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Machismo exige padrão de comportamento e atinge também os homens

A cultura que dá benefícios ao homem por causa do gênero é a mesma que o proíbe de fazer qualquer coisa que ponha sua masculinidade em questão.

16/07/2017 09:02h - Atualizado em 16/07/2017 13:12h

Homens e mulheres estão submetidos a uma educação eminentemente machista, que as ensina a obedecer certos padrões de comportamento e os obriga a demonstrar virilidade.

A cultura que dá benefícios ao homem por causa do gênero é a mesma que o proíbe de fazer qualquer coisa que ponha sua masculinidade em questão.

A família é a primeira instituição social na qual o indivíduo está inserido, ou seja, é onde se obtém as primeiras noções de comportamento. Tais aprendizados irão moldar a forma como cada um vê o mundo. Se um menino é educado para se sentir superior, ele irá reproduzir isso na fase adulta, e provavelmente transmitirá esse conhecimento a seu filho.

Quem nunca ouviu: “Estou indo embora, a mala já está lá fora, vou te deixar. Por favor não implora, porque o homem não chora e não pede perdão”, canção embalada pela voz do cantor Pablo?

A advogada Carol Fortes, que faz parte do Grupo de Pesquisa em Sexualidades, Corpo e Gênero (Sexgen), afirma que os pais devem conduzir a educação de seus filhos de modo que eles saibam seu lugar na sociedade e as responsabilidades que cada um deve ter. “É de suma importância que os pais ensinem que homens e mulheres têm direitos e responsabilidades iguais. O homem não é melhor por ser homem, nem a mulher tão frágil por ser mulher. Todos têm direitos e deveres a serem compridos, independente do gênero”, afirma a advogada.


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Uma pesquisa realizada pelo portal "Papo de Homem" e pela ONU Mulheres, com apoio do grupo O Boticário, mostra que a necessidade de se encaixar no estereótipo de “herói durão, viril e provedor" gera pressão e sofrimento nos homens.

No estudo foram entrevistadas mais de 20 mil pessoas.

De acordo com o levantamento, 81% dos homens entrevistados consideram o Brasil um país machista; 45% disseram que não gostariam de se sentir inteiramente responsável pelo sustento do lar; 45% gostariam de se expressar de forma menos agressiva, mas não sabem como; e 54% desejam ter mais liberdade de explorar seus hobbies sem ter sua masculinidade questionada.

O psicólogo Dennis Barros afirma que existem dois grupos de homens: os que incorporam esses valores machistas e os que não se sentem confortáveis com eles. Ambos são afetados. “Os homens machistas são afetados por uma autoimposição de rigidez e invulnerabilidade, coisas impossíveis de se sustentar para sempre. Os que não concordam com tal cultura são oprimidos por não concordarem com a maioria, e acabam não sendo considerados modelos bem-sucedidos de masculinidade”, explica o psicólogo.

O escritor e filósofo Matheus Jacob é conhecido nas redes sociais por escrever sobre sentimentos. A sua página "Homem que Sente", mesmo nome do seu livro lançado recentemente, tem mais de 396 mil seguidores. 

O escritor paulista defende que é importante quebrar o paradigma de que homem não tem sentimentos. “Comecei a escrever no anonimato. Porém, depois de alguns meses, resolvi revelar de quem era o rosto por trás daqueles textos, até para mostrar que todos somos humanos, imperfeitos e falíveis”, afirma Matheus.

Homens são reprimidos e se sentem forçados a seguir um padrão de comportamento estabelecido pela sociedade (Foto:  Luis Molinero / Freepik / Ilustrativa)

O escritor afirma, ainda, que homens e mulheres leem seus textos e o respondem. “Existe um cuidado para que haja uma identificação universal nos textos, tanto de homens quanto mulheres. Inclusive, recebo relatos masculinos sobre suas dores. É bom ver como nos permitimos cada vez mais”, completa.

Discussões acerca da desigualdade de gênero levam a uma constatação: quem se sente privilegiado, de uma forma ou outra, é também oprimido.

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Edição: Nayara Felizardo
Por: Geici Mello

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