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Brasil volta a perder postos de emprego com carteira assinada em março

País fechou mais de 63 mil vagas de trabalho com carteira assinada no mês de março, após ter criado 40 mil vagas em fevereiro.

20/04/2017 17:59h

Depois de gerar empregos em fevereiro, a economia brasileira voltou a demitir mais do que contratar em março. No mês de março, as demissões superaram as contratações em 63.624 vagas. Os números do emprego divulgados nesta quinta-feira (20) têm como base o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

A redução das 63.624 vagas de emprego é resultado de 1.261.332 admissões e de 1.324.956 demissões em março. No acumulado do primeiro trimestre de 2017, o país registrou o fechamento de 64.378 postos de trabalho.

No mês de fevereiro, após 22 meses de queda no número de postos de trabalho formal, o Brasil voltou a gerar emprego, com um saldo de 35.612 novos postos de trabalho com carteira assinada. Na série ajustada, divulgada nesta quinta, o número de fevereiro subiu para uma criação de 40.147 vagas.

(Foto: Arte G1)

Melhora ante março de 2016

Apesar do resultado negativo, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou que os dados mostram alguns sinais positivos. Segundo ele, o número de vagas fechadas em março de 2017 foi muito menor do que os de março de 2016, quando o país fechou 118.776 postos de trabalho (na série com ajuste foram 114.522 vagas perdidas). “Sinaliza que aquela tendência de perda de emprego caiu pela metade”, afirmou o ministro.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, 7 dos 8 setores de atividade econômica fecharam postos de trabalho, só a administração pública gerou emprego formal. Segundo Nogueira, isso deve-se a um efeito sazonal. “Março é final de férias, é um mês que historicamente não tem bons resultados!”, afirmou.

Ao ser questionado se a comemoração do resultado de fevereiro foi precipitada, o ministro afirmou que não, e que qualquer resultado positivo precisa ser comemorado. Na divulgação de fevereiro, quando o Brasil gerou postos de emprego formal pela primeira vez depois de 22 meses de resultados negativos, a divulgação foi feita no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Michel Temer.

O coordenador do Caged, Mario Magalhães, afirmou que o mês de fevereiro, que apresentou resultado positivo, antecipou uma tendência de recuperação mais forte, mas que março retomou o ritmo que estava sendo verificado desde o final de 2016 que é o de redução no número de demissões. “Não há motivos para pessimismo. Março não confirma a tendência de recuperação mais forte, mas mantém a tendência de recuperação. Não chega a ser uma frustração”, afirmou.

Cortes por setores

Entre os 7 setores que demitiram mais do que contrataram o comércio fechou 33.909 postos de emprego formal; serviço fechou 17.086 vagas; construção civil ficou com saldo negativo de 9.059 vagas; indústria de transformação fechou 3.499 postos de trabalho e a agricultura fechou 3.471 vagas.

Segundo o coordenador do Caged, Mário Magalhães, o resultado negativo do setor de serviços tem um forte componente sazonal. “Em todos os meses de março, o comércio atacadista tem um resultado negativo forte”, afirmou.

Magalhães disse, no entanto, que apesar de esperar um resultado negativo no comércio em março, houve um resultado acima do esperado. Em março, o setor de serviços fechou 17.086 postos de emprego com carteira assinada.

Na agricultura, explicou, a criação de bovinos fechou 1.917, o cultivo de frutas de lavouras – exceto laranja e uva – fechou 4.518 postos, o cultivo de soja demitiu 2,987 trabalhadores a mais do que contratou e o cultivo da laranja fechou 2.751 postos. Magalhães explicou que o resultado negativo na criação de bovinos não é um efeito da Operação Carne Fraca, segundo ele, em março o setor sempre apresenta resultados negativos. “Não houve nada fora do normal”, disse.

Salários

Magalhães afirmou que no primeiro trimestre de 2017 houve uma reversão da tendência de queda do salário de admissão. O coordenador do Caged explicou que desde 2014 havia uma tendência de queda, mas que no primeiro trimestre desse ano isso foi revertido.

De acordo com Magalhães, isso deve-se ao aumento do salário mínimo e também à redução da inflação. “Em 2016 a crise estava mais contundente e você contratava as pessoas por um salário menor”, disse.

Em 2016, o país fechou 1,32 milhão de vagas formais. Apesar de o número ainda ser alto, houve uma pequena melhora em relação ao ano de 2015, quando 1,54 milhão de brasileiros perderam o emprego com carteira assinada.

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego no Brasil subiu para novo recorde de 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro, atingindo 13,5 milhões de brasileiros, reflexo do aumento da procura por vagas e do corte de postos.

Fonte: G1

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