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Notícias Economia

16 de dezembro de 2017

Governo planeja participação do setor privado na Infraero

Governo planeja leiloar mais 13 aeroportos sob controle da estatal. Ao G1, ministro dos Transportes disse que Infraero pode passar a ter controle privado.

O governo deve fechar, ainda no primeiro trimestre de 2018, uma proposta para permitir a entrada de capital privado na Infraero, estatal que administra os principais aeroportos públicos no país.

Ao G1, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, falou sobre o estudo que está sendo feito por uma consultoria na Infraero e que vai apontar caminhos para a empresa se tornar "mais eficiente e mais enxuta."

Quintella disse que o governo já teve acesso a parte das conclusões do estudo, que deve ser finalizado neste mês. Segundo ele, o estudo "aponta claramente que nós devemos aproximar a Infraero do setor privado".

De acordo com o ministro, essa "aproximação" poderá ser feita de duas maneiras:

- abertura pelo governo de capital da Infraero, processo conhecido como IPO (sigla em inglês de Initial Public Offering – oferta pública inicial de ações);

- venda de parte da estatal a investidores privados.

Se nessa operação o governo vai ou não abrir mão do controle da Infraero, ou seja, permitir a privatização da empresa, ainda não está decidido.

"Preliminarmente, nós achamos que o caminho que deverá ser apontado como mais vantajoso para a empresa e para o sistema seria o de venda de participação. Se majoritário ou minoritário, é uma decisão que vai ser tomada com base no mercado, na vantajosidade para a empresa e para o sistema [rede de aeroportos da Infraero]", disse.

Prejuízo

Em outubro, o governo anunciou a quarta rodada de concessão de aeroportos administrados pela Infraero.

Serão leiloados 13 terminais nesta nova fase: Maceió (AL), Bayeux (PB), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande (PB), Recife (PE), Várzea Grande (MT), Rondonópolis (MT), Sinop (MT), Alta Floresta (MT), Barra do Garças (MT), Vitória (ES) e Macaé (RJ).

Apesar de incluir, pela primeira vez, aeroportos pequenos e deficitários, a nova rodada também vai tirar da Infraero pelo menos mais dois aeroportos que registram lucro: Recife e Vitória.

Nas três rodadas anteriores, a Infraero já havia perdido alguns de seus aeroportos mais lucrativos, entre eles o de Guarulhos (SP), o maior do país, que foi a leilão na primeira rodada; o do Galeão (RJ), concedido na segunda rodada; e o de Porto Alegre, um dos quatro leiloados pelo governo na terceira rodada, no começo de 2017.

A perda de aeroportos lucrativos levou a uma forte queda nas receitas da empresa. De acordo com um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), essa redução foi de 48% apenas entre 2012 e 2016, ou seja, não inclui o impacto da saída dos aeroportos de Florianópolis, Salvador, Porto Alegre e Fortaleza, leiloados neste ano. No mesmo período, as despesas da Infraero caíram bem menos: 26,1%.

Essa situação vem obrigando o governo a fazer repasses de recursos para que a estatal consiga cumprir seus compromissos.

Apenas em 2016, as transferências somaram R$ 2,3 bilhões. Para complicar, isso ocorre num momento de aperto fiscal, em que as contas públicas vêm registrando rombos bilionários, e de corte nos investimentos e despesas.

Sustentabilidade

Ao final da quarta rodada de concessões, prevista para 2018, vão restar 42 aeroportos sob o controle da Infraero. Desses, apenas 16 são hoje superavitários, ou seja, geram lucro para a empresa. Os outros 26 aeroportos geram prejuízo.

"A União tem aumentado o repasse de recursos para a estatal a cada ano, o que, atrelado aos sucessivos resultados negativos do fluxo de caixa operacional, estabelece uma relação de dependência da empresa para manutenção de suas operações e investimentos para os próximos anos", diz o relatório da CGU sobre a Infraero.

O documento aponta que a situação por que passa a Infraero "gera impacto na sustentabilidade" da empresas para os próximos anos. Além disso, complementa o relatório, não há expectativa, por exemplo, de "elevação significativa de receitas" dos aeroportos deficitários que vão continuar sendo administrados pela estatal.

A CGU destaca ainda que "não há perspectiva, no curto prazo," de "redução relevante" nas despesas da Infraero com funcionários ou de que a empresa venha a receber dividendos pela sua participação nas concessões dos aeroportos de Guarulhos, Brasília, Confins (MG), Galeão e Campinas (SP).

Na entrevista ao G1, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, afirmou que o governo avalia a venda da participação acionária da Infraero nesses aeroportos, com exceção de Campinas, cuja concessão deve ser devolvida ao governo.

15 de dezembro de 2017

BR Distribuidora sobe quase 7% na estreia no Novo Mercado

A maior subsidiária da Petrobras conseguiu avançar 6,7% nesta sexta (15), enquanto a Bolsa terminou o dia perto da estabilidade e o dólar recuou para R$ 3,308.

A estreia da BR Distribuidora no Novo Mercado, segmento de regras mais rígidas da Bolsa, foi a segunda melhor entre as empresas que fizeram IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) neste ano. A maior subsidiária da Petrobras conseguiu avançar 6,7% nesta sexta (15), enquanto a Bolsa terminou o dia perto da estabilidade e o dólar recuou para R$ 3,308.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, fechou em alta de 0,25%, para 72.607 pontos. Na semana, teve queda foi de 0,17%.

No mercado cambial, o dólar comercial caiu 0,89%, para R$ 3,308. Na semana, subiu 0,36%. O dólar à vista se desvalorizou 0,90%, para R$ 3,310 –alta de 0,35% na semana.

As atenções dos investidores se detiveram na oferta inicial de ações da BR Distribuidora nesta sexta. Os papéis, que foram precificados a R$ 15, subiram 6,67%, para R$ 16.

Foi o segundo melhor desempenho de uma empresa em seu IPO -só ficou atrás das ações da resseguradora IRB Brasil, que subiram 7,53% em sua estreia na Bolsa. Até agora, a B3 teve nove IPOs no ano.

"O papel é interessante, a empresa tem uma estrutura sólida, mantém a sinergia com a Petrobras. A marca é bastante confiável e a gestão que está sendo feito é boa", diz Aldo Moniz, analista-chefe da Um Investimentos.

"Mas podemos ter volatilidade por causa da correlação com cenário político. A controladora é uma empresa estatal, não houve mudança de controle, mas há ainda influencia do governo. Na segunda (18) a gente vai ter uma movimentação mais justa, porque muita gente que entrou hoje tinha ficado de fora do IPO. É uma capitalização interessante para Petrobras e ajuda a imagem do governo", afirma.

Na cerimônia que antecedeu a estreia das ações, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que a BR Distribuidora tem "provavelmente a melhor governança" entre as companhias listadas no Novo Mercado.

No evento, o presidente da BR, Ivan de Sá, afirmou que o IPO coloca a empresa num patamar além do exigido pelo mercado. "Está num nível de governança corporativa sem igual no mercado brasileiro, é algo que nos orgulha e nos traz muita responsabilidade", afirmou.

Além da estreia da BR, os investidores também acompanharam a novela da reforma da Previdência. Após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmar o adiamento da data para fevereiro, o novo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que o Palácio do Planalto vai receber reivindicações para mudanças na proposta, mas ressaltou que não há compromisso com "qualquer tipo de flexibilização".

"A gente estava com um viés bem negativo nos últimos dias. O mercado está preocupado com a reforma, e esperamos que a Bolsa mantenha os 70 mil pontos, mas não descarto uma queda para 68 mil pontos", diz Moniz.

Os leilões de linhas de transmissão também foram acompanhados pelos analistas nesta sessão, e tiveram deságio médio de 40,5%, superando o desconto do leilão realizado em abril, que foi de 36,5%.

"Teve uma agressividade forte nos deságios, ainda mais num setor importante de atividade econômica, por ser um insumo para a indústria", diz o analista-chefe da Um Investimentos.

AÇÕES

Dos 59 papéis do Ibovespa, 34 subiram, 23 caíram e duas se mantiveram inalteradas.

A maior alta foi registrada pela Estácio Participações, com avanço de 4%. A Metalúrgica Gerdau se valorizou 3,62%, e a Klabin avançou 2,82%.

Na ponta contrária, as ações da Rumo se desvalorizaram 2,07%, e a Marfrig teve baixa de 1,60%.

Os papéis da Petrobras fecharam em baixa, em dia sem direção para os preços do petróleo. As ações ordinárias, com direito a voto, perderam 1,58%, para R$ 15,56. Os papéis preferenciais recuaram 0,40%, para R$ 14,95.

A mineradora Vale viu suas ações ordinárias subirem 1,79%, para R$ 36,89.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco fecharam estáveis. Os papéis preferenciais do Bradesco caíram 0,40%, e os ordinários recuaram 0,26%. O Banco do Brasil subiu 0,56%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil perderam 0,53%.

DÓLAR

A moeda americana ganhou força perante 19 das 31 principais divisas do mundo.

A perspectiva de aprovação da reforma tributária nos EUA ajudou a impulsionar a moeda americana nesta sessão, com a percepção de que o plano pode favorecer o crescimento da economia americana e fortalecer o dólar.

Aqui, o Banco Central vendeu os 14 mil contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), para rolagem dos contratos que vencem em janeiro. Até agora, rolou o equivalente a US$ 7,7 bilhões do total de US$ 9,638 bilhões que vencem no mês que vem.

O CDS, espécie de seguro contra calote do Brasil, recuou 0,48%, para 166,5 pontos.

No mercado de juros futuros, o contratos mais negociados fecharam em baixa. O contrato para janeiro de 2018 teve leve queda de 6,895% para 6,893%. O contrato para janeiro de 2019 se manteve estável em 6,940%.

Em 2016, 24,8 milhões de brasileiros viviam na miséria, 53% a mais que em 2014

Após o início da crise econômica no país, 8,6 milhões de brasileiros a mais passaram a viver com menos de ¼ do salário mínimo por mês. População com renda de até ½ salário mínimo chegou a 36,6 milhões de pessoas.

O Brasil encerrou o ano de 2016 com 24,8 milhões de brasileiros vivendo com renda inferior a ¼ do salário mínimo por mês, o equivalente a R$ 220. O resultado representa um aumento de 53% na comparação com 2014, quando teve início a crise econômica no país.

Isso significa que 12,1% da população do país vive na miséria, conforme aponta a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2016, o IBGE mudou a metodologia da SIS, passando a usar a amostra da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que reúne informações de 3.500 municípios. Antes, o IBGE usava a Pnad, que recolhe informações de cerca de 1.000 cidades. Por conta disso, o IBGE considera que nem todos os dados da pesquisa de 2016 são comparáveis com os anos anteriores. Todavia, é possível comparar as projeções relativas de cada uma das pesquisas, como o número de pessoas que vivem com cada faixa de renda.

 12,1% da população do país vive na miséria. (Foto: Arquivo O Dia)

Em 2014, o levantamento do IBGE mostrou que havia 16,2 milhões de brasileiros com rendimento mensal abaixo de ¼ do salário mínimo. Assim, aumentou em 8,6 milhões o número de pessoas com esta faixa de renda em 2 anos.

De acordo com a classificação adotada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), famílias com renda de até ¼ do salário mínimo per capita vivem na chamada "pobreza extrema". Aqueles que vivem com até meio salário vivem em "pobreza absoluta".

Considerando a faixa de rendimento per capita entre ¼ e ½ salário mínimo, em 2016 havia mais 36,6 milhões de brasileiros que poderiam ser classificados em situação de pobreza. Na comparação com 2014, aumentou em 2,1 milhões (6% a mais) o número de pessoas nesta condição.

Distribuição por regiões

O maior número de pessoas em extrema pobreza estava concentrado na região Nordeste – eram 13,1 milhões de pessoas vivendo com menos de ¼ do salário mínimo por mês na região. O menor contingente de pessoas nesta condição foi observado no Centro-Oeste – cerca de 900 mil pessoas (veja gráfico abaixo).

Outras classificações

Em nível internacional, o Banco Mundial considera como situação de pobreza extrema a linha de US$ 5,5 por dia para consumo individual. Em 2016, esse valor correspondia, no Brasil, ao rendimento mensal de R$ 387,15 por pessoa, de acordo com o IBGE.

Com base nesta classificação, havia no país 52,2 milhões de brasileiros em pobreza extrema. A maior proporção de pessoas nesta condição foi observada no Maranhão (52,4% da população local), e a menor em Santa Catarina (9,4% da população local).

Ainda com base nesta classificação do Banco Mundial, o IBGE destacou que 42 em cada 100 crianças com até 14 anos de idade viviam em situação de extrema pobreza, o que corresponde a 17,8 milhões de pessoas nesta faixa etária. “No mundo, 50% dos pobres têm até 18 anos”, enfatizou o instituto.

Desigualdade na distribuição de renda

Os dados reforçam a constatação histórica de que “o Brasil é um país de alta desigualdade de renda, inclusive quando comparado a outros países da América Latina, região do planeta onde a desigualdade é mais pronunciada”, segundo o IBGE..

Para fazer esta análise, o IBGE fez três bases de comparação a partir do rendimento médio mensal domiciliar per capita e concluiu que:

1% dos domicílios com maiores rendimentos tinha renda 38,4 vezes maior que 50% dos que têm menores rendimentos;

20% dos domicílios com maiores rendimentos tinham renda 18,3 vezes maior que 20% dos que têm menores rendimentos;

10% dos domicílios com maiores rendimentos tinham renda 16,3 vezes maior que 40% dos que têm menores rendimentos.

O IBGE observou, ainda, que se mantém no país a desigualdade de renda por cor ou raça. Em 2016, entre os 10% da população com os menores rendimentos, 78,5% eram pretos ou pardos. No outro extremo, ou seja, dentre os 10% da população com os maiores rendimentos, apenas 24,8% eram pretos ou pardos.

Condições de moradia

Outra variável usada pelo IBGE para avaliar a desigualdade econômico no Brasil foi observar as condições de moradia da população. Os principais indicadores avaliados dizem respeito à cobertura dos serviços de saneamento básico e, segundo o instituto, têm “cobertura significativamente menor entre a população com rendimento abaixo de 5,5 dólares por dia”.

De acordo com a pesquisa, 63,7% da população do país tinha acesso a esgotamento sanitário por rede coletora ou rede pluvial, 84,9% tinha o domicílio abastecido com água por rede geral de distribuição e 89,5% tinham coleta direta ou indireta de lixo. Já entre a população que vivia em situação de extrema pobreza estes percentuais foram, respectivamente, de 42,2%, 73,3% e 76,5%.

O acesso simultâneo aos três serviços básicos de saneamento foi de 62,1% para o total da população e de 40,4% para a parcela em situação de pobreza extrema. A Região Metropolitana de São Paulo foi a que apresentou a maior proporção de pessoas (95,2%) com acesso aos três serviços, enquanto a menor foi observada na Grande Teresina (7,4%).

Pobreza além da renda

Ao ampliar a análise da pobreza para além da renda, ou seja, para questões relacionadas à saneamento básico e educação, o IBGE constatou que, em 2016, 64,9% do total da população brasileira possuía ao menos uma característica que o colocava no que o IBGE classifica como “pobreza multidimensional”.

Rua com esgoto a céu aberto em Teresina. (Foto: Arquivo O Dia)

Segundo o IBGE, “a evolução de indicadores monetários pode diferir de indicadores não monetários de tal forma que o crescimento econômico não seja suficiente para garantir progresso”. A partir desta reflexão, o instituto avaliou, além da renda e do acesso a saneamento básico, o acesso à educação, à proteção social, à moradia adequada e à comunicação e concluiu que:

28,6% da população tinha restrição de acesso à educação

15,2% população tinha restrição de acesso à proteção social

12% da população tinha restrição de acesso às condições adequadas de moradia

37,9% da população tinha restrição de acesso aos serviços de saneamento básico

32,1% população tinha restrição de acesso à comunicação (internet)

O IBGE enfatizou que “o acesso a direitos é uma questão fundamental para se ter um desenvolvimento inclusivo” e que a análise destes dados “é relevante para direcionar políticas” públicas para se combater a pobreza no país.

Mais de 210 mil se tornaram miseráveis no PI após a crise econômica

Cerca de 780 mil pessoas viviam com renda inferior a R$ 220 em 2016. Em 2014, o número de miseráveis era de 568 mil piauienses.

A quantidade de miseráveis aumentou cerca de 37% desde 2014, período em que a crise econômica se agravou no Brasil. O comparativo da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) daquele ano com a de 2016, que foi divulgada hoje (15) pelo IBGE, revela que o Estado terminou o ano passado com 212 mil miseráveis a mais.


Foto: Elias Fontinele/ODIA

O Piauí possuía cerca de 780 mil pessoas vivendo com renda inferior a ¼ do salário mínimo vigente em 2016, ou seja R$ 220. Em 2014, o número de miseráveis era de aproximadamente 568 mil pessoas. Em termos percentuais, 24,3% dos piauienses estavam na condição de extrema miséria no ano passado. Dois anos antes, o índice era de 17,8%.

De acordo com os dados do SIS, mais de 75% da população do Estado ganhava até um salário mínimo, sendo que 48% tinha renda inferior a R$ 440 e cerca de 28 mil não tinham rendimento algum.

A maior faixa salarial, acima de cinco salários mínimos, ficou concentrada entre 1,6% dos piauienses, ou seja, pouco mais de 50 mil pessoas ganhavam a partir de R$ 4.400.

O Piauí ocupava o quarto lugar no ranking dos Estados com maior percentual de pessoas vivendo com menos de R$ 220 em 2016. Apenas no Acre, Pará, Amazonas e Maranhão o número de miseráveis era maior.

Considerando apenas as capitais, Teresina ocupa o quinto lugar entre aquelas que possuem mais pessoas ganhando até ¼ de salário mínimo. O índice é de 10,6% da população que vive na Capital. A situação só é pior em Rio Branco, Manaus, Macapá e São Luís.

O maior número de pessoas em extrema pobreza estava concentrado na região Nordeste em 2016. Eram 13,1 milhões de pessoas vivendo com menos de ¼ do salário mínimo por mês na região. O menor contingente de pessoas nesta condição foi observado no Centro-Oeste – cerca de 900 mil pessoas.

Número de jovens que não estudam nem trabalham cresce 20% em 4 anos

Mulheres têm 1,7 vez mais chance de ficarem sem estudo e sem ocupação que os homens na faixa de 16 a 29 anos.

O número de jovens de 16 a 29 anos que não estudam nem trabalham subiu de 34,2 milhões em 2012 para 41,25 milhões em 2016 - o equivalente a 25,8% do total de jovens brasileiros nessa faixa etária. Em quatro anos, esse grupo, que ficou conhecido como "nem nem", aumentou 20,5%.

Isso é o que aponta a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O que a gente constata é que esse aumento não é por conta da frequência escolar, mas pelo aumento da desocupação”, enfatizou Luanda Bortelho, analista da Coordenação de Indicadores Sociais do IBGE.

De acordo com a pesquisa, nestes quatro anos:

Número de jovens que apenas estudavam: aumentou 3,4 pontos percentuais

Número de jovens que apenas trabalhavam: caiu 5 pontos percentuais

Número de jovens que estudavam e trabalhavam: caiu 1,5 ponto percentual

O IBGE destacou, ainda, que entre 2012 e 2014 se manteve estável o percentual de jovens que não estudavam nem estavam ocupados. O salto desta população se deu, justamente, entre 2014 e 2016, período que corresponde à crise econômica no Brasil com consequente impacto no mercado de trabalho.

Desemprego entre os jovens

O crescimento dos "nem nem" está diretamente relacionado ao aumento do desemprego no Brasil, que afetou mais fortemente os jovens. Entre 2012 e 2016, saltou de 4 milhões para 6,3 milhões o número de jovens com idade entre 16 e 29 anos desempregados no país.

Isso representa um aumento de 57% do contingente de jovens desempregados e revela um dos principais efeitos da crise econômica pela qual passa o Brasil.

De acordo com o levantamento, no mesmo período, a população com mais de 16 anos cresceu apenas 6,5%, enquanto o contingente de desempregados aumentou 40,5%.

“Isso nos mostra que são os jovens que mais sofreram com os efeitos da crise no mercado de trabalho”, apontou a analista do IBGE, Cíntia Simões Agostinho.

Enquanto os jovens representam 28,2% da população com mais de 16 anos no país, eles respondem por 54,9% do total de desempregados. “Ou seja, de cada dois desempregados, um é jovem”, destacou a pesquisadora.

Segundo Cíntia, o desemprego mais frequente entre os jovens é um fenômeno mundial e histórico. “São muitos os fatores que interferem nesta situação como, por exemplo, a dificuldade destes jovens em se inserir no primeiro trabalho, ou mesmo de conciliar os estudos com uma ocupação profissional.”

Escolaridade e cor

Ao analisar o grupo de jovens que não estudam nem trabalham, o IBGE observou que algumas características deixam os jovens mais vulneráveis a esta condição. “A maior incidência dos que não estudam nem estão ocupados ocorre entre os pretos e pardos e entre aqueles com menor nível de escolaridade”, destacou Luanda. Segundo a pesquisa, do total de “nem nem”, 38,3% tinham ensino fundamental incompleto e 29,1% eram pretos ou pardos.

Todas as grandes regiões do país registraram aumento no número de jovens desocupados e sem estudar. O maior aumento foi observado no Nordeste (4,5 p.p.), e o menor no Sul (1,7 p.p.). Entre as 27 unidades da federação, o Amapá foi a única que registrou decréscimo desta população. “Lá, houve aumento da frequência escolar”, observou Luanda.

Gênero

A análise por gênero do grupo de jovens que não estudavam nem trabalhava revela, segundo o IBGE, que “a desigualdade entre o percentual de homens e o de mulheres de 16 a 29 anos que não estudam nem estão ocupados persiste ao longo da série histórica”.

De acordo com a pesquisa, dentre o total de jovens no país em 2016, 19% dos homens não estudavam nem estavam ocupados. Já entre as mulheres este percentual saltou para 32,7%.

“Assim, a gente pode afirmar que as mulheres têm 1,7 vez mais chance de estar não estudantes e não ocupadas que os homens”, afirmou Luanda Bortelho.

O IBGE ponderou que essa desigualdade de gênero não é exclusiva do caso brasileiro. Segundo o instituto, entre os países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as mulheres têm 1,4 vez mais chances de não estudar nem estar ocupadas que os homens. Na Turquia, as mulheres têm 3 vezes mais chances de estarem nesta condição que os homens, enquanto no México chega a 4 vezes mais.

“Por outro lado, há uma série de países em que tal desigualdade não se verifica, como Suécia e Bélgica, o que indica que é um problema que pode ser enfrentado por meio de políticas públicas adequadas. Na Espanha, inclusive, as mulheres tinham menor chance que os homens de estarem não estudantes e não ocupadas”, destacou o IBGE.

O IBGE ponderou, ainda, que entre o grupo dos “nem nem” há aqueles que fazem parte da força de trabalho e aqueles que estão fora dela. Com base nos conceitos estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), está fora da força de trabalho aquela pessoa que não procura por trabalho ou não tem disponibilidade para assumi-lo.

Afazeres domésticos e filhos prejudicam as mulheres

Os afazeres domésticos são a principal razão para que mulheres jovens deixem de trabalhar ou estudar, apontou a pesquisa do IBGE. Questionadas por que não tinham uma ocupação, 34,6% das mulheres disseram que tinham que cuidar de afazeres domésticos, de filhos ou de outros parentes.

Entre os homens, apenas 1,4% apontaram o mesmo motivo para estarem fora da força de trabalho. A grande maioria deles (44,4%) afirmou que não procuravam trabalho porque não havia oferta na localidade onde moram.

Em 2016 foi a primeira vez que o IBGE constatou a diminuição do percentual de homens fora da força de trabalho, o que significa que aumentou o número daqueles que desistiram de procurar alguma oportunidade no mercado.

“Esta é uma resposta subjetiva. Ou seja, tem a ver com a percepção do entrevistado. Precisamos avançar em próximas pesquisas para saber se, de fato, não havia oferta de trabalho próximo de onde esse jovem morava. Da mesma forma, podemos buscar saber, entre as mulheres, o número de filhos que elas têm, ou a idade deles, por exemplo”, ponderou a analista Cíntia Agostinho.

Intenção de investimentos da indústria avança 10,9 pontos

Segundo a FGV, “apesar do bom resultado, o número elevado de empresas prevendo estabilização dos investimentos nos próximos meses sinaliza que parte do setor continua em compasso de espera".

O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu 10,9 pontos no último trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. O índice, que mede o ímpeto de investimento dos empresários do setor, atingiu o patamar de 116 pontos, o maior nível desde o primeiro trimestre de 2014 (116,6 pontos).
O Índice de Intenção de Investimentos da Indústria mede o ímpeto de investimento dos empresários do setor (Foto: Arquivo / Agência Brasil)

Segundo a FGV, “apesar do bom resultado, o número elevado de empresas prevendo estabilização dos investimentos nos próximos meses sinaliza que parte do setor continua em compasso de espera e que uma aceleração mais expressiva dos investimentos dependerá da redução da incerteza econômica e política”.

As empresas que prevêem investir mais nos 12 meses seguintes passaram de 21,1% do total no terceiro trimestre para 26,6% no quarto trimestre. Já as que pretendem investir menos caíram de 16% para 10,6%. A proporção de empresas prevendo investir mais nos 12 meses seguintes superou a das que projetam investir menos, algo que não ocorria desde 2014.

A proporção de empresas, no quarto trimestre, certas quanto à execução do plano de investimentos ficou em 26,8% e superou a de empresas incertas: 25,3%. Ambos os percentuais são inferiores aos observados no trimestre anterior: certas (28,2%) e incertas (27,3%).

A FGV ainda considera elevado o percentual de empresas incertas, o que “sugere a possibilidade de que o ambiente econômico e político, ainda instável, continue atuando como fator de limitação à expansão dos investimentos nesta fase de recuperação da economia”.

Exportações da agropecuária brasileira crescem 115% em novembro

A indústria da transformação teve crescimento de 5,4%, enquanto a alta da indústria extrativa foi de apenas 0,2%.

O volume de exportações de produtos agropecuários brasileiros cresceu 115,2% em novembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O setor foi o principal responsável pela alta de 13,3% das exportações brasileiras no período, segundo dados do Indicador de Comércio Exterior, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A indústria da transformação teve crescimento de 5,4%, enquanto a alta da indústria extrativa foi de apenas 0,2%.

Entre as categorias de uso dos produtos exportados, a maior alta foi nos bens de consumo duráveis (27,8%). Em seguida, aparecem os bens intermediários, isto é, os insumos do setor produtivo (15,7%). As exportações dos bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos, caíram 10,7%.

O preço dos produtos exportados pelo país caiu 2,6% em novembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O principal responsável por esse movimento foi o recuo de 11% no preço da soja. O preço dos produtos agropecuários caiu 7,6%.

Importações

As importações brasileiras cresceram 20,2% em novembro, mais do que as exportações. A indústria extrativa teve alta de 37% nas importações, enquanto a indústria da transformação cresceu 17,9%. Entre as categorias de uso, a maior alta nas importações foi observada entre os bens de capital (57,8%). Os bens de consumo semiduráveis tiveram avanço de 28,2%.

Setor de serviços recua 0,8% de setembro para outubro, diz IBGE

Cinco dos seis segmentos tiveram queda no volume de serviços, com destaque para os serviços prestados às famílias.

O volume de serviços no país recuou 0,8% na passagem de setembro para outubro deste ano. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada hoje (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa foi a quarta queda consecutiva do indicador. Na comparação com outubro de 2016, o volume caiu 0,3%. O setor acumula quedas de 3,4% no ano e de 3,7% no período de 12 meses.

Cinco dos seis segmentos tiveram queda no volume de serviços, com destaque para os serviços prestados às famílias, que caíram 2,3%. Também tiveram recuos os serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,3%, setor que envolve alugueis não imobiliários – por exemplo, de carros – e gestão de ativos), os transportes e correios (-1%), outros serviços (-0,1%) e atividades turísticas (-1,5%). Os serviços de informação e comunicação foram o único segmento que teve alta (0,3%).

Entre as unidades da federação, as que tiveram as maiores quedas no volume de serviços prestados foram Piauí (-5,3%), Ceará (-4,9%) e Acre (-3,5%). Os estados da Bahia (2,8%), Sergipe (2,5%) e Distrito Federal (1,6%) tiveram as maiores altas.

Em relação à receita nominal, os serviços tiveram queda de 0,2% na comparação com setembro, mas cresceram 5% na comparação com outubro de 2016, 2,1% no acumulado do ano e 1,6% no acumulado de 12 meses.

14 de dezembro de 2017

Governo paga em novembro R$ 491 mi em dívidas atrasadas do RJ

Informação foi divulgada nesta quinta pelo Tesouro Nacional. Estado do Rio tem maior saldo devedor de empréstimos com garantias da União, mas assinou renegociação de dívida.

A Secretaria do Tesouro Nacional informou nesta quinta-feira (14) que a União pagou em novembro R$ 499 milhões em despesas atrasadas de estados e municípios.

Desse total, R$ 491 milhões eram relativos a compromissos do estado do Rio de Janeiro; R$ 5,66 milhões do Estado de Roraima e R$ 2,19 milhões do Município de Natal (RN).

Em crise financeira, o estado do Rio de Janeiro, que tem atrasado salários dos servidores, é a unidade da federação com maior saldo devedor de empréstimos com garantia da União.

Recentemente, porém, o estado homologou acordo de recuperação fiscal com a União (veja mais abaixo nesta reportagem).

Do valor total honrado pelo Tesouro Nacional em novembro, foram recuperados R$ 7,85 milhões (1,6% do total) por meio da execução das contragarantias previstas nos contratos - como receitas dos fundos de participação, ICMS, IPI Exportação, entre outros.

De acordo com o governo federal, além desse montante, há, ainda, um saldo de R$ R$ 2,65 bilhões a recuperar em garantias honradas do Rio de Janeiro, relativo a meses anteriores. Decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) impediram a União de executar as contragarantias desses valores.

"Com a adesão do Estado do Rio de Janeiro ao Regime de Recuperação Fiscal - instituído pela Lei Complementar nº 159/2017 e homologado em 5 de setembro deste ano - o montante honrado e não recuperado irá compor o saldo inicial da conta gráfica [que terá de ser quitada posteriormente]", informou o Tesouro.

Acordo do RJ com o governo federal

Após o acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro ser assinado com o governo federal no início de setembro, o governo do estado informou que os salários de servidores ativos, inativos e pensionistas seriam regularizados até novembro - o que ainda não aconteceu.

Para quitar o pagamento, o estado do Rio de Janeiro fechou um empréstimo com o banco BNP Paribas, em Brasília, no valor de R$ 2,9 bilhões. O valor vai garantir o pagamento dos salários atrasados e do décimo-terceiro de 2016 dos servidores.

O Ministério da Fazenda deu aval a negociação nesta quinta, mas ainda falta formalizar a medida. Uma vez aprovada, a medida deve ser publicada em Diário Oficial. Apenas depois de três dias a verba será liberada.

Com o acordo com a União, o estado do Rio de Janeiro suspendeu o pagamento de sua dívida com a União por até 36 meses e ficou liberado para buscar um empréstimo no mercado financeiro, com a garantia da União (contragarantia dos recursos de privatização da Cedae) para saldar suas dívidas com os servidores.

O acordo homologado contempla um ajuste total de R$ 63 bilhões até o final do ano de 2020, entre cortes de gastos, aumento de receitas, empréstimos e suspensão do pagamento da dívida com a União.

Para isso, porém, terá de levar aidante uma série de contrapartidas – ações que o governo fluminense terá que implementar em troca desse socorro - como autorizar a privatização de empresas estatais de qualquer setor. O estado também ficará proibido de conceder vantagem, aumento, reajuste ou adequação de salários a servidores, entre outros.

Como funcionam as garantias da União

O governo informou que, como garantidora de operações de crédito, a União, representada pelo Tesouro Nacional, é comunicada pelos credores de que parcelas de dívidas garantidas estão vencidas e não pagas.

"Diante da notificação, a União informa o mutuário da dívida para que se manifeste quanto aos atrasos nos pagamentos. Caso haja manifestação negativa em relação ao cumprimento das obrigações, a União paga os valores inadimplidos", explicou.

Após essa quitação, a União inicia o processo de recuperação de crédito na forma prevista contratualmente, ou seja, pela execução das contragarantias.

O Tesouro informou ainda que, sobre as obrigações em atraso, incidem juros e mora referentes ao período entre o vencimento da dívida e a efetiva honra dos valores pela União.

Governo sobe para 1,1% estimativa oficial de alta do PIB neste ano

Previsões de crescimento do PIB da equipe econômica superam as estimativas do mercado financeiro, que vê alta de 0,91% neste ano e de 2,6% para 2018.

O governo elevou sua estimativa oficial para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 0,5% para 1,1%, anunciou nesta quinta-feira (14) o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Esse valor está acima da previsão de crescimento do mercado financeiro para 2017, que é de 0,91%.

"Quero levar em conta os fatores que têm levado a essa expansão grande na taxa de crescimento. Em primeiro lugar, houve um processo de 'desalavancagem' das empresas [redução de dívidas], que começou no segundo semestre do ano passado, e as famílias também. Paralelamente, houve descompressão da política monetária [queda dos juros] do Banco Central, o que colaborou para o crescimento", avaliou Meirelles.

Ao mesmo tempo, a equipe econômica também elevou de 2% para 3% a previsão de expansão da economia em 2018.

Essa nova previsão do governo é superior à estimativa de expansão econômica do mercado financeiro, que projeta, até o momento, uma alta de 2,62% para 2018, e também do Congresso Nacional, que aprovou na quarta-feira um orçamento com uma estimativa de crescimento do PIB de 2,5% para o próximo ano.

"Achamos que é uma previsão bastante conservadora, bastante sólida. Existe em primeiro lugar um aumento da confiança grande, produto do controle fiscal, da aprovação do teto dos gastos, produto da aprovação das reformas em geral e todas as discussões em andamento", declarou o ministro Meirelles.

Segundo ele, houve aumento da confiança, aumento do investimento e aumento do consumo na economia brasileira.

"Temos uma conjugação de fatores positivos justificando isso. Confiança crescendo, expectativa de inflação controlada e todas essas reformas em andamento, levando a uma possível queda da taxa de juros estrutural da economia, que é o risco país. Tudo isso reflete nos indicadores. Tudo isso facilitando o investimento, o financiamento e o consumo", acrescentou Meirelles.

No dia 1º dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB no terceiro trimestre de 2017 cresceu 0,1%, comparado com os três meses anteriores. No acumulado do ano, até o terceiro semestre, o crescimento do PIB é de 0,6%.

Impacto da reforma da Previdência

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, afirmou que, sem a aprovação da reforma da Previdência Social, a estimativa de crescimento do PIB para o próximo ano cai de 3% para 2,85%.

"Se não aprovar a reforma da Previdência, vai mudar as condições financeiras e dá tempo de afetar o crescimento", explicou ele.

Segundo o secretário, o mercado considera que a chance de aprovar a reforma da Previdência no governo do presidente Michel Temer é de 1/3, ou seja, de apenas 33%.

"É um numero relevante para medir o PIB. Se a Previdência for aprovada, é um choque positivo maior do que a surpresa de não ser aprovada", declarou Kanczuk.

Por outro lado, com a aprovação da reforma pelo Congresso Nacional, ele afirmou que a previsão de alta do PIB do governo sobe de 3% para 3,3% em 2018.

Em 2015, sete municípios respondiam por 25% do PIB do país, mostra IBGE

A pesquisa do IBGE mostra desigualdades regionais, tanto do ponto de vista da concentração das riquezas quanto da distribuição entre a população.

Em 2015, apenas sete dos 5.570 municípios do país respondiam por aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país): São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Manaus. Palmas foi a capital com o menor PIB.

Os dados constam da pesquisa Produto Interno Bruto – PIB dos Municípios 2010-2015, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje (14). Os números indicam que, em 2015, esses sete municípios concentravam cerca de 14,3% da população brasileira, estimada na época em pouco mais de 204 milhões de pessoas.

A pesquisa do IBGE mostra desigualdades regionais, tanto do ponto de vista da concentração das riquezas quanto da distribuição entre a população. Indica, por exemplo, que em 2015, os dez municípios com os maiores PIB per capita somaram 1,3% de todo o produto brasileiro e apenas 0,1% da população do país.

O Produto Interno Bruto do Municípios 2010-2015 é um levantamento desenvolvido pelo IBGE em parceria com os órgãos estaduais de estatística, as secretarias estaduais de Governo e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e tem como referência o ano de 2010.

Maior PIB

O maior PIB per capita de 2015, que na média do país chegou a R$ 29,323 mil, foi o do município Presidente Kennedy, no Espírito Santo, com R$ 513,134 mil. Em seguida, pela ordem vêm os municípios de Paulínia e Louveira (ambos em São Paulo, com respectivamente, R$ 276,972 mil e R$ 271, 206 ); Triunfo (RS); Selvíria (MS); Gavião Peixoto e Ilha Bela (ambos também em São Paulo); São Francisco do Conde (BA); São João da Barra (RJ); e Araporã (MG). Na outra ponta, Novo Triunfo, na Bahia aparece como o município de menor renda per capita entre todos os 5.570 municípios da Federação: R$ 3 369,79.

Segundo o levantamento do IBGE, quando agregados, os 64 municípios de maior PIB concentram aproximadamente a metade do PIB nacional e 33,3% da população. Em contrapartida, os 1.353 municípios que em 2015 pertenciam à última faixa de influência sobre as riquezas do país, responderam por aproximadamente 1% do PIB e concentraram apenas 3,2% da população.

Encontravam-se nessa situação 73,2% dos municípios do Piauí, 59,6% dos municípios da Paraíba, 51,8% dos municípios do Tocantins e 48,5% dos municípios do Rio Grande do Norte. Para o IBGE, isso “mostra a concentração e a difusão espacial da geração do PIB brasileiro”.

A pesquisa revela que entre 2010 e 2015 não ocorreram alterações significativas entre os maiores municípios, "visto que juntos, os sete maiores correspondem a, aproximadamente, um quarto do PIB nacional e, entre eles, os cinco primeiros se mantiveram na mesma posição ao longo da série”.

Excluindo-se as capitais, 10 municípios geravam, individualmente, mais de 0,5% do PIB e juntos, chegavam a agregar 7,4% do Produto Interno Bruto do país em 2015. Desses 10 municípios, os sete primeiros têm em comum a integração entre a indústria e os serviços e são quase todos paulistas: Osasco, que gerou 1,1% em 2015; Campinas e Guarulhos, com 0,9% cada; Barueri, com 0,8%; São Bernardo do Campo e Jundiaí, com 0,7% cada; e São José dos Campos, com 0,6%. Em seguida, estão os municípios do Estado do Rio de Janeiro: Duque de Caxias e Campos dos Goytacazes, ambos com 0,6%, e Sorocaba, também em São Paulo, com 0,5%.

Os números mostram que em 2015, 3.170 municípios (o equivalente a 56,9% do total) tinham como principal atividade econômica a administração, defesa, educação, a saúde pública e seguridade social. Excluindo o serviço público, a agropecuária era a principal atividade econômica em 3.129 municípios – o equivalente a 56,2% do total.

Se em 2015 apenas 25 municípios concentravam em torno de 37,7% do PIB do país, por outro lado os municípios fora das capitais eram responsáveis por 66,9% deste total. Os números revelam ainda que entre 2014 e 2015 os municípios do Rio de Janeiro perderam participação na economia brasileira.

Os dados do IBGE indicam que entre 2002 e 2015, em 20 dos 26 estados da Federação o PIB per capita das capitais perdeu participação no PIB nacional, chegando a cair no período 2,9 pontos percentuais. A participação dos municípios fora das capitais subiu de 63,9% para 66,9% do PIB, um avanço de 3 pontos percentuais.

Abate de animais cresce no país no terceiro trimestre, aponta IBGE

O abate de bovinos chegou a 7,98 milhões de cabeças no 3º trimestre, 7,6% a mais do que no 2º trimestre e 9% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Os abates de bovinos, suínos e de frangos cresceram no país no terceiro trimestre deste ano. Segundo dados divulgados hoje (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve crescimento tanto na comparação com o segundo trimestre deste ano quanto em relação ao terceiro trimestre de 2016.
O abate de bovinos chegou a 7,98 milhões de cabeças no terceiro trimestre, 7,6% a mais do que no segundo trimestre (Foto: Marcello Casal Jr. / Arquivo Agência Brasil)

O abate de bovinos chegou a 7,98 milhões de cabeças no terceiro trimestre, 7,6% a mais do que no segundo trimestre e 9% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Segundo o IBGE, foram abatidos 11,03 milhões de cabeças de suínos, o que representa aumentos de 3,9% em relação ao segundo trimestre e de 2,9% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado.

O número de frangos abatidos chegou a 1,47 bilhão de cabeças, praticamente o mesmo número do terceiro trimestre de 2016, mas 3,3% a mais do que no segundo trimestre de 2017.

Também foram observadas altas na aquisição de leite pelas unidades processadoras, na produção de ovos e na aquisição de couro. No terceiro trimestre deste ano, foram produzidas 839,4 milhões de dúzias de ovos, um resultado 2,7% superior ao trimestre anterior e 7,7% maior do que o observado no terceiro trimestre de 2016.

A aquisição de leite (6,16 bilhões de litros) foi 9,1% maior do que no segundo trimestre deste ano e 5,4% superior ao terceiro trimestre de 2016. A aquisição de couro (8,7 milhões de unidades) cresceu 6,3% em relação ao segundo trimestre e 4,8% em relação ao terceiro trimestre.

Fazenda eleva projeção de crescimento da economia para 3% em 2018

Ministro destacou que as empresas e as famílias reduziram o endividamento, e as taxas de juros reais (descontada a inflação) está mais baixa, o que permite maior crescimento da economia.

O Ministério da Fazenda aumentou a projeção para o crescimento da economia para este ano e o próximo. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, passou de 0,5% para 1,1%, neste ano, e de 2% para 3%, em 2018. O anúncio foi feito há pouco pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

O ministro destacou que as empresas e as famílias reduziram o endividamento, e as taxas de juros reais (descontada a inflação) está mais baixa, o que permite maior crescimento da economia neste ano.

O ministro Henrique Meirelles (Foto: Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Para 2018, o ministro disse que é uma "projeção bastante conservadora, bastante sólida". Ele acrescentou que houve melhora na confiança e expectativa de inflação controlada o que leva a mais consumo e investimento.

Meirelles acrescentou que as projeções são baseadas nas condições do “momento da economia”. “Não podem ser posições conservadoras em excesso ou otimista em excesso”, disse.

A estimativa do mercado financeiro é que o PIB cresça 0,91%, este ano. Para 2018, a estimativa do mercado é 2,62%.

Nos nove meses de 2017, o PIB registrou crescimento acumulado de 0,6%, em relação a igual período de 2016.

Reforma da Previdência

Meirelles voltou a afirmar que a expectativa é que a reforma seja votada na próxima semana na Câmara dos Deputados. “Vamos trabalhar para ser aprovada semana que vem. Se, por ventura, não for possível, então esperamos que seja aprovada em fevereiro, março, no máximo”, destacou.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, disse que se a reforma da Previdência for aprovada, a estimativa de crescimento do PIB sobe de 3% para 3,3% em 2018, devido a mudanças nas condições no mercado financeiro. Caso a reforma não seja aprovada, a estimativa cai 0,15 ponto percentual, para 2,85%.

“Se a previdência for aprovada, é um choque positivo maior do que a surpresa de não ser aprovada”, acrescentou o secretário.

Segundo Kanczuk, o mercado financeiro considera que a probabilidade de a reforma da Previdência ser aprovada ainda no governo Temer é de um terço ou 33%.

PIB de Teresina caiu 0,78% em 2015, em relação ao ano anterior

Consideradas apenas as capitais brasileiras, Teresina apresentou uma queda no ranking do PIB, de 2014 para 2015 - passando da 19ª posição para a 21ª, respectivamente.

O Produto Interno Bruto (PIB) de Teresina caiu 0,78% em 2015, em comparação com o ano anterior, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (14) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e pela Fundação Cepro (Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí).

Em 2015, o PIB da capital piauiense ficou em R$ 17,62 bilhões, enquanto em 2014 havia chegado a R$ 17,76 bilhões. 

O levantamento do PIB dos Municípios foi realizado em parceria entre os órgãos estaduais de estatística, as secretarias estaduais e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). E a divulgação dos dados acontece em evento na Associação Piauiense de Municípios (APPM).

Em 2002, Teresina ocupava a 72ª colocação entre todos municípios no ranking nacional do PIB, com uma economia que correspondia a apenas 0,22% do PIB brasileiro. Em 2015, a capital piauiense passou a ocupar a 48ª posição, abrangendo 0,29% do PIB do país - uma melhoria de 24 posições no ranking. No entanto, em relação ao ano anterior a cidade caiu sete colocações, já que chegou à 41ª posição em 2014.

Ainda em 2002, a capital do Piauí estava na 12ª posição entre os municípios do Nordeste, correspondendo a 1,61% do PIB da região. Em 2015, Teresina melhorou três posições, passando à 9ª colocação, com 2,08% do PIB nordestino.

Em 2015, Teresina caiu no ranking do PIB das capitais

Consideradas apenas as capitais brasileiras, Teresina apresentou uma queda no ranking do PIB, de 2014 para 2015 - passando da 19ª posição para a 21ª, respectivamente.

Em 2015, Teresina teve, portanto, um PIB superior ao de apenas outras seis capitais do país: Aracajú (SE), Porto Velho (RO), Macapá (AP), Rio Branco (AC), Boa Vista (RR) e Palmas (TO).

Ainda no ano de 2015, o PIB de Teresina representava 45% do PIB de todo o estado do Piauí. Embora alto, o percentual é menor que o de 2010, quando a capital detinha 47,7% do PIB estadual.

Municípios com menor PIB do Brasil estão no Piauí

Outro dado negativo presente no levantamento refere-se ao fato de que os municípios com menores PIBs do Brasil estão localizados no Piauí: Miguel Leão, com R$ 11,43 milhões de PIB, e Santo Antônio dos Milagres, com R$ 12,01 milhões.

Além desses dois municípios, outros três completam a lista dos cinco menores PIBs do estado: Aroeira do Itaim, Olho d'Água do Piauí e São Miguel da Baixa Grande.

Todos os cinco têm a economia baseada na agropecuária de subsistência e são dependentes das transferências dos governos estadual e federal. Segundo o IBGE, mais de 70% do dinheiro que circula nesses municípios são provenientes dessas transferências.

Entre os 30 municípios com menores PIBs da região Nordeste, 17 são piauienses.

Baixa Grande do Ribeiro tem maior PIB per capita

No quesito PIB per capita (que corresponde à divisão do PIB pela população), Teresina ficou na 23ª posição entre as capitais brasileiras em 2015, com um PIB de R$ 20.879,75 por habitante. No estado, a capital ocupa a 8ª posição no ranking do PIB per capita.

O maior PIB per capita no Piauí é o de Baixa Grande do Ribeiro, com R$ 49.866,93 por habitante. Em seguida está Uruçuí, com R$ 48.817,46 por habitante. 

Na outra ponta da tabela, os municípios que detêm os menores PIBs per capita são: Cabeceiras (R$ 4.949,09 por habitante), Campo Largo do Piauí (R$ 5.012,24), São João do Arraial (R$ 5.089,90), Curralinhos (R$ 5.115,60) e Massapê do Piauí (R$ 5.119,14).

Uma característica em comum entre esses cinco municípios é o fato de apresentarem uma reduzida agregação de valor das atividades produtivas na economia, com forte dependência da administração pública.

Crise provocou queda generalizada no PIB dos municípios, avalia supervisor do IBGE

O ex-deputado Antônio José Medeiros, presidente da Fundação Cepro, reconheceu a queda no PIB de boa parte dos municípios piauienses, mas ressaltou que houve algumas altas, sobretudo na região dos cerrados, graças ao desenvolvimento do agronegócio.

Eyder Mendes, supervisor de documentação e disseminação de informações do IBGE, destacou que a crise econômica que atingiu o Brasil a partir de 2015 fez com que o Produto Interno Bruto de quase todos os municípios caísse. O resultado inclusive, já era esperado, uma vez que os dados referentes às economias dos estados brasileiros foram divulgados no último mês de novembro, apontando quedas nos PIBs de todas as unidades federativas. 

Ainda assim, ele observa que a capital piauiense conseguiu manter o PIB praticamente estável, apresentando apenas uma leve queda, de 2014 para 2015. 

"Houve uma queda no PIB de todos os municípios, praticamente. E isso foi um reflexo da crise econômica que assolou o país a partir de 2015. Com a apresentação desses dados, nós podemos checar como ficou a situação de cada um desses municípios e fazer uma comparação entre eles. Teresina, por exemplo, mesmo com o crescimento das despesas, manteve o PIB praticamente intacto, e ainda está entre os 64 municípios do Brasil que têm 50% do PIB do país, o que demonstra uma grande concentração de renda", avalia Eyder Mendes.

Maioria dos municípios do Piauí depende de transferências federais

O levantamento divulgado pelo IBGE e pela Fundação Cepro mostra também a manutenção de um cenário que vem se repetindo há décadas. As economias dos municípios piauienses ainda têm uma forte dependência das transferências feitas pelo Governo Federal.

"Seja através do Fundo de Participação dos Municípios, através da educação, através da saúde, enfim, boa parte dos municípios do Piauí ainda dependem de transferências federativas, e não teriam como sobreviver sem essas transferências", afirma Eyder Mendes.

O peso dos setores nas economias

O estudo do IBGE também aponta quais setores da economia tiveram mais peso nos municípios do estado. A pecuária, por exemplo, agregou mais valor aos PIBs de Baixa Grande do Ribeiro, de Uruçuí e de Ribeiro Gonçalves.

Já a indústria teve mais impacto nas economias de Teresina, Uruçuí e Parnaíba. Enquanto o setor de serviços se destacou na capital, em Parnaíba e em Picos.

13 de dezembro de 2017

Nubank abre em Berlim 1º escritório internacional

Quatro engenheiros foram levados para a Alemanha e trabalharão em espaço compartilhado.

Nubank anunciou nesta quarta-feira (13) a abertura de um escritório em Berlim, na Alemanha, que será o primeiro fora do Brasil da plataforma digital de cartões de crédito.

Os funcionários da unidade internacional trabalharão com engenharia de dados e na infraestrutura. Quatro engenheiros do Brasil foram deslocados para o posto, que funcionará em um espaço de trabalho compartilhado no bairro de Mitte.

"Berlim é uma capital altamente conectada com a comunidade de tecnologia de toda a Europa”, afirma Edward Wible, cofundador e diretor de operações do Nubank, em nota.

Dos 750 funcionários da empresa no Brasil, 110 são engenheiros. De acordo com a companhia, essa é a segunda maior área em termos de força de trabalho. Só perde para a de atendimento ao consumidor.

Nubank lança serviço de conta corrente digital

"Nós queremos nos conectar com a experiência e a inovação do mercado europeu, e assim alcançar mais engenheiros que tenham interesse no que estamos construindo aqui no Nubank", afirma Wible, ainda em nota.

Em outubro deste ano, o Nubank deu os primeiros passos para se transformar em um banco digital.

A empresa, que até então era caracterizada apenas pelo serviço de cartão crédito, passou a testar a oferta de contas correntes digitais. Pela regulamentação do Banco Central, as NuConta, no entanto, são apenas contas de pagamentos. Com isso, o Nubank continua sendo uma fintech (startups de tecnologia que atuam no setor financeiro).

Após mudanças no cartão de crédito, BC estuda alterações no débito

De acordo com o presidente do BC, foi criado um grupo de estudo para pesquisar o tema, com a possibilidade de estímulo ao uso do cartão de débito e a redução do custo para o lojista.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta quarta-feira (13) que, após as medidas que reduziram as taxas de juros no cartão de crédito, tomadas neste ano, a autoridade monetária estuda mudanças no cartão de débito.

De acordo com o presidente do BC, foi criado um grupo de estudo para pesquisar o tema, com a possibilidade de estímulo ao uso do cartão de débito e a redução do custo para o lojista.

"Estamos formando um grupo de estudo para pensar em como incentivar esse instrumento, se o custo é adequado. Acreditamos que é um instrumento válido, que pode economizar meios de pagamento em espécie. Ainda está no início".

O BC, ainda segundo Goldfajn, está realizando estudos sobre o que classificou como "nível estrutural" do compulsório (depósitos que os bancos são obrigados a deixar recolhidos no BC, ou seja, que não podem emprestar livremente).

"O objetivo é a redução do custo estrutural do compulsório. Não pensar como medida de política monetária, mas pensar de forma estrutural. A ideia é ir para baixo, não ficar para cima nem ficar parado", disse.

BOLHA E PIRÂMIDE

Goldfajn declarou ainda que o risco de bolha de moedas virtuais, como o bitcoin, é elevado e que essa ameaça é comparável às dos esquemas de pirâmides, em que o ganho inicial é muito alto com quedas no futuro.

"Hoje essas moedas têm duas funcionalidades. Primeiro, comprar e vender para frente, e aproveitar a subida se ocorrer. É a típica bolha, pirâmide, que em algum momento vai subir e depois voltar. Não é algo que devemos dar suporte", declarou.

O presidente do BC, que participou nesta manhã de café da manhã com jornalistas, declarou ainda que as moedas virtuais são usadas como "instrumentos de atividades ilícitas".

A autoridade monetária já havia alertado no mês passado para o risco de usar as moedas virtuais como forma de investimento.

O alerta foi para a possibilidade de perda de todo o capital investido, já que a variação de preços é alta e está sujeita "a riscos imponderáveis", afirmou a autarquia.

"[As criptomoedas] não são emitidas nem garantidas por qualquer autoridade monetária, por isso não têm garantia de conversão para moedas soberanas, e tampouco são lastreadas em ativo real de qualquer espécie, ficando todo o risco com os detentores", disse a nota.

Oi apresenta novo plano de recuperação judicial à Justiça

Detentores de títulos terão permissão para negociar sua dívida por até 75% do capital da operadora.

A empresa de telecomunicações Oi SA protocolou na terça-feira (12) uma nova versão do plano de recuperação judicial à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, com termos mais favoráveis para os detentores de bônus e credores governamentais em uma tentativa de conseguir a aprovação em uma reunião de credores marcada para 19 de dezembro.

A Oi disse em fato relevante, divulgado na noite de terça-feira, que os detentores de títulos terão permissão para negociar sua dívida por até 75% do capital da operadora, permitindo que a Oi seja efetivamente adquirida pelos credores.

A versão anterior do documento, preparada antes do empresário Nelson Tanure e o acionista português Pharol serem barrados pelo juiz da recuperação da empresa de participarem de sua elaboração, limitava a troca de dívida a 25% do capital da companhia e foi fortemente criticado pelos detentores de títulos.

A empresa também mudou os termos de reestruturação para os créditos da agência reguladora Anatel. As multas serão pagas em 20 anos, com ajuste taxa básica de juros, a Selic.

A Oi disse que um grupo de titulares de bônus confirmou estar disposto "a prontamente fornecer ou obter compromissos firmes de garantia da subscrição integral do aumento de capital de R$ 4 bilhões de reais previsto no plano".

Os novos termos tornam mais provável a aprovação do plano na primeira convocação da assembleia de credores da empresa, marcada para a próxima terça-feira (19).

“Chegamos a um patamar de conversão de dívida em ações considerando um equilíbrio entre o valor econômico para os acionistas e a recuperação de crédito para o credores. Entendemos que é a equação possível e que viabiliza um plano de negócios sustentável para a companhia e a aprovação do Plano em assembleia de credores”, avaliou o presidente da Oi, Eurico Teles, que assumiu o cargo no final de novembro, após renúncia de Marco Schroeder, em meio ao impasse e pressão por parte de acionistas.

Assembleia

No dia 30 de novembro, a Justiça do Rio de Janeiro voltou a adiar a assembleia de credores da operadora e manteve decisão de impedir alguns diretores da companhia de interferirem no processo. A primeira convocação da reunião, que pode decidir o futuro da operadora responsável pelo maior pedido de recuperação judicial da história do país, foi adiada de 7 para 19 de dezembro.

Comércio varejista tem queda de 0,9% em outubro

Dos oito setores pesquisados, cinco tiveram queda no volume de vendas de setembro para outubro, com destaque para os artigos de uso pessoal e doméstico (-3,5%).

O volume de vendas do comércio varejista teve queda de 0,9% de setembro para outubro deste ano, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada hoje (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo ocorreu depois de uma alta de 0,3% observada em setembro, na comparação com o mês anterior.

Cinco setores apresentaram queda de setembro para outubro

Na média móvel trimestral, o comércio teve queda de 0,4%. Nos outros tipos de comparação temporal, no entanto, o comércio teve as seguintes altas: na comparação com outubro de 2016 (2,5%), no acumulado do ano (1,4%) e no acumulado de 12 meses (0,3%).

Dos oito setores pesquisados, cinco tiveram queda no volume de vendas de setembro para outubro, com destaque para os artigos de uso pessoal e doméstico (-3,5%). Os demais setores em queda foram tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), móveis e eletrodomésticos (-2,3%), artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (-0,7%) e supermercados, alimentos, bebidas e fumo (-0,3%).

Três atividades tiveram alta: combustíveis e lubrificantes (2,4%), livros, revista e papelaria (2,4%) e equipamentos e material de informática, escritório e comunicação (3,4%).

O comércio varejista ampliado, que também inclui os resultados dos setores de veículos e materiais de construção, teve queda de 1,4% de setembro para outubro. Os veículos, motos, partes e peças recuaram 1,9% e os materiais de construção, 1%.

Nos outros tipos de comparação temporal, o varejo ampliado teve os seguintes resultados: média móvel trimestral (-0,2%), comparação com outubro de 2016 (7,5%), acumulado do ano (3,2%) e acumulado de 12 meses (1,4%).

Receita nominal

A receita nominal do comércio varejista apresentou queda de 0,5% de setembro para outubro e altas de 0,1% na média móvel trimestral, 1% na comparação com outubro do ano passado, 1,9% no acumulado do ano e 2,1% no acumulado de 12 meses.

Já a receita do varejo ampliado caiu 1,4% de setembro para outubro e avançou 0,1% na média móvel trimestral, 5,4% na comparação com outubro de 2016, 3,1% no acumulado do ano e 2,5% no acumulado de 12 meses.

Entenda o acordo que vai compensar perdas da poupança com planos econômicos

Os pagamentos serão feitos de acordo com as faixas de valor a receber.

Representantes de consumidores e dos bancos firmaram acordo para ressarcimento dos poupadores que sofreram perdas com os planos econômicos Bresser (1987), Verão (1989) e Collor 2 (1991) e ingressaram com ações coletivas e individuais na Justiça. 

A Advocacia-Geral da União (AGU) também participou das negociações, assim como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Frente Brasileira dos Poupadores (Febrapo) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). 

Veja abaixo quais as regras para o ressarcimento: 

Quem tem direito a receber?

Os poupadores que ingressaram com ações coletivas e individuais na Justiça pedindo o ressarcimento. No caso das individuais, poupadores ou herdeiros que acionaram a Justiça dentro do prazo prescricional (20 anos da edição de cada plano) também poderão receber os valores. Ainda poderão aderir os poupadores que, com ações civis públicas, entraram com execução de sentença coletiva até 31 de dezembro de 2016.

Quem não entrou com ação na Justiça terá direito a receber? Pode ingressar com ação agora?

Não. O prazo para ingressar com ações desse tipo prescreveu.

E quem entrou com ação e perdeu pode apresentar um recurso?

Não.

É obrigatório aderir ao acordo?

Não, a adesão do poupador é voluntária. Após a adesão, a ação judicial será extinta.

Como vai ser o pagamento?

Os pagamentos serão feitos de acordo com as faixas de valor a receber. 

Quem tem direito a até R$ 5 mil receberá à vista e integral, sem desconto. Entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, uma parcela à vista e duas semestrais, com abatimento de 8% de desconto.

A partir de R$ 10 mil, uma à vista e quatro semestrais, com desconto de 14%. Já aqueles que tenham direito a receber mais de R$ 20 mil, terão 19% do valor descontado.

A correção para os pagamentos semestrais será feita pelo IPCA, índice da inflação oficial.

Não será necessário se dirigir ao banco para receber os valores. O pagamento será feito em conta-corrente do poupador ou por meio de depósito judicial. Os honorários serão pagos diretamente aos advogados.

O prazo máximo de parcelamento dos valores a serem recebidos pelos poupadores será de três anos. Não haverá antecipação de pagamentos. 

Como faço para receber?

Para aderir, o poupador deverá acessar um sistema eletrônico. Ele precisará comprovar a existência e o saldo da conta de poupança, através de cópia dos extratos bancários do período ou da declaração do Imposto de Renda. O banco vai conferir os dados e pode validar, devolver ou negar. Em caso de negativa, o poupador pode pedir uma nova análise. Após o processamento, será divulgada uma lista dos poupadores habilitados. 

Quando terá início o pagamento?

Para entrar em vigor, o acordo precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os pagamento começam em até 15 dias após a validação das habilitações pelos bancos a partir da homologação pelo Supremo. Não há prazo para que a homologação seja feita.

Quem vai receber primeiro?

O calendário de pagamento será feito conforme a idade dos poupadores. Os mais velhos terão prioridade. Aqueles que executaram as ações em 2016 receberão somente no 11º lote, o último. 

Herdeiros de poupadores têm direito a receber?

Sim, desde que tenha havido ação judicial em nome do espólio. Os dados do poupador falecido e do advogado precisam ser apresentados, assim como dados completos do inventariante ou dos herdeiros e dados do processo. 

Se não houver herdeiros, hão há como aderir ao acordo.

Quais instituições aderiram ao acordo?

As instituições financeiras que irão aderir ao acordo são: Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Outras poderão aderir em até 90 dias. 

Por que o plano Collor 1 ficou de fora?

As partes reconheceram a inexistência de direito de receber qualquer pagamento, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STF).

12 de dezembro de 2017

Em votação intensiva, Senado aprova projetos com impacto econômico

O esforço na votação ocorre diante da proximidade do recesso parlamentar.

O plenário do Senado fez um "intensivão" e conseguiu aprovar nove projetos em sessão realizada nesta terça-feira (12), número superior ao que a Casa vinha aprovando nos últimos meses.

Foram priorizados projetos econômicos, como um texto que permite a capitalização da Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e a prorrogação do prazo para que Estados e municípios paguem suas dívidas.

O esforço na votação ocorre diante da proximidade do recesso parlamentar. Oficialmente, as atividades do Legislativo se encerram no dia 23 de dezembro. Porém, a expectativa é de que as últimas votações deste ano ocorram um pouco antes disso, logo após a apreciação do Orçamento de 2018, o que deve ocorrer na próxima terça (19).

Os senadores aprovaram uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que estende de 2020 para 2024 o prazo para que municípios, Estados e o Distrito paguem precatórios. Como o texto já foi aprovado na Câmara, agora segue para promulgação.

Foi apreciada ainda uma Medida Provisória do Repetro, que prevê benefícios fiscais -inclusive na forma de isenções para a importação de máquinas e equipamentos- a petrolíferas que atuarão nas camadas pré-sal e pós-sal. Por ter sofrido uma alteração no Senado, a PEC volta à Câmara, onde passará por nova análise.

Outro projeto importante é o que autoriza que a Caixa receba recursos do FGTS para se capitalizar. O texto tem como objetivo atender uma demanda do governo, que enfrenta dificuldades em fazer investimentos no banco.

Devido às regras previstas no acordo de Basileia III -um acordo internacional que visa garantir solidez ao sistema financeiro- a partir de 2018, a Caixa só poderá fazer empréstimos se tiver mais dinheiro próprio para garanti-los.

O projeto sofreu alterações feitas pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado. De acordo com o peemedebista, as mudanças foram feitas para adequar o texto às exigências do TCU (Tribunal de Contas da União), que vinha fazendo críticas à proposta. Com isso, será necessária nova apreciação pelos deputados.

O plenário do Senado aprovou medidas ainda que alteram o quadro da Marinha Brasileira, e que criam um Fundo para Segurança Pública, além de uma Medida Provisória que prevê incentivos para audiovisual.

CLIMA DE ENCERRAMENTO

O Senado se prepara para encerrar as atividades já na próxima semana. Nesta terça, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), oferece um jantar de encerramento em sua residência. Além de senadores, o presidente Michel Temer e Rodrigo Maia (DEM-RJ), que comanda a Câmara, devem estar presentes.

A Casa realizou também nesta terça uma missa em celebração do fim do ano legislativo. As atividades parlamentares serão retomadas em fevereiro do ano que vem.

Dólar testa R$ 3,33 e fecha no maior patamar desde junho; Bolsa sobe

A alta do dólar foi puxada pelo possível aumento de juros nos Estados Unidos, que pode atrair para o país recursos hoje aplicados emergentes como o Brasil.

O dólar acompanhou o exterior nesta terça-feira (12) e registrou valorização de quase 1%, antes da reunião de política monetária do banco central americano que deve aumentar os juros nos Estados Unidos pela terceira vez em 2017.

O dólar comercial se valorizou 0,93%, para R$ 3,329, atingindo o maior patamar desde 23 de junho deste ano, quando foi cotado a R$ 3,339. O dólar à vista teve alta de 0,96%, para R$ 3,331.

Na Bolsa brasileira, a sessão foi de forte instabilidade, mas o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, subiu 1,39%, para 73.813,53 pontos. O volume financeiro negociado no dia foi de quase R$ 8 bilhões.

A alta do dólar foi puxada pelo possível aumento de juros nos Estados Unidos, que pode atrair para o país recursos hoje aplicados emergentes como o Brasil.

Na reunião desta quarta (13), o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve elevar os juros para a faixa entre 1,25% e 1,5%. Está previsto também discurso da atual presidente do Fed, Janet Yellen, e projeções para a economia americana nos próximos anos.

"O que a Yellen vai falar é pouco relevante e a alta dos juros está nos preços. O mais importante são as projeções de membros do Fed quanto à taxa de juros", diz Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

Além disso, segue no radar dos investidores o esforço que o governo está fazendo para votar a Previdência neste ano, apesar de o próprio governo começar a acenar com a possibilidade de discutir o assunto somente em fevereiro, após o fim do recesso parlamentar.

Nesta terça, o presidente Michel Temer afirmou que, se não houver votos neste ano, tentará marcar uma nova data para a reforma da Previdência em fevereiro.

"A gente está cético, não achamos que vai passar ou avançar. Se não passar pode ter piora de mercado, mas o impacto será bem mais positivo com a aprovação do que negativo com a rejeição", diz Crespo.

AÇÕES

Das 59 ações do Ibovespa, 50 subiram e 9 caíram.

A maior alta do dia (+5,43%) foi das ações da construtora MRV, que divulgou a retomada de lançamentos voltados para a média renda, depois de um período dedicado quase exclusivamente ao segmento do Minha Casa Minha Vida.

Em seguida vieram os papéis da Estácio, que avançaram 4,62%. Na noite desta segunda-feira (11), o grupo de ensino superior conseguiu derrubar uma liminar que suspendia parte das 1.200 demissões de professores que a empresa anunciou na semana passada.

Em terreno negativo, as ações da Rumo recuaram 1,95%. Os papéis da Raia Drogasil tiveram baixa de 1,57%, e a Usiminas se desvalorizou 0,67%.

As ações da Petrobras se valorizaram, apesar da queda dos preços do petróleo.

Os papéis mais negociados da estatal subiram 1,37%, a R$ 16,19. As ações que dão direito a voto tiveram ganho de 0,72%, para R$ 15,49.

A mineradora Vale teve alta de de 1,17%, para R$ 36,18.

Entre os bancos, o Itaú Unibanco subiu 0,8%. As ações preferenciais do Bradesco registraram alta de 1,97%, e as ordinárias subiram 2,03%. O Banco do Brasil avançou 2,22%. As units -conjunto de ações- do Santander Brasil subiram 1,77%.

DÓLAR

No mercado cambial, o dólar ganhou força ante 24 das 31 principais divisas do mundo.

O Banco Central realizou novo leilão de linha, de venda com compromisso de recompra. Foram vendidos US$ 2 bilhões ofertados, mesmo valor negociado em 5 de dezembro.

Além disso, o BC deu continuidade a seus leilões de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Foram vendidos 14 mil contratos para rolagem do vencimento de janeiro. Até agora, rolou o equivalente a US$ 5,6 bilhões do total de US$ 9,638 bilhões que vencem no mês que vem.

O CDS (credit default swap, espécie de seguro contra calote) do Brasil caiu 0,65%, para 166,5 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados terminaram com sinais distintos. O contrato com vencimento em janeiro de 2018 avançou de 6,893% para 6,895%. O contrato para janeiro de 2019 recuou de 6,990% para 6,970%.

64% da população já se aposenta por idade, diz ministro do Planejamento

A reforma da Previdência, que o governo tenta aprovar ainda neste ano, prevê que a idade mínima de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens seja obrigatória.

Quase 64% dos brasileiros, cujos benefícios previdenciários são iguais a um salário mínimo, já se aposentam por idade no Brasil, afirmou o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, durante apresentação na CMO (Comissão Mista de Orçamento) nesta terça-feira (12).

No Norte e Nordeste, destacou ele, esse percentual é de 85%.

A dez dias do fim do prazo para a aprovação da reforma em 2017, o ministro destacou aos parlamentares da comissão que essa é a parcela mais pobre da população, que tem dificuldade de se aposentar por tempo de contribuição porque tem menos acesso a empregos com carteira assinada.

"É um sistema que tira de quem ganha menos para dar a quem ganha mais", afirmou Oliveira. "[A reforma da Previdência] é uma questão de Justiça, simples assim. Quem se opõe à reforma só tem um interesse: manter privilégios", completou.

A reforma da Previdência, que o governo tenta aprovar ainda neste ano, prevê que a idade mínima de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens seja obrigatória.

SEM PAPAI NOEL

Respondendo aos argumentos dos parlamentares presentes de que há outras fontes de recursos para evitar mexer na Previdência, como acabar com a sonegação de impostos, o ministro declarou que a Receita Federal tem mais de 30 mil servidores dedicados a cobrar tributos não pagos.

"Uma forma de lidar com o problema é acreditar na realidade, outra é acreditar que existe Papai Noel. Eu não acredito em Papai Noel. O governo não tem dinheiro, o governo tira dinheiro dos contribuintes e paga a Previdência, salários, aposentadorias. Temos que estabilizar esse deficit. Não estamos falando nem em zerar, estamos falando em estabilizar."

Ele rebateu ainda as críticas da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) de que o rombo da Previdência existe somente porque o Orçamento da seguridade social (saúde, assistência social e Previdência) é usado para outros propósitos.

Oliveira lembrou que, mesmo que se levar em conta somente a rubrica da seguridade social, a partir de 2016 as contas da seguridade já começam a apresentar deficit, ritmo que se manterá daqui para a frente.

"Não estamos tratando de contabilidade. Estamos tratando do futuro do Brasil, de crescimento, de emprego", declarou.

DESBLOQUEIO

Em entrevista à imprensa após sua participação na comissão, Oliveira declarou que acredita que o piso do crescimento do PIB neste ano é de 1%. "Se o PIB não cair no quarto trimestre, cresceremos 1% neste ano", disse.

O ministro não afastou a possibilidade de liberação de mais recursos do Orçamento nas próximas semanas, mas tentou separar esse desbloqueio da tentativa de aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano.

"Temos uma sistemática prevista de revisões periódicas de receitas e despesas. Ainda não iniciamos esse processo, e se fizermos uma revisão com resultado, vamos anunciar", disse. "Até porque muito órgãos estão com recursos muito baixos para atender esses compromissos, não tem a ver com a dinâmica do Congresso e esse é um processo que o governo sempre faz", completou.

Indústria 4.0 deve atingir 21,8% das empresas brasileiras em uma década

Nível mais elevado de conexão da produção inclui “tecnologias da informação e comunicação integradas, fábricas conectadas e processos inteligentes”.

A digitalização do processo produtivo industrial deve atingir 21,8% das empresas brasileiras em uma década, mostra pesquisa, divulgada hoje (12) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Atualmente, o percentual é de 1,6%.

A sondagem, que faz parte do Projeto Indústria 2027, avalia a expectativa de 759 grandes e médias indústrias brasileiras e multinacionais em relação à adoção de tecnologias 4.0. O projeto é uma iniciativa da CNI e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para a CNI, a atualização da mão de obra será um desafio.

A indústria 4.0 é também conhecida como a quarta revolução industrial (Foto: Arquivo / Agência Brasil)

Os números referem-se ao nível mais elevado de conexão da produção – Geração 4 –, com “tecnologias da informação e comunicação (TIC) integradas, fábricas conectadas e processos inteligentes, com capacidade de subsidiar gestores com informações para tomada de decisão”.

A pesquisa estabeleceu classificações de quatro gerações de tecnologias digitais para o desenvolvimento da sondagem. O primeiro nível refere-se a produção pontual de TICs, a segunda geração envolve automação flexível com o uso de TICs sem integração ou parcialmente integradas e a terceira consiste no uso de tecnologias integradas e conectadas em todas as áreas.

“Passaremos os próximos dez anos em um processo de transformação industrial muito intenso, com as empresas, de fato, buscando trazer essa tecnologia disruptiva e implementando essas práticas dentro do seu modo de produção”, avaliou Paulo Mól, superintendente nacional do IEL. Ele avalia que essas transformações tecnológicas servirão para aumentar a produtividade, reduzindo o custo de produção e tornando as empresas brasileiras mais competitivas.

De acordo com os pesquisadores, a indústria 4.0 é também conhecida como a quarta revolução industrial. “[Ela] resulta do uso integrado de tecnologias avançadas da automação, do controle e da tecnologia da inovação em processos de manufatura”. Tais mudanças envolvem questões como o uso de robótica, de novos materiais, de biotecnologia, de armazenamento de energia, big data, entre outros.

A expectativa dos empresários é de que os estágios 3 e 4 de uso de tecnologia avancem na próxima década. O nível 3 passará de 20,5% para 36,9%. Os demais níveis recuariam, abrindo espaço para empresas mais conectadas. Atualmente, o estudo indica que 77,8% das empresas brasileiras ainda estão nas gerações tecnológicas 1 e 2. O maior percentual, em dez anos, estaria concentrado nos níveis 3 e 4, com 58,7% das indústrias.

A pesquisa avaliou ainda como as tecnologias 4.0 influenciarão as áreas de relacionamento com fornecedores, desenvolvimento de produto, gestão da produção, relacionamento com clientes e gestão de negócios. No relacionamento com fornecedores, por exemplo, 77,3% dos entrevistados disseram que a probabilidade é alta ou muito alta de as tecnologias digitais serem dominantes nessa relação.

Entre os desafios para alcançar essa expectativa expressa pelos empresários, Mól destaca a questão da mão de obra qualificada. “Quando eu falo que o Brasil deve passar por uma transformação industrial muito forte, como os dados estão mostrando, isso vai reequerer um país muito apto para ser parceiro nessas transformações”, disse o superintendente. Ele lembra a necessidade de parcerias com universidades e de políticas públicas de incentivo à indústria.

IBGE estima queda de 9,2% na safra de cereais de 2018

Entre os cinco principais produtos para a próxima safra, três devem apresentar quedas na produção: arroz em casca (-8%), milho em grão (-15,9%) e soja em grão (-5,9%).

O Brasil país deverá ter, em 2018, uma safra de cereais, leguminosas e oleaginosas 9,2% menor do que a produção deste ano. O segundo prognóstico da safra de 2018, divulgado hoje (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro, prevê uma safra de 219,5 milhões de toneladas em 2018, 22,4 milhões a menos do que a produção esperada para 2017.
Safra deve ter 219,5 milhões de toneladas em 2018, 22,4 milhões a menos do que a produção esperada para 2017 (Foto: Arquivo / Agência Brasil)

A queda prevista por esse segundo prognóstico é ainda maior do que a feita pela primeira estimativa, divulgada em novembro, que previa um recuo da safra de 8,9%.

Entre os cinco principais produtos para a próxima safra, três devem apresentar quedas na produção: arroz em casca (-8%), milho em grão (-15,9%) e soja em grão (-5,9%). São esperadas altas na produção de algodão herbáceo (4,5%) e de feijão em grão (4,1%).

Safra de 2017 será maior

O IBGE também divulgou hoje sua 11ª estimativa para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2017, realizada em novembro. De acordo com o instituto, a safra deste ano deverá ser 0,1% maior do que a estimada pelo décimo levantamento, realizado em outubro.

Espera-se que o ano seja encerrado com uma safra 30,2% maior que a de 2016: 241,9 milhões de toneladas, ou 56,1 milhões de toneladas a mais do que no passado.

Entre as principais lavouras, a soja deverá fechar 2017 com uma alta de 19,4%, o arroz com um crescimento de 17,4% e o milho com aumento na produção de 55,2%.

11 de dezembro de 2017

56% dos trabalhadores formais estão insatisfeitos com o trabalho

Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva revela que 56% dos trabalhadores com carteira assinada estão insatisfeitos com seu emprego.

O Brasil chegou a contabilizar mais de 14 milhões de desempregados este ano. Agora são 12,7 milhões, segundo o IBGE. Há um novo dado sobre o mercado de trabalho no país que acende um alerta para um dos principais debates sobre o tema: a qualidade do emprego e da relação entre empregadores e empregados. 

Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva revela que 56% dos trabalhadores com carteira assinada estão insatisfeitos com seu emprego. Isto significa que 18,7 milhões de pessoas trocariam de lugar na busca de mais alegria no trabalho. Apenas um terço dos entrevistados pela entidade se declarou satisfeito de modo geral. Numa economia que tem 33,3 milhões de trabalhadores formais, como fazer para trocar mais da metade de lugar sem tira-los do mercado? 

“Um dos grandes problemas das empresas, que nem no período da crise e do aumento do desemprego foi superado, é a troca de pessoal, o turnover. Qual prejuízo que isso tem para as empresas? Todo treinamento que a empresa investe nos funcionários deixa de existir quando ela perde este talento para alguma concorrência. Combater o turnover das empresas é um dos grandes desafios para construção da produtividade no Brasil”, disse ao Blog o economista Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. 

A mesma estatística do IBGE que mostra que o desemprego diminuiu nos últimos seis meses revela que 74% das vagas criadas entre janeiro e outubro deste ano estão na informalidade. Com a legislação trabalhista que surge depois da reforma, espera-se que boa parte deste contingente seja formalizado sob novas condições que não necessariamente a carteira de trabalho. 

A pesquisa do Locomotiva mostrou que, dos 1019 entrevistados, 81% conhecem o tema da reforma trabalhista, mas não se consideram informados sobre as mudanças. A ameaça do desemprego pode ter se arrefecido com a melhora dos últimos meses, mas a preocupação com futuro, não, já que 87% disseram estar preocupados com os efeitos que a nova CLT vai causar no mercado. 

Mesmo que convivendo com a insegurança com a nova legislação, os trabalhadores sinalizam que o salário não é a única forma de motivação para gerar satisfação. Para 87% dos entrevistados pelo Locomotiva, as premiações em produtos e serviços são uma boa forma de as empresas valorizarem seus funcionários. Já 80% acreditam que programas de premiação podem estimular muito a sensação de reconhecimento, a produtividade e a melhora do ambiente de trabalho, além da satisfação geral.

“A pesquisa deixou claro que, infelizmente, não basta apenas um bom salário para manter os funcionários motivados. Quando mais da metade de trabalhadores formais querem mudar de emprego, alguma coisa precisa ser revista no jeito em que as empresas estão engajando a sua força de trabalho”, disse Renato Meirelles. 

Parece que está faltando também psicologia e noção de relações humanas dentro das empresas brasileiras. Numa escala de graus de satisfação dos trabalhadores, é como se salário fosse essencial, premiação fosse sensacional e o reconhecimento “imaterial”, fosse extraordinário. 

A pesquisa mostra que 96% das pessoas consideram importante que as empresas reconheçam seus funcionários por meio de recompensas materiais como dinheiro, viagens, vale-presente, etc. E 90% consideram que este reconhecimento pode vir sob outras formas, como elogios, homenagens até mesmo uma estrela no peito, desde que seja uma atitude que valorize a entrega do trabalhador. 

Taxa média do crédito é a menor em mais de 2 anos

Apesar da queda em 4 das 6 principais linhas para pessoas físicas, os juros do cartão de crédito e cheque especial voltaram a ficar mais caros em novembro.

Os juros cobrados na maior parte das linhas de crédito para pessoas físicas voltaram a cair em novembro, chegando ao menor patamar desde outubro de 2015, mostra um levantamento da Anefac divulgado nesta segunda-feira (11).

No entanto, as duas modalidades de crédito historicamente mais caras – cartão de crédito e cheque especial – voltaram a subir suas taxas no mês passado.

Taxa média para pessoa física

A taxa média de juros para pessoas físicas em todas as linhas pesquisadas caiu 0,04 ponto percentual em novembro, passando de 7,44% ao mês em outubro para 7,40%. Esta é a 12ª queda seguida.

Após corte da Selic, bancos anunciam redução de juros nas linhas de crédito

Em nota, o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, declarou que este resultado pode ser atribuído à redução da taxa básica de juros (Selic) e à expectativa de novas reduções frente à inflação mais baixa. A Selic está em 7% ao ano, menor patamar em mais de três décadas.

Apesar da melhora nas expectativas, acrescenta Oliveira, o cenário econômico atual aumenta o risco de elevação da inadimplência por conta da recessão e do desemprego elevado. "Isto aumenta igualmente o risco de novas elevações das taxas de juros aos consumidores sejam pessoa física ou jurídica", pondera o diretor de estudos da Anefac, no comunicado.

Crédito pessoal mais barato em novembro

Quatro linhas para pessoas físicas reduziram suas taxas de juros no último mês, segundo a Anefac: os juros do comércio; financiamentos de veículos; empréstimo pessoal em bancos; e empréstimo pessoal em financeiras.

Linhas mais caras voltam a subir

Já as taxas do cartão de crédito voltaram a subir em novembro após duas quedas seguidas, passando de 12,84% ao mês, em outubro, para 12,89% no mês passado. Também o cheque especial teve aumento nas taxas, de 12,18% para 12,25%.

Crédito para pessoas jurídicas

Das três linhas de crédito pesquisadas pela Anefac, todas cortaram suas taxas de juros em novembro. Na média, houve uma redução de 0,09 ponto percentual no mês (1,70 ponto percentual no ano) passando de 4,31% ao mês em outubro para 4,22% ao mês em novembro, também a menor taxa de juros desde outubro de 2015.

Dólar tem 3ª alta seguida com temor sobre reforma da Previdência

Moeda dos EUA avançou 0,08%, a R$ 3,2974 na venda, acumulando alta de 2,07% em 3 sessões.

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (11), se aproximando ainda mais no patamar de R$ 3,30, com o temor voltando a crescer sobre a capacidade política do governo de garantir a votação da reforma da Previdência neste ano.

A moeda dos EUA avançou 0,08%, na terceira alta seguida, a R$ 3,2974 na venda, maior nível de fechamento desde 14 de novembro (R$ 3,3094).

Em 3 sessões, o dólar acumula alta de 2,07%.

Na mínima do dia, a moeda norte-americana marcou R$ 3,2734, e, na máxima, R$ 3,3062.

O presidente Michel Temer admitiu no fim de semana a possibilidade de a votação da reforma na Câmara ocorrer apenas em 2018, pouco depois de dizer que não cogitava essa possibilidade.

"O mercado está pisando em ovos, reagindo a qualquer notícia. Cada dia que passa, vê que está complicado votar", afirmou à Reuters o gestor de derivativos de uma corretora local.

No final da manhã, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ser "difícil" votar a reforma da Previdência na Casa na semana que vem e que só pautará a proposta caso existam garantias "muito claras" de que será aprovada.

Ao mesmo tempo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), indicado como ministro da Secretaria de Governo pelo presidente Michel Temer e que será o articulador político do governo, disse que ainda buscava entre 40 e 50 votos favoráveis à proposta e que ela será colocada em debate na quinta-feira, mas não descartou a possibilidade de o tema ficar apenas para 2018.

Já o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que, se o governo não conseguir aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano, conseguirá em 2018. 'Não joguei a toalha', disse.

O governo precisa de votos de 308 deputados em dois turnos de votação.

O Banco Central vendeu o total de até 14 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, em mais um leilão para rolagem do vencimento de janeiro. Até agora, rolou o equivalente a R$ 4,9 bilhões do total de R$ 9,638 bilhões que vencem no mês que vem.

No exterior, o dólar trabalhava com leve queda ante uma cesta de moedas e também frente a algumas divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca.

Mercado financeiro volta a prever inflação abaixo da meta

Na última sexta-feira (8), o IBGE informou que, de janeiro a novembro, o IPCA chegou a 2,5%, o menor resultado acumulado em 11 meses desde 1998 (1,32%).

O mercado financeiro voltou a prever inflação abaixo do piso da meta para este ano. A estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu de 3,03% para 2,88%. Em setembro, as instituições financeiras também projetaram inflação abaixo da meta. A estimativa consta do boletim Focus, uma publicação divulgada no site do Banco Central todas as semanas com projeções para os principais indicadores econômicos. As informações são da Agência Brasil.

A meta de inflação, que deve ser perseguida pelo BC, tem como centro 4,5%, limite inferior de 3% e superior de 6%. Quando a inflação fica fora desses patamares, o BC tem que elaborar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando os motivos do descumprimento da meta.

Se a estimativa se confirmar, será a primeira vez que a meta será descumprida por ficar abaixo do piso. A meta ficou acima do teto quatro vezes: 2001, 2002, 2003 e 2015.

Na última sexta-feira (8), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que, de janeiro a novembro, o IPCA chegou a 2,5%, o menor resultado acumulado em 11 meses desde 1998 (1,32%).

Para 2018, a projeção do mercado financeiro para o IPCA -a inflação oficial do país- é mantida de 4,02%, há duas semanas consecutivas.

O principal instrumento usado pelo BC para controlar a inflação é a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 7% ao ano, o menor nível histórico. Na última quarta-feira (6), a Selic foi reduzida pela décima vez seguida. Por unanimidade, o Copom (Comitê de Política Monetária) diminuiu a Selic em 0,5 ponto percentual, de 7,5% ao ano para 7% ao ano.

A expectativa do mercado financeiro para a Selic ao final de 2018 segue em 7%. A estimativa para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, subiu de 0,89% para 0,91%, este ano, e de 2,60% para 2,62%, em 2018.

'Reforma da Previdência vai muito bem', diz Temer na OMC

O presidente disse que fecharam questão o PMDB, o PTB e o PPS.

O presidente Michel Temer disse neste domingo (10), em Buenos Aires, ao final da cerimônia de abertura da 11º reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio) que "a reforma da Previdência vai muito bem".

Acrescentou que a discussão terá início na próxima quarta-feira (13) e deve seguir até a terça-feira (19) "e quem sabe na terça-feira nós conseguimos fechar".

O presidente disse que fecharam questão o PMDB, o PTB e o PPS. "Hoje pela manhã falei com os presidentes do PSD e do PRB e estão todos entusiasmados para o eventual fechamento da questão", afirmou.

No caso de não ser possível cumprir esse prazo, Temer disse que a "matéria da Previdência não vai parar. Se não for neste ano será no início do ano que vem".

Temer comentou que, ao se deslocar até o aeroporto para vir a Buenos Aires, viu um cartaz que dizia: "Temer quer que você trabalhe até morrer".

E disse: "isso é falso, é mentiroso, sou obrigado a dizer isso porque vocês sabem que hoje as pessoas se aposentam com 55 anos, homem, e 53, mulher, ninguém morreu até essa data. E evidentemente, para você chegar até os 65 anos, homem, e 63 anos mulheres, vai levar 20 anos, também ninguém morre antes desse período."

Acordo União Europeia 

Temer disse, ainda, que os ministros dos países do Mercosul e os da União Europeia ficarão em Buenos Aires discutindo detalhes do acordo e espera que algo possa ser anunciado ao final. "Existem algumas questões técnicas e quem sabe até quarta-feira eles conseguem superar essas questões."

09 de dezembro de 2017

Caixa prorroga prazo para concluir financiamento imobiliário travado

Em setembro, Caixa diminuiu para 50% o limite para financiar imóveis usados; banco havia informado que processos seriam concluídos até 30/11.

A Caixa Econômica Federal estendeu até o final deste ano o prazo para concluir as propostas de crédito habitacional que foram aprovadas pelo banco antes da exigência de 50% de entrada para imóveis usados, mas ficaram paradas à espera de recursos.

No mês passado, o banco informou que liberaria, até o dia 30 de novembro, o crédito imobiliário para imóveis usados travado pela mudança de regra feita em setembro. Vencido o prazo, no entanto, clientes nessa situação relatam que continuaram à espera da liberação.

Em nota enviada ao G1, o banco disse que, “caso persista algum contrato que estava apto em 25/10/2017 [prazo de 30 dias para a assinatura do contrato após a mudança] e ainda não foi contratado, a Caixa autorizou um novo prazo para término da contratação até o final de dezembro de 2017”.

Caixa prorroga prazo para concluir financiamentos de imóveis travados. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

No entanto, a Caixa ressalvou que “para que haja a contratação, há necessidade de todo o processo estar em conformidade com as regras dos produtos, principalmente quanto à documentação do cliente, vendedor e imóvel”.

Um dos clientes que aguardam liberação é o gerente de drogaria Francisco Gledson, que tem 33 anos e é de Guarulhos (SP). Ele recebeu, no começo de setembro, a notícia de que o financiamento de seu imóvel havia sido aprovado, com 20% de entrada. Ele conta que toda a documentação foi aprovada, mas segue aguardando a assinatura do contrato.

“Já foi feita a vistoria, avaliação do engenheiro, a carta de crédito. Está tudo em conformidade, eu passei por todo o trâmite burocrático”, diz ele. Com a demora da liberação, ele voltou a procurar a agência onde iniciou o processo, na semana passada. “Deixaram bem claro que não tem mais verbas para esse ano, assinaturas só no ano que vem. Me orientaram a procurar outro banco", lamenta.

Se há dificuldades para quem tenta comprar um imóvel, para quem precisa vender não é diferente. A aposentada Valquiria Valesca Lopes da Silva, que tem 64 anos e tenta vender seu imóvel em Porto Alegre, também está enfrentando problemas. Ela conta que, no final de agosto, o processo de financiamento foi aprovado. Com isso, ela recebeu o valor da entrada, correspondente a 30% do valor total, e entregou o apartamento, em setembro.

No entanto, sem o recurso liberado, ela não recebeu o restante do dinheiro e, por isso, não conseguiu concluir a compra de uma casa em Assis Chateaubriand (PR). “Estamos pagando aluguel”, reclama. “Não tem pendência nenhuma com a Caixa de documentação, está tudo certo. O correspondente falou que estava tudo OK, só faltava liberar a verba.”

Mas há também clientes que conseguiram a assinatura do contrato no mês passado, conforme prometido pela Caixa. Foi o que aconteceu com os casos mostrados em reportagem do G1 em novembro.

A professora universitária Ana Brambilla, de 36 anos, conseguiu assinar o financiamento de 70% do valor de seu novo apartamento. Outra que conseguiu destravar o crédito e comprar a casa própria foi a funcionária pública Fabiana Lourenço, de 36 anos, que financiou 80% do valor de seu primeiro imóvel. A professora Josielli dos Santos e o marido, o projetista Thiago Brum, também estavam com o processo travado para vender seu apartamento em Limeira (SP), e tiveram o recurso liberado.

Entenda o caso: entrada maior para imóveis usados

No final de setembro, a Caixa mudou as regras do financiamento e passou a exigir que o comprador pagasse, no mínimo, 50% do valor do imóvel usado de entrada. Após a mudança, pessoas que haviam recebido a aprovação de seu financiamento com uma entrava inferior a 50% do valor do imóvel e estavam aguardando para assinar o contrato não estavam conseguindo concluir o processo, podendo inclusive perder o imóvel.

O banco chegou a informar que todos os clientes que não haviam assinado o contrato de financiamento antes da mudança, no dia 25 de setembro, teriam que dar uma entrada maior para conseguir o crédito. No entanto, após as queixas, a Caixa voltou atrás, e o vice-presidente da Habitação do banco, Nelson de Souza, classificou a situação como "lamentável" e disse que esses financiamentos aprovados antes desta data ainda serão enquadrados na regra anterior.

Renda acima de R$ 4 mil

E um grupo de Whatsapp com cerca de 20 pessoas com problemas de financiamento com a Caixa, além da mudança de regras para os casos de imóveis usados, há queixas sobre a demora para a assinatura de contratos também de casas e apartamentos novos, especialmente para pessoas com renda acima de R$ 4 mil.

Grupo de Whatsapp reúne pessoas com queixas sobre financiamento da Caixa (Foto: Reprodução)

A Caixa reconhece que há medidas restritivas para novas propostas do SBPE (linha de crédito que usa recursos da poupança) para imóveis usados e renda acima de R$ 4 mil.

“Os imóveis novos com renda de até R$ 4 mil vamos continuar operando normalmente no Minha Casa, Minha Vida. Agora, para a alta renda, se for imóvel usado, as condições são essas aí de restrição de capital e vamos voltar a operar normalmente a partir de 2018”, disse ao G1 em novembro o vice-presidente da Habitação do banco, Nelson de Souza.

Sobre as reclamações de demora conclusão de processos de financiamento de maneira geral, a Caixa lembrou em nota que a liberação de recursos segue dotação mensal e que, quando os recursos para um mês são esgotados, as operações de crédito são retomadas quando há liberação no mês seguinte. Veja a nota do banco sobre o assunto, na íntegra:

“Os recursos do FGTS são mensalizados de acordo com as determinações da Instrução Normativa nº 32 do Ministério das Cidades, publicada em 01/08/2017. A Caixa observa o disposto na referida IN e efetua as contrações de acordo com a proporção mensal indicada. Dessa forma, quando os recursos de determinado mês são esgotados antes de seu decurso, as contratações são suspensas até que se inicie o mês seguinte quando as operações de crédito poderão ser retomadas. Assim, ainda que em função da alteração na forma de distribuição orçamentária a efetivação das contratações dependerá do saldo disponível para o mês.”

Falta de recursos

Com cerca de 70% de participação no crédito imobiliário do país, a Caixa surpreendeu o mercado ao tomar uma série de medidas que restringiram o acesso aos financiamentos da casa própria, inclusive com recursos subsidiados (a juros mais baixos). Veja algumas medidas adotadas este ano:

- Reduziu para 50% o limite de financiamento de imóveis usados;

- Encerrou a linha pró-cotista do FGTS, a mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida;

- Passou a adotar limites mensais na liberação do crédito imobiliário;

- Foi o único banco que não reduziu os juros neste ano diante dos cortes da taxa Selic;

- Deixou de ser o banco com as menores taxas para financiar a casa própria

Em agosto, a Caixa reduziu o limite para financiar novas unidades de 90% para 80% do valor do imóvel. Para imóveis usados, o banco fez dois cortes este ano: um primeiro em agosto, de 70% para 60%, e outro em setembro, para 50% do valor do bem.

07 de dezembro de 2017

Brasil perde R$ 130 bi por ano com pirataria, contrabando e comércio ilegal

Entidades e associações defenderam a aprovação de projetos de lei que autorizem o bloqueio de sites de divulgação de conteúdo pirata.

O Brasil perde R$ 130 bilhões por ano com pirataria, contrabando e comércio ilegal de produtos e conteúdo. O levantamento é do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP).

Os danos causados pela pirataria digital e as alternativas para combater a prática foram tema de debate na sede da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), nesta quinta-feira (7).

Durante o encontro, entidades e associações ligadas ao direito e às produtoras de conteúdo defenderam a aprovação de projetos que permitam o bloqueio de sites que divulguem conteúdo pirata.

Andressa Pappas, diretora de relações governamentais da Motion Picture Association Brasil (MPA Brasil), afirmou que o bloqueio é o meio mais eficaz de combater a pirataria. “O bloqueio de sites hoje, está mais do que demonstrado, é o mecanismo que se mostra mais eficaz para combater a pirataria em larga escala”, afirmou.

Um dos maiores problemas enfrentados na hora de combater a pirataria digital é o fato de 90% desses sites estarem hospedados fora do Brasil, apontou a Ajufe. Com isso, retirar o conteúdo do ar pode demorar até quatro anos.

Avanço da pirataria

Segundo dados do FNCP, os maiores sites de pirataria de filmes e séries tiveram 1,7 bilhão de acessos entre dezembro de 2015 e maio de 2016. Um número de acessos oito vezes maior do que os acessos ao Netflix, principal serviço de conteúdo sob demanda.

Durante esse período, o Brasil deixou de arrecadar R$ 721 milhões em impostos por causa da pirataria de filmes. A estimativa é que mais de 13 mil filmes e títulos foram pirateados, 58 mil empregos deixaram de ser criados e que a indústria de filmes tenha tido um prejuízo de R$ 2 bilhões.

No mercado de TV por assinatura, a estimativa da Associação Brasileira das TVs por Assinatura (ABTA) é que 100 mil empregos estão em risco por causa da pirataria. Segundo Antonio Salles, consultor da associação, o Brasil tem hoje cerca de 4 milhões de aparelhos de TV por assinatura pirata, o que gera uma perda de receita para o setor de R$ 6 bilhões por ano.

Liberdade de expressão

Marcelo Bechara, diretor jurídico da ABTA, destacou que o combate à pirataria não é uma questão de liberdade de expressão, mas de combater o crime. “Não estamos tratando de uma prática de liberdade de expressão. Estamos falando de um crime”, afirmou durante o debate.

Durante sua apresentação, Bechara destacou que a proposta não é combater o usuário, mas a estrutura que comete o crime. “Temos que ir atrás de que faz o crime como meio de vida”, disse. Ele lembrou que por trás dos sites de pirataria de conteúdo há uma estrutura criminosa que traz outros danos à sociedade.

Petrobras vai mudar regra que reajusta preço do gás de cozinha

Desconfortável com o impacto desta magnitude no preço, a Petrobras está decidida a rever sua própria política.

O preço do gás de cozinha já subiu 68% desde junho, quando a Petrobras criou uma regra de correção automática do valor do produto, aplicada no dia 5 de cada mês. Desconfortável com o impacto desta magnitude no preço de um produto que ninguém pode abrir mão de consumir, do mais pobre ao mais rico, a Petrobras está decidida a rever sua própria política.

Ainda não se definiu a nova fórmula, mas já foram fixados alguns parâmetros. Por exemplo, a correção do preço não deverá mais ser mensal. Com isso, evita-se a incorporação de aumentos de preços do gás no mercado internacional, sujeitos a grandes variações no curto prazo.

Em junho, a Petrobras anunciou que, a partir do dia 5 daquele mês, o preço do gás nas refinarias da empresa seguiria uma regra fixa.

Seria determinado pela cotação do gás butano e propano no mercado europeu, convertido pela média diária das cotações de venda do dólar pelo Banco Central, acrescida uma margem de 5%.

E seria reajustado, pelo menos, uma vez por mês, a cada dia 5. A partir daí, os reajustes passaram a ser uma decisão meramente administrativa, de aplicação da fórmula, sem avaliar outras implicações.

A regra demonstrou ser um castigo para o consumidor. No início de agosto, o furacão Harvey, no Golfo do México, provocou a paralisação temporária, por razões de segurança, de quase metade do parque de refino dos Estados Unidos, localizado nos estados do Texas e da Louisiana.

O furacão paralisou, inclusive, uma refinaria bem conhecida dos brasileiros: a de Pasadena, que refina 100 mil barris por dia e ganhou as manchetes no escândalo do petrolão.

A paralisação das refinarias levou a uma redução dos estoques nos Estados Unidos, pressionando os preços dos combustíveis no mercado internacional. Enquanto o preço do petróleo bruto caía, porque diminuía o refino naquele momento, as cotações da gasolina e de outros derivados subia.

Para complicar ainda mais, a chegada do inverno no hemisfério norte, que eleva o consumo, pressionou ainda mais os preços.

Não está claro ainda se a nova regra em estudo vai implicar, em algum momento, na reversão dos aumentos já praticados. Mas, provavelmente, seus efeitos serão diluídos ao longo do tempo.

Também não se pensa em voltar à política anterior, que mantinha congelado por longos períodos o preço do gás. De janeiro de 2003 a agosto de 2015, o preço do gás de cozinha nas refinarias da Petrobras ficou congelado. Nem por isso o preço deixou de subir para o consumidor: 56,8% naquele período.

Está demonstrado que o preço para o consumidor sobe mesmo quando não há aumento nas refinarias da Petrobras. E desconfia-se que o preço para o consumidor pode não cair, mesmo que a Petrobras decida reduzir o valor de venda aos distribuidores.

Dólar tem maior salto em quase 7 meses e vai a R$ 3,28

Moeda dos EUA avançou 1,73%, a R$ 3,2865 na venda.

O dólar fechou em alta de quase 2% nesta quinta-feira (7), voltando a se aproximar do patamar de R$ 3,30, diante da avaliação de que o governo do presidente Michel Temer tem poucas chances de aprovar a reforma da Previdência em breve devido à dificuldade de conquistar apoio político.

A moeda dos EUA avançou 1,73%, a R$ 3,2865 na venda, maior alta desde 18 de maio passado (+8,15%), quando o mercado reagiu à delação de executivos do grupo JBS que atingiram em cheio Temer. Veja a cotação

Na máxima da sessão, a moeda norte-americana foi a R$ 3,3194, segundo a Reuters, e o movimento de agora foi mais do que suficiente para anular a queda acumulada de 1,26% nos quatro pregões anteriores.

"A situação volta a complicar...Vamos ter que conviver com mais uma sessão de informações desencontradas, o que agrega volatilidade aos mercados", explicou o economista-chefe da corretora Modalmais, Alvaro Bandeira.

O nervosismo do mercado veio com os sinais mais claros de que Temer não está conseguindo apoio político para aprovar a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados ainda neste ano. Uma liderança governista disse à Reuters nesta tarde que as chances de votar a matéria estão menores por causa de resistências de partidos aliados como o PRB, PR e PSD.

Segundo o Blog do Valdo Cruz, líderes já falam em votar apenas no dia 19 de dezembro, na última semana antes do recesso do Legislativo. Motivo: o governo ainda não tem os votos necessários.

A dificuldade do governo de conseguir apoio à reforma - considerada essencial para o ajuste das contas públicas - fez o dólar mudar de patamar já em outubro passado, quando chegou a ser negociado no nível de R$ 3,15, mas foi próximo a R$ 3,30.

Mas, nas últimas semanas, diante dos esforços do governo, os investidores começaram a enxergar maiores chances à reforma, o que levou o dólar a recuar nas quatro sessões passadas, por exemplo. Agora, o nervosismo voltou à tona.

"Se não houver uma definição sobre o tema ainda este ano, com sua aprovação, o Brasil tende a ter sua nota de crédito rebaixada por agências de classificação de risco, afetando inclusive a política monetária", afirmou em nota o operador da Advanced Corretora Alessandro Faganello.

O Banco Central vendeu o total de até 14 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de janeiro. Até agora, rolou o equivalente a US$ 3,5 bilhões do total de US$ ,638 bilhões que vencem no mês que vem.

No exterior, o dólar rondava a estabilidade ante uma cesta de moedas, mas subia ante divisas de países emergentes.

Juros futuros disparam

No mercado de renda fixa, houve uma disparada de taxas de juros devido a preocupações com a reforma da Previdência. As taxas dos vencimentos janeiro/2023, janeiro/2021 e janeiro/2020 subiram mais ou perto de 20 pontos-base nas máximas do dia, no pior pregão em pelo menos um mês, segundo o Valor Online.

Às 16h, o DI janeiro/2023 ia a 10,160% ao ano (10,040% no ajuste anterior).O DI janeiro/2021 subia a 9,270% (9,180% no ajuste de ontem).O DI janeiro/2020 avançava para 8,340% (8,270% no último ajuste). Os juros chegaram ao fim da tarde a alguma distância das máximas, mas ainda assim refletiram o temor de que a reforma da Previdência não seja votada neste ano.

Os patamares dos DIs ainda estão aquém dos verificados em meados de novembro, quando o mercado também via baixa probabilidade de aprovação do texto ainda neste ano. Mas já se encontram mais longes das mínimas vistas na sequência, momento em que investidores colocaram fichas num desfecho favorável ainda em 2017. Na prática, esse desvio sugere que, em caso de confirmação de que a reforma não será votada neste ano, os preços podem piorar um pouco mais, mas de forma menos intensa.

Ministro crê na aprovação da reforma da Previdência ainda em 2017

Temer reuniu 19 ministros, mais deputados e senadores da base aliada, além de líderes de partido. Foram mais de 47 presentes em uma reunião no Palácio da Alvorada, para discutir sobre a reforma da Previdência.

O ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, disse acreditar na aprovação da reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, ainda neste ano.

“Vejo hoje, nas conversas com parlamentares, que há uma compreensão da necessidade da reforma. Com as alterações que foram feitas, os principais pontos críticos foram retirados, como aposentadoria rural, benefício de prestação continuidade e 25 anos de contribuição para se aposentar”, disse o ministro.

O ministro Dyogo Oliveira (Foto: Divulgação)

Para o Dyogo, o “pacote que está em discussão é palatável do ponto de vista político”.

“Há um foco de redução de privilégios, de exageros. Estou muito mais otimista do que nove meses atrás. A adesão a reforma vai crescer. Acredito na aprovação neste ano”, disse.

Ontem (6) à noite o presidente Michel Temer reuniu 19 ministros, mais deputados e senadores da base aliada, além de líderes de partido. Foram mais de 47 presentes em uma reunião no Palácio da Alvorada, para discutir sobre a reforma da Previdência.

Para o ministro do Planejamento, que participou do jantar, a reunião foi “positiva”, apesar de considerar o processo político “complexo”.

“Evidentemente, não se teve possibilidade de definir claramente a agenda. As avaliações vão prosseguir até que haja clareza.” Ele ressaltou que o calendário de votação é uma decisão da própria Câmara dos Deputados. “Há engajamento do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, dos líderes.”

Segundo Dyogo Oliveira, sem a aprovação da reforma, em 2021 a dívida pública estará em torno de 100% do PIB. “Com a reforma, se estabiliza em 80% do PIB”, destacou.

O ministro ainda afirmou que, com a reforma, o crescimento da economia será maior e os juros vão cair. “É preciso ter clareza que a melhora do ambiente econômico está intimamente ligado à agenda de reformas”, afirmou.

“É preciso ter clareza que a melhora do ambiente econômico está intimamente ligado com a agenda de reformas”, disse. O ministro afirmou que deixar a reforma para o próximo governo, em 2019, vai “trazer mais volatilidade [fortes oscilações no mercado] para o ano que vem".

Preços ao produtor e ao consumidor pressionam IGP-DI, que vai a 0,8%

Ainda assim, a inflação medida pelo IGP-DI acumula, em 2017, variação negativa de 1,15%, e de -0,33% nos últimos doze meses.

Pressionado pela elevação dos preços ao produtor e ao consumidor, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,7 ponto percentual de outubro para novembro, as passar de 0,1% para 0,8%. Em novembro do ano passado a taxa ficou em 0,05%.

Ainda assim, a inflação medida pelo IGP-DI acumula, em 2017, variação negativa de 1,15%, e de -0,33% nos últimos doze meses. Os dados relativos ao IGP-DI foram divulgados hoje (7), pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Em novembro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou variação de 1,06%, depois de ter fechado outubro com deflação de 0,03%. O índice relativo a Bens Finais fechou novembro em 0,61%, alta de 0,3 ponto percentual em relação a outubro, quando o índice ficou em 0,29%. O principal responsável por este movimento foi o subgrupo combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de 1,06% para 10,02%.

O índice de Bens Finais, que exclui alimentos in natura e combustíveis para o consumo, repetiu a taxa do mês anterior, de 0,32%. Já o índice do grupo Bens Intermediários subiu de 1,22% em outubro para 1,98%, em novembro. O principal responsável pelo avanço foi o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, cuja taxa passou de 0,54% para 7,02%. O índice de Bens Intermediários, que exclui combustíveis e lubrificantes para a produção, apresentou variação de 1,19%. No mês anterior, a variação foi de 1,33%.

O índice para Matérias-Primas Brutas variou de -1,92% em outubro, para 0,52%, em novembro. Os destaques foram: minério de ferro (-12,35% para -3,75%), leite in natura (-7,49% para -1,10%) e mandioca  (1,49% para 6,37%).

Preços ao Consumidor

No que diz respeito ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a FGV registrou variação de 0,36% em novembro, com alta de 0,03 ponto percentual em relação aos 0,33% em outubro.

Ainda assim, três das oito classes de despesa que compõem o índice subiram, com destaque para o grupo Transportes, que passou de 0,08% para 0,8%. Nesta classe de despesa, vale mencionar o comportamento do item gasolina, cuja taxa passou de -0,18% para 3,17%.

Também apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos Educação, Leitura e Recreação (de -0,12% para 0,33%) e Habitação (de 0,7% para 0,77%). Nestas classes de despesa, vale citar o comportamento dos itens: passagem aérea (-6,88% para 3,88%) e tarifa de eletricidade residencial (3,37% para 3,98%), respectivamente.

Em contrapartida, os grupos: Alimentação (0,24% para -0,26%), Despesas Diversas (0,32% para 0,08%), Comunicação (0,55% para 0,40%), Vestuário (0,05% para 0,01%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,42% para 0,39%) apresentaram decréscimo em suas taxas de variação.

De acordo com a FGV, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em novembro, a mesma taxa de variação do mês anterior (0,31%). O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou taxa de 0,63%, contra 0,67% do mês anterior; enquanto o índice para o custo da Mão de Obra passou de 0,01% em outubro para 0,05% em novembro.

Indicador de emprego da FGV atinge 103,9 pontos, recorde da série histórica

Para o economista do Ibre/FGV, Fernando de Holanda Barbosa, “a elevação do Indicador Antecedente de Emprego, em novembro, vem na linha da expectativa de melhora do crescimento da economia brasileira em 2018”.

O mercado de trabalho continua avançando e sinalizando evolução favorável no curto prazo. A constatação é do Instituto Brasileiro de Economia de Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), que divulgou hoje (7) o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp).

De acordo com a FGV, o indicador subiu 1 ponto de outubro para novembro, chegando a 103,9 pontos, o maior nível da série iniciada em junho de 2008. “Esta é a terceira alta consecutiva do indicador e sinaliza continuidade da tendência de evolução favorável do mercado de trabalho no curto prazo”, segundo a publicação.

Mercado de trabalho tem discreta melhora nos últimos meses (Foto: Pedro Ventura / Agência Brasília)

Para o economista do Ibre/FGV, Fernando de Holanda Barbosa, “a elevação do Indicador Antecedente de Emprego, em novembro, vem na linha da expectativa de melhora do crescimento da economia brasileira em 2018”. De acordo com Barbosa, o crescimento ainda é fraco em 2017, “mas as expectativas para 2018 são positivas”.

Indicador Coincidente de Desemprego

O levantamento da FGV indica que, após duas quedas consecutivas, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou em outubro, variando 1,5 ponto, para 98,6 pontos. O economista da FGV lembra que o indicador ficou relativamente estável ao longo dos últimos meses e que os consumidores ainda enfrentam um mercado de trabalho bastante complicado.

“O nível elevado do índice [de desemprego] mostra que os consumidores, mesmo após alguma queda da taxa de desemprego e da geração de novos postos de trabalho dos últimos meses, ainda enfrentam um mercado de trabalho bastante complicado. Apesar da melhora do mercado de trabalho, deve-se esperar uma taxa de desemprego ainda elevada nos próximos meses”, disse Barbosa.

Segundo a publicação da FGV, o avanço do Indicador Antecedente de Emprego em novembro ocorreu em três dos sete indicadores que o compõem, com destaque para os que medem o ímpeto de contratações nos três meses seguintes, na Sondagem da Indústria de Transformação e, também, na expectativa com relação à facilidade de se conseguir emprego nos seis meses seguintes, da Sondagem do Consumidor - com variações de 9,8 e 8 pontos, na margem, respectivamente.

As classes de renda que mais contribuíram para a alta do ICD foram as duas mais baixas: consumidores com renda familiar até R$ 2,1 mil, cujo Indicador de Emprego (invertido) variou 3,5 pontos; e a faixa entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8, com avanço de 3,1 pontos.

Aéreas fazem acordo para “abrir céus” entre Brasil e EUA

Projeto visa a retirada das barreiras para operações de companhias aéreas entre os dois países

As aéreas Latam Brasil e American Airlines lideram um movimento para “destravar” uma demanda de uma década do setor: a retirada das barreiras para operações de companhias aéreas entre o Brasil e os Estados Unidos. Na prática, isso significa que cairiam os limites para voos entre os países – que passariam a ser definidos pelas empresas, conforme a demanda -, o que poderia ampliar as opções para os consumidores.

O acordo de “céus abertos” também é apoiado por várias outras companhias – com exceções, como a Azul – e por entidades de classe. Foi assinado em 2011 pelos presidentes da época, Dilma Rousseff e Barack Obama. Já passou por Casa Civil e Ministério de Relações Exteriores, mas espera apreciação pela Câmara há um ano. Embora já tenha passado por várias comissões especiais, a mudança depende ainda da ratificação nos plenários da Câmara e do Senado para entrar em vigor.


A ideia do Movimento Céus Abertos, agora, é tentar deixar mais claros os benefícios à economia que a concretização do acordo pode trazer. Foto: Reprodução

“Tentamos mudar a maneira como estamos atacando o tema, porque ele já está na mesa há vários anos”, disse ao Estadão/ Broadcast o presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier. O executivo admite, porém, que a proximidade das eleições e a agenda de reformas podem ser um empecilho para que o tema seja apreciado no curto prazo pelo Congresso.

As empresas já se movimentam visando a decisão favorável do Congresso. Latam Brasil e American Airlines firmaram no ano passado um acordo de operação conjunta rotas entre Brasil e EUA.

Entretanto, por causa de uma determinação do governo americano, a parceria depende da ratificação das novas regras no Brasil para poder entrar plenamente em vigor. O argumento das aéreas é que a redução das amarras para o setor aumentaria o comércio entre os países e poderia também reduzir o valor cobrado pelas passagens nos trechos entre o Brasil e os EUA, e vice-versa.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) estima que o número de passageiros em rotas internacionais com origem ou destino no Brasil poderá aumentar 47% após a ratificação do céus abertos.

Outro estudo, da própria American Airlines, prevê que a oferta de assentos entre Brasil e Estados Unidos aumentará 13% nos cinco anos seguintes à assinatura do acordo. O diretor regional de vendas da American Airlines, Dilson Verçosa, diz acreditar que existe uma “brecha” para o tema voltar a ganhar força.

“Já vemos uma melhora na economia. E o ‘céus abertos’ pode beneficiar bastante a economia, com aumento de fluxo de passageiros entre os dois países.”O executivo lembra que, na semana passada, foram aprovados acordos de serviços aéreos entre Brasil e os governos de Cuba, Ucrânia e Índia. “O movimento desses países juntos não chega a 10% do que é o tráfego de passageiros com Estados Unidos. Então achamos que essa é uma oportunidade.”

Contra

Entre as aérea contrárias ao movimento de abertura aérea entre o Brasil e os Estados Unidos, a mais vocal tem sido a Azul. “Seríamos favoráveis se tivéssemos as mesmas regras para os dois lados”, afirma o presidente da Azul, John Rodgerson.

Para ele, o problema é que pilotos americanos podem voar mais horas do que os profissionais brasileiros, de modo que as empresas nacionais perderiam competitividade nas rotas entre as duas nações. “Teríamos que mudar as regras para jogar com as mesmas ferramentas.”

“Já vemos uma melhora na economia. E o ‘céus abertos’ pode beneficiar bastante a economia, com aumento de fluxo de passageiros entre os dois países, com base em exemplos.

06 de dezembro de 2017

Rombo previdenciário dos estados cresceu 6,8% em 2016, para R$ 81,9 bilhões

Déficit na previdência, porém, ficou menor do que o relatório preliminar divulgado pelo Tesouro Nacional em agosto deste ano, que apontava rombo de R$ 84,46 bilhões no ano passado.

O rombo na Previdência dos estados somou R$ 81,91 bilhões em 2016, com aumento de 6,83% em relação ao registrado no ano anterior (R$ 76,67 bilhões). Os números foram divulgados nesta quarta-feira (6) pela Secretaria do Tesouro Nacional.

O rombo ou déficit ocorre quando o valor das despesas supera o da arrecadação. Quando a arrecadação é maior, ocorre um superávit, ou seja, o resultado é positivo.

De acordo com o Tesouro Nacional, o déficit previdenciário ficou menor, porém, do que avaliação preliminar feita em agosto deste ano. Naquele momento, a instituição informou que o rombo do ano passado seria de R$ 84,46 bilhões - valor que foi revisado para baixo.

O Tesouro Nacional informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que essa redução do déficit previdenciário calculado para os estados em 2016 se deveu a "uma atualização de números enviados pela própria Previdência Social de agosto pra cá".

O Tesouro informou ainda que identificou um rombo maior do que o informado anteriormente pelos estados.

"Percebe-se que existe uma diferença de R$ 26,09 bilhões entre os resultados previdenciários apurados pelo PAF [Tesouro] e pelo RREO elaborado pelos próprios Estados", informou.

De acordo com a instituição, os números do Estado de São Paulo respondem pela maior parte dessa discrepância (R$ 17 bilhões).

"Isso é fruto da forma como esse Estado apresenta o repasse de recursos para a cobertura do déficit previdenciário, tratando-o como um tipo de contribuição patronal suplementar para o RPPS, o que acaba melhorando seu resultado", explicou o Tesouro Nacional.

A instituição informou que sua metodologia utiliza informações da execução orçamentária dos Estados e do Tesouro Nacional "com ajustes necessários para apurar o custo real dos inativos e pensionistas para o Tesouro do Estado".

Já o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) e a Declaração de Informações Previdenciárias e Repasses (DIPR), divulgada pela Secretaria da Previdência consideram informações declaradas pelos próprios estados, explicou o Tesouro Nacional.

Na última proposta da reforma da Previdência, que poderá ser votada ainda neste mês pelo plenário da Câmara, foi mantida a possibilidade de os estados implementarem regras específicas para a previdência de seus servidores em até seis meses após a eventual promulgação do novo texto.

Entretanto, se dentro de seis meses essas regras estaduais não passarem pelas assembleias legislativas, o texto votado pelo Congresso Nacional também terá validade para seus servidores.

Poupança registra o novembro com mais depósitos em 4 anos

Entrada de recursos somou R$ 3,91 bilhões no mês passado. Na parcial de 2017, porém, houve mais saques do que depósitos de recursos na poupança.

Os depósitos superaram as retiradas em caderneta de poupança em R$ 3,91 bilhões em novembro, informou nesta quarta-feira (6) o Banco Central. Trata-se do maior ingresso líquido de recursos para este mês em quatro anos.

Segundo o BC, em novembro deste ano os depósitos somaram R$ 175,78 bilhões e, os saques, R$ 171,87 bilhões. Os rendimentos (juros) creditados nas contas dos poupadores somaram R$ 3,13 bilhões no mês passado.

Saldo supera R$ 700 bilhões

Com o ingresso de recursos na poupança, no final de novembro o valor total dos recursos depositados (estoque) registrou novo aumento, superando, pela primeira vez, a marca dos R$ 700 bilhões em recursos aplicados.

No fim de dezembro de 2016, o saldo da poupança estava em R$ 664,9 bilhões. Ao fim de outubro de 2017, somava R$ 695,21 bilhões. Já no final de novembro, ficou em R$ 702 bilhões.

Além dos depósitos e das retiradas, os rendimentos creditados nas contas dos poupadores também são contabilizados no estoque da poupança.

Parcial do ano

No acumulado dos 11 primeiros meses deste ano, informou o BC, porém, foi registrada saída líquida (retiradas maiores do que depósitos) de R$ 2,24 bilhões da poupança.

Mesmo com o saldo negativo, esse foi o melhor resultado para este período desde 2014 - quando houve o ingresso de R$ 18,6 bilhões na poupança.

Em todo o ano passado, R$ 40,7 bilhões foram retirados da poupança. O resultado foi o segundo pior da série histórica, que começou em 1995, atrás somente de 2015, quando foram sacados R$ 53,5 bilhões.

Atratividade da poupança

Os recursos deixaram a poupança em novembro em um momento de queda da rentabilidade da modalidade de investimentos.

Esse é um fenômeno que está afetando as aplicações conhecidas como prefixadas, ou seja, que tem por base o juro básico da economia brasileira - que vem recuando desde outubro do ano passado.

Pela norma em vigor, há corte no rendimento da poupança sempre que a taxa Selic está abaixo de 8,5% ao ano. Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC.

Com os juros atualmente em 7,5% ao ano, a remuneração da poupança está em 5,25% ao ano mais a Taxa Referencial.

De acordo com cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os fundos de renda fixa "começam a perder competitividade frente às cadernetas de poupança principalmente nas aplicações de baixo valor."

Nesses casos, observa a Anefac, os fundos têm taxas de administração mais elevadas. "Assim sendo a caderneta de poupança vai continuar sendo uma excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano", acrescentou a entidade.

Analistas avaliam que o Tesouro Direto, programa que permite que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos, também pode ser uma boa opção para os investidores. O programa tem atraído a atenção de aplicadores nos últimos anos.

Governo quer mudar lei para usar dinheiro do FGTS na Caixa

O Planalto pretende concretizar o negócio ainda em dezembro já que, sem dinheiro novo, a Caixa fica sob risco de não poder conceder novos empréstimos a partir de 2018.

O governo intercedeu pela Caixa Econômica Federal e pode aprovar nesta quarta-feira (6) na Câmara um projeto de lei que autoriza o uso de recursos do FGTS na capitalização do banco. A medida foi tomada diante da possibilidade de a operação ser barrada pelo TCU (Tribunal de Contas da União). A Caixa buscava aval da corte sem necessidade de mudança legal.

A Caixa pretendia transformar parte de sua dívida com o FGTS em um novo empréstimo sem prazo de vencimento (perpétuo), o que foi contestado pelo Ministério Público de Contas e pela área técnica do próprio TCU. Ambos pediram uma medida cautelar para garantir que a operação não fosse realizada até o julgamento do mérito pelos ministros da corte. A expectativa era de que Conselho Curador do FGTS aprovasse a liberação dos recursos na semana que vem.

Para ganhar tempo e evitar um revés no tribunal, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, e o Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, informaram que o governo federal adiou a decisão sobre o uso de R$ 10 bilhões em recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para capitalizar o banco.

Ao mesmo tempo, o governo enviou um projeto de lei à Câmara e conseguiu sua inclusão na lista dos projetos que serão votados em regime de urgência.

O Planalto pretende concretizar o negócio ainda em dezembro já que, sem dinheiro novo, a Caixa fica sob risco de não poder conceder novos empréstimos a partir de 2018. Em sessão nesta quarta-feira (6), o ministro Benjamin Zymler, relator de processo que avalia a transação, anunciou que os dois órgãos, por meio de ofícios, se comprometeram a não fazer a capitalização até que a corte julgue o mérito do caso.

Nesta quarta, Zymler explicou que não concederia a cautelar agora, já que o governo se comprometeu a esperar o julgamento de mérito. Ele determinou, no entanto, a oitiva de representantes da Caixa e do FGTS para, em 15 dias, se manifestarem sobre as irregularidades apontadas.

O uso do fundo para injetar recursos na Caixa é uma prioridade do governo, que alega não ter como investir na instituição. Há cerca de quinze dias, o presidente Michel Temer e seus ministros ligaram para autoridades do TCU para pedir celeridade na análise da operação.

A partir de 2018, a Caixa só poderá fazer empréstimos se tiver mais dinheiro próprio para garanti-los. As regras estão previstas no acordo de Basileia III.

O banco tenta refinanciar R$ 10 bilhões dos R$ 260 bilhões em dívidas que tem com o FGTS. Com essa repactuação, o fundo receberá juros mais altos. Mas o débito passará a ser perpétuo (sem possibilidade de resgate do principal). Além disso, a remuneração do título só ocorrerá se a instituição tiver lucro ou reservas para isso. Em determinadas situações, os pagamentos ao credor podem ser suspensos ou até extintos.

Empresas podem optar até 20 de dezembro pela antecipação do eSocial

A partir de janeiro de 2018, o sistema é obrigatório para entidades empresariais com faturamento no ano de 2016 acima de R$ 78 milhões.

Empresas podem optar pela antecipação da implantação do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) até o dia 20 de dezembro. O prazo começou na segunda-feira (4). O cronograma de implantação do eSocial prevê o início da obrigatoriedade do sistema em janeiro para o primeiro grupo de empresas. 

No último dia 29, a Receita Federal anunciou o cronograma de implantação do eSocial. A partir de janeiro de 2018, o sistema é obrigatório para entidades empresariais com faturamento no ano de 2016 acima de R$ 78 milhões. A segunda etapa terá início em 16 de julho de 2018 e abrangerá os demais empregadores, incluindo micros, pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEIs). No caso dos entes públicos, ele será implantado a partir de 14 de janeiro de 2019.

Tanto as empresas do primeiro grupo quanto as demais entidades empresariais e as entidades sem fins lucrativos poderão optar pela antecipação da obrigatoriedade, de acordo com nota divulgada pela Receita hoje (6). Nesse caso, as empresas interessadas deverão acessar a página do eSocial na internet e confirmar a opção. O sistema exige certificado digital para o acesso.

Segundo o órgão, a medida visa a atender pleitos de empregadores que não se enquadram na obrigatoriedade, mas que por integrarem grupos econômicos composto por empresas maiores, pretendem antecipar a implantação do eSocial de forma a uniformizar os procedimentos trabalhistas e previdenciários.

Outro grupo de contribuintes beneficiados é aquele que terá direito a utilizar os benefícios da compensação cruzada, prevista no Projeto de Lei nº 8456/2017, em tramitação no Congresso Nacional, que permitirá o aproveitamento de créditos fazendários para quitação da contribuição previdenciária.

De acordo com a Receita, estima-se um montante da ordem de R$ 4 bilhões em 2018 e R$ 12 bilhões em 2019, com impacto positivo no fluxo de caixa das empresas, principalmente, das exportadoras, já que os valores de créditos são decorrentes, em grande parte, de operações de venda para o exterior. 

O eSocial Empresas é um novo sistema de registro feito pelo governo federal, com o objetivo de desburocratizar e facilitar a administração de informações relativas aos trabalhadores, de forma a simplificar a prestação das informações referentes às obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas. Por meio dele, pretende-se também reduzir custos e tempo da área contábil das empresas na hora de executar 15 obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas.

Com as informações coletadas por cerca de 8 milhões de empresas, será criado um banco de dados único, administrado pelo governo, abrangendo mais de 40 milhões de trabalhadores.

05 de dezembro de 2017

Número de linhas móveis 4G no país supera o de 3G pela primeira vez

Segundo o levantamento, em outubro de 2017 o 4G chegou a 95 milhões de linhas móveis, contra 92 milhões do 3G.

O número de linhas móveis 4G superou as linhas móveis 3G pela primeira vez em outubro de 2017, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) nesta terça-feira (5). Segundo a associação, em outubro o país tinha 95 milhões de linhas 4G e 92 milhões de linhas 3G.

Desde 2015, destacou o levantamento, o número de celulares 3G aumentaram, mas começaram a registrar queda desde então e o crescimento passou a ser mais acentuado no serviço 4G. Em outubro de 2015 haviam 20 milhões de linhas 4G, esse número passou para 53 milhões em 2016 e 95 milhões em outubro de 2017.

Meta para o 2G

O presidente do Sinditelebrasil, sindicado que reúne as principais operadoras de telefonia móvel do Brasil, Eduardo Levy destacou que a meta das empresas agora é zerar a base de linhas móveis 2G, que são basicamente usadas para o serviço de voz, sem acesso à banda larga móvel.

“O maior obstáculo para isso [acabar com as linhas 2G] é o preço dos smartphones”, afirmou. Segundo Levy, o preço médio de um celular com acesso 3G e 4G é de quase um salário mínimo, o que acaba dificultando o acesso de muitas pessoas a esse produto.

De outubro de 2016 para outubro de 2017 a base de linhas móveis que usavam 2G caiu de 51 milhões para 36 milhões, de acordo com dados da Telebrasil.

Receita

Em cinco anos, a receita que as empresas de telefonia ganham de cada usuário pelo uso de dados [internet] passou de 23% da receita total para 62%, segundo dados da Telebrasil. De acordo com a associação, no terceiro trimestre de 2012, 77% do que as empresas recebiam por usuário era do serviço de voz e 23% do serviço de internet. No terceiro trimestre de 2017 o serviço de voz respondeu por 38% da receita e o de dados por 62%.

Para 2018, Levy acredita que essa queda vai se acentuar e pode chegar a uma proporção de 80% da receita de dados e 20% de voz.

Copom inicia reunião com expectativa de redução da taxa básica de juros

Com a inflação mais baixa, a expectativa de instituições financeiras é que a taxa básica seja reduzida de 7,5% ao ano para 7% ao ano.

A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) neste ano começou na manhã de hoje (5), com expectativa de redução da taxa básica de juros, a Selic. Hoje será realizada a primeira parte da reunião e amanhã (6), por volta das 18h20, será divulgada decisão da diretoria do BC.

A taxa básica de juros, a Selic, poderá chegar ao menor nível da história. Com a inflação mais baixa, a expectativa de instituições financeiras é que a taxa básica seja reduzida de 7,5% ao ano para 7% ao ano.

Se a expectativa se confirmar, será o décimo corte seguido na taxa básica. Em outubro, o Copom reduziu, por unanimidade, a Selic em 0,75 ponto percentual, de 8,25% ao ano para 7,5% ao ano. Com essa redução, a taxa se igualou ao nível de maio de 2013.

De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015, patamar mantido nos meses seguintes. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

A expectativa do mercado financeiro é que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), termine este ano em 3,03%, quase no piso da meta (3%). Essa meta tem como centro 4,5%. Para 2018, a previsão é que a inflação fique um pouco maior, mas ainda abaixo do centro da meta, em 4,02%.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Ao reajustar a Selic para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, a tendência do Copom é baratear o crédito e incentivar a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

Receita envia cartas a profissionais liberais que não recolheram previdência

A alíquota da contribuição previdenciária individual é 20% sobre o respectivo salário de contribuição.

A Receita Federal começou a enviar nesta semana 74.442 cartas a profissionais liberais e autônomos de todo o país que declararam rendimentos do trabalho recebidos de outras pessoas físicas, mas não recolheram a contribuição previdenciária correspondente. Apenas no estado de São Paulo serão enviadas 21.485 cartas, das quais 11.269 referentes a contribuintes residentes na capital, informou hoje (5) a Receita Federal.

São alvos da operação profissionais liberais como médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, engenheiros, arquitetos, contadores, advogados e autônomos, como pintores, eletricistas, encanadores, carpinteiros, pedreiros, cabeleireiros, entre outros.

Os indícios levantados na operação indicam uma sonegação total, no período 2013 a 2015, de aproximadamente R$ 841,3 milhões, não considerados juros e multas. Quase 30% desse valor (R$ 247,5 milhões)  referem-se a contribuintes de São Paulo, sendo 15% (R$ 132,5 milhões) paulistanos.

De acordo com a Receita, o objetivo da Operação Autônomos é alertar os contribuintes sobre a obrigatoriedade e eventual ausência ou insuficiência de recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos anos de 2013, 2014 e 2015. Os contribuintes notificados poderão fazer espontaneamente o recolhimento dos valores devidos, com os respectivos acréscimos legais, até o dia 31 de janeiro de 2018.

A partir de fevereiro, a Receita Federal dará início aos procedimentos de fiscalização dos contribuintes que não regularizarem sua situação, apurando e constituindo os débitos com multas que podem variar de 75% a 225% da contribuição devida. Além disso, o contribuinte estará sujeito a representação ao Ministério Público Federal para verificação de eventuais crimes contra a ordem tributária.

A alíquota da contribuição previdenciária individual é 20% sobre o respectivo salário de contribuição. O salário de contribuição, por sua vez, corresponde à remuneração auferida pelo exercício de atividade por conta própria, respeitados os limites mínimos e máximos estabelecidos pela legislação (confira na tabela abaixo):

Ano de 2017 – de R$ 937,00 a R$ R$ 5.531,31

Ano de 2016 – de R$ 880,00 a R$ 5.189,82

Ano de 2015 – de R$ 788,00 a R$ 4.663,75

Ano de 2014 – de R$ 724,00 a R$ 4.390,24

Ano de 2013 – de R$ 678,00 a R$ 4.159,00

“Além de obrigatória, a correta apuração mensal e o correspondente recolhimento da contribuição previdenciária devida pelos profissionais liberais e autônomos reflete positivamente no cálculo de seus futuros benefícios previdenciários”, destacou a Receita.

O próprio segurado contribuinte individual é responsável pela apuração e o recolhimento da sua contribuição previdenciária (INSS) em qualquer agência bancária. Os acréscimos legais podem ser calculados no link: http://sal.receita.fazenda.gov.br/PortalSalInternet/faces/pages/index.xhtml.

De acordo com o Fisco, as inconsistências encontradas pela Receita Federal e as orientações para autorregularização constam da carta que está sendo enviada. Para confirmar a veracidade da correspondência, o cidadão pode acessar o endereço eletrônico http://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/atendimento-virtual e checar a mensagem enviada para a sua caixa postal do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC).

Indústria cresce 5,3% em outubro, maior taxa desde abril de 2013

Com o resultado de outubro, a indústria tem alta acumulada em 2017 de 1,9%, em comparação com primeiros dez meses do ano passado.

A produção industrial brasileira fechou o mês de outubro deste ano com crescimento de 5,3% em relação a outubro do ano passado, registrando a sexta taxa consecutiva de crescimento nesta base de comparação. Foi a taxa mais elevada nesta base de comparação desde os 9,8% de abril de 2013. Os veículos automotores, reboques e carrocerias foram a atividade que mais influenciou a alta.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Brasil, divulgada hoje (5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a setembro deste ano, o crescimento da indústria em outubro foi de 0,2%, o segundo resultado positivo consecutivo na série livre de influências sazonais. Nos últimos dois meses, a alta acumulada é de 0,6%.

Com o resultado de outubro, a indústria tem alta acumulada em 2017 de 1,9%, em comparação com primeiros dez meses do ano passado. Já o acumulado nos últimos doze meses avançou 1,5%. Foi o segundo resultado positivo consecutivo para o acumulado dos últimos doze meses e o mais elevado desde os 2,1% de março de 2014.

Apesar da relativa estabilidade entre setembro e outubro, o crescimento de 0,2% se deu de forma disseminada, com aumento da produção em 15 das 24 atividades pesquisadas. Em setembro, apesar do crescimento revisado de 0,3%, a expansão se deu em apenas oito das atividades pesquisadas.

Categorias econômicas

Em outubro, houve taxas positivas em duas das quatro grandes categorias econômicas. O grupo bens de consumo semi e não-duráveis cresceu 2% e registrou a expansão mais acentuada em outubro, interrompendo dois meses consecutivos de queda na produção - período em que acumulou redução de 2,8%. A categoria bens de capital teve crescimento de 1,1% e manteve o comportamento positivo iniciado em abril, período em que acumulou alta de 11,6%.

Já o setor de bens de consumo duráveis recuou 2% e o de bens intermediários  teve redução de 0,8%. No caso de bens de consumo duráveis, foi interrompida uma série de de três altas consecutivas, período em que acumulou ganho de 9,7%. Já o crescimento de bens intermediários eliminou o avanço de 0,7% verificado em setembro.

Ramos de atividades

O avanço de 15 dos 24 ramos de atividades pesquisados tem como destaque as influências positivas verificadas em farmoquímicos e farmacêuticos, que chegou a crescer 20,3%; e bebidas, com 4,8%. Ambos revertem os resultados negativos registrados no mês anterior: -19,7% e -0,7% respectivamente.

Também contribuíram positivamente a confecção de artigos de vestuário e acessórios (4,3%), a metalurgia (1,6%), as máquinas e equipamentos (1,3%) e os artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (3,8%).

Entre os nove ramos que reduziram a produção nesse mês, o ramo produtos alimentícios (-5,7%) obteve o desempenho de maior relevância para a média global, eliminando a expansão de 3,7% verificada em setembro.

Outros impactos negativos foram registrados nos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%) e de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,2%).

Comparação com outubro de 2016

Na comparação com outubro do ano passado, em que se verificou crescimento de 5,3%, houve resultados positivos em todas as quatro grandes categorias econômicas, em 22 dos 26 ramos, em 61 dos 79 grupos e em 61,9% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias, cujo crescimento chegou a 27,4%, exerceu a maior influência positiva sobre a média da indústria, “impulsionada, em grande parte, pela maior fabricação dos itens automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões, veículos para transporte de mercadorias e autopeças”, segundo a publicação.

Outras contribuições positivas relevantes vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos(crescimento de 22%), de indústrias extrativas (3,1%), de máquinas e equipamentos (8,3%), de metalurgia (6,5%), de produtos de borracha e de material plástico (9,9%), de bebidas (8,3%) e de artigos do vestuário e acessórios (11,8%), entre outros.

Por outro lado, entre as quatro atividades que apontaram redução na produção no período, a principal influência no total da indústria foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,5%).

Entre as categorias econômicas, bens de consumo duráveis (17,6%) e bens de capital (14,9%) assinalaram os avanços mais acentuados entre as grandes categorias econômicas em outubro de 2017, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (4,9%) e de bens intermediários (3,1%) também mostraram taxas positivas nesse mês, mas ambos com crescimento abaixo da média nacional (5,3%).

Os bens de comsumo duráveis tiveram em outubro de 2017 a 12ª taxa positiva consecutiva nesta base de comparação. Os 17,6% registrados foram 0,6 pontos percentuais acima do mês anterior.

Nesse mês, o setor foi particularmente impulsionado pelo crescimento na fabricação de automóveis (23,7%) e de eletrodomésticos da linha marrom (televisores e aparelhos de som e vídeo, com 19,7%). Vale citar também as expansões assinaladas por eletrodomésticos da linha branca (de maior porte, como geladeiras, fogões e lavadoras, com 5,9%), móveis (11,5%), outros eletrodomésticos (6,6%) e motocicletas (10,2%).

Já o setor de bens de capital mostrou crescimento de 14,9% no índice mensal de outubro de 2017, sexto resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais intenso desde dezembro de 2016 (16,3%).

04 de dezembro de 2017

Crise econômica abala autoconfiança dos jovens brasileiros

O estudo mostra que o Brasil passou por uma das piores crises de sua história e a situação difícil está impactando na confiança da geração dos "millennials".

A autoconfiança do jovem brasileiro está mais abalada do que nos outros quatro países latino-americanos pesquisados. É o que aponta dados da pesquisa "Acreditamos nos jovens", para a Arcos Dorados, operadora da marca McDonald's na América Latina, e divulgada hoje (4), durante o "1º Fórum Acreditamos nos Jovens", no auditório do MUBE, em São Paulo. 

De um modo geral, o estudo da Trendsity mostra que o Brasil passou por uma das piores crises de sua história e a situação difícil está impactando na confiança da geração dos "millennials". "Em busca do primeiro emprego, eles encontram mais portas fechadas do que abertas", disse Ilton Teitelbaum, professor-adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e coordenador do estudo.

Enquanto 77% dos jovens brasileiros declaram ter confiança em si próprios, nos outros países da América Latina esse índice chega a 82%. Argentinos, chilenos, colombianos e peruanos também parecem olhar para o porvir com melhores olhos que os brasileiros. No Brasil, de cada dez jovens, sete estão bastante ou totalmente otimistas em relação ao futuro. Nos outros países essa relação é de dez para oito.

Outro sinal de insatisfação dos brasileiros é a vontade de deixar o País no futuro. Mais de um terço dos entrevistados (36%) planejam viver fora do Brasil em algum momento de suas vidas ou permanentemente.

Jovens brasileiros esperam mais confiança da sociedade, aponta pesquisa

Os jovens brasileiros são otimistas, confiam em si, nas suas capacidades e nos seus talentos, mas demandam uma maior confiança da sociedade. Enquanto oito, em cada dez jovens, confiam em seus próprios talentos e habilidades, apenas um terço considera que a sociedade acredita nas capacidades e talentos de sua geração. Eles próprios, em sua maioria, tampouco acreditam que a sociedade e o mercado irão ajudá-los a superar essa percepção negativa. 

Só 16% deles, conforme o levantamento confia, parcial ou totalmente, no apoio social.

"Os jovens brasileiros esperam que a sociedade confie mais neles neste momento, e não, em um futuro distante. Eles querem se sentir inseridos e saber que pertencem a algo maior", disse Teitelbaum, coordenador da pesquisa. "Confiar, para esse jovem, envolve uma via de duas mãos: exige-se alguma coisa, mas, também, se entrega alguma coisa. Ele entrega desempenho, mas quer acreditar na causa que está por trás disso", analisou.

Para os entrevistados, demonstração de confiança é acompanhá-los em seu desenvolvimento profissional e capacitá-los. E isso traz motivação e segurança, algo que eles buscam para seguir em suas trajetórias.

A pesquisa ouviu 1,8 mil jovens em cinco países (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru), em setembro passado. O levantamento aponta para a necessidade de as empresas melhorarem sua comunicação com os jovens e identifica as principais barreiras que eles encontram na hora de procurar emprego: 77% lamentam a exigência de experiência anterior; 69% reclamam da falta de oportunidades; e, para 68%, há falta de confiança na sua geração.

Estatais cortaram 33 mil funcionários em 2017, diz ministério

As estatais encerraram o terceiro trimestre com 506,8 mil funcionários, o menor patamar em sete anos.

O Ministério do Planejamento acredita que as estatais encerrarão o ano com menos de 500 mil funcionários, o que, se confirmado, representará 50 mil empregados a menos que em 2015, divulgou a pasta nesta segunda-feira (4).

O quadro de pessoal dessas empresas vem sendo enxugado ano a ano desde 2014. As estatais encerraram o terceiro trimestre com 506,8 mil funcionários, o menor patamar em sete anos.

O secretário de Empresas Estatais do Planejamento, Fernando Antônio Ribeiro Soares, afirmou que a redução se deve aos programas de desligamento voluntário que vem sendo implementados pelas empresas.

Somente neste ano, 15 estatais realizaram PDV, entre elas a Caixa, a Eletrobras, a Infraero e os Correios.

"O objetivo desses programas é recuperar as estatais, reduzir custos, elevar a produtividade e aproximar os seus indicadores dos de mercado. Há ainda rescaldo dos PDVs, e acreditamos que terminar o ano com menos de 500 mil funcionários nas estatais é plenamente factível", afirmou Soares.

A estatal que mais reduziu seu quadro de pessoal em 2017, na comparação com 2016, foi a Caixa, com uma queda de 7,5% (de 94,9 mil empregados passou para 87,7 mil). O que menos reduziu foi o Banco do Brasil, com uma queda de 2,6% (de 102,4 mil para 99,8 mil empregados).

INVESTIMENTOS

Em tempos de ajuste fiscal, somente 37,4% dos investimentos previstos no orçamento das estatais foi executado, divulgou o Ministério do Planejamento. É o menor percentual desde 2000, quando começa a série histórica.

A Petrobras executou 40,7% dos investimentos orçados; as estatais do setor financeiro, como BB e Caixa, executaram 26,7%; a Eletrobras, 23,4%; e as demais empresas 24,7%.

NÚMERO DE ESTATAIS EM QUEDA

A pasta ainda divulgou que o número de estatais ativas vem se reduzindo. Em 2016, havia 154 estatais ativas; o número caiu para 149 no terceiro trimestre deste ano.

"Isso está em linha com o cenário fiscal que enfrentamos. Na busca do equilíbrio das contas públicas, o ajustamento do tamanho do estado é necessário. Isso se reflete também na redução do número de estatais", afirmou Soares. "Temos que pensar quais as atividades essenciais e fazer as contas. Posso pensar que uma determinada empresa, necessária há anos, hoje não é mais".

Estatais cortaram 33 mil funcionários em 2017, diz ministério

As estatais encerraram o terceiro trimestre com 506,8 mil funcionários, o menor patamar em sete anos.

O Ministério do Planejamento acredita que as estatais encerrarão o ano com menos de 500 mil funcionários, o que, se confirmado, representará 50 mil empregados a menos que em 2015, divulgou a pasta nesta segunda-feira (4).

O quadro de pessoal dessas empresas vem sendo enxugado ano a ano desde 2014. As estatais encerraram o terceiro trimestre com 506,8 mil funcionários, o menor patamar em sete anos.

O secretário de Empresas Estatais do Planejamento, Fernando Antônio Ribeiro Soares, afirmou que a redução se deve aos programas de desligamento voluntário que vem sendo implementados pelas empresas.

Somente neste ano, 15 estatais realizaram PDV, entre elas a Caixa, a Eletrobras, a Infraero e os Correios.

"O objetivo desses programas é recuperar as estatais, reduzir custos, elevar a produtividade e aproximar os seus indicadores dos de mercado. Há ainda rescaldo dos PDVs, e acreditamos que terminar o ano com menos de 500 mil funcionários nas estatais é plenamente factível", afirmou Soares.

A estatal que mais reduziu seu quadro de pessoal em 2017, na comparação com 2016, foi a Caixa, com uma queda de 7,5% (de 94,9 mil empregados passou para 87,7 mil). O que menos reduziu foi o Banco do Brasil, com uma queda de 2,6% (de 102,4 mil para 99,8 mil empregados).

INVESTIMENTOS

Em tempos de ajuste fiscal, somente 37,4% dos investimentos previstos no orçamento das estatais foi executado, divulgou o Ministério do Planejamento. É o menor percentual desde 2000, quando começa a série histórica.

A Petrobras executou 40,7% dos investimentos orçados; as estatais do setor financeiro, como BB e Caixa, executaram 26,7%; a Eletrobras, 23,4%; e as demais empresas 24,7%.

NÚMERO DE ESTATAIS EM QUEDA

A pasta ainda divulgou que o número de estatais ativas vem se reduzindo. Em 2016, havia 154 estatais ativas; o número caiu para 149 no terceiro trimestre deste ano.

"Isso está em linha com o cenário fiscal que enfrentamos. Na busca do equilíbrio das contas públicas, o ajustamento do tamanho do estado é necessário. Isso se reflete também na redução do número de estatais", afirmou Soares. "Temos que pensar quais as atividades essenciais e fazer as contas. Posso pensar que uma determinada empresa, necessária há anos, hoje não é mais".

Empresários devem se envolver no debate político, diz presidente da Vale

O executivo avalia que a participação do empresariado no debate política têm sido pequena nos últimos anos.

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, defendeu nesta segunda-feira (4) que os empresários brasileiros se envolvam no debate político nacional.

"Acho que os empresários devem ser mais vocais e que não deixemos de fazer valer nossas experiências nos últimos anos", afirmou, em resposta à pergunta da plateia durante evento sobre risco-Brasil na FGV (Fundação Getulio Vargas).

"Não só estou disposto a debater, como conclamo todos os meus colegas para que também o façam. Não se trata de impor uma posição, mas de ajudar para que os assuntos sejam suficientemente debatidos", completou.

O executivo, que deixou a Klabin para assumir a Vale em maio, avalia que a participação do empresariado no debate política têm sido pequena nos últimos anos.

"É histórico no Brasil que o empresariado se coloca pouco, por razões compreensíveis: temos que tocar as nossas empresas", comentou o executivo, que deixou o evento sem dar entrevista.

Antes, porém, se reuniu reservadamente com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que também participa do evento e já anunciou que estuda lançar candidatura à presidência em 2018.

Ao jornal Folha de S.Paulo, Meirelles afirmou que o governo Temer deve lançar candidato e que tomará a decisão sobre sua posição na disputa no final de março.

ALEGRIA

Em sua palestra, Schvartsman disse que a Vale trabalha para "fazer a alegria dos acionistas", com a distribuição de dividendos "como nunca pagou em sua história."

A companhia iniciou este ano um processo de restruturação acionária, com fim do bloco de controle -nas mãos de Bradesco e fundos de pensão- e maior pulverização do capital.

No campo administrativo, a mineradora tem como principal meta reduzir o endividamento de US$ 21 bilhões para US$ 10 bilhões.

O executivo defendeu que a empresa precisa demonstrar que pode ter retorno em investimentos feitos durante o superciclo das commodities antes de decidir por novas expansões.

Por isso, completou, todos os recursos gerados serão destinados neste momento a reduzir a dívida acumulada durante os anos de expansão. Depois, o objetivo é garantir retorno aos acionistas.

Segundo ele, em um "ano normal", a Vale gera entre US$ 14 bilhões e US$ 15 bilhões. "É uma grande tentação", comentou, lembrando que alguns investimentos feitos no passado, como a expansão da produção de níquel, ainda não dão o retorno adequado.

O objetivo da administração da mineradora é poder financiar investimentos futuros sem tomar novas dívidas, valendo-se apenas da geração de caixa de suas atividades.

Percentual de famílias endividadas tem quinta alta mensal consecutiva

Apesar da alta do percentual de famílias endividadas, a proporção daquelas com dívidas ou contas em atraso diminuiu em novembro.

O percentual de famílias endividadas alcançou 62,2% em novembro de 2017, com aumento de 0,4 ponto percentual na comparação com outubro. Este foi o quinto mês seguido de altas no indicador, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada nesta segunda-feira (4) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

A Peic aponta ainda um recuo no percentual de famílias inadimplentes. Além de ser a quinta alta consecutiva no indicador, também houve incremento de 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o indicador alcançava 59,6% do total de famílias. As informações são da Agência Brasil.

Para a economista da CNC, Marianne Hanson, "a taxa de desemprego ainda bastante alta ajuda a explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia e o pessimismo elevado em relação à capacidade de pagamento".

INADIMPLÊNCIA

Apesar da alta do percentual de famílias endividadas, a proporção daquelas com dívidas ou contas em atraso diminuiu em novembro, atingindo 25,8% das famílias, ante 26% em outubro. A segunda queda mensal consecutiva do indicador acontece após ele ter alcançado o maior patamar do ano em setembro (26,5%). Na comparação com novembro de 2016, entretanto, houve alta de 1,4 ponto percentual.

A proporção de famílias que declararam não ter condições de pagar as suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes ficou estável em 10,1% entre outubro e novembro, embora tenha apresentado alta em relação aos 9,5% de novembro do ano passado.

NÍVEL E PRAZO

A Peic aponta estabilidade no percentual de famílias que se declararam muito endividadas, que permaneceu em 14,6% do total. Na comparação anual, a variação foi de apenas 0,1 ponto percentual.

Já o percentual de famílias pouco endividadas teve leve alta de 0,9 ponto percentual na comparação mensal: passou de 24,5% para 24,6% do total de entrevistados -o que também indica estabilidade. Em relação ao mesmo período do ano passado este aumento foi de 0,6%.

O tempo médio de atraso para o pagamento de dívidas foi de 64,2 dias em novembro deste ano, superior aos 63,3 dias de novembro de 2016. "Em média, o comprometimento com as dívidas das famílias foi de 7,1 meses, sendo que 32,3% das famílias possuem dívidas por mais de um ano. Entre aquelas endividadas, 23,8% afirmam ter mais da metade da sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas", apurou a pesquisa.

Segundo a CNC, para 76,9% das famílias que possuem dívidas, o cartão de crédito permanece como a principal forma de endividamento, seguido de carnês (16,7%) e financiamento de carro (10,4%).

A Peic é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

Mercado financeiro aumenta projeção para crescimento da economia

Na última sexta-feira (1º), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB fechou o terceiro trimestre de 2017 com alta de 0,1% na comparação com o segundo trimestre.

O mercado financeiro espera um crescimento maior da economia neste ano. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, subiu de 0,73% para 0,89% este ano, e de 2,58% para 2,60% para 2018. As informações são do boletim Focus, uma publicação divulgada no site do Banco Central (BC) todas as semanas, com projeções para os principais indicadores econômicos.

Na última sexta-feira (1º), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB fechou o terceiro trimestre de 2017 com alta de 0,1% na comparação com o segundo trimestre. Nos nove meses do ano, o crescimento acumulado ficou em 0,6%, em relação a igual período de 2016.

Enquanto, o mercado financeiro aumentou a projeção de crescimento econômico, a estimativa para a inflação em 2017 caiu. A expectativa é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano em 3,03%. A projeção anterior era 3,06%. Essa foi a segunda redução consecutiva.

Para 2018, a estimativa para o IPCA foi mantida em 4,02%. As projeções para 2017 e 2018 permanecem abaixo do centro da meta de 4,5%, que deve ser perseguida pelo BC. Essa meta tem ainda um intervalo de tolerância entre 3% e 6%.

Para alcançar a meta, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 7,5% ao ano. A expectativa do mercado financeiro é que a Selic caia para 7% ao ano, nesta semana, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2017. Para o fim de 2018, a estimativa para a taxa segue em 7% ao ano.

Mulheres investem em negócio como fonte de renda extra para a família

Tudo começou com a produção de pão de mel, logo se estendendo para outros produtos

 Para tentar melhorar a renda, muitas famílias decidem por abrir um empreendimento. Muitas vezes, a iniciativa do trabalho parte das mulheres que buscam, não somente uma fonte de renda extra, como uma oportunidade de montar seu próprio negócio. Geralmente os produtos são feitos e vendidos na própria residência, economizando assim os gastos com locação de imóveis e maquinários, além de envolver todos os membros da família, o que reduz custos com funcionários.

Para essas mulheres, apesar dos esforços, investir no negócio foi o melhor investimento feito no momento. É o que conta a analista de recursos humanos, Layane de Moraes Santos (31), que há oito meses decidiu investir em doces e bolos. Tudo começou com a produção de pão de mel, logo se estendendo para outros produtos.

"Quando eu engravidei fiquei afastada do trabalho devido à licença maternidade, então eu fiz uma receita de pão de mel, pois era um doce que não conhecia. Meu esposo e a família aprovaram, ele levou para a faculdade, as pessoas gostaram e começaram as encomendas", cita.

Para essas mulheres, apesar dos esforços, investir no negócio foi o melhor investimento feito no momento para garantir renda extra. Foto: Jailson Soares/ODIA

Mesmo com um bebê recém-nascido, um filho de 10 anos, esposo e casa para administrar, Layane decidiu investir na produção do doce, que foi ganhando cada vez mais adeptos e opções variadas.Além do pão de mel, a analista de recursos humanos aumentou o portfólio, incrementando na produção bolo no pote e bolos confeitados.

"Como a maioria dos brasileiros, quando chega no final do mês o salário já acabou, então é o dinheiro dos doces que ajuda a pagar as contas, comprar o gás que acaba inesperadamente, o lanche do meu filho. Não posso dizer que é uma renda que substitui meu salário, porque eu ainda não posso deixar de trabalhar e viver só com o que produzo, mas complementa muito", acrescenta.

Foi o que também aconteceu com a servidora pública Eliza Santos (43), que há um ano decidiu montar seu próprio negocio. Ela conta que seu esposo ficou desemprego e, como só ela estava mantendo as despesas da casa, os custos estavam ficam apertados.

Como os dois têm muita afinidade no preparo de refeições e ela na confecção de bolo, decidiram abrir uma pequena produção para os amigos e familiares, além de montar uma tapiocaria.

"Como os bolos também não era suficientes para complementar a renda, optamos por abrir um espaço onde vendêssemos tapioca. E com o aumento da clientela, eles passaram a exigir outros pratos. Hoje já estamos um pouco maior e nosso cardápio está bem variado", disse.

Enquanto Eliza fica responsável pelo preparo dos doces e demais alimentos, seu esposo fica à cargo de preparar as carnes e churrasco. A tarefa é dividida e os dois compartilham o trabalho árduo diariamente. Além da tapioca e dos bolos, o casal optou por ofertar também refeições, como baiao de dois, panelada, sarapatel e carneiro, atraindo ainda mais o público.

"Vai fazer um ano que abrimos e podemos ver que teve um aumento da nossa renda. Eu tenho uma renda principal, mas o restaurante já se paga e o que tiramos com a venda das comidas cobre as despesas", explica Eliza Santos.

De acordo com ela, as mulheres têm alma empreendedora e guerreira, pois para dar melhor qualidade de vida para a família, muitas vezes toma frente de um papel que, normalmente é do homem, e enfrenta o desafio sozinha. "E essa força da mulher faz até com que o empreendimento dure mais tempo no mercado, porque ela é mais caprichosa e detalhista com o negócio que ela tá montando", fala.

Com o crescimento da produção de doces, Layane de Moraes conta que pretende, até o final deste ano, estar com sua 'food bike' pronta. O veículo consiste, basicamente, em uma bicicleta adaptada com compartimentos para venda dos produtos. "É uma bicicleta com compartimento de refrigeração, toda adaptada. Inicialmente eu pretendo trabalhar em eventos, como aniversários, formatura e, a partir do ano que vem, pretendo viver só com a venda dos meus doces", explica.

Divulgação ajuda a expandir negócio

A divulgação também é uma ferramenta muito importante para expandir os negócios. Além do boca a boca, as redes sociais são grandes aliadas na hora de atrair o público e divulgar os produtos.

Layane de Moraes, por exemplo, iniciou a divulgação dos doces através do esposo, que levou os produtos para a faculdade onde estudava, além de apresentar no trabalho e para familiares e amigos. A propaganda deu tanto certo que ela decidiu criar uma conta na internet para divulgar os doces que produz, atraindo assim mais clientes.

"No início era de boca a boca, mas também uso aplicativos de mensagens instantâneas e de fotos. E tem retorno, agora mais do que no início. E eu também ofereço para a pessoa provar e, se ela não gostar não precisa pagar, mas as pessoas sempre gostam", fala a jovem.

Eliza Santos também conta que a divulgação do espaço acontece através da ajuda de familiares e amigos. Esse tipo de propaganda tem feito o empreendimento descer, sendo possível a expansão e ampliação do cardápio.

Piauí é o estado do Nordeste que mais depende da União, aponta estudo

Segundo o relatório, no Nordeste, sete estados apresentaram redução na dependência da União

Um estudo divulgado na última semana pelo Banco do Nordeste sobre os nove estados que compõem a região de atuação do banco, mostra que o Piauí é o estado nordestino que mais depende de repasses constitucionais da União, como o Fundo de Participação dos Estados.

 Em agosto de 2017, o índice de Dependência Financeira (IDF) do Piauí ficou 0.46, numa escala de 1 a 0 em que quanto mais próximo de 1, maior a dependência dos repasses da União. Em agosto de 2016, o índice foi de 0.49. O IDF corresponde à relação entre as Transferências da União e a Receita Corrente Líquida (RCL). 

As Transferências da União são representadas pela soma do Fundo de Participação dos Estados e Transferências Discricionárias. Já a Receita Corrente Líquida corresponde à arrecadação obtida pelo próprio estado. “O IDF mostra a capacidade de uma unidade federativa em gerar receitas a partir de sua própria base econômica, isto é, de sua própria arrecadação de tributos. Quanto mais o IDF for próximo de zero, menor será a dependência da unidade federativa em relação às transferências federais”, diz o relatório do Banco do Nordeste.

Segundo o relatório, no Nordeste, sete estados apresentaram redução no indicador IDF entre agosto de 2016 e agosto de 2017, ou seja, reduzindo a dependência de recursos federais.  Apenas a Bahia permaneceu com o mesmo índice de dependência da União e o estado de Pernambuco aumentou a dependência.

Para Antônio Ricardo de Norões Vidal, autor do estudo, a dependência dos estados do Nordeste das Transferências Federais é reflexo de uma base econômica ainda incipiente nessa Região, com elevado nível de informalidade nas relações econômicas, gerando, assim, uma modesta arrecadação tributária.

02 de dezembro de 2017

Investimento em start-ups aumenta arrecadação de impostos

Para cada R$ 1 investido, são gerados pelo menos R$ 5,84 em tributos em prazo de cinco anos.

Estudo realizado pela consultoria Grant Thornton, em parceria com a Anjos do Brasil (associação que apoia o investimento-anjo em empresas iniciantes no Brasil) indica que a redução de impostos sobre injeções de capital em start-ups pode gerar aumento de arrecadação para o governo.
Segundo a análise, para cada R$ 1 investido, são gerados pelo menos R$ 5,84 em tributos em prazo de cinco anos, mesmo oferecendo isenção de impostos para investimentos do tipo.
O estudo levou em conta simulação de arrecadação gerados por uma carteira de investimentos com 10 start-ups, cada uma recebendo R$ 400 mil em troca de 20% de suas ações.
Na simulação, o investidor dessas companhias teria perdido o capital em 5 delas, recuperado o dinheiro em 3 e tido retorno de 10 vezes o valor investido em 2.
Partindo dessas premissas, foi estipulado um valor de faturamento anual para cada tipo de empresa, variando de R$ 96 mil ao ano a R$ 3,9 milhões.
Sobre esse valor, a consultoria avaliou quanto imposto cada companhia pagaria durante o período.
Para o investidor, foi considerada isenção de impostos sobre ganho de capital e dedução de parte do valor investido no Imposto de Renda.
No Brasil, são investidos anualmente cerca de R$ 850 milhões por investidores do tipo, enquanto o mercado americano é de US$ 21,3 bilhões.
"O investimento anjo no Brasil pode chegar aos R$ 3 bilhões por ano no curto prazo, e a R$ 5 bilhões no médio prazo. Sem estímulos, o país continuará na periferia das economias mais modernas", diz o estudo.
Em julho, a Receita Federal definiu as regras para a tributação de ganhos do investidor-anjo na venda de start-ups investidas. O Fisco definiu que sobre eles incidiriam alíquotas entre 15% e 22,5%.
Apesar de o percentual ter sido mantido o mesmo que já era praticado anteriormente, a norma gerou frustração nos investidores, que esperavam tratamento favorável e consideraram que a manutenção das alíquotas reprime o crescimento do mercado.

Pequenos negócios exportadores crescem 12% em 2016, diz estudo

Mais de 8 mil empresas de micro e pequeno porte venderam mercadorias para o exterior, alcançando o recorde da série histórica

Um estudo divulgado pelo Sebrae mostrou que o número de pequenos negócios exportadores registrou um crescimento de 12% em 2016 na comparação com 2015. As informações são da Agência Brasil.
Em 2011, as micro e pequenas empresas (MPE) representavam 32,8% do total de empresas exportadoras. Em 2016, a participação subiu para 38%, quando mais de 8 mil empresas de micro e pequeno porte venderam mercadorias para o exterior, alcançando o recorde da série histórica.
Apesar do cenário econômico de 2016, com juros altos e a falta de crédito, as MPE faturaram US$ 997,7 milhões em vendas para fora, o que significou alta de 6% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o valor exportado pelas médias e grandes empresas caiu 3,5%.
O estudo mostrou que 90% das empresas de micro e pequeno porte que exportam estão concentradas em cinco estados, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.
Em 2016, o foco das exportações das MPE foram os mercados dos Estados Unidos e do Canadá com 20,5% das vendas totais, do Mercosul com 20,3% e da União Européia com 20,2%. Os principais produtos exportados pelas microempresas são vestuário, calcados e , pedras preciosas ou semipreciosas, enquanto as pequenas empresas se destacaram nas exportações de madeira serrada, obras de mármore e granitos e também na de pedras preciosas.
O desempenho é apurado pelo estudo As Micro e Pequenas Empresas nas Exportações Brasileiras - 2009 a 2016, realizado pelo Sebrae com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior.

Vendas de pescados devem crescer 10% nos supermercados

Uma das grandes apostas deste ano é o salmão fresco do Chile, que está com um valor mais acessível

As gôndolas dos supermercados já estão preparadas para as festividades de final de ano. Itens de Natal, pescados, vinhos e tudo que lembra essa época do ano podem ser encontrados nos supermercados. Algumas redes apostam em até 15% no crescimento das vendas em itens como bacalhau.

As lojas do Extra e do Pão de Açúcar trazem toda a variedade dos pescados de Portugal e da Noruega.  Juntas, as redes apostam em um crescimento de vendas de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa boa expectativa acontece principalmente em função da negociação dos itens sazonais junto aos principais fornecedores, que garantiram as melhores opções com boa relação custo-benefício. 

Os clientes já podem encontrar os legítimos bacalhaus Porto Imperial (gadus Morhua), o Porto (gadus Macrocephalus) os tipos Ling, Saithe, além da peixaria congelada, que conta com produtos como Polaca, Panga e Merluza. 

Além destes itens de maior volume, as redes apostam em diferenciais como o típico bolinho de bacalhau português, a sardinha portuguesa e arenque norueguês.  

Uma das grandes apostas deste ano é o salmão fresco do Chile, que está com um valor mais acessível na comparação como ano passado devido a maior disponibilidade da indústria. O peixe também garante excelentes combinações para os sushis, sashimis e temakis elaborados diariamente nas lojas do Pão de Açúcar. 

O bacalhau dessalgado também é um produto que merece destaque, já que caiu no gosto do consumidor e os supermercados vêm apostando cada vez mais nessa categoria, oferecendo uma variedade de cortes para melhor atender os consumidores. Este ano, a estimativa é crescer 15% somente nas vendas dessas opções.

Energia mais cara pesa na decoração do período natalino

Reajuste anual de 27,63% e bandeira vermelha fizeram a conta aumentar, desestimulando decoração nas casas de Teresina

No período do fim do ano, é comum as residências se iluminarem para celebrar a chegada do Natal. Pisca-piscas, arranjos luminosos e decorações vivas fazem parte da tradição do mês de dezembro. No entanto, um novo cenário ameaça o que era constante em grande parte dos lares piauienses. Após reajuste na tarifa energia elétrica, famílias dizem que escolherão passar o Natal sem investir em luzes para não aumentar o consumo elétrico.

É o caso de Paulo Santos, que ainda não pôs nenhuma decoração na casa em que divide com a esposa e os dois filhos. Apesar de ser um entusiasta do período natalino e anualmente decorar a casa para celebrar a ocasião, este ano, o empreendedor disse que fará uma redução no que costumava preparar.

“Ano passado coloquei mais de dez conjuntos de luzes, mas com esse aumento agora fica impossível a gente fazer igual. Vamos celebrar o Natal sim, mas de uma forma bem mais tímida”, considera acrescentando que viu a conta de luz aumentar de pouco mais de R$ 100 para R$ 220.

O incômodo de Paulo e tantos outros consumidores piauienses é explicado pelo gerente de Faturamento da Eletrobrás Piauí, Glauco Rodrigues. Em setembro, entrou em vigor o reajuste anual médio de 27,63% na tarifa energia elétrica para clientes da Eletrobras Piauí, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Em setembro do ano passado, tivemos um reajuste que foi de 1,41% e nesse ano teve o novo reajuste que foi de 27.63%. Foi um aumento considerável. Por isso, o consumidor sentiu tanto. Além disso, entrou em vigor a bandeira vermelha patamar 2, o que pesou ainda mais sobre o uso de energia”, explica.

No período, a bandeira tarifária vermelha (patamar 2) teve custo de R$ 3,50 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. “Em outubro, a bandeira vermelha patamar 2 era R$ 3,50 a cada 100kWh consumidos, mas em novembro teve um novo reajuste no valor da bandeira, que passou de R$ 3,50 para R$ 5 a cada 100 kWh consumidos, isso pesou ainda mais”, lembra o gerente.

Essa foi a primeira vez que o patamar 2 foi acionado - desde que a bandeira vermelha passou a contar com as duas graduações, em janeiro de 2016.

Com a carga de aumentos em sucessão, o consumidor sentiu a elevação consideráveis ao consumir energia elétrica. Mas Glauco lembra que a partir de dezembro, a bandeira volta a ser patamar 1, no valor de R$ 3 a cada 100 Kwh consumidos. O gerente destaca, ainda, que as pessoas podem ter estratégias para não se privar das luzes natalinas.

“Essas lâmpadas utilizadas para decorações natalinas são de baixo consumo porque utilizam tecnologia apropriada para isso. O consumidor deve saber pesar e equilibrar o uso desses artifícios, pois é possível utilizar os itens de decoração e manter o controle no consumo”, recomenda.

Explicação

Os aumentos programados pela Aneel levam em consideração, entre outras coisas, as situações dos reservatórios do país e o preço do combustível. “Este ano, a Aneel também mudou a forma de cálculo para reajuste tarifário porque ela passou a aplicar de forma mais exata os índices de perdas, tanto administrativas quanto técnicas. As administrativas são as ligadas a inadimplência e as técnicas aos desvios de energia, os chamados ‘gatos’. Esse valor é repassado também para o consumidor. Infelizmente, é o bom pagador pagando pelo mal pagador”, finaliza.

01 de dezembro de 2017

Ministro da Fazenda culpa agricultura por estabilidade do PIB no 3º tri

A alta de 0,1% veio abaixo da esperada pelo mercado, que apostava em um crescimento de 0,3%.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira (1º) em rede social que a alta do PIB entre julho e setembro, de 0,1%, "pode parecer" baixa, mas que é forte sem a agricultura, que caiu por razões típicas do período.

A alta de 0,1% veio abaixo da esperada pelo mercado, que apostava em um crescimento de 0,3%.

"O crescimento do PIB entre julho e setembro, de 0,1% contra o trimestre anterior, pode parecer baixo, mas é forte se analisado por setores. Sem a agricultura, que caiu por razões sazonais, o crescimento foi de 1,1%", declarou o ministro em rede social.

Ele destacou que a produção industrial avançou 0,8% no terceiro trimestre, com destaque para a indústria de transformação, que cresceu 1,4% no período.

"O avanço acumulado no ano até setembro é de 0,6%, número que já supera a previsão inicial dos economistas para 2017. Isto mostra que o Brasil segue uma trajetória de crescimento", escreveu.

Ele destacou ainda que o investimento teve crescimento de 1,6% no terceiro trimestre. "Foi o primeiro resultado positivo após 15 trimestres seguidos de queda. O avanço mostra otimismo em relação ao futuro".

No primeiro trimestre, a economia brasileira interrompeu a sequência de oito quedas e cresceu 1,3% do PIB, favorecida pela forte safra agrícola.

O principal fator para o resultado positivo no primeiro trimestre foi o desempenho do setor agropecuário, que cresceu 13,4% no período, embalado por safras recordes de grãos.

BANDEIRA DO BRASIL

Meirelles, apontado como candidato a presidente nas eleições de 2018, vem sofisticando sua comunicação nas redes sociais, com a publicação de vídeos de seus compromissos e fotos com frases sobre a economia.

Nesta sexta, publicou um gráfico com a comparação do desempenho do PIB entre o terceiro trimestre deste ano e os mesmos períodos de 2015 e 2016, quando a economia caiu 1,6% e 0,8%, respectivamente.

No quadro, abaixo do nome do ministro, está uma bandeira do Brasil.

ALTA DE 1% EM 2017

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também comentou o desempenho do PIB em rede social.

De acordo com ele, se o ritmo atual de expansão da economia for mantido, o PIB subirá 1% em 2017 -a estimativa oficial de crescimento hoje é de 0,5%, e o Banco Central projeta alta de 0,7%.

"Dados do terceiro trimestre mostram que a recuperação da economia está consolidada com o crescimento do consumo das famílias (+4,8%) e do investimento (+6,7%)", disse Oliveira. "Pela primeira vez após quatro anos, os dois principais componentes da demanda, consumo das famílias e investimento, registram crescimento positivo no mesmo trimestre".

Ele destacou que a indústria de transformação, as exportações e o comércio tiveram o terceiro trimestre consecutivo de crescimento. "Isso significa uma expansão gradual e continuada desses setores".

Oliveira disse ainda que o PIB só não foi melhor pelo crescimento das importações. "O que não deixa de ser boa notícia, pois confirma que a economia doméstica está mais aquecida e é mais um sinal de retomada".

O ministro do Planejamento ainda lembrou a necessidade de reformas. "A trajetória positiva do PIB para os próximos trimestres mostra a necessidade de aprovação das reformas, principalmente a da Previdência, para tornar o crescimento sustentável."

Superavit da balança comercial atinge marca de US$ 62 bi no ano

os 11 primeiros meses do ano, as exportações superaram as importações em US$ 62 bilhões.

Em um mês tradicionalmente marcado por baixas vendas ao mercado externo, o superavit da balança comercial caiu em novembro. No mês passado, o país exportou US$ 3,54 bilhões a mais do que importou, informou nesta sexta (1º) o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. O saldo positivo é inferior ao superavit de US$ 4,75 bilhões registrado em novembro do ano passado. As informações são da Agência Brasil.

Apesar do recuo, a balança comercial atingiu uma marca inédita. Nos 11 primeiros meses do ano, as exportações superaram as importações em US$ 62 bilhões. Esse é o melhor resultado para o período desde o início da série histórica, em 1989. De janeiro a novembro do ano passado, a balança comercial tinha registrado superavit de US$ 43,26 bilhões.

O saldo positivo até novembro supera todo o superavit comercial registrado em 2016: US$ 47,7 bilhões, até então o melhor resultado da série histórica. De acordo com o ministério, a expectativa é que a balança comercial encerre 2017 com superavit entre US$ 65 bilhões e US$ 70 bilhões.

EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES

Em novembro, o Brasil exportou US$ 16,68 bilhões, alta de 2,9% sobre o mesmo mês do ano passado pelo critério da média diária. O aumento decorreu principalmente da valorização das commodities (bens primários com cotação internacional) no mercado externo. A recuperação da economia, no entanto, fez as importações subir em ritmo maior. No mês passado, o país comprou US$ 13,14 bilhões do exterior, alta de 14,7% na mesma comparação também pelo critério da média diária.

Em relação às exportações, as vendas de produtos básicos aumentaram 26,5% em relação a novembro do ano passado. As vendas de produtos semimanufaturados subiram 3,1%. No entanto, as exportações de produtos manufaturados caíram 14,2% na mesma comparação. O crescimento das importações foi puxado pelas compras de combustíveis e lubrificantes (+69,2%), de bens de consumo (+20%), de bens de capitais (máquinas e equipamentos para produção), com alta de 10,8%, e de bens intermediários (+6,7%).

De janeiro a novembro, o país exportou US$ 200,15 bilhões, com alta de 18,2% sobre os 11 primeiros meses do ano passado pelo critério da média diária. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 138,14 bilhões, crescimento de 9,6% em relação ao mesmo período de 2016, também pela média diária.

Índice de Preços ao Consumidor Semanal teve alta de 0,36% em novembro

A pesquisa é feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) nas seguintes capitais: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) teve alta de 0,36%, em novembro, com 0,04 ponto percentual maior do que em outubro (0,32%). No acumulado desde janeiro, houve aumento de 3,01% e, nos últimos 12 meses, de 3,35%.

A pesquisa é feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) nas seguintes capitais: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

Alta na passagem aérea pesou na inflação (Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil)

Nesse penúltimo mês do ano, o maior impacto inflacionário foi constatado no grupo educação, leitura e recreação que passou de uma alta de 0,01% para 0,33% e o que mais pesou nessa classe de despesa foi o reajuste da passagem aérea (de -4,93% para 3,88%).

Em termos percentuais, as maiores taxas do período foram registradas nos grupos transportes (de 0,79% para 0,80%) sob o efeito da gasolina (de 2,51% para 3,17%) e em habitação (de 0,80% para 0,77%) que, apesar disso, perdeu um pouco a intensidade de aumento por causa da queda de preço dos móveis (de 0,36% para -0,60%).

Em saúde e cuidados pessoais, o índice subiu de 0,31% para 0,39%, em vestuário (de -0,27% para 0,01%), comunicação (de 0,23% para 0,40%) e despesas diversas (de 0,01% para 0,08%) . Já em alimentação que também tem peso sobre o resultado do IPC-S, ocorreu recuo de 0,26% , taxa mais expressiva do que em outubro quando em média os itens alimentícios tinham caído em 0,19%. Entre os itens destaque para as hortaliças e legumes (de -0,99% para -3,91%).

Em geral, os itens que mais contribuíram para o avanço do índice foram: tarifa de eletricidade residencial (3,98%); gasolina (3,17%) ; plano e seguro de saúde (0,95%); (condomínio residencial (1,345%) e etanol (3,31%).

As que mais ajudaram a compensar esses aumentos foram o tomate (-14,05%); tarifa de telefone residencial (-1,87%); banana-prata (-8,64%); tarifa de ônibus urbano (-0,33%) e ovos (-4,64%).

Projeto de lei prevê a criação de depósito voluntário de bancos no BC

Segundo o Banco Central, medida tem o objetivo de diversificar e aperfeiçoar os instrumentos de política monetária, e faz parte da Agenda BC+.

O Banco Central (BC) poderá receber depósitos voluntários remunerados de instituições financeiras. É o que prevê um projeto de lei enviado nessa quinta-feira (30) ao Congresso Nacional. Segundo informou hoje (1°) o BC, o projeto permite o acolhimento de depósitos voluntários a prazo de instituições financeiras.

Banco Central (Foto: Enildo Amaral)

De acordo com o BC, a medida tem o objetivo de diversificar e aperfeiçoar os instrumentos de política monetária e faz parte da Agenda BC+ (medidas para tornar o crédito mais barato, aumentar a educação financeira, modernizar a legislação e tornar o sistema financeiro mais eficiente), pilar Legislação Mais Moderna.

“Bancos centrais de reconhecida reputação técnica, tais como o Federal Reserve Bank dos Estados Unidos, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu, contam com depósitos voluntários remunerados entre seus instrumentos de administração da liquidez [recursos disponíveis]”, diz o BC.

Segundo o BC, o novo instrumento tem diversas características favoráveis, como “efetividade na absorção de recursos livres no sistema bancário, simplicidade, baixo custo operacional e fácil entendimento pelos agentes financeiros”.

O BC acrescentou que as operações compromissadas com títulos de emissão do Tesouro Nacional continuarão sendo o principal instrumento para implementar a meta para a taxa Selic, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Por meio das operações compromissadas, o Banco Central usa o estoque de títulos públicos em sua carteira para regular a política monetária. Quando o Copom aumenta os juros básicos da economia, o BC vende títulos para retirar parte do dinheiro em circulação, encarecendo o crédito e segurando os preços. Quando a taxa Selic é reduzida, o BC compra os papéis compromissados e injeta dinheiro no mercado.

“A captação de depósitos voluntários atuará como instrumento complementar para a gestão da liquidez no mercado de reservas bancárias. Após a aprovação da lei, o novo instrumento será introduzido de maneira gradual e parcimoniosa, com limites a serem estabelecidos pela regulamentação do Banco Central”, acrescentou.

Informações sobre os volumes de depósitos voluntários, por prazo de vencimento, serão publicados diariamente no site do BC.

30 de novembro de 2017

Governo pode criar nova empresa para controlar Eletronuclear a Itaipu

Informação está em documento divulgado ao mercado pelo Ministério de Minas e Energia. Governo também diz que indicará presidente do Conselho de Administração da Eletrobras após privatização.

O governo comunicou nesta quinta-feira (30) que poderá criar uma nova empresa para ser controladora da Eletronuclear e da hidrelétrica de Itaipu. As duas são hoje subsidiárias da Eletrobras, mas ficarão de fora do processo de privatização da estatal.

O comunicado ao mercado foi feito por um ofício assinado pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. A previsão deve estar em um projeto de lei que o governo enviará ao Congresso Nacional.

No comunicado divulgado ao mercado, o governo confirma que fará uma reestruturação societária para manter sob controle da União a Eletronuclear e a Itaipu Binacional - usina que o Brasil administra junto com o Paraguai.

A decisão do governo de privatizar a Eletrobras foi anunciada em agosto. A proposta é emitir ações da estatal no mercado e assim diluir a participação da União.

Golden share e Conselho de Administração

O documento divulgado nesta quinta também confirma que a União deterá as chamadas "golden share" da Eletrobras após a privatização. As "golden share" são ações especiais que dão ao detentor o poder de veto sobre alguns assuntos.

Além disso, informa o comunicado, o governo federal terá a prerrogativa de indicar o presidente do Conselho de Administração da Eletrobras após a privatização.

Outra medida prevista é a definição de um novo gestor para o Luz para Todos, programa de universalização do acesso à energia elétrica. A Eletrobras ficará responsável pelo programa até dezembro de 2018. A partir de janeiro de 2019, haverá um novo gestor.

O Luz para Todos é financiado por meio de encargo incluído na tarifa de energia de todos os consumidores brasileiros.

Emissão de ações

O documento faz ainda uma simulação da emissão de ações necessária para que a União fique com menos de 50% do capital votante da Eletrobras - o que transferirá o controle da empresa para o capital privado.

Segundo o comunicado, a União controla, direta ou indiretamente, 75,4% das 1.087.050.297 ações da Eletrobras com direito a voto. Para que a União passe a deter menos de 50% do capital votante, seria necessária uma emissão de cerca de 553.036.344 ações ordinárias.

Considerando o valor da ação no dia 13 de novembro, a Eletrobras receberia pelo menos R$ 11,2 bilhões nessa operação.

Quase 100% das vagas criadas no setor privado são informais, diz IBGE

Os empregos com carteira ficaram em 17 mil no período, um número considerado pequeno do ponto de vista estatístico.

Quase 100% das vagas geradas no setor privado neste ano foram informais, segundo análise do IBGE baseada nos dados extraídos da pesquisa Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo instituto.

Os cálculos de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, são aproximados e demonstram a tendência de informalidade verificada na geração de emprego recente no país.

A Pnad Contínua mostra que aproximadamente 2,3 milhões de postos foram criados neste ano de 2017, desde o trimestre iniciado em fevereiro.

Destas, Azeredo avalia que cerca de 1,7 milhão são postos voltados para a informalidade, ou seja, é possível afirmar que 76% das vagas geradas dentro do ano têm características informais. O restante foi serviço público (511 mil).

São vagas geradas no trabalho sem carteira (721 mil), empregadores (187 mil), trabalhadores domésticos (159 mil) e por conta própria (676 mil) -modalidades consideradas de menor qualidade em relação aos postos com carteira assinada, protegidos pela lei trabalhista. É o trabalhador que perdeu o emprego formal na construção e passou a atuar com pedreiro independente em pequenas obras, contratando ajudantes, o que o coloca na categoria de empregador. Também pode ser aquele que passou revender comida feita em casa ou cosméticos, por exemplo, encaixando-se na modalidade do conta própria.

Os empregos com carteira ficaram em 17 mil no período, um número considerado pequeno do ponto de vista estatístico.

"É possível fazer essa aproximação porque, no momento em que o trabalho por conta própria está aumentando, parte expressiva das vagas de empregadores também têm grandes chances de serem informais", diz Azeredo.

A conta é aproximada. Dentro do grupo de trabalhadores por conta própria e empregadores pode haver uma minoria de pessoas que não estão em características informais.

Tamanha informalidade se explica pela crise. "Tem uma crise econômica e um cenário político conturbado que, de certa forma, inibe o processo de empreender e, consequentemente, cresce a informalidade. As pessoas estão entrando no mercado através de alimentação, comércio, uma construção de baixa qualidade", diz o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

"O que se vê é uma aumento através da informalidade. Há crescimento na construção, no serviço doméstico, ambulantes, serviços de beleza, salão de cabeleireiro, manicure", afirma Cimar Azeredo.

Segundo ele, esse processo não alterou o rendimento do trabalhador individualmente, mas trouxe um aumento da massa de rendimento no país, deixando a esperança de que a economia se movimente para a vinda de uma retomada de postos de trabalho formais no futuro próximo.

"Essa entrada expressiva de pessoas no mercado de trabalho trouxe um aumento da massa de rendimento. E esse aumento é importante, ainda que venha através da informalidade, porque movimenta a economia", afirma.

63% de beneficiários do Bolsa Família não têm saneamento básico

Pesquisa mostra hábitos de consumo e características dos domicílios.

Quase 92% das pessoas atendidas pelo Bolsa Família pertencem ao grupo dos 30% de brasileiros que recebem os menores rendimentos no país.

O IBGE divulgou nesta quarta-feira (29) informações sobre o perfil das pessoas atendidas pelos programas de transferência de renda Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada.

Além de dados que mostram informações já conhecidas, como o Norte e o Nordeste estabelecidos como regiões de mais elevado percentual de pessoas que recebem dinheiro de programas sociais, a pesquisa mostra hábitos de consumo e características dos domicílios.

Dados mostra que beneficiários do Bolsa Família são, de fato, a parcela mais vulnerável da população (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado)

Esgotamento sanitário é um dos grandes aspectos que diferenciam um domicílio que recebe o Bolsa Família daquele que não recebe. Só 36,8% dos domicílios que levam dinheiro do programa estão situados em locais que têm rede geral, pluvial ou fossa ligada à rede. Como base de comparação, no total de domicílios que não recebem Bolsa Família no país, porque não necessitam ou porque não foram atendidos, há esgotamento sanitário em mais de 70% dos casos.

A coleta de lixo aparece em apenas 73,7% dos domicílios de Bolsa Família, quando no grupo dos domicílios sem ele a coleta supera 93%.

Apenas 29,7% dos lares que recebem Bolsa Família possuem máquina de lavar roupa. Entre os que não recebem, esse percentual sobe para 68,6%, o que mostra que o acesso a bens duráveis é mais difícil para as famílias atendidas.

O menor grau de escolaridade é outra característica que diferencia as famílias beneficiadas. Em cerca de 14,4% dos lares que não recebem o auxílio algum morador tem curso superior. Esse número cai para 0,8% entre os beneficiários do programa.

Podem participar do Bolsa Família as famílias que vivem em situação de pobreza que possuem renda por pessoa de até R$ 85 mensais. Também são atendidas pelo programa aquelas com renda por pessoa entre R$ 85 e R$ 170 mensais, desde que tenham crianças ou adolescentes de até 17 anos.

Já o BPC (Benefício de Prestação Continuada) garante salário mínimo mensal ao idoso acima de 65 anos ou pessoas com deficiência de qualquer idade, com dificuldades físicas ou intelectuais, entre outros detalhes. Neste caso, a renda por pessoa do grupo precisa ser inferior a um quarto do salário mínimo.

Confiança da Indústria atinge o melhor nível desde 2014

Indicador é calculado pela FGV, com base na pesquisa Sondagem da Indústria, que ouviu os representantes de 1.101 empresas entre os dias 1º e 27 de novembro.

Pela quinta vez consecutiva, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu em novembro, atingindo 98,3 pontos, 2,9 pontos acima do trimestre terminado em outubro e o mais elevado desde janeiro de 2014 (100,1 pontos).

O indicador é calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base na pesquisa Sondagem da Indústria, que ouviu os representantes de 1.101 empresas entre os dias 1º e 27 de novembro. O resultado mostra o grau de percepção dos empresários quanto ao desempenho da economia e as chances de evolução de seus negócios.

De um total de 19 segmentos consultados, 13 indicaram aumento de confiança. De acordo com a pesquisa, os empresários estão mais animados com as possibilidades de um desempenho melhor para o futuro. O Índice de Expectativas (IE) ficou 4,2 pontos maior, alcançando 99,4 pontos. Só no segundo semestre, houve acréscimo de 7,3 pontos.

A alta está associada à previsão de aumentar os investimentos em mão de obra com mais contratação de pessoal nos próximos três meses. A taxa de empresas que planejam aumentar as contratações de empregados subiu de 15,3% para 19,7% . Ao mesmo tempo, caiu de 15,7% para 12,3% a proporção das que acreditam na necessidade de corte de pessoal.

Já o Índice da Situação Atual (ISA) avançou em 1,7 ponto, para 97,2 pontos, acumulando alta de 10,2 pontos. Em sua análise técnica, a FGV atribuiu a melhora à situação dos estoques. De outubro para novembro, caiu de 11,3% para 8,7% o total de empresários que consideram excessivo o nível de estoques.

O nível de animação é o melhor desde maio de 2013, quando apenas 8,1% dos entrevistados achavam que os estoques estavam elevados. Apesar disso, permaneceu praticamente estável o grupo que considera os estoques insuficientes, passando de 4,1% para 4%.

Em nota, a coordenadora da Sondagem da Indústria da Ibre/FGV, Tabi Thuler Santos, afirma que a retomada do crescimento está mais consistente. “A produção do setor vem crescendo, e os estoques se ajustaram, um cenário virtuoso que se reflete nas decisões estratégicas de contratação de pessoal.”

No entanto, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 0,1 ponto percentual, e passou para 74,2%. Em outubro, havia subido 0,4 ponto percentual.

Criticaram o estudo do Banco Mundial sem ler, diz executivo do órgão

Otaviano Canuto, economista brasileiro e diretor executivo do conselho de administração do Banco Mundial, afirma que o relatório foi mal compreendido.

Na semana passada, o Banco Mundial divulgou um relatório propondo o que chamou de "ajuste fiscal justo" no Brasil, com cortes no funcionalismo, educação e incentivos.

Entre as sugestões feitas pelo órgão, está a de que o país poderia acabar com a gratuidade no ensino superior público para alunos ricos, caso oferecesse bolsa a quem tivesse necessidade.

Otaviano Canuto, economista brasileiro e diretor-executivo do conselho de administração do Banco Mundial, afirma que o relatório foi mal compreendido.

PERGUNTA - Tem alguns pontos no relatório [do Banco Mundial] que são discutíveis, como a redução do número de hospitais regionais e de professores no ensino fundamental.

OTAVIANO CANUTO - Para começar, o relatório é o resultado de uma demanda feita pelo governo brasileiro, originalmente pelo Joaquim Levy, quando era ministro [da Fazenda, do governo Dilma]. É uma coisa que os países fazem com frequência, pedem ao banco que faça uma análise de gasto público.

Segundo, a julgar pelo que eu vi em boa parte dos jornais e nas redes sociais, muita gente começou a falar e atribuir propostas e conclusões que não estão lá, que não existem, e acabou. Estão escrevendo e falando sem ler o negócio, só de ouvir falar, o que é péssimo. Dizem que o relatório propõe extinguir ensino superior gratuito, mas não é bem isso que está lá.

P. - Mas essas duas propostas que eu mencionei estão lá.

OC - Sim. Mas o trabalho não reinventou a roda. A relação entre gasto e resultado no Brasil é inferior ao que a gente encontra em outros países. Uma coisa é saber o que temos que fazer, outra é ter a disposição política de fazê-lo. O relatório é uma tentativa de compilar estudos. O que será feito disso não é prerrogativa do banco.

Quando a gente compara o conjunto da arrecadação tributária e dos gastos públicos, o Brasil, diferentemente dos países da OCDE, concentra renda. Em grande parte dos países da OCDE, o conjunto de tributação atenua a desigualdade que tende a vir da economia subjacente. No nosso caso, é um Robin Hood às avessas. Então [o relatório] dá exemplos de como evitar isso.

Não é que a cobrança de anuidade em universidade pública vá salvar a lavoura, mas é uma das várias formas possíveis de tirar uma contribuição do topo da pirâmide e direcionar para baixo dela. No Brasil, a gente tem um sistema perverso, no qual a classe média e alta põem os filhos na escola privada fundamental, que hoje tem qualidade na educação em geral maior que na escola pública, e depois resistem a pagar.

P. - O relatório critica de maneira bem incisiva o Simples Nacional. Por quê?

OC - Porque ele dá incentivos à empresa a permanecer pequena, já que tem uma descontinuidade muito grande entre o regime do Simples e cair num regime de taxação corporativa normal. Com isso, muitas empresas deixam de ganhar eficiência através do aumento de escala. Então talvez seja o caso de se imaginar regimes tributários que sejam mais progressivos.

Isso me leva a outro ponto importante. O Brasil tem jabuticabas, como a "pejotização", por exemplo. O país tem um regime que depende da tributação dos impostos indiretos sobre o consumo. Por ser assim, ele concentra renda, porque proporcionalmente os pobres acabam pagando mais impostos do que os de cima.

P. - Como ter uma política industrial que não seja excessivamente protecionista?

OC - Definitivamente, não tirando dinheiro direto do Orçamento para sustentar campeões ou empresas ineficientes. A gente precisa de mais competição. O Brasil é um campeão na sobrevivência de empresas menos eficientes. O país paga um preço, porque fatores de produção que poderiam estar sendo deslocados para empresas mais eficientes não estão, e por isso a produtividade média é mais baixa. Qualquer proposta de política industrial que envolva subsídio ou Orçamento público para sustentar empresas ineficientes não funciona.

Período de crise é o melhor momento para comprar imóvel, garante corretor

Alisson Viana diz que, com a instabilidade econômica, os valores cobrados pelos imóveis tendem a cair, o que é bom para o comprador.

Boa parte da população sonha em ter sua casa própria, sobretudo quem deseja sair do aluguel. Porém, para comprar um imóvel, é necessário planejamento e muita pesquisa em instituições de crédito, bancos e imobiliárias. Segundo o corretor Alisson Viana, este período de crise econômica é o melhor momento para quem quer adquirir uma casa ou apartamento.

Apesar da economia brasileira estar passando por dificuldades, além da cobrança de impostos e taxas de juros elevadas, o mercado está aquecido. O corretor explica que a procura por imóveis, tanto para compra como para venda, cresceu neste segundo semestre.

“O mercado está bom para investir exatamente por conta da crise, ou seja, como a dificuldade de vender, a oferta está grande e a pro cura está um pouco menor, as pessoas estão encontrando facilidade, sobretudo, no preço. Os proprietários estão vendo a realidade econômica que o País se encontra e que não é todo mundo que está tranquilo financeiramente; então, eles não têm outra alternativa a não ser reduzir o valor desse imóvel, tanto para aluguel como para venda, porque eles se veem na necessidade de ter esse rendimento”, fala.


Placas de aluguel e venda se multiplicam pela cidade; mas especialista diz que mercado está aquecido (Foto: Moura Alves/O Dia)

Já o economista Eduardo Lima lembra que as taxas de juros estão caindo, assim como a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia). Eduardo cita, por exemplo, que o financia mento habitacional é feito, comumente, pela Caixa Econômica Federal (CEF), que deve estar abrindo condições mais vantajosas depois deste período de refração da economia. Porém, a população deve buscar outras instituições e opções de financiamento.

“Acreditamos que o finan ciamento feito principalmente pelos bancos oficiais é melhor que morar de aluguel, que é um dinheiro que não tem volta, enquanto o financiamento é um investimento que você está fazendo. Aluguel é um dinheiro de consumo e as prestações de uma casa é um investimento de bem de capital”, fala.

29 de novembro de 2017

Metade dos trabalhadores brasileiros tem renda menor que o salário mínimo

Renda abaixo do mínimo é possível entre trabalhadores informais e por conta própria; pesquisa revela que 10% da população concentra 43% da soma de rendimentos do país.

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 50% dos trabalhadores brasileiros recebem por mês, em média, 15% menos que o salário mínimo. Além disso, o rendimento daqueles que ganham mais é 360 vezes maior do que o dos trabalhadores que têm renda mais baixa.

“O Brasil já é conhecido como um dos países com as piores desigualdades de rendimento do mundo. Essa pesquisa enfatiza ainda mais o quão desigual é o país”, disse a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

O levantamento foi feito ao longo de 2016 por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 880. Dos 88,9 milhões de trabalhadores ocupados no ano, 44,4 milhões recebiam, em média, R$ 747 por mês.

A lei brasileira prevê um salário mínimo para os trabalhadores com carteira assinada. O rendimento abaixo desse valor é possível entre a população com emprego informal e os trabalhadores por conta própria, como vendedores ambulantes e donos de pequenos negócios.

Do total de trabalhadores, 4,4 milhões (5%) recebiam, em média, apenas R$ 73 mensais. Já 889 mil (1%) recebiam, em média, R$ 27 mil. “Isso significa que aqueles com maiores rendimentos recebiam 360 vezes mais que os com menores rendimentos”, enfatizou a pesquisadora.

A soma dos rendimentos recebidos por todos os brasileiros em 2016 foi de R$ 255 bilhões por mês, em média. Desse valor, 43,4% estava concentrado nas mãos de 10% da população do país. Já a parcela dos 10% das pessoas com os menores rendimentos detinha apenas 0,8% da massa.

A análise regional mostrou que a Região Sudeste concentrou R$ 132,7 bilhões da massa de rendimento do país, superior à soma das demais regiões. As regiões Sul (R$ 43,5 bilhões) e Nordeste (R$ 43,8 bilhões) produziram cerca de 1/3 da massa de rendimentos do Sudeste. Já as regiões Centro-Oeste (R$ 21,8 bilhões) e Norte (R$ 13,4 bilhões) produziram, respectivamente, 16,4% e 10,1% do Sudeste.

"É claro que tem de ser maior porque é no Sudeste onde está concentrada a maior parcela da população, 42%, do país”, destacou Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Segundo Azeredo, 44% dos “outros rendimentos” pagos no país estão concentrados no Nordeste. “Isso mostra o peso e a importância dos programas de transferência de renda para aquela população”.

“Aí a gente vê o tamanho da desigualdade econômica no país”, enfatizou Maria Lúcia.

Renda domiciliar per capita

O rendimento médio real domiciliar per capita foi de R$ 1,2 mil por mês em 2016. Nas regiões Norte e Nordeste, a média foi de R$ 772. A maior média foi observada no Sudeste, com R$ 1,5 mil.

Com isso, o índice de Gini, que calcula o nível de desigualdade de renda em um país, do rendimento domiciliar per capita para o Brasil naquele ano foi estimado em 0,549. O Sul do país apresentou o menor índice, de 0,473, e o Sudeste o maior, de 0,535. O índice de Gini vai de 0 (perfeita igualdade) a 1 (desigualdade máxima).

Para a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, o levantamento enfatiza a necessidade do Brasil combater as desigualdades sociais e econômicas a fim de alavancar seu desenvolvimento.

"A gente sabe que país nenhum vai crescer sob uma base desigual", destacou.

Fontes de rendimento

Dos 205,5 milhões de habitantes no Brasil, 124,4 milhões (60,5%) possuíam algum tipo de renda em 2016, segundo o IBGE. A maior parcela do rendimento da população provém da remuneração pelo trabalho, conforme a pesquisa.

Segundo o levantamento, 42,4% da população possuía rendimento de trabalho, ao passo que 24% possuía algum rendimento proveniente de outras fontes, como aposentadoria e benefícios sociais.

O IBGE destacou que havia diferenças significativas entre as regiões em relação à fonte de rendimento da população. No Sul, por exemplo, 47,1% das pessoas com renda a obtinham por meio do trabalho. Já o Nordeste concentrava o maior percentual de pessoas que recebiam rendimento de outras fontes.

Dentre os rendimentos distintos da remuneração pelo trabalho, aposentadorias e pensões se destacaram como a principal fonte. Da população com renda, 13,9% recebia aposentadoria ou pensão; 2,4% recebia pensão alimentícia, mesada ou doação; 1,8% tinha renda de aluguel; e 7,7% recebia algum tipo de rendimento de outras fontes, como rendimentos de poupança, seguro-desemprego e dos programas de transferência de renda do governo, como o Bolsa Família, por exemplo.

Considerando apenas o Bolsa Família, o IBGE constatou que 14,3% dos domicílios do país têm essa fonte de renda. No Nordeste, este percentual salta para 29,3% dos domicílios e no Norte para 27,2%. O menor percentual foi observado no Sul (5,4%), seguido pelo Sudeste (6,9%) e Centro-Oeste (9,4%).

Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme apontou a pesquisa, estava presente na renda de 3,4% dos domicílios brasileiros. Nordeste e Norte são as regiões com maior percentual deste benefício – respectivamente 5,4% e 5,3% - seguidas pelo Centro-Oeste (3,6%), Sudeste (2,3%) e Sul (2,1%).

Cimar Azeredo enfatizou que o rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios onde havia pagamento de Bolsa Família foi de R$ 331, enquanto nos domicílios onde nenhum morador o recebia foi de R$ 1.446.

Região

A análise regional revela que o Nordeste foi a região que concentrou a maior parcela de pessoas que tinham renda distintas de trabalho, aposentadoria, pensão e aluguel.

“Isso mostra o peso e a importância de programas sociais de distribuição de renda nestas regiões com maior desigualdade do país”, avaliou Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa.

Google libera criação gratuita de sites para micro e pequenas empresas

Plataforma Google Meu Negócio, para PMEs, ganhou novas funções.

O Google expandiu nesta quarta-feira (29) seu programa para micro e pequenas empresas, que passou a permitir que essas companhias criem páginas na internet gratuitamente e puliquem informações sobre o negócio que apareçam diretamente nos resultados da busca.

As duas novas funções foram adicionadas ao Google Meu Negócio, uma plataforma que reúne informações sobre um estabelecimento comercial para apresentá-las tanto na ferramenta de pesquisas na internet quanto no serviço de mapas.

O intuito do Google ao criar uma presença digital para PMEs é ampliar o possível mercado consumidor de seus produtos de publicidade. Tanto é que uma das áreas do Meu Negócio é chamada de Adwords Express, que replica de forma simplificada a contratação de anúncios na ferramenta de buscas do Google.

Funcionária do Google cria site com a nova função da plataforma Meu Negócio, voltada para micro, pequenas e médias empresas. (Foto: Divulgação/Google)

A partir de agora, a criação de sites será uma nova opção do Meu Negócio. Todos essas páginas são terminadas com “negocio.site”. Ou seja, podem ser “loja-qualquer.negocio.site”, por exemplo. A hospedagem das páginas é gratuita porque o domínio pertence ao Google.

As informações listadas nos novos sites são tiradas do cadastro que as empresas têm de preencher para participar do Google Meu Negócio.

Para acessar essa plataforma, basta ter uma conta Google. O cadastro de todo novo estabelecimento é checado para que as informações online sejam verdadeiras. Os dados exibidos são:

- horário de funcionamento;

- telefone para contato;

- endereço;

- fotos.

Durante o anúncio da novidade, o site de uma loja de salgados foi criado em alguns minutos. “As pessoas escolhem um domínio e em 10 minutos conseguem seu site”, diz Luiz Guilherme Brandão, gerente de produtos de marketing do Google.

Essa nova função começou a ser testada de forma restrita em março deste ano, mas agora é aberta a todo mundo. Desde então, mais de 150 mil sites foram criados só no Brasil.

A outra ferramenta incluída no Meu Negócio é a possibilidade de as PMEs publicarem posts, que serão exibidos na busca do Google. Podem ser novidades sobre o negócio, ofertas de produtos ou promoções. Na prática, essas publicações podem funcionar como anúncios gratuitos.

Segundo Suzana Ayarza, diretora de marketing do Google, a presença de um estabelecimento comercial na internet aumenta a chance de consumidores chegarem até ele. Um pesquisa da própria empresa apontou que 90% dos consumidores fazem buscas na internet quando querem comprar. Eles pesquisam:

- preço;

- informações do produto;

- lojas que oferecem o item desejado.

Ainda de acordo com a pesquisa, mais da metade dos consumidores online ouvidos disse que confia mais em empresas que possuem um site.

Bitcoin supera cotação de US$ 10 mil, atrai investidores e divide economistas

Preço da moeda digital superou US$ 10 mil nesta quarta-feira (29); Banco Central brasileiro entende que investimento em bitcoin tem 'riscos imponderáveis'.

Os investimentos em bitcoin deixaram de ser coisa de nerd e conquistaram pessoas que pouco entendem de tecnologia ou de aplicações mais arriscadas, como a bolsa de valores. Os ganhos estratosféricos atraem investidores novatos para a moeda virtual. Mas, para alguns economistas e para o Banco Central brasileiro, o bitcoin é uma bolha financeira, um investimento não recomendado e com "riscos imponderáveis".

Só neste ano, a moeda virtual subiu cerca de 900%. Quem investiu em bitcoin conseguiu multiplicar seu capital e isso atrai novos investidores para a moeda virtual. Nas primeiras horas de quarta-feira (29), o bitcoin superou o valor de US$ 10.000.

Criada em 2008, o bitcoin é uma moeda virtual. Ao contrário de outras moedas, como o dólar ou o real, o bitcoin não é emitido pelo Banco Central de um país. O responsável por sua "criação" é um complexo programa de computador. Os investidores compram e vendem bitcoins, que ganham ou perdem valor de acordo com a demanda pela moeda, de uma forma similar a uma ação vendida na bolsa de valores.

O bitcoin pode ser usado para comprar produtos e serviços físicos. Mas também pode ser trocado em casas de câmbio por outras moedas.

(Foto: Arte/G1)

A primeira transação no mundo real a usar bitcoin ilustra bem a escalada de preços da moeda virtual. Em 2010, um entusiasta comprou duas pizzas por 10 mil bitcoins. Na época, pareceu um bom negócio: a soma não passava de US$ 40. Na cotação atual, as duas pizzas custariam quase US$ 100 milhões.

Novatos e 'experts'

O público que compra bitcoin atualmente é bem distinto e reúne tanto pessoas bem informadas sobre aplicações financeiras a investidores iniciantes.

A veterinária Ceila Rossi, de 40 anos, por exemplo, não possuía nenhum investimento até comprar bitcoins em março deste ano, incentivada por um amigo distante. Ele até tentou destrinchar a tecnologia por trás da moeda virtual para amiga.

“Eu falei assim: 'Pode parar com a explicação, porque eu não consigo entender. É muito fora de onde eu estou acostumada a trabalhar'”, disse. Mesmo sem entender como funciona o bitcoin, a veterinária comprou a moeda virtual, atraída por um passado de valorização e pela liquidez da divisa.

“A qualquer hora eu posso resgatar. É diferente de outros investimentos, em que você tem que esperar um tempo para retirar.”

Anderson Brito, analista de 25 anos, que investe em bitcoin. (Foto: Arquivo Pessoal/Anderson Brito)

Outro novato no mundo de bitcoin é o analista Anderson Brito, de 25 anos. Antes de comprar bitcoin, ele mantinha o seu dinheiro todo aplicado na caderneta de poupança, um dos investimentos mais conservadores do país.

Incentivado por um amigo, aplicou um valor pequeno, menos de R$ 400, porque a tecnologia ainda é nebulosa para ele.

"Eu sou um cara muito conservador e não gosto de investir muito porque não tenho muito dinheiro para isso. "

Entre os novos investidores não há apenas iniciantes no mundo das aplicações. A advogada Caroline Savaron Giusti, de 28 anos, já investia em fundos, mas resolveu apostar no bitcoin e já pensa em comprar outras moedas criptográficas.

Já o representante comercial Elso Lima, de 50 anos, viu no bitcoin uma chance para diversificar seus investimentos e buscar retornos maiores em um momento em que a taxa de juros caiu no Brasil. Para ele, o bitcoin “é um ativo de muito risco", mas com maiores possibilidades de retorno, como a Bolsa de Valores.

“Os juros no Brasil estão baixando muito. A gente tinha uma rentabilidade nas aplicações financeiras, que agora estão caindo radicalmente. Você aplicava em fundos de renda fixa, DI, multimercados e tinha retorno de 15% ao ano. Agora, para 7%, 8%”, disse.

Volume de bitcoins

Estimativas da CoinDesk, uma das maiores casas de câmbio do mundo de moedas virtuais, apontam que há cerca de 16,7 milhões de bitcoins em circulação pelo mundo e que elas somam cerca de US$ 166 bilhões.

No Brasil, são 12 as casas de câmbio que trocam bitcoin por reais e dólares. A Foxbit, que é uma exchange de bitcoin, movimenta mais de meio bilhão de reais ao ano.

João Canhada, presidente-executivo da Foxbit, casa de câmbio de bitcoin. (Foto: Divulgação/Foxbit)

É ou não é bolha?

A valorização dos bitcoins divide opiniões:

- tem quem veja nisso um indício de formação de uma bolha especulativa e;

- quem acredite ser efeito do aumento da confiança na tecnologia que sustenta o bitcoin.

Durante bolhas, os preços de ativos se descolam de mensurações reais, explica Fernando Nogueira da Costa, professor da Unicamp. A partir daí, há um movimento que se retroalimenta: investidores correm para comprar; a demanda maior faz o preço subir; mais investidores são atraídos, e por aí vai, até a bolha estourar e o preço do ativo desabar.

É fato: o valor do bitcoin disparou e muito. Se em 1º de janeiro deste ano, o preço de venda era de US$ 997,96, nesta segunda-feira (27), era de US$ 9.688. Até agora, a alta acumulada no ano só não é maior do que a registrada em:

2011, quando o valor saltou 1.290%, de alguns centavos para pouco menos de US$ 5;

2013, quando a guinada foi de 5.590%, após o FBI passar a ser dono da maior carteira de bitcoin do mundo. Isso ocorreu após a polícia federal norte-americana ter fechado a Silk Road, a maior loja virtual do submundo da internet e que aceitava apenas bitcoins.

Há cerca de 1,3 mil moedas virtuais circulando pela internet. O preço do ether, por exemplo, subiu 4791% no acumulado do ano.

Por que subiu?

Os dois lados explicam a elevação da moeda em 2017 de formas diferentes. Para especialistas que veem no bitcoin uma inovação tecnológica, a valorização é resultado de que países e empresas financeiras confiam nele.

“Ele está sendo legitimado pelo mercado cada vez mais. A gente vê, por exemplo, países mais abertos a inovação e à liberdade econômica, como Japão e Suíça, tendo regulações e legislações menos restritivas e até amigáveis à criptomoeda”, afirma Fernando Ulrich, economista-chefe para criptomoedas da XP Investimento.

Diversos bancos já investem em títulos corrigidos pela variação do bitcoin. Mas a sinalização do mercado financeiro mais expressiva a favor do bitcoin veio da Bolsa de Chicago. A centenária Chicago Mercantile Exchange anunciou que, até o fim deste ano, irá negociar contratos futuros da moeda, para atender ao “crescente interesse de clientes no crescente mercado das criptomoedas”.

Executivos de instituições financeiras, por sua vez, acreditam que os valores crescentes não passam de uma corrida especulativa, típica de bolhas financeiras.

“A única razão hoje para comprar ou vender bitcoin é fazer dinheiro, o que é a definição mais precisa de especulação e define uma bolha”, afirmou Tidjane Thiam, CEO do Credit Suisse, no começo de novembro, durante a conferência de resultados do banco.

A opinião do presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, vai na mesma linha. “Isso é a típica bolha ou pirâmide que existem na economia há centenas de anos”, afirmou, em um evento em São Paulo.

As manifestações mais contundentes, no entanto, partem de Jamie Dimon, presidente-executivo do JP Morgan. Ele já disse que funcionários flagrados negociando bitcoin não teriam vida fácil no banco.

"Seria demitido em um segundo, por duas razões: é contra nossas regras e eles são estúpidos, e ambas as coisas são perigosas".

Poucos dias depois após Dimon dar essa declaração, o JP Morgan foi um dos maiores compradores de títulos de investimento que são corrigidos pela cotação do bitcoin na Suécia. Uma empresa do país viu nisso uma tentativa do banco manipular o mercado e entrou com uma reclamação junto à autoridade financeira sueca.

Sem regulação

O fato de o bitcoin ser uma moeda puramente virtual, que não é regulada ou emitida por nenhuma autoridade financeira, é o maior ponto de preocupação dos críticos.

"Não há, no arcabouço legal e regulatório relacionado com o Sistema Financeiro Nacional, dispositivo específico sobre moedas virtuais. O Banco Central do Brasil, particularmente, não regula nem supervisiona operações com moedas virtuais”, informou na última semana o BC.

Tidjane Thiam, CEO do Credit Suisse, acredita que a falta de regulamentação abre até brecha para a moeda ser usada para negócios ilícitos.

"Eu acredito que a maioria dos bancos, no atual estado da regulação, tem pouco ou nenhum apetite de se envolver com uma moeda como essa, com tantos desafios para evitar a lavagem de dinheiro."

A transferência de valores de bitcoins é feita entre "carteiras", que existem nos computadores dos usuários. Todas as transações são registradas em um sistema aberto ao público, chamado de "blockchain" –é possível conferir quem mandou qual quantia para quem, desde que você saiba o código da carteira dos dois. As operações são agrupadas em blocos, depois incorporados a uma corrente –é a sequência de transferências que pode ser acessada.

O Banco Central diz que o bitcoin não tem seu valor atrelado a um bem real, nem garantia de conversão. Para a autoridade monetária brasileira, confiança é só o que bitcoin tem:

“[O bitcoin] não têm garantia de conversão para moedas soberanas, e tampouco são lastreadas em ativo real de qualquer espécie, ficando todo o risco com os detentores. Seu valor decorre exclusivamente da confiança conferida pelos indivíduos ao seu emissor.”

Um dos riscos do bitcoin é ele deixar de ser aceito e o investidor ficar com um mico na mão. A China já proibiu as casas de câmbio da moeda no país e neste ano barrou as ofertas públicas de criptomoedas (ICOs, na sigla em inglês). Esse instrumento é encarado como substituto dos investimentos de capital de risco para startups de tecnologia se financiarem.

E se for bolha?

Se for uma bolha, o seu valor não é real e ela pode "estourar". Quando - e se - isso ocorrer, o preço da moeda virtual vai desabar e muitos investidores vão perder dinheiro.

Mas é verdade que muita gente ganha dinheiro nas bolhas especulativas. São pessoas que surfam na onda da valorização e saem do negócio antes que seu preço desabe. Os próprios defensores da moeda virtual enxergam essa possibilidade.

“Para mim, o bitcoin tem valor. Agora, se o preço é US$ 5 mil ou US$ 7 mil, eu não sei. Parte do valor que está nesse preço, eu chamo de ‘dinheiro burro’. Gente que entrou, porque todo mundo entrou e vai tomar um fumo na hora que todo mundo correr, porque vai acontecer um comportamento de manada digital. Acho que tem uma grande chance de a gente ter uma mudança de rota, uma recalibragem para em torno de US$ 5 mil”, afirma Oliver Cunningham, sócio da consultoria KPMG.

O investidor Anderson Brito não descarta uma queda abrupta dos preços. "Eu só acho que isso não vai acontecer agora", diz.

João Canhada, presidente-executivo da casa de câmbio Foxbit, não acredita que a bolha seja um problema. “Todos os bancos, todos os fundos estão falando de bitcoin. Por isso, ainda há muito potencial para subir e não é bolha. Talvez seja uma bolha, mas tudo bem. Só que ela é uma bolha que vai inflar muito ainda.”

O BC, no entanto, alerta que, após o estouro de uma bolha, sobra pouca coisa. De acordo com o BC, a compra e a guarda de moedas virtuais com finalidade especulativa "estão sujeitas a riscos imponderáveis, incluindo, nesse caso, a possibilidade de perda de todo o capital investido, além da típica variação de seu preço".

Infográfico: Como funciona o bitcoin (Foto: Igor Estrella/G1)

Índice do aluguel sobe 0,52% em novembro, mas no ano queda é de 1,40%

O levantamento foi feito pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), usando dados coletados entre os dias 21 de outubro e 20 de novembro.

Usado no reajuste de aluguéis, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu para 0,52% em novembro, depois de uma alta de 0,20% em outubro. No acumulado desde janeiro, a taxa permaneceu em queda (-1,40%). Também foi mantido o recuo em relação aos últimos 12 meses (-0,86%).

O levantamento foi feito pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), usando dados coletados entre os dias 21 de outubro e 20 de novembro. O avanço de preços no setor atacadista é um dos fatores que influenciou na alta.

Utilizado para reajustar imóveis, índice passou de 0,20% em outubro para 0,52% em novembro (Foto: Arquivo Agência Brasil)

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) passou de uma variação de 0,16% para 0,66% com destaque para o subgrupo combustíveis para o consumo, com elevação de 1,70% para 9,17%.

Já o subcomponente matérias-primas brutas, em que estão incluídas as commodities (produtos primários com cotação no mercado internacional), teve retração de 0,68%, porém menos expressiva do que a queda na pesquisa anterior (-1,05%).

Reajustes afetam outros segmentos

Entre os itens em que foram constatadas mudança na direção de reajustes estão o leite in natura (de -7,22% para -3,76%), a mandioca (de -0,53% para 5,91%) e aves (1,80% para 4,19%). No mesmo período, perderam força os aumentos do milho (de 10,75% para 5,09%), laranja (de 5,70% para 1,39%) e, no caso dos bovinos, os preços recuaram 1,33% ante uma alta de 0,76%.

No varejo, foi observada estabilidade. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) manteve-se em 0,28%. Houve pressões no grupo habitação com alta significativa de 0,77% ante 0,31%, puxado pela conta de luz (de 0,92% para 3,93%); em transportes (de 0,15% para 0,62%) e saúde e cuidados pessoais (de 0,33% para 0,40%).

Em relação ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), ocorreu aumento de 0,28%, um pouco acima do registrado entre setembro e outubro (0,19%). Essa elevação foi influenciada pelo conjunto de materiais, equipamentos e serviços (de 0,44% para 0,61%).

Confiança de Serviços cai 0,1 ponto após quatro meses de alta

Em médias móveis trimestrais, porém, o índice segue em elevação pelo terceiro mês consecutivo.

A estabilidade da economia, que vem sendo constatada nos principais indicadores dos últimos meses, não está conseguindo alterar significativamente os números do Índice de Confiança de Serviços (ICS), cujos dados foram divulgados hoje (29), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Segundo a FGV, o indicador, embora tenha ficado praticamente estável, recuou 0,1 ponto este mês, comparativamente a outubro, após quatro meses consecutivos de alta. Em médias móveis trimestrais, porém, o índice segue em elevação pelo terceiro mês consecutivo.

Índice de Confiança de Serviços recuou 0,1 ponto em novembro, revela pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (Foto: Arquivo Agência Brasil)

Os dados indicam que a relativa estabilidade em novembro na comparação com outubro reflete queda da confiança em 7 das 13 atividades pesquisadas.

A principal influência negativa no resultado de novembro veio do Índice da Situação Atual (ISA-S), que chegou a recuar 0,8 ponto em contraponto ao Índice de Expectativas (IE-S), que avançou 0,7 ponto na mesma base de comparação.

Para o consultor da Ibre/FGV, Silvio Sales, os números - desde o início de segundo semestre - revelam um processo mais equilibrado entre percepção e situação corrente. “A virtual estabilidade da confiança no mês não altera o quadro positivo dos indicadores nos últimos meses. A evolução desde o início do segundo semestre revela um processo mais equilibrado entre a percepção empresarial sobre as condições correntes e suas expectativas para os próximos meses, padrão que não era observado anteriormente”, disse.

Para Sales, “a melhora do ambiente de negócios é também mais espalhada entre os segmentos. E a maior convergência nas avaliações empresariais reforça os sinais de ampliação do ritmo de atividade do setor para os próximos meses.”

Ainda no que diz respeito ao Índice de Situação Atual, a queda de 0,8 ponto foi determinada pelo indicador que mede o grau de satisfação com a situação atual dos negócios, que, ao cair 1,2 pontos, exerceu a maior contribuição para a retração de ISA-S em novembro.

Já a alta de 0,7 ponto do Índice de Expectativa foi determinada pelo avanço do indicador de demanda prevista, que subiu 2,5 pontos indo para 90,4 pontos.

A FGV ressalta que o Nível de Utilização da Capacidade da Indústria do setor de serviços fechou novembro com queda de 0,6 ponto percentual frente a outubro, indo a 82,4%. Essa queda devolveu em parte o crescimento de 1,5 ponto percentual registrado em outubro.

Percepção empresarial tem melhora

Na avaliação da FGV, a evolução recente de alguns fatores restritivos à atividade de Serviços é um aspecto adicional que confirma a gradual melhora na percepção empresarial. Neste aspecto, a pesquisa apresenta às empresas uma relação de fatores potencialmente limitadores da melhora dos negócios.

Porém, a proporção de empresas reportando o fator “demanda insuficiente” vem recuando nos últimos meses, chegando a 35,3% em novembro, o menor valor desde março de 2015.

Já a parcela das que afirmam estar operando “sem impedimentos” cresce discretamente,  chegando a 13,5% do total em novembro, o maior percentual desde fevereiro de 2015. A pesquisa de novembro obteve informações de 1.950 empresas entre os dias 1 e 24 deste mês.

Rendimento médio de trabalhadores chega a R$ 2.149 no país, diz pesquisa

Em 2016, os homens recebiam, em média, por mês, R$ 2.380, enquanto as mulheres recebiam R$ 1.836, o que representa 77,1% do rendimento masculino.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em 2016, o rendimento médio mensal real dos 88,9 milhões de trabalhadores do país, com 14 anos ou mais de idade, resultou em uma massa mensal de rendimento (total pago à população ocupada) de aproximadamente R$ 191 bilhões e um rendimento médio de R$ 2.149. 

Os homens recebiam, em média, por mês, R$ 2.380, enquanto as mulheres recebiam R$ 1.836, o que representa 77,1% do rendimento masculino.

O rendimento médio mensal real das pessoas brancas (R$ 2.810) era maior que os rendimentos observados para as pessoas pardas (R$ 1.524) e pretas (R$ 1.547). As pessoas brancas apresentaram rendimentos 30,8% superiores à média nacional de R$ 2.149, enquanto as pardas e pretas receberam rendimentos 29,1% e 28%, respectivamente, inferiores a essa média.

Segundo o IBGE, a população branca corresponde a 46,6% da população ocupada e a população parda, 43,4%. 

Em relação à escolaridade, a participação das pessoas com, no mínimo, o ensino médio completo foi 56,8% dos ocupados. Entre aqueles que não tinham o ensino fundamental completo ou equivalente, a participação foi 27,9% dos ocupados.

As pessoas sem instrução ou que tinham menos de um ano de estudo apresentaram o menor rendimento médio (R$ 884). Por outro lado, o rendimento das pessoas com ensino fundamental completo foi 57,8% maior, chegando a R$ 1.395. Quem tinha ensino superior completo registrou rendimento médio aproximadamente três vezes maior que os que tinham somente o ensino médio completo e quase seis vezes o daqueles sem instrução.

No ano passado, as pessoas que tinham rendimento proveniente do trabalho correspondiam a 42,4% da população residente no Brasil (87,1 milhões), enquanto 24% (49,3 milhões) tinha algum remuneração de outras fontes (aposentadoria, pensão, aluguel, pensão alimentícia, transferência de renda, entre outros).

A região Sul apresentou o maior percentual de pessoas com rendimento do trabalho (47,1%). A Região Nordeste registrou o menor percentual de pessoas com rendimento do trabalho (35,7%) e o maior percentual daquelas que recebiam de outras fontes (27,6%).

Concentração

Segundo a Pnad Contínua, em 2016, o 1% dos trabalhadores com os maiores rendimentos recebia mensalmente, em média, R$ 27.085, ou 36,3 vezes mais do que a metade da população com os menores rendimentos, que ganhavam, em média, R$ 747.

A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita alcançou R$ 255,1 bilhões em 2016. A parcela dos 10% com os menores rendimentos da população detinha 0,8% do total, enquanto os 10% com os maiores rendimentos ficaram com 43,4%. O grupo dos que têm maior rendimento tem uma parcela da massa de rendimento superior à dos 80% da população com os menores rendimentos (40,8%).

O rendimento domiciliar per capita é a divisão dos rendimentos domiciliares pelo total de moradores.

No país, o rendimento médio real domiciliar per capita foi R$ 1.242. As Regiões Norte e Nordeste apresentaram os menores valores (R$ 772) e a região Sudeste o maior, R$ 1.537.

Do remineração média mensal domiciliar per capita, 74,8% provêm do trabalho e 25,2% vêm de outras fontes, principalmente aposentadoria e pensão (18,7%).

Em um ano, número de teresinenses endividados diminui quase 4%

Do total de endividados, 84,4% são de contas em cartão de crédito; 17,9% em carnês de lojas e 2,9% de crédito pessoal.

Um levantamento referente ao mês de novembro indica que 47,8% população teresinense está endividada com compras a prazo, financiamento de casa e carro, crédito especial e carnê de loja. O número é menor quando comparado ao mesmo período do ano passado, em que 52,1% tinham dívidas. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de Teresina (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços e Turismo em parceria com a Fecomércio/PI.

Do total de endividados, 84,4% são de contas em cartão de crédito; 17,9% são em relação à carnê de loja e 2,9% de crédito pessoal. Ainda de acordo com os dados, mais de 50% da população paga suas compras à vista.

As informações reveladas pela Fecomércio/PI ainda dão conta que 12,9% dos teresinenses estão com contas em atraso e, destes, 4,9% estão inadimplentes. O assessor econômico da instituição, Raimundo Nonato Paz, explica que a inadimplência é quando as contas já estão com três meses em atraso e já se considera que o devedor não tem como pagar.

Crise e dificuldade de acesso a crédito intimidam consumidores, que só têm pagamento à vista como opção (Foto: Arquivo O Dia)

Segundo a educadora financeira Marielle Baia, em época de crise, as pessoas ficam mais retraídas e o dinheiro fica preso; por isso, o índice de endividamento pode ter reduzido. Além disso, os desempregados e endividados não têm mais crédito para pagar a prazo e acabam não possuindo mais condição de compra e, por isso, optam por pagar à vista.

O que também é um fator de endividamento são as compras parceladas, que muitas vezes levam as pessoas a comprarem além de seu poder aquisitivo, o que acaba acumulando muitas contas. Marielle Baia informa que 30% dos gastos são desperdício.

“Cartão de crédito é uma faca de dois gumes, para quem não paga em dia é um problema muito sério. Os juros são quase 15% ao ano, isso já é um absurdo. O pior é o hábito compulsivo de se comprar. A pessoa acha que está fazendo certo, mas a dívida está sendo aumentada cada vez mais. Quando divido em várias vezes, estou jogando para frente e uma hora não vou ter como pagar”, pontua.


Recomendações

Marielle Baia explica que no final do ano, com o 13º salário, é comum as pessoas se endividarem antecipadamente, já pensando nesse valor a mais na renda. O que acontece é que surgem gastos com escola e livros, além de outras compras de Natal e, para a educadora financeira, o ideal é que o brasileiro criasse o hábito de realizar suas compras à vista.

A recomendação da especialista é que as pessoas conheçam sua vida financeira e, para isso, é necessário um diagnóstico: deve ser feito o levantamento do ganho mensal; após essa fase, deve ser realizada a listagem dos gastos por mês.

“Tem que anotar tudo por categoria. O que gasta com supermercado, gasolina, ônibus, saída, roupas. A partir disso, vai conhecer o seu padrão de vida. Se meu padrão de vida é valor X, então não posso ganhar menos que isso. A maioria das pessoas não sabe seu padrão de vida e estão vivendo no limite do ou mais e isso gera desconforto”, enfatiza.