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Casas Pernambucanas deixa o rentável mundo do comércio eletrônico

Em seu lugar, ficou um simples site institucional. A decisão vai na contramão de um intenso movimento de outras redes de varejo rumo ao universo digital.

15/08/2009 23:09

Desde o dia 31 de julho, os internautas que tentaram efetuar compras pelo site da Pernambucanas não conseguiram. Sem alarde e sem nenhuma explicação, a centenária rede varejista encerrou sua operação online, três anos depois de colocá-la no ar. Em seu lugar, ficou um simples site institucional. A decisão vai na contramão de um intenso movimento de outras redes de varejo rumo ao universo digital. Nos últimos meses, Wal-Mart e Casas Bahia iniciaram um serviço de venda pela internet.

O Carrefour se prepara para estrear sua loja virtual no início de 2010. Além disso, os números do comércio eletrônico de bens de consumo registram saltos contínuos. No primeiro semestre de 2009, o faturamento do setor cresceu 25% em comparação ao mesmo período de 2008, chegando a R$ 4,5 bilhões. A expectativa é de que esse número chegue a R$ 10,2 bilhões até o final do ano.

Diante disso, a pergunta que fica é: o afastamento da Casas Pernambucanas do rentável mundo das lojas.com é definitivo ou não? Há sinais de que a resposta pode ser qualquer uma das duas. A desistência do e-commerce veio logo que o patrono da ideia, Marcelo Silva, o presidente, deixou a empresa.

Isso poderia significar que o portal não voltaria ao ar. Por outro lado, a DINHEIRO apurou que o retorno da loja online pode acontecer em breve, com foco na venda de eletroeletrônicos. A atual página na internet teria, portanto, vida curta. "No formato atual, parece uma página provisória.

Se fosse definitivo, seria em outro modelo", afirma o dono de uma agência de mídia digital. Mas por que a empresa não deu continuidade ao serviço até a entrada do novo site no ar? Tudo indica que houve um erro de planejamento. A gestão do antigo portal estava entregue à Tesla Tecnologia, uma das maiores agências digitais do País.

Um novo site teria sido encomendado a uma outra agência. Só que o projeto atrasou e não foi entregue antes que o contrato com a Tesla expirasse. Assim, a Pernambucanas ficou sem nenhum dos dois portais, o antigo e o novo. Um tropeço que pode custar caro à empresa. "O espaço que foi aberto pela saída da pernambucanas. com será rapidamente ocupado por outras empresas", alerta Pedro Guasti, diretor geral da e-Bit, analista do comércio eletrônico brasileiro.

A Casas Pernambucanas sempre foi uma empresa extremamente conservadora. Atualmente, a companhia é dirigida pela herdeira e maior acionista do grupo Arthur Lundgren Tecidos S.A., Anita Louise Regina Harley. A septagenária Anita nunca se casou e mora num apartamento enorme na companhia de um gato. Avessa a qualquer tipo de exposição, instituiu uma lei do silêncio entre seus executivos. Todos estão proibidos de falar com a imprensa.

A companhia foi procurada diversas vezes pela reportagem da DINHEIRO, mas não se pronunciou. Apenas a alta diretoria tem acesso a ela. E mesmo assim, nada acontece na empresa sem o seu aval. A entrada na internet é mérito de Marcelo Silva, ex-presidente da cadeia de supermercados G. Barbosa. O executivo foi contratado em 2003 para rejuvenescer a marca.

O resultado foi uma bem-sucedida campanha digital. "O nível de satisfação do usuário da loja virtual da Casas Pernambucanas sempre foi muito elevado", garante Guasti. Desde que entrou no ar, a audiência do comércio eletrônico da empresa manteve um bom desempenho entre as redes de varejo - levando em consideração o tamanho de sua participação na economia real (ver quadro "O desempenho das lojas.com").

Mesmo assim, internamente, a companhia alegou que encerraria o serviço na internet por conta de sucessivos prejuízos. Agora é esperar para ver até quando o conservadorismo de Anita poderá manter a empresa fora da internet. Fonte: Revista ISTOÉ
Edição: Portal O Dia
Por: Portal O Dia

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