice-presidente Miguel Díaz-Canel.

O presidente de Cuba, Raúl Castro (Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

"Reafirmamos que Cuba não vai fazer concessões inerente à sua soberania e independência e não irá negociar seus princípios ou aceitar condicionalidades", disse Diaz-Canel, 57, provável sucessor de Castro como presidente de Cuba em fevereiro.

O vice-presidente também lembrou um aviso de Guevara: "Você não pode confiar no imperialismo... Nem um pouquinho! Nada!", disse ele.

As considerações cubanas foram uma resposta ao presidente dos EUA, Donald Trump, que na sexta-feira declarou que não retiraria "sanções contra o regime cubano até que haja uma liberdade política completa para o povo cubano", o que elevou a tensões entre Havana e Washington.

"As mudanças necessárias em Cuba estão sendo decididas pelo povo cubano", respondeu Díaz-Canel.

A homenagem a Che Guevera foi realizada em Santa Clara, a 300 km a leste de Havana. A cidade abrigou o guerrilheiro argentino depois da batalha capitaneada em dezembro de 1958, que começou a decretar o fim da tirania de Fulgencio Batista e o triunfo do Fidel Castro em 1º de janeiro de 1959.

No evento, com uma hora de duração, artistas recitaram poemas e cantaram músicas.

Foi a primeira homenagem a Che em Cuba sem Fidel Castro, seu chefe e amigo, que morreu em novembro passado e em 1967 instituiu em 8 de outubro como o dia do "Guerrilheiro Heróico" e fez Che em um símbolo do "homem novo", que ambos tentaram forjar.

Uma delegação oficial cubana também partiu no sábado para a Bolívia, onde será realizada uma série de eventos comemorativos, com o apoio e a participação do presidente Evo Morales.

"Fique vivo"

"Agora também estamos diante das intenções do presidente dos EUA... e Che nos deu o ensino desde o início deste processo revolucionário no México: para o imperialismo, dizemos que não é um pouco assim", disse Felix Rodriguez à AFP. , uma ex-guerrilha da Sierra Maestra.

Entre os participantes também havia Luis Monteagudo, um mestiço magro de 79 anos que lutou sob as ordens de Guevara no Congo.

Com uma camiseta branca e uma imagem de Che em vermelho, um animado Monteagudo assegurou que para ele "Che vive por sua vida, seu trabalho e seu exemplo".

David Metral, professor de história argentino em Córdoba, expressou sua emoção na conclusão do evento e disse: "Quando tomamos consciência do valor de sua luta (Che) e do senso de sua luta, seu exemplo é multiplicar e seu legado em todo o mundo ".

Vários turistas participaram da cerimônia, em um momento em que a ilha é questionada como um destino seguro, devido às denúncias de Washington de que 22 pessoas da embaixada em Havana sofreram "ataques" à saúde -diplomatas, servidores da embaixada e familiares apresentaram, em período de sete meses, sintomas como perda de audição permanente, lesão cerebral leve, problemas de visão, fortes dores de cabeça, tontura e dificuldade de dormir.

"Alguns porta-vozes e a mídia se prestam a propagação de fraudes incomuns, sem evidências, com o propósito perverso de desacreditar o desempenho impecável de nosso país, universalmente considerado um destino seguro para visitantes estrangeiros, incluindo americanos", disse Díaz-Canel.

Nascido em 14 de junho de 1928 em Rosario (Argentina), Che Guevara era um rapaz incansável de uma família burguesa que estudava medicina e estrelou uma histórica viagem de motocicleta pela América do Sul com seu amigo Alberto Granados.

Ele trabalhava como fotógrafo itinerante no México quando conheceu Fidel Castro em 1956.

Ministro das Indústrias e presidente do Banco Nacional após o triunfo de Fidel, Guevara casou-se com Aleida March e teve quatro filhos.

Meio século depois de sua morte, Cuba ressalta o símbolo, imortalizado em uma imagem de Alberto Korda, uma das mais publicadas na história da fotografia mundial.

Espanhóis vão às ruas em Barcelona contra a independência da Catalunha

Eles respondem ao chamado de um coletivo anti-independência, cujo slogan é "Chega! Recobremos a sabedoria"

Milhares de espanhóis da Catalunha e de outras partes do país invadiram, neste domingo (8), as ruas de Barcelona para manifestar sua oposição à independência da região, uma semana após o referendo de autodeterminação que desencadeou uma crise política sem precedentes em 40 anos.
Eles respondem ao chamado de um coletivo anti-independência, cujo slogan é "Chega! Recobremos a sabedoria", e se vê como a "maioria silenciosa" que não teve voz desde quando as autoridades separatistas organizaram a votação.

Os separatistas ameaçam declarar a independência de forma unilateral nos próximos dias, alegando ter recebido o apoio de 90,18% dos eleitores no referendo.
"Nós não queremos a independência. Mantivemos silêncio por muito tempo", disse Alejandro Marcos, um trabalhador da construção civil de 44 anos de Badalona, subúrbio de Barcelona.


Foto: AFP

De acordo com pesquisas, apesar de a maioria dos catalães defender a realização de um referendo formal, pouco mais da metade se opõe à independência de sua região.
Por enquanto, o impasse é total entre o chefe do governo conservador espanhol, Mariano Rajoy, e as autoridades separatistas.
O líder catalão Carles Puigdemont pede uma "mediação internacional", mas Mariano Rajoy se nega a dialogar até que os separatistas abandonem a ameaça de ruptura.
"O que eu quero é que a ameaça de declaração de independência seja retirada o mais rápido possível", porque "nada pode ser construído se a ameaça à unidade nacional não desaparecer", disse ele neste domingo ao jornal "El Pais".
Em Barcelona, um grande número de pessoas chegava de outras partes da Espanha, incluindo Madri, onde duas manifestações já haviam reunido milhares de espanhóis neste sábado (7) -uma pela "unidade" da Espanha e outra pelo "diálogo".
A concentração em Barcelona é apoiada pelo Partido Conservador de Mariano Rajoy, pelo Partido Socialista catalão e pelo Ciudadanos, a principal força de oposição ao movimento de independência na Catalunha.
Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, de nacionalidade peruana e espanhola, fará um discurso.
"Uma declaração unilateral (de independência) faria o país em pedaços", explicou ao jornal "ABC" Mariano Gomà, presidente da Societat Civil Catalana, uma organização anti-independência que organizou o evento.
"Não descarto nada"
Mariano Rajoy, por sua vez, ameaçou suspender a autonomia da região, uma medida nunca aplicada nesta monarquia parlamentar extremamente descentralizada, o que poderia provocar distúrbios na Catalunha.
"Não descarto nada", declarou, a respeito da aplicação do artigo 155 da Constituição que permite essa suspensão.
Ele lançou um apelo aos nacionalistas catalães mais moderados para que se afastem dos "radicais" da CUP (Candidatura da Unidade Popular, extrema esquerda), com os quais se aliaram para ter uma maioria no Parlamento catalão.
A chamada coincide com a partida de várias grandes empresas catalãs, o que também pode semear dúvidas entre alguns nacionalistas conservadores.

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Cerca de 15 empresas, incluindo o CaixaBank e o Banco de Sabadell, decidiram desde quinta-feira (5) transferir suas matrizes para fora da Catalunha, que representa 19% do PIB espanhol.
Empresas com sede na Catalunha "estão muito preocupadas, terrivelmente preocupadas. Nunca pensei que chegaríamos a este ponto", declarou ao jornal conservador "ABC" Juan Rosell, presidente da CEOE, organização dos principais empregadores espanhóis.
A independência tem conquistado terreno na Catalunha desde 2010, alimentada pela crise econômica e pelo cancelamento parcial de um status de autonomia que dava à região maiores poderes.
Mas, neste momento atual, ganhou uma intensidade sem precedentes, uma vez que os líderes separatistas da Catalunha organizaram esta consulta, que foi proibida pela Justiça, marcada pela violência policial, cujas imagens rodaram o mundo.
De acordo com o Executivo catalão, 2,04 milhões de pessoas votaram "sim" à independência em 1º de outubro, com participação de 43%, em resultado não verificável, na ausência de uma comissão eleitoral neutra.